domingo, janeiro 08, 2012

Grupo Jerónimo Martins e Holanda

Veio há poucos dias a público a notícia relacionada com a transferência do controlo do Pingo Doce passar para as mãos de uma empresa com sede na Holanda. Basicamente, o grupo Jerónimo Martins comunicou ter vendido 56,1%  a uma sociedade sua subsidiária na Holanda. De imediato surgiram apelos nas redes sociais para o boicote das compras no Pingo Doce e o assunto chegou a ser debatido no Parlamento, no debate quinzenal, às Sextas-Feiras, como habitual, e contando com a presença do Primeiro-Ministro.

Na minha opinião, importa apenas perceber se as obrigações fiscais do Pingo Doce serão honradas. No tal comunicado distribuído pelo grupo eram clarificadas algumas questões. Uma das quais foi a assumpção de que os compromissos fiscais continuarão a ser respeitados por cá e na medida em que a sede social e residência fiscal do grupo permanecem em Portugal. Fico bem mais tranquilo na medida em que me iria parecer um tanto ou quanto rebuscado que uma empresa obtivesse receita num determinado país (Portugal) e posteriormente pagasse impostos relativamente à mesma receita noutro país (Holanda) com um uma taxa de incidência inferior, ou seja, como resultado final seriam obtidas margens de lucro significativamente superiores para a própria empresa. Parece-me simples a razão pela qual se levantou tanta celeuma...

Perdão da Dívida Grega

Muito se tem falado na Grécia. Foi efectivamente o país, a seguir à Irlanda, onde houve uma intervenção do FMI, sendo que continuamente tem falhado no cumprimento dos objectivos assumidos com a "troika". Pelo meio, um Governo que "caiu". Bem sei, e como já aqui referi num texto passado, a saída da Grécia seria má para a zona euro. É importante perceber que "o-senhor-que-se-segue" é Portugal, e se, neste momento os "focos" de Bruxelas estão apontados pela dupla "Merkozy" para as economias mais fracas (nas quais se inclui Portugal), mais ficarão quando e se a Grécia sair da zona euro. É uma realidade incontornável. 

Por outro lado, a condescendência de Bruxelas com a Grécia deixa-me pouco tranquilo. Alude ao perdão da dívida por parte dos credores, por forma a garantir algum "oxigénio" à Grécia. Parece-me que ninguém terá dúvidas do quão injusto é que aos portugueses seja pedida mais paciência e esforço - sem que haja qualquer tipo de condescendência - e ao povo grego, assim de repente e que me recorde, já lá vão 3 "borlas". Espero que este tipo de avaliação, que quero acreditar que é conseguida por pessoas idóneas e responsáveis, também seja aplicável ao caso português. Relembro que para a consecução dos objectivos assumidos com o FMI, e objectivamente falando do défice, Portugal recorreu ao fundo das pensões. Tratou-se de uma medida algo controversa, na medida em que se trata do dinheiro devido aos contribuintes portugueses que descontaram uma vida inteira, mas foi a solução encontrada para cumprir o acordado. E foi honrado o compromisso. Será que todos os demais países em dificuldades têm esta visão da realidade e do esforço de contenção / sacrifício? O tempo o dirá.

EDP e Investimento Chinês
Com a recente aquisição de 21,5% do capital da EDP por parte de um novo accionista chinês, algumas coisas poderão mudar nesta tão simpática empresa. Começando no limite ao direito de voto, na medida em que "na calha" dos chineses está também a aquisição de mais 4% de capital da EDP detido pelo Estado Português. Não me choca absolutamente nada este tipo de investimento. Muito pelo contrário.

Contudo, importa referir que este negócio me fez pensar nas diferenças de políticas seguidas por este Governo e o demissionário. Há uns anos atrás, quando a uma conhecida empresa portuguesa tentou comprar a PT, a venda foi tornada inviável. Alegou-se a "golden share" e blindagem de direitos, por outras palavras, havia interesse estatal na contínua supervisão desta empresa. E subsequente distribuição dos lucros. Hoje em dia as coisas mudaram. No caso da EDP, por exemplo, fazia parte da lista de empresas a serem privatizadas. E foi vendida uma significativa parte do seu capital, o que permite aos chineses terem 4 representantes seus no conselho de supervisão da empresa. Esperemos para ver como será esta coexistência.

Implantes Mamários (França)

Segundo veiculado nas notícias, parece que o silicone utilizado nos implantes mamários de algumas mulheres tem aplicação usual em indústrias como a do fabrico de pneus, na indústria petrolífera, como anti-mousse, ou ainda no tratamento de águas residuais. A falha de supervisão deste tipo de intervenção cirúrgica / plástica, bem como o recurso a silicone não adequado, já fez com que fossem contabilizadas uma série de reclamações por parte das visadas e que também têm associado um perigo elevado para a saúde das mesmas. Mas há mais. Trata-se de um problema que afectará mulheres "além-fronteiras" do país gaulês, na medida em que há cerca de 10.000 mulheres do país "aqui ao lado" que também optaram pelos implantes mamários desta marca. O responsável clínico da clínica onde eram feitos os implantes mamários encontra-se naturalmente em parte incerta.

Até daqui a uma semana.

Sem comentários: