domingo, dezembro 23, 2012

Eis que somos chegados a mais um Natal. É com uma enorme satisfação e um claro regozijo que escrevo estas linhas para os meus seguidores. Significa, em primeiríssima mão que ainda ando por cá, no mundo dos vivos. E em "segunda mão" tenho mais uma certeza: mais um ano que irei comer várias rabanadas com calda de açucar (muita, de preferência) ou os clássicos e tão saborosos sonhos de abóbora. Para quem não aprecia qualquer uma destas iguarias avanço que não há problema nenhum. Pode enviar para mim que eu trato do assunto em menos de um fósforo.

Tenho também a informar que este ano constitui um marco para a posteridade. Durante algumas semanas andei a preparar um discurso. Um discurso preparadíssimo para esta quadra e para ter lugar com a devida antecedência, não fosse ser mal aceite a mensagem que tinha para dizer e ter de recorrer a um plano de recurso (plano B). Mas passo contar a história toda para que todos entendam.

Como tem vindo a acontecer em anos anteriores, aí por Junho, Julho deste ano decidi começar a pensar e a preparar numa lista de compras de Natal. Não para muita gente. Mas para as 20 a 25 pessoas mais próximas de mim. E comecei desde logo a pensar em pessoas a quem queria oferecer algo. E o que oferecer às mesmas pessoas. Há pessoas que merecem coisas. E "outras" pessoas que merecem "outras" coisas, se é que me entendem. Até meados de Novembro do corrente ano já tinha uma ideia muito aproximada do que oferecer às pessoas (e às outras pessoas) e em início de Dezembro resolvi colocar "mãos à obra" e encetar esta árdua tarefa que é ir procurar (e encontrar) o que com tanto carinho pensei oferecer.

Pois é. Já se imagina. Quem me segue há algum tempo sabe bem que tenho (entre outros) um problema sério (por resolver comigo mesmo) relacionado com as multidões. De, por exemplo, querer ir a um sítio e não haver estacionamento livre: Quem nunca experimentou o entrar num estacionamento subterrâneo nesta altura do ano e ver os vidros do carro ficar imediatamente embaciados e não ser possível ver um palmo à frente do nariz? Para mim é pior que enfiar farpas de madeira debaixo das unhas das mãos e dos pés. Já não falando em ficar próximo de uma apoplexia acompanhada de emudecimento.

Derivado do meu problema acima e que não raro me faz ficar com tremores pelo corpo todo e suores frios só de pensar em ter de ir a uma grande superfície nestas épocas, optei pelo "plano B". E eis que chegamos aquela que é a minha grande novidade de 2012: Não comprei prendas de Natal antes de dia 25 de Dezembro. E foi por isto que foi necessário preparar o meu discurso ao longo de várias semanas. Tinha de ser suficientemente persuasivo e assertivo para justificar o porquê da quebra de uma tradição secular praticada na minha família directa (honrosa excepção feita para com o Afonso com quem cumpri a minha importante e zelosa obrigação atempadamente).

Se assim pensei..melhor o fiz. Há coisa de uma semana informei que este ano ía ser experimentado um modelo diferente: seguir o calendário natalício espanhol (para quem anda a dormir na forma passa por abrir as prendas no dia 06 de Janeiro, dia de Reis). Reconheço que talvez tenha dito isto com um estranho e folgado entusiasmo na medida em que os meus pais olharam para mim como se lhes tivesse dito que ía mudar de sexo no dia a seguir. Talvez estivessem à espera de outro tipo de partilha. Ou por outra, talvez não tivesse sido necessário prepará-los mentalmente como se se tratasse de uma comunicação solene...

Valeu-me o facto da minha mãe ser uma pessoa prática e pragmática. E de ter dito que afinal também não tinha comprado prenda alguma. E que esperava pelas boas compras que se podem efectivamente fazer com toda a calma durante a época dos saldos (época em que as pessoas já não vão acorrem tanto porque gastaram o subsídio todo - quando existia - antes do 25 de Dezembro).

Dentro de uma semana pego de novo na minha lista. E aí sim, irei às compras. Agora com calma. E claro, com preços mais em conta. 

Santo Natal.

domingo, dezembro 16, 2012

Tenho pensado variadíssimas vezes na complexidade associada aos relacionamentos afectivos. É curioso constatar que eu próprio já defendi posições extremadas: há uns anos dizia que as relações não eram complicadas. As pessoas é que o eram. E consegui defender essa teoria durante uns anos sem ser apedrejado. Depois, e talvez por cansaço de haver tanta gente a concordar comigo, resolvi passar a defender uma teoria algo oposta. Do contra, se quiserem. Afinal as pessoas eram simples. As relações é que eram complicadas (Nota: Não me admira que resida aqui a razão pela qual algumas pessoas deixaram de me falar (afinal não será assim muito normal uma pessoa defender ideias tão diferentes!!).

Hoje em dia defendo uma teoria ligeiramente diferente. Posso avançar que estou perfeitamente à vontade para partilhar e debater a mesma com alguém interessado (e com paciência) em fazê-lo comigo. Uma relação será tão mais duradoura quanto melhor e mais harmoniosa for a gestão dos conflitos que naturalmente (e obviamente) surgem no quotidiano de duas pessoas. Acredito que com o stress diário (e na maioria das vezes feitios complexos) essa gestão passe a ter de ser praticada rapidamente. E de forma eficiente para que tenha lugar a manutenção da relação.

O que acontece, quando não há filhos (e às vezes quando os há), é que as pessoas têm cada vez menos paciência para falar das coisas. O caminho mais fácil, e aquele comummente seguido, passa por cada uma das partes seguir o seu caminho e tentar ser feliz com outra pessoa qualquer. Refazer a vida e deitando por terra anos de relacionamento, partilha de amigos, familiares, etc. Em menos de nada cai tudo por terra.

Há uns anos atrás não me fazia sentido falar-se em manter uma relação quando a "chama" entre ambas as partes não existia mais. Hoje em dia não penso de forma tão linear e directa. Na minha opinião é importante perceber o porquê das coisas terem chegado a esse ponto e experimentar tudo o que estiver ao alcance para corrigir. Às vezes há soluções que não são logo percepcionadas, mas que após alguma conversa e calma acabam por aparecer. Outro exercício importante passa por pesar ambos os cenários: o que é a vida "nesse momento" (em plena recessão económica) e o que será a vida a partir do "ponto final" na relação. E se calhar perde-se muito se for tomada uma decisão não ponderada e impulsiva de terminar a relação. E invariavelmente chegamos a uma situação cada vez mais frequente: pessoas que terminaram a relação, não têm qualquer sentimento um pelo outro, mas partilham o mesmo tecto. Faz-me uma confusão bastante grande. Mais ainda quando me falam em pessoas que levam os novos companheiros para casa (e o/a ex está lá)!

Talvez seja eu que sou demasiado "quadrado"..ou não!!

domingo, dezembro 09, 2012

Começo por informar que sou completamente a favor da liberdade de expressão em toda e qualquer circunstância e/ou dimensão imaginável. Esta é a minha verdade e agradeço que seja retida ao longo de todo este meu texto.

Os meios de comunicação social mandam no mundo. Creio que não há qualquer dúvida relativamente a este aspecto. Contudo, e para mim, a forma como esse poder é conseguido e gerido faz-me pensar um grande bocado. Poderia aqui elencar vários exemplos que me parecem perfeitamente elucidativos da mensagem que pretendo transmitir, neste texto mas o chamado jornalismo de investigação bastar-me-á.

Já aqui escrevi em tempos umas linhas sobre o facto de nesta profissão (jornalismo) haver os bons e os maus profissionais. Como em tudo, de resto. Contudo, não me parece que pelo facto da Teresa (mulher-a-dias cá de casa) dizer mal de mim venha algum mal especial ao mundo. Certamente terá as suas razões e acredito que na sua esfera pessoal (que será tanto maior quanto maior fôr a sua rede de contactos pessoais e a sua vontade de dizer mal de mim) terá  sua impactância. Mas restringer-se-á a esse domínio da sua esfera pessoal. A Teresa (que eu saiba) não tem pressões ao nível de um Conselho de Administração para obter "share" ou objectivos mensais ao nível dos melhores. Também acho pouco provável que faça um "benchmarking" contínuo para saber o quão mal dizem as suas amigas dos seus patrões para poder conseguir dizer pior. Ou melhor. Tudo isto passa-lhe ao lado e não lhe interessa absolutamente. Apenas e só diz mal...porque sim. À sua dimensão como refiro atrás. É terapêutico dizer mal.

No mundo dos meios de comunicação social as coisas mudam um pouco de figura. O alcance e a fortaleza de determinada notícia poderá ter são francamente diferentes. Falo de um enaltecimento, um reconhecimento de um acto ou do mérito de determinada personalidade ou por outro lado, o enxovalhamento dessa mesma personalidade. E passo de imediato a explicar melhor o meu ponto de vista com uma situação concreta.

Imagine-se um Sr. Ramiro que tem um pequeno talho. Imagine o(a)  leitor(a) que gasta desse talho desde que se conhece como gente. Nunca lhe faltou um chispe ou uma farinheira "5 estrelas" para um cozido de Domingo. Sempre com a maior das delicadezas, trato fino e extremamente educado e pautando-se sempre pela máxima deferência. Afinal é isso que fideliza. Ir-se sempre ao mesmo talho (ou a outro estabelecimento) e ser-se tratado pelo nome. É engraçado.

Num certo e determinado dia o Sr. Ramiro tem, entre outros, um cliente especial. Um jornalista. É Natal, muita gente no interior do talho, muitas encomendas de perús e leitão para aviar além dos pedidos normais de carne / enchidos. Acontece que no meio desta azáfama toda o Sr. Ramiro troca dois recibos e pede ao tal jornalista que pague o leitão assado inteiro que a Dona Maria Virgínia encomendou na semana passada. Resultado: a despesa final das febras finas de porco que o jornalista tinha pedido para aviar quintuplica. Sim, aquelas que ía levar consigo para a cozinha da redacção da revista e pensar no tema que ía desenvolver.  Na mente deste profissional do jornalismo - que poderá ser (ou não) tortuosa  - conclui que tem ali um "furo" e que sem dúvida alguma o Sr. Ramiro é um caloteiro. Mais um tempo de crise. E temos aqui aquilo que poderá ser o mote de uma peça para essa mesma noite consubstanciada num evento único e que poderá marcar o "início do fim" de um talho que existe há mais anos do que aqueles que o jornalista tem de idade.

Analisemos o que sucedeu: o Sr. Ramiro não se enganou deliberadamente (vamos assumir esta tese que tanta vez acontece na operação de dar trocos). A quadra natalícia é sobejamente conhecida como sendo uma época em que toda a gente quer comprar prendas de última hora como se não houvesse amanhã. Igual raciocínio se aplicará a toda a azáfama necessária para aquilo que diz respeito às refeições para a família que lá vai jantar a casa. As pessoas ficam mais sensíveis e muito menos tolerantes com os erros de terceiros. A conjuntura assim o sugere. 

