domingo, abril 29, 2012

O "Dia do Trabalhador" deste ano foi marcado por dois episódios. O primeiro episódio foi marcado pela já tão nossa conhecida contestação popular que acontece por esta altura e que tem como consequência (entre outras) as manifestações na Avenida da Liberdade. Faz-me confusão como é que as pessoas que passam um ano a lamuriar-se porque o Estado lhes está a roubar os feriados....teimam em ir descer a Avenida apregoando o..."que-não-é-apregoável". E num momento em que os responsáveis pela Nação estão a descansar (aproveitando o feriado, como de resto seria de esperar). E os manifestantes estão na rua. Sabe Deus a reclamar o quê. Se cada vez que tivesse lugar um pedido de aumento salarial houvesse a consequente anuência por parte do Governo, em menos de nada as agências de "rating" teriam de redefinir a parte negativa da escala que utilizam para classificar a economia dos países. Especialmente a de Portugal, que como já aqui comentei anteriormente, é péssima.

O segundo episódio foi o do Pingo Doce (PD). Devo desde já confessar que soube deste fenómeno digno de registo nos manuais de estudo para os próximos 45 anos...no final do dia. Com muitíssima pena minha. Afinal, um dia, feriado (em que tipicamente há mais disponibilidade por parte das pessoas) e em que um grupo decide conceder um desconto de 50% no que fôr comprado...é obra. E que obra.

Num momento de crise económica como o que vivemos actualmente e em que muita gente já se desdobra para trabalhar em 3 empregos diferentes, toda a poupança é importante. E faz toda a diferença no final de cada mês, em que novos pacotes de medidas da austeridade são anunciados. O que PD não esperava (ou não equacionou) foi a resposta massiva por parte das pessoas. Não tendo acompanhado todo este processo desde o início, tive conhecimento do mesmo através de fotos e de um ou outro vídeo que alguém amavelmente disponibilizou no meio virtual.

Em teoria, sou contra este tipo de promoção. Se porventura tivesse sido questionada a minha opinião acerca da mesma2 ou 3 dias antes, seria exactamente a mesma. E avançaria de imediato com um possível cenário muitíssimo parecido com o que aconteceu. O ser humano tem um comportamento ou modo de agir condicionado por estímulos. Muito análogo ao que Pavlov mostrou com experiências que fez com os cães - reflexo condicionado (também conhecido por Behaviorismo). Outra coisa não seria de esperar que, com uma redução para metade do preço das compras não houvesse uma afluência tão grande como aquela que foi registada. Em todas as lojas do PD espalhadas por esse País fora. Em algumas destas lojas, segundo consta, chegou mesmo a ter lugar "animação" local, interpretada pelos zelosos clientes, que ainda conseguiram distribuir galhetas e puxões de orelhas a outros clientes menos inteirados desta promoção ímpar e que ousaram retirar uma das 34 latas de sardinha que alguém já tinha reservado visualmente para si.

Segundo as últimas notícias, o PD incorre no pagamento de uma multa de cerca de 30.000€. Em causa está o fenómeno de "dumping", que resumidamente consiste na venda de um produto abaixo do preço de custo. Trata-se de uma prática ilegal, na medida em que não promove uma concorrência harmoniosa e transparente. E claro, sacrifica os Fornecedores, situados na "base da pirâmide" e que injustamente acabam por ter de suportar todo o prejuízo. 

Sou de opinião que a regulamentação aplicável deveria ser rapidamente revista, por forma a dar cobro a situações deste tipo. Não só salvaguardando os direitos dos Fornecedores, bem como assegurando uma concorrência transparente, e evitando assim convulsões sociais como a que teve lugar.

2 comentários:

Lu disse...

Confesso que depois de muitas explicações ainda não entendi o porquê de tanta celeuma acerca deste assunto. Qual é o problema de as pessoas terem aproveitado para pouparem 200/300€ do orçamento familiar para as compras de casa, mesmo que não tivessem feito mais nada nesse dia, teria sido bem ganho.
Por que razão tantas outras grandes superfícies podem fazer promoções de 50/70% e ninguém fala nisso. Na Massimo Dutti quando abrem com promoções de 70%, as pessoas amontoam-se à espera que a loja abra e entram a varrer prateleiras e nunca vi isso nos jornais.
Ouvi comentários durante os últimos dias de pessoas a dizerem “C’orror sujeitar-me aquela humilhação por meia dúzia de euros” quando sei que têm esses mesmos euros contados até ao fim do mês. Continuamos a viver na ilusão de que somos ricos? Nãaa….
Bem, se me disserem que os sindicatos ficaram ressabiados depois de pedirem para ninguém ir fazer compras no 1ª de maio, e uma boa parte ter ido passar o feriado no Pingo Doce, ai já sou capaz de entender um bocadinho, mas isto no caso dos sindicatos, agora as restantes pessoas…porquê?

lina disse...

Infelizmente, também conheço muitas famílias compostas por 7 elementos no seu agregado familiar , cujos responsáveis encontram-se no desemprego... Já imaginaram como é possível colocar, pelo menos 5 pratos à mesa" diários nessas famílias...essas infelizmente nem puderam recorrer à corrida do PD...Um bem haja à instituição