domingo, março 25, 2012

Há um fenómeno que seria interessante de constituir objecto de estudo por parte de uma dessas universidades norte-americanas que se dedicam ao estudo de nobres causas. As mesmas que se preocupam com a melhor época para a reprodução do cervo almiscarado negro (que afinal não pertence à família dos cervídeos) ou o ainda com a clássica questão do porquê da gestação do macaco-aranha durar entre 226 e 232 dias. Coisas importantes, portanto.

O tal fenómeno que me refiro no início do texto tem que ver com a "corte". Seria muitíssimo interessante aferir a percentagem de homens que perpetua a corte junto às suas namoradas / mulheres depois de conseguir a sua atenção ou mesmo de ter conseguido encetar um relacionamento afectivo. Não me admiraria que se apurasse um valor percentual inferior ao número de políticos honestos. Rapidamente, e sem grande esforço, é possível perceber o quão ridículos são os homens nesta fase em que estão enamorados / encantados / deslumbrados. Aliás, estou em crer que, se alguns homens vissem as figuras que já fizeram....discretamente procurariam o conforto (e sombra) de um rochedo próximo, para se esconder, e para sair debaixo do mesmo por altura do Natal de 2034. Nota: Em alguns casos deve ser motivo de conversa (leia-se gozo) entre grupos de amigas. É triste a realidade...mas há homens que são ridiculamente óbvios e básicos.

A razão pela qual alguns homens pecam pela falta de inovação / criatividade tem uma explicação. Ou culpa. As mulheres. Pois é, as mulheres são as verdadeiras culpadas. Passo a explicar. Actualmente, a taxa de divórcios é similar à taxa de casamentos. Quer isto dizer que as pessoas casam-se com facilidade e com uma facilidade ainda maior se divorciam. Até aqui nada de novo. A questão é que se cria um défice afectivo. Ou seja, por outras palavras, a razão entre o que se quer "dar" e o que se "recebe", em termos de capital afectivo e naquele momento, é negativa. E assim sendo, em menos de nada chega-se a um estado de carência permanente, quer nos homens, quer nas mulheres.

Se o estado de carência dos homens é marcado por diversas situações que num estado normal não têm lugar (e.g.: a voz ao telefone deixa de ser máscula passando a um irritante timbre de adolescente imberbe - nunca percebi bem o porquê dos homens pensarem que as mulheres gostam de vozes mais finas, estupidamente enviam mais de 5 mensagens de telemóvel no mesmo dia ou ainda enviarem um postal electrónico sem razão aparente, quando nunca o fizeram antes - por não saberem sequer escrever correctamente o seu nome). São situações atípicas na generalidade dos homens. E tudo isto aliado ao facto de pensarem com a "segunda cabeça". A dada altura...passa a comandar uma série de acções, e aqui sim, podem culminar em abordagens básicas, primárias e que em vez de aproximar uma mulher, afastam-na.

No caso das mulheres (quase todas), a questão não é muito diferente. Também há carência nas mulheres. Contudo, as mulheres gerem a sua carência afectiva de outra forma. Primeiro racionalmente e só depois emocionalmente. Como consequência imediata, isto faz com que o "até que enfim", o momento tão desejado pelos homens seja protelado para algum momento futuro. Indefinido. Algures no futuro, sem pressa e sem pressões, pensa conscientemente a mulher. E isto faz com que sejam conhecidos casos de alguns homens que se começam a roçar nas paredes ou descubram prazer no esfregaço de urtigas nas "partes baixas". Enquanto não chega esse tão esperado momento.

Assim sendo, percebe-se que as carências de ambas as partes propiciam que tudo o resto seja "acelerado". São "queimadas" etapas e não raro a mulher passa a achar piada a alguma graçola mais seca que o árido deserto do Sinai. Ou seja, deixa-se "levar" por um tipo que nem sequer é o seu género de homem. Daí eu dizer que a culpa é das mulheres. Facilitam. Deixam-se levar pelas emoções quando em certos momentos deviam ser racionais. Nota: Não me tentem convencer que o aspecto físico de uma pessoa não conta, porque questiono de imediato se alguém consegue ver beleza num homem / mulher sem dentes à frente.

Não conheço a realidade de outras sociedades além da portuguesa. Do que conheço da nossa, reconheço que há efectivamente uma falta de bom senso, cuidado e sobretudo conhecimento do sexo oposto. Embora as pessoas (mais os homens) assumam que conhecem quem têm ao lado, não é verdade. E um dia que questionem a cara-metade se tudo o que lhes fazem lhes agrada, talvez fiquem surpresos com a resposta. E esta situação remete para uma diferença básica no binómio "homem-mulher". A mulher é usualmente mais permissiva e tolerante com os erros dos homens. Por outras palavras, tolera mais. Muito mais. Até ao dia em que uma coisa de somenos importância assume proporções dantescas. E "entorna-se o caldo ".

O período de encantamento é delicioso. Para ambas as partes. A corte, mantida, é algo ímpar e que poderá sugerir uma relação duradoura, verdadeira e acima de tudo, vivida a dois. A questão é que dura pouco. E quando uma das partes sente isso...é complicado que a relação dure. Ou pelo menos dure sem que haja acomodação - pior inimigo da relação.

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