O tal jornalista, raivoso por achar que foi sacaneado / enganado, escreve um artigo sobre os trapaceiros. Genericamente, claro. E conta, na primeira pessoa, destilando o seu mais refinado veneno, o episódio que lhe sucedeu há umas horas atrás. Referindo objectivamente o Sr. Ramiro.

A revista para a qual o jornalista colabora costuma ter uma tiragem muito expressiva. É líder de mercado, o que "per se" significa que entre aqueles que compram a revista e os que a assinam....o Sr. Ramiro passa naquele momento a ser o talhante caloteiro e que é de evitar. E naturalmente que a clientela deixa de aparecer tanto. Passa a aparecer cada vez menos pessoas...até que só restam aquelas pessoas que não ligam puto a jornalistas cujo nome nem sequer "toca qualquer campaínha" ou simplesmente não leem jornais / revistas.

O que sucedeu ao Sr. Ramiro acontece todos os dias. Por vezes, derivado de enganos, há pessoas que passam de bestiais a bestas em menos de nada (sendo que o recíproco nem sempre acontece). E aquilo que me tira verdadeiramente o sono (aparte do bom nome de determinada pessoa passar a estar na lama) é que quando se chega à conclusão que tudo não passou de um erro...o mal está feito. Em alguns casos com danos irreparáveis e com uma reputação de anos...deitada por terra. Sem um pedido de desculpa.

Qual a solução? Não sei. Mas acho que há muito mau jornalismo nos nossos dias. E consequência dos maus profissionais...há vidas que podem ser severamente prejudicadas. Para sempre. E isto devia acabar.

domingo, dezembro 02, 2012

Toda a gente conhece uns pilaretes que há colocados verticalmente (fixos ao chão) imediatamente antes de se entrar numa escada rolante. Quase todos os centros comerciais têm. Estes monos têm um propósito claro. Impedir que as pessoas transportem para as escadas rolantes os carrinhos de bébé e as cadeiras de roda. Faz todo o sentido para mim. E posso já adiantar que também me fizeram ficar "em sentido" há poucos dias atrás.

O episódio a que me refiro teve lugar há uns dias atrás logo após a hora do almoço e já no regresso ao escritório. Tinha ido almoçar com os meus colegas a uma dessas enormes superfícies comerciais de Lisboa e naturalmente "preocupadas-com-o-risco-de-alguém-se-magoar-em-consequência-de-um-carrinho-de-bébé-ou-cadeira-de-rodas-se-virar-nas-escadas-rolantes". Como tal, o risco naquela maldita escada rolante foi minimizado com a dotação de um trio dos tais pilaretes.

No preciso momento em que entrei na escada rolante ía a conversar animadamente com o meu camarada João Miguel. É claro que ía a olhar para ele (gosto de falar olhos nos olhos). E como não sou "vesgolho" (olhar com um olho para o meu camarada e com o outro para o chão) naturalmente que não dei conta do pilarete. Esqueci-me que existia. Já conseguiram perceber o que aconteceu? Eu também percebi e da forma mais dolorosa, posso desde já assegurar. Estou em crer que o meu camarada João tem razão e que devo ter engravidado aquele pilarete que se pôs à minha frente. Mais. Tudo isto foi acompanhado de um "ouchhhhh" sonoro e perfeitamente audível na Venezuela. Fiz o resto do percurso notoriamente curvado e pensando se alguma coisa teria ficado irremediavalmente afectado para todo o sempre.

Caso para se dizer...perto de umas escadas rolantes....olhos bem abertos!!

domingo, novembro 25, 2012

Há poucos dias dei sangue pela primeira vez na minha vida. Aparte daquelas vezes em que tinha tirado sangue para análises de rotina, nunca tinha dado sangue. Neste momento sou oficialmente dador de sangue.

Dar sangue, na minha perspectiva, não devia ser facultativo. Devia ser obrigatório. Porquê? Porque há sempre necessidade de unidades de sangue nos hospitais (1 doação = 1 unidade de sangue).  Hoje pode ser necessário para salvar a vida de outra pessoa e amanhã poderá ser necessário para nós. É este o tipo de pensamento que deverá nortear este nosso gesto altruísta.

Há naturalmente uma série de condicionantes e restrições para a doação de sangue. Não é qualquer pessoa que pode dar sangue. Desde pêso mínimo, doenças recentes, estado actual de saúde (e.g.: gripes), grupos / comportamentos sexuais de risco, etc., são factores que impossibilitam que alguém que até tenha vontade dar sangue o faça efectivamente. Curiosamente, as demais pessoas que até têm tudo para o fazer, não fazem. Ou seja, tem a sua piada constatar que quem pode dar não dá e que aqueles que não podem dar é que o querem fazer. Por outro lado, o medo das agulhas e a impressão associada à visão do sangue são argumentos comummente usados - na minha óptica algo relativos e pouco razoáveis. Doar sangue é um gesto que pode salvar a vida de um nosso semelhante.

Dar sangue não custa nada. Para aqueles que são facilmente impressionáveis, posso assegurar que nem sequer veem a côr do sangue. Os centros de doação de sangue não são talhos como se possa imaginar. Há um mínimo de decência e a título de exemplo é colocado um pano por cima do braço doador de sangue. O sangue verte para um reservatório plástico (a tal unidade que refiro acima) lateralmente localizado (relativamente à cadeira onde estamos) e sinceramente só me recordo de a ter visto 10 minutos depois de ter tido início a doação. Ou seja, já no final. Quanto à dôr da picada..sem comentários. A dôr da picada de uma melga dói mais. Faz impressão ver a agulha a entrar? Olhe-se para o outro lado.

A reposição dos 480ml de sangue é feita em cerca de 24H. Além disso é efectuada uma análise muito rigorosa ao sangue doado possibilitando assim ao doador ter conhecimento se o seu sangue é bom para ser armazenado enquanto unidade de sangue utilizável - passados uns dias recebe-se um "sms" referindo que o sangue está óptimo e que esperam nova visita volvidos 3 meses (no caso de doadores homem podem fazer doações de sangue até um máximo de 4 vezes durante um ano).

Um gesto que não demora mais do que 10 minutos pode salvar uma vida humana de anos. A ter em mente. Uma das minhas boas acções deste ano!

domingo, novembro 18, 2012

Quero acreditar que toda a minha gente já experimentou aquilo que me acontece com uma frequência assustadora. Vou já passar a explicar o que é até porque é importante para mim perceber rapidamente se há outras pessoas na mesma condição que eu. Se assim fôr, pode-se até pensar em fundar uma "Associação" ou uma "Liga de Amigos" para pessoas que tal como nós vivenciam este tipo de questão. P.S: Gosto especialmente da designação "Liga-de-Amigos-de-qualquer-coisa". Qualquer coisa do estilo "Liga-dos-Amigos-que-apanham-o-metro-para-Entrecampos", ou "Liga-dos-Amigos-que-gostam-de-comer-bolas-de-Berlim". Entre tantos outros exemplos que aqui podiam ser dados.

Acho que já deu para perceber que tenho pouca sorte para algumas coisas. Basta ler os meus extensos textos aqui no blogue. Não utilizo de propósito a palavra "azar", na medida em que se trata de uma palavra demasiado forte. Azar, para mim, é escorregar e partir os dentes todos da frente na entrega dos diplomas da Universidade. À frente de 4 centenas de pessoas. Ou então entornar o gaspacho do almoço em cima da camisa branca e ter de fazer uma intervenção num seminário. E sem camisa para trocar. Isso sim, são azares. Mas não irei tão longe. Falarei mais uma vez da minha relação de ódio com a tecnologia. e em especial com os telemóveis.

Há pouco tempo tive um problema com um dos meus telefones. Não quero dizer nomes, mas é uma marca finlandesa, cujo nome começa por "N" termina em "A" e tem cinco letras. Basicamente, o écran táctil deixou de funcionar e obviamente fiquei incomunicável com o planeta Terra. Dei comigo a pensar se alguém me ligasse naquele dia/momento felicitando-me por ser o contemplado com os números certos do "Euromilhões". Perceberia que tinha o meu telefone desligado e passavam logo ao segundo felizardo. Acho que ía ficar um pouco chateado se isso me acontecesse. Só um pouco. Quase nada.

Este episódio com o telefone teve lugar num momento em que estava a efectuar um passeio de "Todo-o-Terreno" (TT) com os meus camaradas, e para evitar cair num precipício ou capotar o jipe entendi deixar-me de maluqueiras de tentar ligar aquela coisa. Tentei apenas 12 vezes. E abandonei-o algures no jipe. Isto de andar em piso escorregadio (enlameado), aos saltos e conduzir com uma mão e a outra mão no telefone...não costuma dar bom resultado. Ou podia não ter dado.

Já em casa tentei mais umas 43 vezes ligar o telefone. Ligar até ligava..o problema era conseguir fazer alguma coisa daquilo....O ecrán táctil não funcionava. E decidi ir até à loja onde o tinha comprado. Claro que com a ladaínha toda preparada mentalmente e com uma boa dose de má disposição. Afinal comprei o telefone em Fevereiro último e parece-me pouco razoável que volvidos 9 meses esteja o mesmo com problemas. Era este o meu melhor discurso. E até já tinha um "plano B" se não me quisessem dar um telefone de substituição. Amedrontar com o "Livro das Reclamações". Normalmente resulta. Mas tive então o meu azar....Pego no telefone, mostro ao gerente da loja...e não é que o sacrista do telefone funciona? Pois. Sem problema algum. É claro que fiquei com um melão daqueles enormes. E fiquei sem saber se havia de perguntar o preço de um fato de mergulho ou se debater o porquê das propriedades do açucar mascavado serem incomparavelmente superiores ao aspartame do adoçante vulgar. Qualquer coisa que me fizesse parecer fora da realidade. E o mais rapidamente possível. Fez-me lembrar quando temos uma dor de dentes. Vamos ao dentista e quando lá chegamos..desaparece a dor. Mas aí não é tão fácil "fugir"...

Voltei para casa com a convicção que o telefone estava finalmente bom e que teria sido um "desarranjozito" qualquer que lhe tinha dado. Durou meia hora. Voltou ao mesmo que me tinha feito sair de casa. Saí de novo de casa e fui comprar um telefone. Acabou-se. E voltei a estar ligado ao mundo.

Moral da História: Nunca confiar num telefone.

domingo, novembro 11, 2012

Já aqui tenho escrito algumas linhas sobre a minha periódica, disciplinada e intensa actividade física quase diária que é a corrida (treino cardio). O "quase diária" é justificado na medida em que há relativamente pouco tempo entendi diminuir a periodicidade de treinos de corrida bem como as distâncias percorridas. Porquê? Porque entendi introduzir a componente "musculação" na actividade física. Ou seja, neste momento, coexistem duas componentes: "cardio" (corro 3 vezes por semana) + "musculação" (sigo um plano de flexões executadas também 3 vezes por semana). A ideia é que exista um equilíbrio entre as duas e que me permita o trabalho da parte inferior e superior do corpo. Idealmente. Mas não tem sido bem assim. E explico porquê.

