domingo, julho 29, 2012

Há uns dias atrás vi na televisão uma reportagem sobre uma mãe revoltada com o "sistema". Prestei mais atenção e percebi que era uma revolta dirigida a dois sistemas: o "sistema nacional de saúde" português e o ministério da educação.

Podia ser mais uma reportagem sobre algum português que tivesse sido obrigado a pagar a taxa moderadora depois da habitual consulta quinzenal dos joanetes. Mas não era. Era bem pior e foi isso que captou a minha atenção. Um adolescente deficiente profundo que será em breve integrado numa turma "normal" de alunos sendo interrompido o acompanhamento contínuo que tem desde há uns anos.

Enquanto ouvia com incredulidade a jornalista referindo o que pretendem fazer estes dois respeitosos ministérios - e ao mesmo tempo a mãe ía queixando-se da injustiça e da formalização da contestação que entretanto interpôs - fui-me lembrando de um colega (de outra turma) que andou na minha escola primária. Nunca compreendi muito bem o porquê do pequeno miúdo brincar na ponta oposta do recreio. Sempre sozinho e sempre debaixo da supervisão de algum adulto. Isto enquanto eu e os meus colegas jogávamos à bola. E caíamos. E esfolávamos os joelhos. E abríamos as cabeças - pedradas ou quedas.

O pequeno miúdo do meu recreio era hemofílico. Na altura, a investigação e os tratamentos para esta doença não eram tão avançados quanto o serão hoje. Estamos a falar de mais de 30 anos de diferença a esta parte. Daí os cuidados especiais e as reservas altas em que o miúdo brincasse connosco. Lembro-me de na altura me ter sido dito que o menino não podia magoar-se (hemorragias) e que se tal acontecesse teria de ser imediatamente evacuado para o hospital. Urgentemente. Faz sentido.

Referia-me a algo que teve lugar há mais de 30 anos. Contudo, e ainda que a investigação científica tenha avançado imenso desde então (a probabilidade de cura ou erradicação das doenças oncológicas - assim sejam atempadamente detectadas - ronda os 100%) não está ao alcance de qualquer um. Porquê? Porque embora os bons médicos oscilem entre o "público" e o "privado", é no "público" que fazem carreira. Investigação e docência. No "privado"...compõem o horário e levam mais uns milhares de euros para casa ao final do mês. Pela lógica do que descrevo, seria no tal sistema "público" que toda e qualquer pessoa devia ir. E vai. Mas desiste entretanto. Ou morre. A lista de espera desmotiva o mais paciente. E neste caso em concreto, do adolescente deficiente profundo, é um erro que por via do necessário cumprimento de metas do défice (impostas pela troika) se corte do essencial e necessário custeio do acompanhamento permanente.

Resumindo, alguém que tenha a "infelicidade" de ter a seu cargo alguém com algum distúrbio ou doença que requeira atenção contínua....corre o risco de receber uma carta do Estado informando que não há mais dinheiro para comparticipação e que infelizmente terá de cessar o custeio deste tipo de acompanhamento profissional. Donde, e numa lógica de pensamento discutível e débil, o enfermo será integrado na tal rede pública (onde eu e tantas outras pessoas) pertenci(emos) toda a minha/nossa infância, onde as crianças são cruéis umas com as outras e onde a distracção de um adulto poderá sugerir a morte do tal doente. Não faz qualquer sentido.

domingo, julho 22, 2012

A lamentar a perda da bombeira Paulina Pereira (Bombeiros Municipais de Abrantes) ontem, em missão de socorro / combate a incêndio. Mais uma vez, Portugal dá nota de ser exímio em focar a atenção no "acessório"(e.g.: licenciatura de um político) em detrimento de fazer cumprir a Lei numa altura do ano tão propícia a incêndios, sendo que a preparação / prevenção deveria ter começado há largos meses atrás e não em plena época de fogos.

Remeto ao regulamentado no Decreto-Lei n.º 17/2009 de 14 de Janeiro. Entre outros aspectos, parecem-me claras as competências entre os Municípios e o próprio Estado. Estão muito claras as responsabilidades de cada parte. Importa, na minha humilde opinião, e em momento de rescaldo (eventualmente temporário das frentes de fogo) perceber porque houve tamanha descoordenação no terreno por parte dos orgãos de comando. E, sem me alongar muito nesta partilha, perceber também se irá haver responsabilização judicial de quem tiver de o ser. Afinal trata-se do incumprimento da Lei. Ou mais uma vez os políticos (autarcas, em particular) estão acima da Lei?

domingo, julho 15, 2012

Continuo com a minha prática da corrida. De forma regular e disciplinada. Entendam que é complicado dizer às minhas pernas e ao meu cérebro para vestir os calções e calçar os ténis e ir correr ao final da tarde, quando ainda se fazem sentir uns magníficos 32º ou 34º. Não seria a primeira vez. Mas como diz o adágio (em inglês): "No pain, no gain".

Nos últimos tempos tenho vindo a integrar uma série de conhecimentos que aprendi ao longo dos anos. Não só os adquiridos no liceu (na medida em que venho de uma área de saúde), bem como os da faculdade e ainda os adquiridos aquando da prática de exercício físico em ginásio. O trabalho músculo-esquelético, dietas alimentares e melhores práticas aquando de determinada prática desportiva são assuntos muito abrangentes e tenho tentado perceber onde "se tocam".

