domingo, fevereiro 19, 2012

Ensino da Condução em Portugal

Como qualquer pessoa imaginará, o momento de obtenção da carta de condução, há muitos anos atrás, foi revestido de grande alegria aqui para o escriba. Afinal, foi reconhecida a minha competência (e habilitação) para conduzir qualquer viatura ligeira existente na União Europeia (e fora dela, dado que já conduzi noutros países e nunca ninguém me disse nada).

Há poucos dias foi de novo noticiada a questão da corrupção nas escolas de condução, desta feita pelo Presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP). Não obstante o facto de ser associado deste maior clube português e de nele ter tirado a carta de condução, é importante partilhar o meu ponto de vista neste espaço acerca deste assunto.

De há alguns anos a esta parte que defendo que a "causa-raíz" de grande parte dos sinistros rodoviários tem que ver com a falta de formação /  informação dos condutores portugueses. Ou seja, será aí que tem de existir uma intervenção por parte das entidades que regulam o ensino da condução por cá. E tal não acontece, como se sabe. Ou seja, o que retive é que mais uma vez alguém teve a coragem de publicamente assumir que as coisas não estão bem no ensino da condução por cá e calhou ser o Presidente do ACP, instituição que também ministra este tipo de ensino.

Devo ter demorado o dobro do tempo para tirar a carta de condução naquela altura. Sem razão aparente. Basicamente, no ACP demorava-se algum tempo. Vários foram os meus amigos que recorriam a escolas cuja carta de condução era tirada no prazo estupidamente reduzido de uma semana. Nem quero tentar adivinhar quanto tempo será hoje em dia nessas mesmas escolas...Também posso adiantar que devo ser a única pessoa à face do Planeta Terra que fez cerca 40 aulas de código, ou seja, mais 15 aulas do que o obrigatório. Razão? Prazer. Pois é. Talvez por isso não me ter custado absolutamente nada fazer passar no exame de código. Embora me tenha custado um grande bocado a expectativa de ter de esperar que o meu nome fosse o último a ser dito (instruendos aprovados).

Depois do código concluído, e em fase preliminar à passagem para o carro (mundo real), no ACP há os simuladores. Para quem conhece as máquinas de jogos, o simulador do ACP é muito parecido. Tem tudo o que um carro normal tem, mas funciona em meio virtual. Na altura em que tirei a carta tive a felicidade de conduzir um autêntico "espada" norte-americano com mais 40 anos do que eu. O que não deixa de ter a sua piada. Conduzir um carro cujo volante é duas vezes o tamanho de um volante de um autocarro de passageiros. Ah, já para não falar do facto de ter abusivamente "entrado" com o meu "espada" algumas vezes em casas de famílias lá da América. Virtualmente falando.

Findo o período das aulas de simulador (com aproveitamento) - entenda-se não atropelando peões ou provocando estragos em propriedades alheias - chegava o momento de conduzir um carro "à séria". Tive sorte de ter um instrutor todo bem disposto que assumiu que eu já sabia conduzir e como tal, não raro chamava a minha atenção para uma saia mais curta que tinha visto na rua. Ou alguma menina que seguia sozinha num carro. O exame de condução foi feito mais tarde com alguma ansiedade da minha parte, e como não podia deixar de ser com algumas peripécias pelo meio. Mas correu tudo bem e lá obtive a carta.

A partilha desta experiência visa tão somente descrever a sequência de "momentos" que na altura tinham de acontecer no ACP para que fosse possível a proposta a exame. Há poucas escolas de condução assim. Porventura algumas das pessoas que lêem este texto obtiveram a carta de condução recorrendo a uma destas escolas. Não condeno nem recrimino. Apenas e só desejo que menos vidas sejam perdidas na estrada. E que a associação dos acidentes deixe de ser feita a condutores encartados há menos de dois anos.

1 comentário:

Susans Abreu disse...

Completamente de acordo