Nesta semana que terminou agora era para ter iniciado o tal "plano das flexões". Um plano que encontrei aqui no mundo cibernáutico. Pareceu-me honesto, bem estruturado e acima de tudo com um objectivo claramente definido - fazer 100 flexões seguidas no espaço de 6 semanas. É verdade...durante 6 semanas treinar várias séries de flexões...até que à 6ª semana iria conseguir perfazer a tal centena de flexões seguidas. Complicado? Parafrasendo uma máxima que me tem acompanhado nos últimos anos.." O único sítio onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". E na Segunda-Feira passada, com esta máxima gravada em mente, dei início ao plano das flexões.

O plano das flexões de que falo é simples. É um plano que naturalmente foi elaborado por alguém que sabe do que escreve. Alguém que acredito já terá muitas horas de ginásio. Que pensou este plano para outras pessoas que têm uma prática desportiva continuada, regular e que certamente já exercitam o corpo há alguns meses / anos. E não para alguém que tal como eu, que não faz musculação há um ano e opta por seguir este plano. O mais caricato está para vir.

Há muitos anos que faço flexões. Mas quis desta vez entender como executar correctamente uma flexão. Não continuar a fazer flexões de qualquer maneira. É executar correctamente uma flexão: corpo "em prancha" paralelo ao solo, palmas das mãos no solo ao nível dos ombros, e depois perfazer o movimento conhecido - para cima e para baixo - demorando um segundo na parte superior e um segundo na parte inferior. E peito a tocar no chão. Nota: estas esperas no ponto superior e inferior da flexão é quando há crescimento muscular efectivo (descobri eu nas minhas buscas). E claro que resolvi aplicá-lo. Mas há mais.

Aquando das minhas buscas para encontrar um plano, descobri outro "site" neste maravilhoso mundo cibernáutico em que fazia alusão a uma forma diferente de fazes as flexões. Basicamente, introduzir um grau de dificuldade superior na coisa. Passo a explicar...em vez da flexão ser executada, como normalmente, com o corpo paralelo ao solo, nesta variante, os pés são colocados numa posição mais elevada (entre 40 e 60 centímetros de altura relativamente ao solo) o que logicamente torna as coisas mais engraçadas. Para se ter uma ideia mais concreta posso avançar que se trata de um coeficiente denominado de "força de reacção do solo". Sem entrar em grande detalhe técnico e explicações físicas, não é mais que um coeficiente que afecta o peso do corpo sendo tanto maior quanto maior fôr a altura do pés. Para se ter uma ideia rápida, estando os pés colocados a uma altura de 60 centímetros, o tal coeficiente é 15% mais elevado. A cerca de 30 centímetros, o tal coeficiente será de 9%. Quem me conhece entenderá rapidamente que o mais puxado é o mais apetecível e como tal aquele que por mim foi escolhido. Ah, e seguindo o tal plano que tinha encontrado no outro "site".

Há muito tempo que não fazia flexões. Da mesma forma que também há muito tempo não trabalhava os músculos do peito e braços. Há coisa de um ano e tal a esta parte. Com a corrida tenho perdido bastante volume corporal (normal) e os músculos do trono não são muito trabalhados. É certo que trabalham, mas também é certo que a corrida não é conhecida como sendo uma actividade óptima para quem quer tonificar e ganhar alguma massa muscular nesta parte do corpo. Muito pelo contrário. Basta pensar que os maratonistas são muito magros e secos.

Com a minha cábula das séries e repetições à frente coloquei os pés no tal plano elevado. Fiz tudo como manda a "cartilha": pés colocados a cerca de 45 centímetros do solo, peito a tocar no chão, espera de um segundo na posição superior da flexão, espera de um segundo na posição inferior da flexão. Tudo isto para primeiro dia e depois de não ter feito nada durante um ano. Fiz 23 flexões à séria neste registo. Aquando da realização da 24ª flexão, as palavras "colapso dos braços", "dentes novos não tarda" e "burro de estalo" começaram a ecoar na minha cabeça. O esforço de estar com a cabeça para baixo fez com que todo o sangue do meu corpo afluísse às minhas têmporas e que não sei até hoje como não rebentaram. Os pulsos de ambos os braços pareceram-me anormalmente pequenos e finos para aquele esforço. E tive de parar. Entendi não continuar aquela série. Fiquei raivoso. Chateado comigo mesmo e deu-me vontade de dar uma cabeçada numa parede qualquer ou no chão. Mesmo que quisesse continuar...não conseguia. Percebi isso passados 3 minutos porque tentei fazer mais duas ou três flexões como anteriormente. Não deu. Isto não sem antes ter tentado, de joelhos, no meio do quarto, ter ainda tentado fazer mais umas 2, de fugida. Nada. Zero. Estava esgotado.

Levantei-me e fiquei a olhar sem expressão para a janela. Rapidamente realizei que se trata de um plano elaborado para pessoas que já têm outro tipo de condição física nesta altura. Alguém que já terá, por exemplo, muito tempo passado em ginásio. Que já trabalhou os músculos do tronco. E cujos músculos estão preparados para serem exercitados. Para receber carga. Para ganhar força e volume. E não no meu caso, em que não fazia nada de nada há muito tempo.

É claro que tinha de levar a melhor. Antes de terminar o treino fiz 15 flexões à "moda antiga". À minha maneira e fiquei um pouco mais contente. Ou por outra, não tão frustrado.

O resultado era o esperado: Nos dias seguintes não conseguia flectir os braços e doía-me o peito. Mas ainda assim tenho vontade de recomeçar o plano. Amanhã. Sem esquemas e sem "inclinações". Será mesmo o normal. Como sempre. E durante uns bons meses. Depois sim...a doer!

domingo, novembro 04, 2012

"Não há bela sem senão", reza um dos milhões de adágios populares portugueses conhecidos. O episódio que me aconteceu a semana passada é sem dúvida uma excelente prova do mesmo.

Já aqui tenho dado conta dos motivos pelos quais, na minha humilde e singela opinião, o meu distinto e não menos "master-do-atletismo-Carlos-Lopes" passou a ter razões para se sentir assustado. Desde Junho passado. Aqui o escriba entrou neste maravilhoso mundo que é o da corrida.

Ao longo de 5 meses que corro religiosamente. Quer faça chuva quer faça vento. Quer faça calor ou quer faça frio. Vou. Não me interessa quem vai (ninguém que eu conheço normalmente quer ir). Eu vou. Sempre sozinho. Com os meus "phones", sapatilhas e calções. Sempre. E não falho um dia.

Esta semana tive uma situação nova. Uma queda. Posso classificá-la como aparatosa. Ao meu melhor estilo, portanto. E com espectadores, o que torna a situação ainda mais interessante (e julgo que cómica). Não me irei esquecer um destes dias, quando recuperar a sensibilidade e movimento dos dedos da mão direita escrever uma carta a reclamar com alguém pelo facto das placas do chão onde corro não estarem niveladas. E de terem sido a única e exclusiva causa da minha aparatosa queda.

A história é rápida e simples. Eu explico. Consequência do horário de Inverno a luz do sol desaparece mais cedo. Ou seja, os dias ficam mais curtos. Resultado, a minha corrida, tipicamente realizada em horário pós-laboral nesta altura do ano tem lugar à noite. Posso dizer que em alguns troços do meu percurso habitual...não sei bem se corro a direito ou mais à direita ou ainda se mais à esquerda. Escuridão total. Como me oriento? Pelo som. É verdade, amigos e amigas. Qual morcego. Aqui entre nós, é claro que isto resulta com estes únicos mamíferos capazes de voar. Comigo não resultou. Ou por outra, voei sim. Mas aterrei logo à frente.do mais básico que há. As árvores que algum(a) iluminado(a) resolveu plantar por por ali. Ainda estou a tentar perceber o porquê de se terem plantado árvores (de grande porte) em canteiros no meio de placas de cimento. Parece-me lógico (e óbvio) que as raízes têm de crescer e que mais ano menos ano irão provocar um desnivelamento nas tais placas de cimento. E foi isso que causou a minha queda. E reside aqui a explicação de ter pontapeado uma dessas placas com o meu pé esquerdo. E ter continuado a correr....ter voado e ainda o de ter aterrado uns metros mais à frente.

Nesse momento senti a unha do dedo grande do pé esquerdo a pensar em emigrar para o calcanhar do mesmo pé. E pareceu-me que o chão tinha lixa da boa (e da grossa) tal não foi o efeito (des) agradável de ter conseguido um "peeling" nas palmas das minhas mãos e joelhos (acho que os poucos pêlos que aqui tinha....nunca mais irão crescer aqui o que me poderá trazer algumas bocas de gozo no Verão de 2013).

Felizmente uma alma caridosa (que ía a correr em sentido oposto) parou de imediato para ver se eu precisava de ajuda. Levantei o polegar direito em sinal de que estava tudo bem, agradeci e recomecei rapidamente a corrida de novo. Manco e com o joelho esquerdo com sangue pisado e esfolado..."ossos do ofício", pensei para comigo. Mas não dei parte de fraco!

Ontem já fui correr de novo e está tudo bem. Sem problema algum que condicione o meu treino e me afaste do meu principal objectivo de destronar o magnífico e meu grande amigo Carlos Lopes. Que um dia terá de me entregar as medalhas que já conquistou! Uma por uma!

domingo, outubro 28, 2012

O texto de hoje diz respeito a um episódio que aconteceu comigo há uns dias atrás. O despertador de cabeceira marcava cerca das 0600H e em desespero de causa, e depois de ter sido acordado por um carro a buzinar incessantemente desde as 0500H na minha rua resolvi ligar para a Polícia de Segurança Pública (P.S.P.):

Eu: Muito bom dia. Queria reportar o facto de ter um carro a apitar na minha rua desde as 0500H.
P.S.P: Bom dia. Trata-se de um carro perto de um prédio com o número 5?
Eu: Julgo que sim (admirado com a rapidez da questão e esperançado com uma solução expedita). O reboque já vem cá caminho?
P.S.P: Reboque?
Eu: Sim, reboque. Está em causa o incumprimento do disposto no Regulamento Geral do Ruído e ainda...
P.S.P: Só 1 minuto por favor
(Passado 1 minuto)
P.S.P: Que número disse que era?
Eu:(incrédulo). Oiça.. Só quero saber se vêm cá tirar o carro (entretanto começa a apitar de novo estou ao lado do carro). Está a ouvir?
P.S.P: Estou. Já esteve aí um carro patrulha. Está a ligar-me de que andar?
Eu: Não estou em andar algum. Estou na rua. Esta situação é perfeitamente inadmissível. Consigo assim de repente encontrar 3 ou 4 infracções quer ao Regulamento do Ruído, quer ao Código da Estrada. Percebo portanto que já estiveram aqui e tomaram conta da ocorrência!
P.S.P: Desculpe?
Eu: Dizia eu que já estiveram aqui e têm conhecimento disto.
P.S.P: Meu caro senhor, é como lhe digo. Já esteve aí um carro patrulha e se quiser, fique aí na rua para falar com os agentes que passarão aí de novo dentro de minutos.
Eu: (incrédulo de novo e ansioso por uma amena cavaqueira junto de um carro a apitar)... Certamente que sim. Um bom dia para si.
P.S.P: Um bom dia.

