quinta-feira, dezembro 08, 2011

Tolerâncias de Ponto

Já aqui referi que sou radicalmente contra as tolerâncias de ponto. E não se pense que é pelo facto de trabalhar há anos no sector privado e não usufruir das benesses do sector público. Por definição, sou contra.

Esta minha animosidade relativamente à concessão das tolerâncias de ponto não seria descabida há 50 anos atrás. Na altura, o sector privado teria uma menor representatividade face à tão almejada e cobiçada efectividade no Estado. Em muitas situações o que era concedido (em termos de tolerâncias de ponto) no público era seguido no privado. Até este ano. 

Com o passar dos anos passou a ser uma opção por parte de quem paga os vencimentos, em nome da produtividade. E confesso que não discordo.

Mas voltando atrás. Há 50 anos (ou até antes), assistiu-se ao  êxodo rural massivo do meio rural e consequente fixação das pessoas nas grandes urbes em busca das melhores condições de vida, das boas oportunidades e naturalmente em busca de algo que fosse o garante de uma boa vida para os filhos e gerações vindouras. Tudo isto em detrimento da necessidade de ir acordar as galinhas para chocar os ovos ou de ir mungir as vacas por volta das 0430H. Ou ir todos para o campo de noite a noite. Assim sendo, e nesta perspectiva, parece-me fazer sentido a fuga do campo e tentar a sorte nas cidades. 

Mas como se sabe, nem sempre é possível que se cortem as raízes. Nas épocas festivas e por altura das romarias, na apanha da uva ou da azeitona, a saudade aperta e os corações de pedra dos chefes (também eles lá da "terra") eram amolecidos. O na altura "dono de Portugal" também era ele próprio provinciano. E claro que com facilidade eram concedidas estas benesses. Para que as pessoas que iam à terra "tivessem um dia" para a viagem de volta à terra. Lembro os mais esquecidos que na altura não havia alcatrão em todo o "rectângulo" e ir de Lisboa ao Porto....era capaz de demorar menos umas horas do que as actualmente necessárias para ligar Lisboa ao...Brasil.

Para concluir, e por via de ter sido dada prioridade máxima à construção de estradas por parte de um determinado governante, construíram-se muitas. Demasiadas, diria mesmo. Mas tornou-se possível ir ao Porto em menos de duas horas para comer uma francesinha. E assim sendo, deixa de fazer sentido avançar a necessidade de se tentar "engrupir" o chefe com a treta de se perder um dia em viagem. A questão é que os portugueses perpetuam (como de resto já vem sendo hábito), a "chica espertice". E esquecem-se que os tempos mudaram. Porque lhes convém esquecer, claro. Mas como até é bom ter finais de semana prolongados...mais vale estar quieto. Quando em altura de crise...o que se devia pensar é nas formas de dar a volta. E fazer mais sacrifícios. 

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1 comentário:

Anónimo disse...

Coitado do funcionário público, sempre culpado de tudo. É melhor que pensem nas coisas graves que se têm feito nos últimos anos e que destruiram o nosso país e preocupem-se menos com as tolerâncias de ponto e os feriados nacionais. Não é a sua existência que originou o país de merda que temos hoje e a sua abolição não vai contribuir em nada para a nossa salvação.
As pessoas não precisam que lhes tirem coisas. Precisam sim de trabalhar com motivação , vontade e alegria. E foi isso que se perdeu e não sei se alguma vez se irá recuperar.