domingo, abril 22, 2012

Dei conta precisamente hoje do quão pode uma pessoa ser complexa. Bem sei que até sou uma pessoa complexa, nem sempre com um raciocínio lógico e imediato, mas há coisas que sem dúvida alguma me ultrapassam. Ou para as quais o meu entendimento não será suficiente.

Quem conduz automóveis, sabe (ou deveria saber) que a manobra de marcha-atrás é complicada e é pelas seguradoras considerada como "manobra perigosa"...não vá qualquer condutor distrair-se e passar sem querer por cima de algum peão incauto que atravessou a estrada a escrever um "sms" para a namorada. 

Aqui para o escriba, a manobra de marcha-atrás é bem mais do que isso. Simboliza sofrimento. Piora enormemente quando tenho de estacionar o carro paralelo...ao passeio do lado direito. A razão é sobejamente conhecida. Ainda que haja o retrovisor exterior direito, já tem acontecido tirar um "bife" às jantes deste lado do carro. O que de resto, quem conhece a minha paixão pelos automóveis compreende que isso signifique espetar e rodar uma faca no olho direito.

Imagine-se uma rua larga. Quando escolho o adjectivo "larga", refiro-me a uma rua com uma largura onde um carro normal passaria à vontade. Voltando ao primeiro parágrafo, o que assisti hoje pouco fez-me repensar que afinal até sou bem simples. Estava nessa tal rua estacionado em 2ª fila quando vejo um casal chegar numa carrinha, conduzida por "ele". Deixa -"a" num determinado local. O lógico, havendo vista desafogada, seria que recuasse em marcha-atrás e estacionasse o carro. Mas não. Isso seria fácil de mais. Porque não introduzir uma variável de dificuldade? Vai daí, resolveu fazer inversão de marcha na tal rua. A dada altura pensei que não fosse conseguir tirar a carrinha do meio da estrada (onde ficou atravessada) e a fazer manobras que distavam centímetros de outros carros que já lá estavam. Os carros nem eram meus e comecei a ficar nervoso e sem respiração. Depois percebi o que era pretendido. Afinal era estacionar o carro 2 metros atrás. Mas com a frente virada para a saída!! Tanta complicação quando podia ter puxado o carro atrás e simplesmente ter estacionado.

Há muita gente com os "complicómetros" ligados. Infelizmente. Se pensarmos bem, há vários processos onde o facto de haver alguém complicado, do outro lado...torna os processos ainda mais complicados. Lembro-me por exemplo (e meramente ilustrativo), do que passei aquando do pedido de uma certificação de habilitações na secretaria de uma das faculdades onde estudei. Creio que foi nessa altura que comecei a ter cabelos brancos. Nunca compreendi muito bem como é que uma declaração simples, em que a instituição ateste que fulano "A" teve aproveitamento em meia dúzia de cadeiras "x,y,z..". pode demorar tanto tempo. O que é certo é que a tal certidão, que teoricamente devia ser emitida ANTES de ter sido terminada a frase, demorava não raro um mês. E tenho a certeza absoluta que isto derivava de mentes complexas, quadradas e pouco receptivas à mudança tecnológica que tinham idealizado um sistema infalível..mas moroso. A introdução de um sistema informatizado, actualizado e com informação "up-to-date" pertinente e por aluno tornaria tudo mais célere. Muito mais.

E estes são apenas dois exemplo...entre tantos outros!

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