Moral da História: O procedimento passa por gastar combustível do carro do Estado e vir ver se é mesmo verdade que um carro malvado está a apitar na rua. Não se dê o caso de ser um engraçado a ligar de madrugada para interromper o trabalho dos agentes. E não se faz mais nada. Da próxima vez não ligo. Pego no Defender e reboco/arrasto EU o carro até ao buraco mais próximo. Tapo-o com terra e venho para casa dormir de novo. Mais uma vez...Portugal no seu melhor!!

domingo, outubro 21, 2012

Terminei ontem mais um plano de treinos de corrida (o segundo). Não será um plano de treinos olímpico e com vista à participação nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, mas é acima de tudo um plano que cumpri integralmente e com vista à consecução de determinado objectivo a que me propús há 12 semanas atrás.

Actualmente, ao fim de 4 meses de prática de corrida e além das visíveis (e esperadas) mudanças no corpo (em paralelo com uma dieta alimentar mais equilibrada), consigo também perceber outras situações. A primeira diz respeito à definição de um objectivo. Falo do aspecto mental. Não sei como será noutros desportos. No caso da corrida, e quem segue um plano de treino, define um objectivo que pretende atingir em "x" tempo. E durante esse tempo experimentará vários momentos, quer de ânimo, quer de desânimo, mas que, no final possibilitarão ou conduzirão a um momento de reconhecimento de dever cumprido. E seguramente um "teaser" enorme para a auto-estima.

Um dos aspectos que é continuamente posto em causa em qualquer actividade desportiva é a disciplina. Na corrida julgo ser mais. Porquê? Porque a corrida não é algo "agradável". Não é algo que se possa praticar em espaço fechado com ambiente controlado. É "agressiva" porque se pratica em ambiente externo e com qualquer que seja a condição climatérica. Mesmo as adversas. 

Comecei a correr em Junho deste ano. Significa isto que, não raro, durante o dia, os termómetros registavam leituras de cerca de 40ºC. Posso adiantar que à hora em que usualmente corro (final da tarde, 1900H), as temperaturas, nessa altura do ano, não eram inferiores a 34ºC-35ºC. Assim sendo, os meus treinos de corrida conseguiam ser mais quentes que algumas saunas que já experimentei. E importa reter que às temperaturas exteriores acresce o facto de estarmos perante uma actividade física intensa - o que "per se" sugere uma lógica de incremento de temperatura e a sensação de que se está a correr em cima das chamas do inferno satânico.

Outro aspecto importante é a percepção dos nossos limites. Não raro sou ultrapassado por outros desportistas. Um deles (não me esqueço da cara dele) tem o dom de me irritar solenemente pela forma descontraída e rápida com que corre. Suspeito que um destes dias me terá mesmo dado uma "abada-à-moda-antiga" e sem grande dificuldade quase me deu uma volta de avanço. Para não parar de correr e sentar-me a chorar interiorizei que o tipo não deve ter família / amigos e deve fazer "doping". Só assim consigo encontrar explicação para que corra como o vento. Em todo o caso, é recomendado a qualquer iniciante nesta maravilhosa modalidade desportiva que não se deixe levar pelo entusiamo de tentar correr como outras pessoas que nos ultrapassam: não se conhece a condição física dessas pessoas ou o aspecto de há quanto tempo treinam. A última vez que fiz essa brincadeira (acompanhei um trio de corredores, nos quais se incluía uma jovem), fiquei com dores na bacia durante 4 dias seguidos.

Para terminar, a alimentação. A mudança dos hábitos alimentares. Não faz sentido algum a prática de actividade física intensa em linha com a tão saborosa "Feijoada à Transmontada", ou os magníficos "Rojões à Minhota" ou ainda a tão famosa "Lampreia" (doce de ovos) ou "Bavaroise de caramelo" (vou parar de enunciar exemplos porque estou a ficar aguado). Faz parte do tal processo de consciencialização que referi lá em cima e que permite atingir os objectivos propostos. Basicamente, o truque é simples - respeitar a roda dos alimentos. E com moderação e sem fazer batota. Claro.

domingo, outubro 14, 2012

Ainda não está clara a forma definitiva da mexida nos escalões do "irs", no seguimento da implementação das medidas da austeridade reflectidas no tão falado Orçamento de Estado para 2013, e já circulam no mundo virtual ficheiros "excel" com fórmulas de cálculo de tal forma díspares, que em alguns casos alguns contribuintes perdem 400 euros e 500 euros "pós impostos". Duas notas importantes: em primeiro lugar, apraz-me perceber que há pessoas atentas e interessadas no bem-estar de outras. E mesmo sem haver uma clara e definitiva forma final dos escalões, já elaboraram a partir do....nada este tipo de modelação matemática e estupidamente vazia. É errado. Basta pensar que, segundo alguns modelos, alguém que aufere cerca de 500 euros (mais coisa menos coisa que o salário mínimo) passa a levar para casa um valor que ronda os 300 euros. Para estas pessoas, segundo o tal modelo desenvolvido por alguém que certamente tem muito tempo livre, significa tão somente que "deixam de ter cinto e as calças caem". Parece-me óbvia a leitura. Sem que haja ainda uma divulgação oficial das regras do jogo não faz sentido teorizar ou alarmar desnecessariamente as pessoas. Em segundo lugar, o alarmismo inconsequente via e-mail. Não faz qualquer sentido. Atrevo-me a ir mais longe e a sugerir ao meu amigo Gaspar que sugira a contratação destes iluminados (bons em números como já se percebeu) para as Finanças. Afinal, conseguem fazer (de forma fantástica e ímpar) o que mais ninguém consegue: elaborar prognósticos e divulgá-los nas suas redes de contactos pessoais obtendo um alcance planetário. Não consigo perceber muito bem em que informação concreta se baseiam...mas o que é certo é que a informação passa no mundo virtual e em menos de um fósforo a perda de 400 euros já é comentada entre colegas à hora do almoço. É pior que um boato. Defendo, eventualmente sozinho, que estas pessoas deviam ser responsabilizadas judicialmente. Atenção, não se trata de "obliterar" o direito à liberdade de expressão conquistado há 38 anos. Trata-se de sancionar quem passa informação errada sem que haja uma base fidedigna de sustento.

Muito se tem falado em responsabilidade política para justificar a não adopção ou tomada de medidas impopulares mais cedo. O chamado "passa a bola a outro e não ao mesmo". Tenho outra perspectiva das coisas. 

Há alguns factores que concorrem para o actual estado em que nos encontramos: uma carga fiscal desadequada ao longo de décadas, a falta de uma maior disciplina e consciencialização por parte dos portugueses e sem dúvida alguma a não criação de órgãos reguladores que funcionassem de forma eficiente e eficaz para garantir que tudo corria bem e dentro da Lei. O nosso grande problema foi sempre uma questão de fundo e muito mais grave do que se possa falar ou discutir actualmente. Relembro a título de curiosidade que Portugal viveu durante 4 décadas em regime fascista. Contudo, poucas pessoas se lembrarão (por falta de conhecimento ou vontade) do facto de que, quando Salazar tomou os desígnios da Nação, a situação económica era tão ou mais grave do que o era em 2008 (neste momento a situação é bem pior). Bem sei que houve muita coisa errada, começando pela liberdade de expressão, pelas perseguições políticas, pelo isolamento geográfico...mas houve também muitas coisas boas. E quem tiver paciência e for ler a História de Portugal (contemporânea) entenderá que no final da década de 60 e início da década de 70 a economia portuguesa era pujante. E Salazar nunca deixou aumentar o preço dos bens de primeira necessidade. É certo que nessa altura o território português também era também maior e estendido às colónias ultramarinas. Mas o resultado final, e que se pretende analisar agora, era sobejamente diferente. E aqui oferecem-se-me fazer dois comentários concretos: em primeiro lugar o facto das nossas colónias terem sido entregues de mão beijada após todo um período de ocupação em que houve mais vantagens para os próprios países do que desvantagens e em segundo lugar a política de despesismo que teve início em finais da década de 80 até 2008, altura em que eclode como se sabe a crise económica. E que foi sendo perpetuada pelos dois partidos políticos que governam Portugal em regime de alternância: PS e PSD.

Quando me refiro à questão de disciplina dos portugueses, pretendo aludir ao facto de que em Portugal, no pós-25 de Abril, nunca ter havido uma política severa em termos fiscais. Ou nunca ter havido a coragem para a criação de órgãos ou entidades reguladoras com coragem para afrontar e sancionar os "lobies"  da construção civil, farmacêuticas, combustíveis, banca e sector energético a pagarem o devido. E porquê? Porque há, como sempre houve, interesses. E havendo interesses, quanto menos se mexer, melhor. Ou seja, sem me querer alongar numa análise muito mais fina, basta lembrar que até há uns anos a esta parte não havia memória de ter havido dificuldade na concessão de empréstimos para comprar casa, carro, televisões e dvd como são conhecidas hoje em dia. Os bancos deixaram de se conseguir financiar lá fora e promovendo ou possibilitando  a viabilização de linhas de crédito empresarial (ou particular), ou pelo menos com tanta facilidade como o conseguiam há 10 anos. E aqui começaram os problemas de muita boa gente. Afinal deixou de haver dinheiro para pagar os 4 cartões de crédito cujas contas estão a vencer, o trabalho nem está muito seguro, é preciso pagar carros, colégios, manter o mesmo nível de vida (alto) e o final é o que se sabe...eventual arresto de bens ou subtracção percentual do vencimento por ordem judicial. E acreditem que são cada vez mais os casos em que isto acontece.

Os próximos dias serão, na minha opinião, o prenúncio de que algo de grave acontecerá. Ou uma crise política (zanga entre os partidos da coligação) e queda do Governo ou uma cada vez mais falada saída da zona Euro. Em jeito de conclusão resta-me dizer que são cada vez menos as diferenças entre a Grécia e Portugal. Sendo que a economia grega é mais forte que a nossa.

domingo, outubro 07, 2012

Num texto que aqui deixei em tempos escrevi sobre algo que acontece todos os dias. Quer seja involuntariamente quer seja voluntariamente, todos (sem excepção) já criticámos algo (ou alguém).

Diz-se usualmente que o ser humano é tipicamente insatisfeito. Acredito que as pessoas tenham um prazer enorme, quando não são elas mesmo os (as) visados (a),  em criticar. É fácil. O actual momento sócio-político, marcado por uma conjuntura económica do pior que já se viveu, faz de qualquer ser pensante que habite no planeta Terra (e em concreto no nosso rectângulo) um magnífico "comentador político de trazer por casa" ou um respeitoso"orçamentista" como carinhosamente gosto de chamar. Mas já lá vamos.