Nada melhor do que pensar nisto tudo quando já estou em esforço intenso. Em subida (em que o esforço é superior e próximo de puxar à corda um comboio) e em que sinto as tíbias muito próximo de saltarem das pernas. Ou os joelhos prestes a ganhar vida própria e irem à sua vida. Isto acompanhado de uma sudação generosa e que faz parecer que acabei de despejar dois baldes de água em cima de mim.

Um dos aspectos que refiro acima e de sobeja importância diz respeito à reformulação da dieta alimentar. Ao que eliminei da minha mesma. Fritos. Doces cada vez menos. E muita fruta. Nestas últimas semanas tenho comido tanta fruta e salada como se não houvesse amanhã. Não me recordo de alguma vez ter optado por este tipo de alimento..e não é que o meu organismo se readaptou e com muito menos fico igualmente bem?

Até agora, os resultados são muito consistentes com as novas opções que fiz: exercício físico e dieta alimentar nova. Sinto-me muito empenhado em continuar. E a sofrer!! Mas é por uma boa causa!!

domingo, julho 08, 2012

Finda que é a histeria relacionada com o campeonato europeu de futebol, tornou-se premente encontrar outro tema que tivesse o dom de entreter os portugueses durante as semanas que se avizinham: a discussão pública acerca da credibilidade de uma licenciatura obtida por um político numa universidade privada. Algumas considerações se me oferecem fazer sobre o tema:

Em primeiro lugar, não tenho qualquer dúvida acerca da experiência profissional do político em causa. Este, tal como tantos outros políticos portugueses deverá ter um vasto currículo profissional. Não me ofende, em momento algum, que possa haver alguém que, num conselho cientifico de uma qualquer universidade, quer pública, quer privada, conquanto detenha o conhecimento para tal, possa em consciência e devidamente suportado documentalmente, atribuir créditos (convertidos em equivalências) para as cadeiras de um determinado curso. A questão é que (notícias alusivas à data de hoje), apontam no sentido de que, 3 dos 4 nomes de docentes da tal universidade privada e que avaliaram o processo deste político para atribuição das equivalências ....estavam errados. O que, como se calcula, adensa a curiosidade e suspeita na cabeça dos portugueses. Basicamente houve confusão com o nome de 3 dos 4 docentes que afinal nem leccionaram na tal universidade na altura em que o político teoricamente lá teve aulas. À boa maneira portuguesa, já tardava a surgir a confusão.

Em segundo lugar a forma como este tipo de notícia consegue ocupar o tempo de antena da "prime hour", ou se quiserem, nos vários blocos noticiosos. Não é relevante, para a discussão, que o político "A", "B" ou "C" tenha obtido uma licenciatura de forma menos transparente. Não nesta altura. Numa altura em que há outros temas mais importantes e que podem eventualmente comprometer a continuidade do permite que durante quase uma semana se debata ou seja dada importância a um assunto que nada irá resolver ou contribuir para a resolução da actual crise económica ou do consequente e grave aumento da taxa de desemprego.

Em terceiro lugar é importante que seja feita uma avaliação séria deste assunto. Não é normal que no espaço de 3 ou 4 anos se tenha colocado em causa a credibilidade de instituições de ensino superior privado com temas desta índole. A questão é  opinião pública "bebe" toda a informação que lhe é vendida pelos "media". Tudo, sem questionar. Assume-se sem problema que há um trabalho sério de investigação no sentido de "apurar a mais verdade das verdades". O que nem sempre corresponde à verdade. Há "lobies" de pressão e interesses escondidos. Há notícias ou denúncias efectuadas anonimamente e que levam a que um jornalista sedento de protagonismo consiga uma "capa" ou uma peça televisiva bombástica...que será tão mais grave ou explosiva...quanto mais vísivel fôr a pessoa em causa. Como aliás são os dois casos de licenciaturas de políticos portugueses. Mas afinal...é isto que vende. Mesmo que não seja totalmente verdade!

domingo, julho 01, 2012

Finalmente acabou o campeonato europeu de futebol. Digo finalmente porque não há paciência para se ouvir falar das duas grandes penalidades falhadas ou do facto da selecção portuguesa ter "dado tudo por tudo" para que a vitória portuguesa surgisse. Pelos vistos não foi o suficiente. Faltava mais. Não se esforçou o suficiente.

Irei continuar a dizer (para quem me quiser ouvir) que, se algum dia ganhasse num mês o que um certo e determinado jogador (também conhecido por duas letras e um número) ganha em 10 minutos, esforçava-me com todas as minhas forças para marcar 1 golo por minuto. E por isto mesmo não entendo o porquê dos jogadores pararem de correr. Deviam correr continuamente, sem parar em momento algum e por forma a justificar os vencimentos pornográficos auferidos.

Relativamente às semanas em que decorreu o campeonato (leia-se em que era real a possibilidade de Portugal chegar à grande final), todos os nossos problemas foram esquecidos. Deixaram de existir. O que interessava era efectivamente perceber quem era apurado nos vários jogos decisivos. Porventura ninguém deu importância ao facto de Portugal ter sido alvo muito recentemente de mais uma avaliação por parte da "troika". Entre tantos outros exemplos que podem ser avançados e que certamente me preocupam mais do que festejar (ou não) uma eventual vitória portuguesa face a uma selecção espanhola - que diga-se em abono da verdade que foi a real merecedora da vitória. Nem sei como é que a selecção espanhola não resolveu o jogo imediatamente e teve de ir a prolongamento (e subsequentemente à marcação de grandes penalidades). Agora é deixar a Espanha comemorar a vitória durante os próximos 5 meses. Depois cairá em si e dirá que não aceitam as medidas da austeridade recomendadas pela "troika". Como sempre.