Há poucos dias atrás, num momento em que foi apanhado de surpresa, o Presidente da República do meu Portugal teceu algumas considerações que me deixaram deveras preocupado. Ainda tentei perceber se os seus conselheiros estavam por perto...mas não. Não estavam. O que é grave. Como se sabe, o Presidente gosta de "ouvir" os seus conselheiros. Uma decisão acertada quando o faz e não tão acertada quando dá entrevistas sem estar devidamente preparado.
O caso não é para menos. Afinal, fiquei a saber que as reformas que recebe da Caixa Geral de Aposentações (CGA) e referente ao cargo que foi por si ocupado enquanto investigador da Fundação Calouste Gulbenkian rondam os 1.300 euros (o Presidente fez questão de validar se a jornalista tinha percebido bem a sua dicção não fosse a menina estar com a orelha suja). O que não consegui perceber foi se se trata de um valor total de ambos os locais ou se é 1.300 euros de cada um deles. Fiquei muito mais tranquilizado com o seu ar "enigmático-seráfico" que lhe é tão característico.
Dei-me ao trabalho de pesquisar neste imenso mundo de informação que é a "internet" e realizei que nem eu próprio conseguiria sobreviver com uma reforma três vezes superior ao salário mínimo nacional português. Compreendo e naturalmente que apoio o Presidente nesta sua profunda consternação.
Mas há mais. Uma desgraça nunca vem só. O Presidente teve responsabilidades no Bando de Portugal (BdP). E certamente por esquecimento, não mencionou o montante auferido enquanto colaborador que atingiu o "nível 18" nesta instituição. Acredito que seja um bom nível. Dei-me ao trabalho de fazer novo trabalho de investigação (já me dói a cabeça com tanto texto lido). Estão em causa valores de pensões que apontam "qualquer coisa" entre os 4.000 e os 6.000 euros / mês (quando a pensão máxima nesta instituição atinge o valor de 8.000 euros).
Feitas as contas, o Presidente acumula duas pensões (tendo abdicado o ano passado do seu vencimento enquanto digníssimo representante da Nação, e que totalizaria o valor de 6.523 euros). Resta-lhe viver com uns míseros 10.000 euros / mês. Também eu quero ser pobre e juntar-me a tantos portugueses que nem pão têm para comer.
Costa Concordia
O mais recente naufrágio de um cruzeiro junto à ilha toscana de Giglio (Itália) deu-me que pensar em vários situações.
Em primeiro lugar, sempre ouvi dizer que "o Comandante do navio é o último a sair". Neste caso, ainda o cruzeiro não tinha tombado, já o Comandante se tinha posto "ao fresco" mais a sua misteriosa "convidada" (e que não constava da lista de passageiros). Foi já na parte exterior do cruzeiro (e devidamente afastado e protegido do mesmo, não fosse o diabo tecê-las) que entendeu que devia comandar as operações de busca e salvamento das vítimas agonizantes que estavam no interior do mesmo.
Em segundo lugar, não consegui ainda perceber muito bem o que aconteceu. Parece que este cruzeiro, e por forma a garantir uma maior visibilidade comercial, fazia frequentemente esta manobra. Aproximar-se o mais possível de terra e depois afastar-se. Faz-me lembrar aquele adágio popular do "cântaro" e da "fonte". E aconteceu o pior desta vez. Ao que consta, o Comandante terá recebido ordens por parte da empresa proprietária deste cruzeiro (e que lhe pagava o ordenado) para o fazer. O que piora muito mais as coisas. Porquê? Porque naturalmente que agora pouco há a fazer. Nesta altura do campeonato, nem que tivesse sido sua Eminência "o Papa" a pedir ao Comandante que passasse ao largo de Giglio, tal serviria de atenuante. Há "algo" que está directamente apontado à cabeça deste operacional - o facto de ter abandonado a embarcação. E "isto" não tem perdão possível.
Em terceiro e último lugar, a questão ambiental. O Costa Concordia tem no seu interior toneladas de combustível que (até ao momento) ainda permanecem confinados nos seus tanques. O momento actual é de elevada preocupação e consternação na medida em que as condições climatéricas locais estão a sofrer alterações (para pior), podendo provocar a movimentação da embarcação, dificultando a busca de eventuais sobreviventes e ainda do início dos trabalhos da trasfega (que se prevê durarem meses, na medida em que o combustível deste tipo de barco é espesso, carece de aquecimento para promover o estado mais líquido e facilitar todo o processo). O que sugere, como se imagina, muitas precauções.
Esperemos que tudo se resolva por bem. E o mais rapidamente possível.

1 comentário:
A reformas do presidente,gostei do estilo da escrita ,cinismo e sarcasmo quanto baste mas bem fundamentado...escreve bem este Sr. Engenheiro
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