Um exemplo muito bom desta realidade é, mais uma vez, o que se passa na política. Convido a quem tiver paciência (eu costumo ter aos Sábados ao almoço) a ver um debate televisivo na Assembleia da República. Senão vejamos...A televisão está ligada? Óptimo. Agora atente-se nas intervenções das bancadas. Em concreto as das bancadas da "ala esquerda" e as intervenções dos vários deputados que integram o maior partido da Oposição. Estéreis. Vazias. Isentas de valor. Basicamente, aponta-se com muitíssima facilidade o que está mal, mas não se sugere (porque não se sabe como) o que fazer para ficar bem. 

Pessoalmente, acho que a Assembleia da República tem um modo de funcionamento diferente daquele a que se destina. Os deputados são eleitos pelos portugueses e deverão ter sempre isso em mente. Deverão, enquanto grupos de trabalho, produzir as Leis que depois de votadas e aprovadas (ou não) são promulgadas e entram em vigor. O trabalho dos deputados eleitos é este. Nem mais nem menos do que produzir e votar Leis. Favoravelmente ou não. A questão é que no presente momento, em que se assiste a uma delicada e intrincada situação económica à dimensão internacional, muito mais habilidade se torna necessária para governar. E na maioria das vezes os vários executivos (escala europeia) são constituídos por pessoas extremamente válidas...nas empresas que administram ou nas cadeiras da faculdade das quais são regentes (ou assistentes). A questão é que se houver muito "ruído" no hemiciclo, as coisas tornam-se substancialmente complexas de gerir e tem inevitavelmente lugar o afastamento dos vários partidos, quando o que deveria acontecer, neste momento, era o oposto. Consenso, ideias novas e acima de tudo soluções para a crise interna que se assiste. Acredito que todos os partidos com assento parlamentar reconheçam o complicado legado que o actual Executivo teve. E as difíceis circunstâncias em que o mesmo tem de governar. Mas é mais fácil criticar. E causar a "agitação das águas". Que já de si estão revoltas.

E chegamos onde me queria. Neste momento são várias as vozes dos "pesos pesados" dos vários partidos que se fazem ouvir. Muitas críticas. Muitos artigos de opinião. Mas...é curioso que não vi ainda ninguém oferecer-se para ajudar. Para "arregaçar as mangas" e ir ajudar. Para elencar vários cenários e possíveis soluções a serem tidas em linha de conta. Ao invés, criticam. Ainda que conscientes de toda a realidade que neste momento se vive. E muitos deles tendo sido eles mesmos...."ex" governantes. Mas que por alguma razão estão...."cá fora". E na maioria das vezes não fizeram um bom trabalho. E foram "castigados" por isso. E esta hein??!

domingo, setembro 30, 2012

Nos últimos dias têm-se multiplicado as manifestações de populares contra as novas medidas da austeridade propostas pelo actual Executivo. O eventual recuo relativamente ao aumento da "TSU" trará naturalmente consequências a jusante. E não serão necessariamente boas.

Reza um conhecido adágio popular que "Quando se tapa a cabeça destapam-se os pés". Não conseguiria encontrar nada mais adequado. Em consequência do crescente descontentamento popular será providencial o recuo do Executivo. Contudo, são necessárias medidas alternativas. Será de se esperar uma maior contribuição em sede de "irs", uma redução dos escalões ou ainda uma sobretaxa para aqueles que ganham à séria. É é sobre esta última medida que pretendo escrever umas linhas hoje.

A sobretaxa para aqueles(as) que ganham à séria. Gosto do optimismo e da determinação que o Executivo deixa passar "cá para fora" esta alteração - que se espera que consiga enriquecer os cofres de Estado. É claro que em tempo de crise aqueles que já não têm mais dinheiro para dar (ou roubar) vêem com bons olhos essa taxação a quem neste País tem dinheiro. Infelizmente tenho uma má notícia para dar ao meu amigo Gaspar num e-mail que terei oportunidade de lhe enviar daqui a bocado. É que por vezes é importante "fazer o trabalho de casa". Deixar de se formular e pensar Leis no gabinete. E se a tal "obrigação doméstica" tivesse sido eficientemente executada facilmente se perceberia onde quero chegar. Infelizmente não há ninguém que ganhe muito em Portugal. Com muita pena minha. Naturalmente que gostaria que houvesse imensa gente a ganhar bem. Contudo, e se cruzarmos a informação dos meus amigos das Finanças (declarações de irs submetidas via internet ou entregues pelos contribuintes) e os sinais exteriores de riqueza facilmente perceber-se-ão algumas incongruências. E das duas uma: ou há carros e casas a serem vendidos(as) ao preço da chuva ou há declarações de irs falsas. Ou por outra, que se suportam nos "vazios legais" ou zonas "cinzentas" da legislação possibilitando que um gestor de uma qualquer empresa com lucros de milhões/ano, ou um futebolista ou um presidente de um qualquer clube de futebol consigam declarar um rendimento anual que sugere um ordenado mínimo mensal. Fico sempre cheio de pena e sempre com imensa vontade de convidar estas pobres almas para passar lá em casa para comer uma sopa de agrião por altura do jantar. Nem precisam de avisar. Basta aparecer.

Há muitos anos que oiço que quem tem dinheiro (classe alta) paga a alguém para ajudar a fugir aos impostos. Quem não tem dinheiro (classe baixa) não paga porque não tem como. Donde, há uma classe recorrentemente sacrificada - a já conhecida classe média.  Classe esta que vê a sua qualidade de vida diminuir em consequência do menor poder de compra. E que de forma regular e consistente percebe que "olhando para o lado", que enquanto uns fogem aos impostos e outros não pagam porque não podem....há alguém que tem de pagar a factura. E são sempre os mesmos "no final do dia". Serão estas pessoas que engrossam as manifestações que se assistem por todo o País.

Esperemos para ver elencadas todas as medidas. E esperemos que não se agrave a contestação social. O que acho complicado de não acontecer.

domingo, setembro 23, 2012

Tenho para mim que sou uma pessoa que pratica (e faz gosto) na leitura. Sempre gostei de ler, tenho de confessar. Há livros que nos seduzem e cativam mais que outros, também todos sabemos. E no texto de hoje decidi comentar o livro que (felizmente) terminei de ler há dias - "As Cinquenta Sombras de Grey".

Trata-se do primeiro volume (de um total de três) a ser publicados pela mesma autora - uma trilogia, portanto. Na altura em que comprei este livro (5ª Edição), ainda não havia uma crítica muito consensual. Ou por outra, contavam-se, naquela altura, pelos dedos de meia mão, as críticas depreciativas contrastantes com a maioria das críticas favoráveis. E naturalmente não fui indiferente a esse facto.

Globalmente, na minha opinião, o livro está bem conseguido. Um tipo de letra agradável, um bom espaçamento entre linhas e uma capa apelativa. Não detectei erros ortográficos de monta e/ou atropelos gramaticais que fizessem o "Camões-dar-voltas-na-campa". Dei conta do "suspense" tentado pela autora em algumas passagens e se em algumas consegue ser feliz, já noutras não o consegue. Falta de sentido de oportunidade.

Mais do que o estilo e a forma, interessa-me muito mais o conteúdo e a mensagem que se pretende passar ao leitor. E somos chegados ao ponto fulcral e que é o assunto desenvolvido neste livro: uma relação de dominação / submissão - também conhecido por "bondage" para aqueles que sabem um pouco mais sobre o assunto. E aqui começam algumas incongruências.

Lembram-se do tal "suspense" que falei acima? Pois é. É "hipotecado" quando, durante várias partes do livro se percebe a submissão de um dos personagens a um quase estado (e até anedótico) endeusamento de outra personagem. É ficcionado dir-me-á a maioria das pessoas. Bem sei e aceito que o seja. E às tantas, no próprio "bondage" acaba por haver isto mesmo. Não sou  apologista deste tipo de escrita. Torna-se cansativa. Torna a leitura demasiado óbvia. Na minha opinião, pouco ou nada acrescenta aos leitores - acho que a leitura de um bom livro deverá ter sempre associado um valor acrescentado para quem o lê e absorve a informação nele contida. E que não é mais do que aquilo que o autor pretende passar para o seu público-alvo.

A descrição de algumas cenas é detalhada e até bem conseguida enquanto que noutros casos é confusa e peca pela incoerência e o detalhe parco. Agora, finda que está a leitura do livro, não consigo perceber muito bem o porquê deste livro ser o "bem-mais-apetecido-das-mulheres-grávidas-e-mulheres-na-casa-dos-30-anos", como rezava uma das críticas que tive oportunidade de ler antes de decidir comprar o livro. Realizo portanto que uma mulher que não esteja grávida e/ou tenha uma idade inferior/ou acima da casa dos 30 anos...estará morta. Uma mulher com 42 anos já voltou à terra como semente. Pessoalmente acho que não faz qualquer sentido esta crítica. Asseguro que em parte alguma do livro vi qualquer alusão que me fizesse acreditar que uma grávida fosse ficar "encalorada" ou que uma jovem de 30 anos tivesse de ir tomar um duche de água gelada para igualmente lhe "passarem os calores".

Consigo compreender que este é o tipo de literatura que facilmente prende a atenção de alguém. Bem sei que não se fala de "bondage" à mesa da ceia de Natal (mesmo que até possa existir à mesa quem goste...). À nossa escala e derivado do facto do português típico ter uma mentalidade fechada (consequência directa dos 40 anos de clausura em que Portugal esteve mergulhado e durante os quais não se aquecia nas noites invernosas) este é um dos livros que com toda a naturalidade suscita o interesse dos(as) curiosos(a) e facilmente o catapulta para um "best seller". À semelhança do que se tem vindo a constatar relativamente à realidade internacional onde o livro vende mais que maçãs caramelizadas na extinta (e saudosa) Feira Popular.

Resumindo e concluindo, trata-se de um livro diferente e que, poderei dizer mesmo...de forma corajosa aborda uma temática que até aqui pouco desenvolvida ou explorada publicamente. Vale apenas e só por isso. Tudo o resto...é ficção a mais e exagerada...e perde por isso. Não comprarei os demais livros da autora por razões óbvias.

domingo, setembro 16, 2012

Escrevo estas linhas no rescaldo de uma das maiores manifestações que já teve lugar neste "rectângulo de terra à beira-mar plantado". Fala-se em mais manifestantes que a revolução dos cravos do longínquo Abril de 74.

Não é nada que não tenha já aqui sido referido no passado neste humilde espaço. A convulsão social era previsível. As redes sociais e a comunicação social estabelecem continuamente termos de comparação com as realidades de outros países em situação económica (e.g.: Grécia e Espanha) e onde desde o primeiro momento em que foram anunciadas as medidas da austeridade, o povo saiu à rua manifestando o seu desagrado e contestando a mais que certa precaridade da qualidade de vida e perda de direitos adquiridos (e.g.: pensionistas). Em Portugal era uma questão de tempo até que acontecesse o mesmo. Numa escala diferente e com um grau de violência em consonância com o País de brandos costumes a que habituámos a comunidade internacional.

