Adopção
Conheço de perto a realidade da adopção. Acompanhei o processo de adopção de uma criança por parte de um casal amigo e consegui perceber a quão complexo pode ser este processo.
Em primeiro lugar, não adopta quem quer. Adopta quem pode, e após ter terminado um escrutínio rigoroso, como é de resto expectável neste tipo de matéria. Compreendo isso. É importante conhecer e avaliar quem se propõe a adoptar, as suas posses, bem como as garantias de sobrevivência / subsistência que terá a criança adoptada no novo lar que a acolherá. Em segundo lugar, constata-se que há uma preferência dos casais pelas crianças mais novas (bebés) em detrimento da adopção de crianças prestes a entrar na complexa etapa da adolescência. Ou pelas crianças saudáveis em detrimento de crianças com alguma deficiência. Também consigo compreender isso. Em terceiro e último lugar, não entendo é a desistência dos casais que adoptaram as crianças e as entregam de novo às instituições de onde as receberam volvido algum tempo de convivência.
O processo de adopção não dura menos de um ano. Durante esse ano (e querendo), é possível ao casal saber tudo e mais alguma coisa da criança. Tudo é tudo mesmo. Há inclusive um período de "experiência" em que se percebe se há uma adaptação pacífica (ou não) da criança no seu novo lar e com os pais adoptivos. Com tudo isto, não entendo como é que há crianças que são devolvidas às instituições que sempre as acolheram. As crianças não são objectos, não são electrodomésticos com quem se brinque e depois se chegue à conclusão que não apetece brincar mais. São seres humanos, com passados traumáticos (em alguns casos), com um legado de alguns anos a viver numa família de tantas outras crianças adoptadas. Chegando aos 15 anos, se não estão em erro, deixam de estar disponíveis para adopção. Sem nunca terem tido uma presença paterna ou materna. O que quero dizer, em jeito de conclusão, é que as pessoas devem ser adultas nas suas decisões. Ponderar bem as suas decisões. Pesar os prós e os contras. E claro, dialogar acerca do que realmente querem (e se querem efectivamente) adoptar uma criança.
Acabo de chegar de Miami há coisa de três dias onde me desloquei em trabalho. Não conhecia ainda esta cidade integrante do estado da Flórida. Miami está para a Flórida como Albufeira está para o Algarve. Grosso modo é isto. Antes de partir, já tinha conhecimento de ser uma zona dos Estados Unidos onde há uma predominância da comunidade hispânica. E também percebi rapidamente que o espanhol é a primeira língua nesta cidade e que são poucos os habitantes da mesma que se esforçam por "hablar" o inglês. Ou "inglês-americano".
Confirmei mais uma vez que a gastronomia em Miami é igual aos outros locais dos EUA que conheço. Grelhados com o famoso e habitual molho de tomate adocicado. Os clássicos jarros de cerveja. E as famosas "chicken wings" que não são mais que várias parte do frango panados e embebidas num molho picante cujo aspecto faz o óleo do meu jipe parecer um néctar dos deuses. Tem mau aspecto mas sabe bem. Até determinado ponto, a partir do qual é enjoativo.
Para um amante do mundo automóvel, como se sabe que sou, é natural que os EUA represente o estandarte máximo nesta matéria. Não pelo facto de existir modelos que não exista em Portugal. Mas sim pelo facto de ter visto dois carros a gasóleo em centenas de carros movidos a gasolina e com os quais me cruzei. Daqui retiro várias conclusões. Em primeiro lugar, a América não está muito interessada em cumprir as metas definidas no longínquo ponto de partida ratificado em Quioto. Aliás, abandonou na altura as negociações para tal. Já lá vão uns 20 anos.
Em segundo lugar, não será de estranhar, que o menor valor da cilindrada que por lá tenha visto fosse..3.000 centímetros cúbicos. Em terceiro lugar, o preço dos combustíveis. E ainda que recentemente tenha aumentado o preço do galão. Um galão equivale sensivelmente a 3,8 litros. E assumindo que o preço do galão nos EUA é inferior ao preço do litro do combustível em Portugal, justifica-se a despreocupação do americano com a eterna preocupação do europeu com a poupança de combustível ou com a procura de carros económicos que lhe permitam economizar a "gota". E fica naturalmente patente o descompromisso ou desinteresse americano para com as metas ambientais que a generalidade dos países industrializados se comprometeram a cumprir, e por parte de uma nação que é conhecida como uma das mais contributivas para a poluição global do planeta, por via da massificação do recurso à indústria pesada.
De resto, um final de semana gasto em tentar recuperar as horas de sono perdidas na troca de fusos horários. E a certeza que a América continuará a ser o que sempre foi....única!
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