domingo, fevereiro 26, 2012

Há dias de azar, daqueles em que a opção mais sensata seria ficar em casa a ver o "Bom Dia Portugal" ou outro programa interessantíssimo do mesmo género.

Por outro lado, há também os objectos associados ao infortúnio. Posso aqui e agora adiantar que já vou tendo alguns: um par de "boxers" (que por acaso já tinha colocado fora de circulação pela sequência de azares que me provocou) e um "pullover" amarelo, que também desconfiava que me desse azar...sendo que há poucos dias tive a clara e incontornável confirmação. Mas adiante.

Nesse dia, mal cheguei ao escritório dei conta de me ter esquecido da carteira em casa. Este tipo de esquecimento tem o dom de me provocar ansiedade. Fico receoso de ser mandado parar numa operação STOP e não ter nada que me identifique comigo. Sou um cidadão cumpridor que gosta de ter tudo à "mão de semear". Não ter comigo os documentos deixa-me com poucos graus de liberdade. É certo que a nossa Lei prevê um prazo para apresentação dos documentos, mas não gosto de sair de casa sem os mesmos. Ponto final.

Por acaso, nessa data em concreto, tinha de acompanhar uma inspecção a uma aeronave. Para quem não tem essa noção, o acesso à placa do aeroporto (local onde estão parqueados várias aeronaves de várias companhias aéreas) é restrito e validado por um cartão emitido pela Polícia de Segurança Pública (P.S.P.). Naturalmente que se tratará de um cartão pessoal e intransmissível, como facilmente se depreende e alguém ostentar o mesmo ao peito significa que existe um processo criado para o detentor do tal cartão que foi avaliado, tendo sido concedida autorização policial para aceder à placa do aeroporto.

O acesso ao aeroporto é feito através de portas onde há seguranças privados. Consequência das várias inspecções a aeronaves que faço, já conheço alguns deles de vista. Depois de ter passado tudo que se levava nos bolsos (e mãos) pelo "Raio-X" foi necessário mostrar o tal cartão de acesso à placa do aeroporto que garante ao Sr. Segurança que somos pessoas de bem e não vamos fazer explodir o aeroporto. E foi aqui que começou a minha odisseia. 

Tenho sempre ao peito um "porta-cartões" plástico, onde estão dois cartões (arrumados costas com costas): um cartão da empresa e outro cartão de acesso à placa. No tal posto de controlo da empresa de segurança privada, é necessário mostrar a nossa identificação, para aceder à placa do aeroporto. Que por acaso fica a meio metro de distância do local onde está o segurança que olha para os cartões e onde eu também me encontrava. Mecanicamente, virei como sempre o "porta-cartões" para mostrar o cartão de acesso à placa. E quando o fiz...um espaço vazio. Ou seja, tinha o cartão da empresa e não tinha o cartão de acesso à placa. É grave. Ao nível de algo que também me aconteceu há uns meses...atestar o depósito de um dos carros cá de casa e...não ter a carteira comigo (agora que penso nisto..começa a ser recorrente este esquecimento..tenho de tomar mais Fósforo)...Naturalmente que a minha entrada foi barrada e fui delicadamente convidado a ir expôr a minha situação à P.S.P. do aeroporto. 

Procurei no jipe, procurei no carro da empresa mas sem êxito. Nada de cartão. Revi mentalmente o percurso que tinha feito no dia anterior e fui aos mesmos sítios. Questionei as pessoas se alguém tinha entregue um cartão com a minha fotografia. É curioso o ar incrédulo que as pessoas fazem quando alguém lhes pergunta algo deste género. Questiono-me se porventura achariam que as ía incomodar se tivesse o cartão comigo! É claro que para colocar a questão...é porque "se calhar" não tenho o cartão...."hello??!"

Entretanto fui a casa buscar a carteira para pedir um acesso pontual ao aeroporto. Pedi a uma colega que me tratasse da formalização dos documentos necessários, e assim que estavam prontos, fui ao aeroporto pedir este acesso pontual. Logicamente que quando a menina segurança colocou o meu nome no sistema informático percebeu que tinha um acesso à placa válido até...2013. E percebeu igualmente que eu ainda não tinha dado baixa do cartão na P.S.P (procedimento obrigatório em caso de extravio destes cartões). Mais uma vez foi-me cortada a possibilidade de entrar na placa. 

Hora do almoço. Toda esta série de acontecimentos deixou-me com um batimento cardíaco próprio de uma chita após ter feito um "sprint" atrás de uma gazela marota. Ao almoço tinha vestido o tal "pullover" amarelo. Escusado será dizer que consegui a proeza histórica de terminar a refeição sem me "medalhar". Até ao momento em que estava a limpar os pratos e consegui o feito inédito (ou não) de salpicar a malha amarela com molho. A sensação foi a mesma de ter dado um pontapé com toda a força no pé de uma das mesas cá de casa. Como se percebe, agradável.

Tinha combinado com o meu colega que me acompanhou nestas andanças que após almoço teríamos de ir à P.S.P. para dar baixa do cartão e solicitar emissão da 2ª via do mesmo. É um processo moroso (entre 3 a 5 dias) e que não é simples, por via de uma série de confirmações que a autoridade policial tem de fazer. Quando voltámos ao aeroporto, e já a pé a caminho da P.S.P., estava a mostrar ao meu colega que não conseguia compreender como tinha perdido o cartão. E que o tinha visto (ao cartão) no dia anterior e não percebia como ou onde o tinha deixado cair. E nisto tirei o cartão da empresa, para lhe mostrar o que costumo fazer quando vou a determinado local, para facilitar a minha identificação. E quando tirei este cartão..vi o cartão de acesso à placa por baixo do da empresa. Engraçado o quão ridículo me senti. Claro que ele desatou a rir às gargalhadas. Durante 10 minutos.

Moral da História: Sempre que tirar o cartão da empresa do "porta-cartões" para facilitar a minha identificação, devo colocá-lo no lugar dele e não encavalitado no lugar do outro cartão. Ainda estou para perceber como não senti eu dificuldade em introduzir o cartão (em consequência de estar a colocar um 2º cartão no lugar destinado a um)...

Ganhei uns 20 cabelos brancos com tudo isto...

1 comentário:

Susans Abreu disse...

Quanto mais leio mais quero ler

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