Era inevitável que algumas das medidas da austeridade avançadas fossem impopulares. Mas necessárias. Ninguém coloca isso em causa. Contudo, e não sendo contra a aplicabilidade das mesmas, faz-me alguma confusão que seja sempre o "mexilhão" (parafraseando um conhecido comentador político) a ter de pagar mais, quando os exemplos que deviam "vir de cima" teimam em não aparecer. A título de exemplo (um entre centenas) o gabinete do nosso Primeiro Ministro tem cerca de 33 viaturas automóveis à disposição. Entre carros de segurança, carros para os Secretários de Estado, etc.. Questiono-me..porquê? Há um custo mensal que tem de ser pago: Renda do carro + combustível + seguro + vencimento auferido pelo motorista. Multiplique-se por 30. Giro, não é? É um número francamente elevado e suportado pelos contribuintes. Talvez se pudesse pensar em começar a fazer o corte aqui mesmo. Dar o exemplo como deu o ex-Presidente da República Ramalho Eanes que abdicou do seu vencimento de ex-governante (e que lhe é por Lei) para apenas auferir o vencimento de militar de topo na reforma. Infelizmente não há muitas pessoas assim. Íntegras e verticais. E os muitos exemplos de despesismo replicam-se.

A "gota de água" foi a nota do aumento da contribuição para a "T.S.U" (Taxa Social Única) por parte do contribuinte privado - nós - e a diminuição da mesma contribuição por parte das entidades colectivas - empresas. E a água do copo verteu. Não dava para aguentar mais. Quando referi há pouco (início deste texto) que era de esperar a convulsão política, queria referir-me à serenidade com que os portugueses aceitaram durante largos meses o cumprimento do ratificado no memorando com a "troika". Que lhes fossem subtraídos os subsídios de férias e fosse aumentado o "IVA" na restauração, entre outros exemplos. Pacientemente se percebeu que o montante do "IRS" devolvido foi menor. E pacientemente se ía ouvindo a voz da Oposição. Umas vezes com razão outras sem, sendo que grande parte da responsabilidade do estado a que Portugal chegou...é culpa deste partido político. E curiosamente nunca são avançadas alternativas credíveis ao definido pelo actual Governo.

Assisti às imagens em directo da manifestação em frente à Assembleia da República. Pensei, para mim mesmo, que o direito à manifestação está consagrado na Constituição Portuguesa (Art.º 45º). O que não entendi bem foi o porquê dos polícias terem de ser apedrejados com calhaus da calçada. O polícia que faz parte do cordão policial na base das escadarias da Assembleia...está, a meu ver, a trabalhar. Como esteve a quase totalidade dos manifestantes (os que têm trabalho) durante a semana anterior. Faria sentido que os polícias que foram apedrejados fossem para a porta do trabalho dos manifestantes atirar pedras e tomates? Não. Não fazia. Porque razão o fazem então para com a polícia? Que está em cumprimento do dever e que zela pela ordem pública? Que culpa desta situação tem o polícia (que até tem filhos) e que está ali em trabalho? Sendo que em alguns momentos até vê a sua vida perigada? Não percebo. E menos ainda percebo o porquê dos "heróis" que atiram os tomates e as pedras terem a cara tapada. Têm medo de quê? Não vivemos em regime democrático desde há 38 anos? Então...se são heróis para pegar num calhau e arremessar contra um trabalhador que zela pela segurança e ordem pública...deviam fazê-lo com a cara destapada. É assim que os verdadeiros revolucionários fazem. Defendem uma causa de "peito aberto". Sem medos. Não foi isso que se percebeu no passado Sábado.

A zanga de "comadres" entre o actual Executivo e partido da coligação não é nada boa e muito menos abonatória no presente momento. Há quem avance a tese de que, não sendo verificado o actual momento...o Governo caía. Não faz sentido que em plena crise sócio-económica se aposte na consolidação da política externa. É importante que, na minha opinião e neste momento presente seja dado um sinal de coesão. De unidade. De "estamos juntos mais que nunca para o que der e vier". Afinal não. À semelhança do que já aconteceu no passado (e já habitual na política portuguesa), é tão mais fácil demarcar-se "à posteriori" de determinadas políticas tidas como impopulares e que até provocam a crispação pública do que estoicamente aguentar a onda de consternação pública. A vantagem? Obtenção de votos. E convido quem quiser (e se lembrar de o fazer) a ver os resultados do partido da coligação no próximo acto legislativo... Os números falarão por si. Por outro lado, e para nosso mal, a imagem que passa "para fora" é a pior que podia passar. Se os investidores estrangeiros mantinham até agora o cepticismo relativamente ao investimento por cá....agora mais do que nunca irão manter. Quem é que quererá apostar num negócio no Líbano neste momento? Quem é que quererá abrir um McDonald´s na faixa de Gaza? A ninguém. São realidades voláteis. Adormecidas. E que de um momento para o outro explodem. Com as consequências que todos conhecemos.

Tenho para mim que esta novela ainda agora começou. O facto da Alemanha referir que Portugal tem de continuar a cumprir o acordado com a "troika" ainda que seja conhecida a recessão económica em que vive, atesta bem a realidade que vivemos e com a qual teremos de lidar durante os próximos tempos. É importante perceber que há grupos sociais que estão a ser injustamente massacrados com estas medidas e que começam a perder a paciência. Falo objectivamente dos pensionistas. Pessoas que descontaram uma vida inteira (alguns deles têm de anos trabalho o que o Primeiro Ministro não tem de idade) para ter uma vida aprazível. E agora constatam que o "bolo" no final do mês é sempre inferior. Porquê? Porque o Estado não conseguiu encontrar outra forma de obter dinheiro rápido para cumprir o acordado com a Europa. Infelizmente, teve de sacrificar uma "franja" da nossa sociedade para que pudesse honrar os compromissos - não estou contra o objectivo final, estou contra a forma de o atingir.

Muita coisa fica por dizer. Espero que o Governo recue nas medidas avançadas e de uma vez por todas, e com coragem, mexa nos interesses dos grandes grupos económicos em vez de continuamente sacrificar aqueles que pouco (ou nada) têm para dar. E que são cada vez mais.

domingo, setembro 09, 2012

No meu dia-a-dia profissional dou conta do quão diversas podem ser as prioridades estabelecidas por parte de cada um. Desde que chegam ao local de trabalho até que saem do mesmo.

Um aspecto importante (e com o qual tenho de lidar no meu quotidiano) é a incontornável dependência de elementos que advêm do trabalho de outros. Aqui reside uma das causas da minha já habitual inquietação. Por muito insistente que possa ser e/ou transparecer....só quando me irrito a sério é que as coisas acontecem. E não devia ser assim. Mas suspeito que conheço a razão do problema.

A questão é intrínseca à sociedade portuguesa. Salvo honrosas excepções, o português típico não gosta de seguir um plano ou um cronograma sequencial de eventos com metas "tangíveis" e honestas. Ou seja, por outras palavras, uma forma de trabalhar correcta e conservadora. Ao invés, o "tuga" prefere trabalhar no abstracto, a seu "bel prazer" e ao seu ritmo. É algo que me faz imensa confusão. O ter de haver o tempo para o café (e para a conversa que naturalmente decorre deste(s) importante(s) momento(s) de confraternização), o ter de haver tempo para o(s) cigarro(s) ao longo de um dia de trabalho, para o horário de almoço dilatado, para o horário do lanche e por aí adiante. Já para não falar das várias incursões aos locais de trabalho de outros colegas. E que por vezes, como se sabe, duram bastante mais do que o expectável.

A jusante, há um prazo definido para uma tarefa, de alguém, que vai sendo adiado. Não por vontade daquele que acaba por ser prejudicado, mas sim derivado da falta de capacidade de gestão da agenda diária de algumas pessoas. Ou por outra, também pela não responsabilização das pessoas pelo não cumprimento de metas diárias e produção de volume de trabalho em conformidade com o desejável. A culpa não é das pessoas. É de quem deixa que este tipo de situações tenha lugar.

domingo, setembro 02, 2012

Tenho acompanhado com alguma serenidade o desenrolar da "novela" das medidas da austeridade. Digo "alguma serenidade" porque é complicado, neste momento, que seja mantida a lucidez de espírito que permite perceber a lógica do "corte na despesa e aumento da receita" por parte do Estado Português.

Repetindo-me, reitero o que já disse anteriormente. Não tenho qualquer pretensão a ser economista ou analista político. Contudo, sou um cidadão português com discernimento e com capacidade para perceber algumas coisas. Poucas, mas algumas. Além de poder, naturalmente, exercer livremente o meu direito de voto, consagrado na Constituição Portuguesa. Donde, de forma que me parece ser razoavelmente compreensível e aceitável, posso e devo capacitar-me do que acontece neste momento, perceber os meandros do actual momento, ler opiniões fidedignas e no final, ajuizar.

Para quem não percebe muito bem o que está a acontecer no actual momento, eu ajudo. Entre outras coisas, o plano gizado pelo nosso Governo para o cumprimento das metas acordadas com a "troika" saiu furado. Falhou. Isto sem complicar muito a história. "Assumo que na "data X" terei um aumento da receita de "Y"". Mas tal não se verificou. Por muito boa vontade e empenho que os digníssimos representantes do nosso Governo (incluindo o Presidente da República Portuguesa) tenham, a comunidade internacional não está "alinhada", ou por outras palavras, receptiva à realidade portuguesa. Está, e com razão, céptica. Com receio. Portugal não oferece, no presente momento, segurança ao investidor estrangeiro. A cortiça, o azeite e as praias portuguesas são fórmulas já gastas (e em alguns casos replicadas noutros países com uma situação económica mais apetecível) o que se traduz, "no final do dia", na entrada de menos divisa estrangeira (como aconteceu até há uns anos) e claro, enfraquecimento da economia portuguesa (assim é incrementada a fractura entre receita e despesa de que falo no primeiro parágrafo).

Mas a minha indignação que em breve surgirá não se deve a este parágrafo anterior. Ou seja, não me remeto ao não cumprimento dos objectivos acordados e a uma (quase inevitável) subida dos impostos para justificar a minha indignação. Sustento a minha pouca compreensão com a manifesta incapacidade dos actuais membros do Governo explicarem aos portugueses o que se está a passar. Porque falha Portugal o cumprimento das metas acordadas. Como é possível que ainda se aufiram salários públicos pornográficos em paralelo com uma assustadora e crescente taxa de desempregados? Não entendo. Por um lado o Governo pede mais sacrifícios. Ou seja, o Governo continua conivente com uma situação de completa e mais que conhecida injustiça social. Mais agravada pela actual conjuntura económica. Entre outros exemplos que poderia dar.

Já o referi neste espaço e volto a referir. É importante que os portugueses percebam o porquê das coisas. Onde estamos e para onde queremos ir. Só assim haverá compreensão dos sacrifícios que são pedidos. Só assim será justificado que para breve se ganhe menos e se paguem mais impostos. Ou que se perder qualidade de vida. Realidade (infelizmente) do presente momento.

domingo, agosto 26, 2012

Dei comigo há poucos dias a perder algum tempo acerca de uma situação concreta e absolutamente comum nos dias que correm: a passagem do enredo literário para a tela (cinema). Por outras palavras, passar o que está escrito num livro, um texto qualquer para um filme de cinema.

Confesso não sou uma daquelas pessoas que fica ansiosamente à espera que tenha lugar essa transposição. Por norma, leio um determinado livro e guardo para mim o detalhe existente no mesmo. Defendo que se perde (e muito) o detalhe aquando desta passagem para o filme de cinema. O que acaba por ser expectável. Passo a explicar.

Parece-me "líquido" que quando alguém quer descrever determinado cenário em texto, terá de o fazer com o máximo de detalhe e rigor possível. E escreverá à medida que pensa para que a informação não seja demasiado filtrada - o que poderia fazer com que o interesse se perdesse. A pena deverá fluir à velocidade do pensamento. E assim sendo, o (a) leitor (a) ficará mais (ou menos) "preso" a determinado enredo literário. Há fórmulas de o conseguir com relativa facilidade e os diversos estilos adoptados por vários autores (nacionais e internacionais) apontam nesse sentido.

A questão mais sensível, na minha perspectiva, vem seguidamente. Dar forma a algo que está escrito. Se, como na maioria das vezes acontece, uma pessoa vai ver um filme sem nunca ter lido o livro...óptimo. Sem qualquer problema. Não tem criada qualquer expectativa e o que vê...é o que "compra". O mesmo não acontece quando alguém leu o livro e tem uma expectativa bastante elevada. E que será tanto mais elevada quanto mais descritivo for estilo do autor(a) nas suas narrações. E por vezes...poderá acontecer que essa expectativa seja defraudada.

Diz-me a parca experiência que tenho neste assunto (contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que fui ver um filme em que tivesse lido o livro anteriormente) que para ser produzido um filme com o detalhe do livro...o orçamento seria próximo da dívida externa de Portugal. Ou seja, quanto mais detalhe quisesse ser passado pela realização / produção do filme...mais encarecida seria a conta final. O que não deixa de ser lógico. Imagine-se por exemplo o tipo de detalhe que alguns cenários têm de ter para que possam reflectir cabalmente a realidade actual de uma determinada época. Ocorrem-me por exemplo os filmes relativos à revolução francesa. Ou da 2ª Grande Guerra. Com decoração características e específicas. Há outro aspecto muito sensível e igualmente importante. A caracterização das personagens...e a "condução dos actores". Eu explico.

Entendo que para alguém saber "conduzir actores" tem de estar perfeitamente "embrenhado" no enredo. Tem de o sentir. Tem de o perceber. Tem de encarnar a pele do autor para perceber o que quererá o mesmo transmitir no texto e seguidamente "conduzir" ou instruir os actores nesse mesmo sentido. Neste campo é importantíssima a caracterização dos actores. Quando se lê um livro...a nossa mente vagueia e é naturalmente sugestionada. Imagina (eu consigo imaginar) pessoas, sons, lugares, sabores e cheiros. Os 5 sentidos. E quando se visiona o filme...espera-se que haja esse "match" ou confirmação, como se preferir. O que nem sempre acontece. Ou porque o actor escolhido não tem absolutamente nada a ver com o idealizado ou porque a caracterização do actor é mal conseguida. Ou porque o realizador / produtor não foi feliz na sua função.

Prefiro manter o que leio!

terça-feira, agosto 21, 2012

Mais uma vez venho aqui dizer que há documentários que não deviam passar na televisão. Pela falta de rigor e pela ficção exagerada. Tão exagerada que ridiculariza o programa. E mais. São verdadeiros atestados de burrice aos incautos como eu que ingenuamente pensaram que iam ter a oportunidade de aprender algo. Devia ter percebido logo que era um embuste.

Não retive o nome deste documentário, mas também não interessa muito para o caso. Passou num dos canais privados da televisão no passado Domingo. O que inicialmente me pareceu ser um programa óptimo para passar um serão domingueiro, rapidamente me fez ficar nauseado e com vontade de enviar por carta registada umas linhas duras ao produtor de tamanha falácia. 

A "fórmula" do documentário em si até era interessante. Passava, neste episódio, por deixar um náufrago no alto mar e aferir se era possível que o mesmo conseguisse sobreviver numa ilha, construir uma jangada e fazer-se de novo à vida, ou seja, voltar ao alto mar e daí alcançar ajuda (e.g.: embarcação ou via aérea). Até aqui tudo bem.

Para começar (penso eu), um tipo que nada em camisa, calças e sapatilhas (e presumo que com roupa interior) é algo que por mais que tente perceber, não consigo atingir. Na minha humilde e singela apreciação da situação, quer-me parecer que qualquer pessoa no seu juízo normal desfazer-se-ia de imediato de toda a roupa - que se sabe que ensopada dificulta os movimentos  - e atrasaria a chegada a terra. Talvez seja essa  razão pela qual nunca vi o nadador olímpico mais medalhado de sempre dentro de água...a nadar de fato de treino e sapatilhas. Por alguma razão será. Digo eu.

A partir deste momento perdi toda a credibilidade no documentário e a sequência de eventos deu-me razão para tal. A menos que o "companheiro" tivesse algum problema nos folículos capilares da cara, em todos os dias da filmagem aparecia com a barba feita. Bem escanhoada. Confesso que fiquei com inveja. E dei comigo a pensar se aquelas águas em que o artista nadou teriam alguma combinação de nutrientes que impedisse que os pêlos da barba crescessem. Aqui o escriba, com 3 ou 4 dias de estadia nesta ilha (presumo que terá sido a duração desta filmagem), sem fazer a barba, iria parecer mais peludo que um macaco do Zoo. Mas tudo bem, "aguento" este pequeno detalhe "esquecido" por parte do "senhor-produtor-deste-programa". Mas não "compro" que um tipo depois de sair da água, em coisa de 2 minutos tenha a roupa seca. Ou que consiga subir um coqueiro com uma altura de 20 metros sem ferir as mãos (isto depois de ter nadado quase 3 quilómetros). E que ainda desça o mesmo coqueiro aos saltos (em detrimento de escorregar como fazem os aborígenes). Isto sempre vestido com a roupa com que nadou e as mesmas sapatilhas. Acho que durante os 4 dias não se descalçou nunca...o que deve ter feito parecer que um queijo da Ilha cheirasse a alfazema... 

Já não falando do material necessário para fazer fogo e as jangadas que apareceu "sempre" e muito convenientemente em locais onde o companheiro ía a passar. Ou do facto de ter comido o interior de um ouriço-do-mar e não ter de interromper as filmagens com dores de barriga. Enfim...várias situações que a dada altura me fizeram ficar mais interessado no canal das "televendas" onde era apresentado um aspirador a vapor giríssimo e que cá me quer parecer que ía resolver definitivamente os meus problemas das poeiras cá de casa. Ah, já para não falar que vi logo uma janela de oportunidade de negócio..com sorte, mediante um singelo pagamento de uma inexpressiva quantia monetária, também iriam findar os problemas das poeiras dos meus vizinhos. Especialmente da casa da D.ª Luísa ali do 24. 

Acho que estes programas podem (e devem) passar. Há uma componente teórica que entendo ser lúdica. Mas acho também que deviam ser submetidos a uma espécie de "revisor" antes de irem para o ar. Sob pena de caírem na palhaçada. Como foi o caso!

domingo, agosto 12, 2012

Para quem usualmente me segue neste meu humilde espaço percebe facilmente que sou uma pessoa um adepta da organização e do planeamento atempado. Contudo, há momentos ou programas que pelo inusitado e pela sua não organização se traduzem em situações muitíssimo mais interessantes. 

Há uns dias atrás combinei um jantar com um grande amigo meu. Afinal era final da semana e também um dia "off" na minha rigorosa e disciplinada dieta alimentar. Nada melhor que ir a um conhecido rodízio sul americano empanturrar-me até cair para o lado. Ir a um destes locais, comer carne e "pôr de lado" as batatas fritas...é um pouco como ir ao chinês não comer o "clássico" crepe chinês. E pedir uma sopa da pedra como entrada. Estoicamente consegui resistir a comer as batatas mas já não fui tão forte no que toca às caipirinhas. Deitei 3 "abaixo" o que, para uma pessoa como eu que não está habituada a beber baldes de cachaça (duas delas duvido que tivessem lima ou açúcar em quantidade suficiente), teve como resultado final um natural e lógico estado de ligeira embriaguez.

Não tinha levado carro (sabia que ía beber) o que me libertou substancialmente e além disso consegui passar a ver a caipirinha como a bebida da noite. O que mais tarde também se veio a revelar ter as suas consequências. Afinal, dei comigo a deambular pela Av. Roma com o meu camarada sendo que, a dada altura, nos sentámos naqueles bancos onde tipicamente costuma estar sentada nos finais de tarde (pós-sesta) a "turma da sueca". E caracterizado pelos elementos que terão no mínimo 94 anos. Isto enquanto a nossa boleia (minha prima) não nos vinha apanhar para nos levar para "a noite".

O resto da noite foi passado a dançar. É verdade. Há muito tempo que não abanava este velho esqueleto. Durante tantas horas seguidas. O feito histórico tem que ver com o facto de ter bebido as tais caipirinhas e mais outras tantas "jolas" antes de entrar na discoteca. Resultado: desinibição e vontade enorme de dançar. Cheguei a casa eram 0330H. Isso mesmo "Três e meia da manhã". A loucura total.

Na manhã seguinte fui castigar este corpo de pecador com "nada mais, nada menos" que 6 quilómetros de corrida. Só por causa das "tosses". Venham mais noitadas. Sem serem programadas!

domingo, agosto 05, 2012

Tudo o que são concursos televisivos têm o dom de me deixar nauseado. Seja pela burrice dos concorrentes, seja pelo humor vulgar e fácil dos apresentadores, seja ainda pelo ridículo da generalidade dos concursos em si e que não interessam nada a ninguém.

Mas há um concurso que na minha humilde opinião se destaca dos outros - o euromilhões. Não quero com isto dizer que tenha definido para mim o cumprimento da tarefa semanal de apostar neste jogo da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Mas sendo um jogo que poderá conduzir a uma mudança de 180º na vida de alguém, faz sentido equacionar esta hipótese. E sempre que me lembro jogo. O que é raro, tenho de confessar (o lembrar-me de jogar).

Quando numa semana se ouve falar mais do "jackpot" das centenas de milhões de euros do que os jogos olímpicos que decorrem neste momento em Londres...faz sentido que a minha atenção seja focada neste concurso específico. Ainda por cima com "jackpot". E assim foi. Até ao primeiro sorteio televisivo.

Estava a jantar. Na medida em que não tinha jogado nessa semana estava apenas curioso para saber se o 1º prémio ía sair cá em Portugal. Acho que costumam dizer isso no final de terem saído todas as bolas. E fui assistindo à saída das mesmas. Tudo isto presenciado por, segundo disse a esbelta apresentadora,  "auditores externos" que garantem a idoneidade e legitimidade do concurso. Fiquei muito mais descansado e com a certeza mais que absoluta que dali só viria a verdade e nada mais que isso.

O que aconteceu a seguir fez-me lembrar um daqueles filmes do oculto que de vez em quando passam a desoras na RTP2. A apresentadora ía informando os números das bolas que saíam daquela rotativa metálica (cujo nome não me ocorre agora) e não é que todos os números que disse....nenhum correspondia ao número da esfera que tinha saído? Cinco (5) números e ainda os outros dois (2) números  das "estrelas". Nada correspondia ao que eu tinha acabado de ver sair da tal rotativa. Comecei a pensar que talvez estivesse a ouvir mal e que tinha enlouquecido.

Este concurso teve lugar a meio do telejornal. Lembro-me do apresentador ter ficado igualmente estupefacto. Fiquei mais descansado e ele também  - aposto que tinha apostado. É normal que os dez (10) milhões de portugueses que ansiosamente aguardavam o resultado deste concurso e que poderia ter alterado o rumo das suas vidas tivessem ficado pouco satisfeitos. Ainda para mais aqueles que jogam no euromilhões seguindo uma lógica e hábito semanal. 

Entretanto devem ter dito ao apresentador que se tratava de uma gravação de um concurso anterior. Questiono-me: Não terá sido abalada para sempre a credibilidade deste tipo de concurso? Quem me garante que tudo isto não é(foi) uma falácia? Ou que os tais auditores externos são figurantes e que foram apanhados numa paragem de autocarro do Cais do Sodré? Que auditam estas auditores? Que formação têm em auditoria? Não entendo. Não percebo.

Mas também devo ser das poucas pessoas preocupadas com este facto. Aposto.

domingo, julho 29, 2012

Há uns dias atrás vi na televisão uma reportagem sobre uma mãe revoltada com o "sistema". Prestei mais atenção e percebi que era uma revolta dirigida a dois sistemas: o "sistema nacional de saúde" português e o ministério da educação.

Podia ser mais uma reportagem sobre algum português que tivesse sido obrigado a pagar a taxa moderadora depois da habitual consulta quinzenal dos joanetes. Mas não era. Era bem pior e foi isso que captou a minha atenção. Um adolescente deficiente profundo que será em breve integrado numa turma "normal" de alunos sendo interrompido o acompanhamento contínuo que tem desde há uns anos.

Enquanto ouvia com incredulidade a jornalista referindo o que pretendem fazer estes dois respeitosos ministérios - e ao mesmo tempo a mãe ía queixando-se da injustiça e da formalização da contestação que entretanto interpôs - fui-me lembrando de um colega (de outra turma) que andou na minha escola primária. Nunca compreendi muito bem o porquê do pequeno miúdo brincar na ponta oposta do recreio. Sempre sozinho e sempre debaixo da supervisão de algum adulto. Isto enquanto eu e os meus colegas jogávamos à bola. E caíamos. E esfolávamos os joelhos. E abríamos as cabeças - pedradas ou quedas.

O pequeno miúdo do meu recreio era hemofílico. Na altura, a investigação e os tratamentos para esta doença não eram tão avançados quanto o serão hoje. Estamos a falar de mais de 30 anos de diferença a esta parte. Daí os cuidados especiais e as reservas altas em que o miúdo brincasse connosco. Lembro-me de na altura me ter sido dito que o menino não podia magoar-se (hemorragias) e que se tal acontecesse teria de ser imediatamente evacuado para o hospital. Urgentemente. Faz sentido.

Referia-me a algo que teve lugar há mais de 30 anos. Contudo, e ainda que a investigação científica tenha avançado imenso desde então (a probabilidade de cura ou erradicação das doenças oncológicas - assim sejam atempadamente detectadas - ronda os 100%) não está ao alcance de qualquer um. Porquê? Porque embora os bons médicos oscilem entre o "público" e o "privado", é no "público" que fazem carreira. Investigação e docência. No "privado"...compõem o horário e levam mais uns milhares de euros para casa ao final do mês. Pela lógica do que descrevo, seria no tal sistema "público" que toda e qualquer pessoa devia ir. E vai. Mas desiste entretanto. Ou morre. A lista de espera desmotiva o mais paciente. E neste caso em concreto, do adolescente deficiente profundo, é um erro que por via do necessário cumprimento de metas do défice (impostas pela troika) se corte do essencial e necessário custeio do acompanhamento permanente.

Resumindo, alguém que tenha a "infelicidade" de ter a seu cargo alguém com algum distúrbio ou doença que requeira atenção contínua....corre o risco de receber uma carta do Estado informando que não há mais dinheiro para comparticipação e que infelizmente terá de cessar o custeio deste tipo de acompanhamento profissional. Donde, e numa lógica de pensamento discutível e débil, o enfermo será integrado na tal rede pública (onde eu e tantas outras pessoas) pertenci(emos) toda a minha/nossa infância, onde as crianças são cruéis umas com as outras e onde a distracção de um adulto poderá sugerir a morte do tal doente. Não faz qualquer sentido.

domingo, julho 22, 2012

A lamentar a perda da bombeira Paulina Pereira (Bombeiros Municipais de Abrantes) ontem, em missão de socorro / combate a incêndio. Mais uma vez, Portugal dá nota de ser exímio em focar a atenção no "acessório"(e.g.: licenciatura de um político) em detrimento de fazer cumprir a Lei numa altura do ano tão propícia a incêndios, sendo que a preparação / prevenção deveria ter começado há largos meses atrás e não em plena época de fogos.

Remeto ao regulamentado no Decreto-Lei n.º 17/2009 de 14 de Janeiro. Entre outros aspectos, parecem-me claras as competências entre os Municípios e o próprio Estado. Estão muito claras as responsabilidades de cada parte. Importa, na minha humilde opinião, e em momento de rescaldo (eventualmente temporário das frentes de fogo) perceber porque houve tamanha descoordenação no terreno por parte dos orgãos de comando. E, sem me alongar muito nesta partilha, perceber também se irá haver responsabilização judicial de quem tiver de o ser. Afinal trata-se do incumprimento da Lei. Ou mais uma vez os políticos (autarcas, em particular) estão acima da Lei?

domingo, julho 15, 2012

Continuo com a minha prática da corrida. De forma regular e disciplinada. Entendam que é complicado dizer às minhas pernas e ao meu cérebro para vestir os calções e calçar os ténis e ir correr ao final da tarde, quando ainda se fazem sentir uns magníficos 32º ou 34º. Não seria a primeira vez. Mas como diz o adágio (em inglês): "No pain, no gain".

Nos últimos tempos tenho vindo a integrar uma série de conhecimentos que aprendi ao longo dos anos. Não só os adquiridos no liceu (na medida em que venho de uma área de saúde), bem como os da faculdade e ainda os adquiridos aquando da prática de exercício físico em ginásio. O trabalho músculo-esquelético, dietas alimentares e melhores práticas aquando de determinada prática desportiva são assuntos muito abrangentes e tenho tentado perceber onde "se tocam".

Nada melhor do que pensar nisto tudo quando já estou em esforço intenso. Em subida (em que o esforço é superior e próximo de puxar à corda um comboio) e em que sinto as tíbias muito próximo de saltarem das pernas. Ou os joelhos prestes a ganhar vida própria e irem à sua vida. Isto acompanhado de uma sudação generosa e que faz parecer que acabei de despejar dois baldes de água em cima de mim.

Um dos aspectos que refiro acima e de sobeja importância diz respeito à reformulação da dieta alimentar. Ao que eliminei da minha mesma. Fritos. Doces cada vez menos. E muita fruta. Nestas últimas semanas tenho comido tanta fruta e salada como se não houvesse amanhã. Não me recordo de alguma vez ter optado por este tipo de alimento..e não é que o meu organismo se readaptou e com muito menos fico igualmente bem?

Até agora, os resultados são muito consistentes com as novas opções que fiz: exercício físico e dieta alimentar nova. Sinto-me muito empenhado em continuar. E a sofrer!! Mas é por uma boa causa!!

domingo, julho 08, 2012

Finda que é a histeria relacionada com o campeonato europeu de futebol, tornou-se premente encontrar outro tema que tivesse o dom de entreter os portugueses durante as semanas que se avizinham: a discussão pública acerca da credibilidade de uma licenciatura obtida por um político numa universidade privada. Algumas considerações se me oferecem fazer sobre o tema:

Em primeiro lugar, não tenho qualquer dúvida acerca da experiência profissional do político em causa. Este, tal como tantos outros políticos portugueses deverá ter um vasto currículo profissional. Não me ofende, em momento algum, que possa haver alguém que, num conselho cientifico de uma qualquer universidade, quer pública, quer privada, conquanto detenha o conhecimento para tal, possa em consciência e devidamente suportado documentalmente, atribuir créditos (convertidos em equivalências) para as cadeiras de um determinado curso. A questão é que (notícias alusivas à data de hoje), apontam no sentido de que, 3 dos 4 nomes de docentes da tal universidade privada e que avaliaram o processo deste político para atribuição das equivalências ....estavam errados. O que, como se calcula, adensa a curiosidade e suspeita na cabeça dos portugueses. Basicamente houve confusão com o nome de 3 dos 4 docentes que afinal nem leccionaram na tal universidade na altura em que o político teoricamente lá teve aulas. À boa maneira portuguesa, já tardava a surgir a confusão.

Em segundo lugar a forma como este tipo de notícia consegue ocupar o tempo de antena da "prime hour", ou se quiserem, nos vários blocos noticiosos. Não é relevante, para a discussão, que o político "A", "B" ou "C" tenha obtido uma licenciatura de forma menos transparente. Não nesta altura. Numa altura em que há outros temas mais importantes e que podem eventualmente comprometer a continuidade do permite que durante quase uma semana se debata ou seja dada importância a um assunto que nada irá resolver ou contribuir para a resolução da actual crise económica ou do consequente e grave aumento da taxa de desemprego.

Em terceiro lugar é importante que seja feita uma avaliação séria deste assunto. Não é normal que no espaço de 3 ou 4 anos se tenha colocado em causa a credibilidade de instituições de ensino superior privado com temas desta índole. A questão é  opinião pública "bebe" toda a informação que lhe é vendida pelos "media". Tudo, sem questionar. Assume-se sem problema que há um trabalho sério de investigação no sentido de "apurar a mais verdade das verdades". O que nem sempre corresponde à verdade. Há "lobies" de pressão e interesses escondidos. Há notícias ou denúncias efectuadas anonimamente e que levam a que um jornalista sedento de protagonismo consiga uma "capa" ou uma peça televisiva bombástica...que será tão mais grave ou explosiva...quanto mais vísivel fôr a pessoa em causa. Como aliás são os dois casos de licenciaturas de políticos portugueses. Mas afinal...é isto que vende. Mesmo que não seja totalmente verdade!