domingo, agosto 26, 2012

Dei comigo há poucos dias a perder algum tempo acerca de uma situação concreta e absolutamente comum nos dias que correm: a passagem do enredo literário para a tela (cinema). Por outras palavras, passar o que está escrito num livro, um texto qualquer para um filme de cinema.

Confesso não sou uma daquelas pessoas que fica ansiosamente à espera que tenha lugar essa transposição. Por norma, leio um determinado livro e guardo para mim o detalhe existente no mesmo. Defendo que se perde (e muito) o detalhe aquando desta passagem para o filme de cinema. O que acaba por ser expectável. Passo a explicar.

Parece-me "líquido" que quando alguém quer descrever determinado cenário em texto, terá de o fazer com o máximo de detalhe e rigor possível. E escreverá à medida que pensa para que a informação não seja demasiado filtrada - o que poderia fazer com que o interesse se perdesse. A pena deverá fluir à velocidade do pensamento. E assim sendo, o (a) leitor (a) ficará mais (ou menos) "preso" a determinado enredo literário. Há fórmulas de o conseguir com relativa facilidade e os diversos estilos adoptados por vários autores (nacionais e internacionais) apontam nesse sentido.

A questão mais sensível, na minha perspectiva, vem seguidamente. Dar forma a algo que está escrito. Se, como na maioria das vezes acontece, uma pessoa vai ver um filme sem nunca ter lido o livro...óptimo. Sem qualquer problema. Não tem criada qualquer expectativa e o que vê...é o que "compra". O mesmo não acontece quando alguém leu o livro e tem uma expectativa bastante elevada. E que será tanto mais elevada quanto mais descritivo for estilo do autor(a) nas suas narrações. E por vezes...poderá acontecer que essa expectativa seja defraudada.

Diz-me a parca experiência que tenho neste assunto (contam-se pelos dedos de uma mão as vezes que fui ver um filme em que tivesse lido o livro anteriormente) que para ser produzido um filme com o detalhe do livro...o orçamento seria próximo da dívida externa de Portugal. Ou seja, quanto mais detalhe quisesse ser passado pela realização / produção do filme...mais encarecida seria a conta final. O que não deixa de ser lógico. Imagine-se por exemplo o tipo de detalhe que alguns cenários têm de ter para que possam reflectir cabalmente a realidade actual de uma determinada época. Ocorrem-me por exemplo os filmes relativos à revolução francesa. Ou da 2ª Grande Guerra. Com decoração características e específicas. Há outro aspecto muito sensível e igualmente importante. A caracterização das personagens...e a "condução dos actores". Eu explico.

Entendo que para alguém saber "conduzir actores" tem de estar perfeitamente "embrenhado" no enredo. Tem de o sentir. Tem de o perceber. Tem de encarnar a pele do autor para perceber o que quererá o mesmo transmitir no texto e seguidamente "conduzir" ou instruir os actores nesse mesmo sentido. Neste campo é importantíssima a caracterização dos actores. Quando se lê um livro...a nossa mente vagueia e é naturalmente sugestionada. Imagina (eu consigo imaginar) pessoas, sons, lugares, sabores e cheiros. Os 5 sentidos. E quando se visiona o filme...espera-se que haja esse "match" ou confirmação, como se preferir. O que nem sempre acontece. Ou porque o actor escolhido não tem absolutamente nada a ver com o idealizado ou porque a caracterização do actor é mal conseguida. Ou porque o realizador / produtor não foi feliz na sua função.

Prefiro manter o que leio!

terça-feira, agosto 21, 2012

Mais uma vez venho aqui dizer que há documentários que não deviam passar na televisão. Pela falta de rigor e pela ficção exagerada. Tão exagerada que ridiculariza o programa. E mais. São verdadeiros atestados de burrice aos incautos como eu que ingenuamente pensaram que iam ter a oportunidade de aprender algo. Devia ter percebido logo que era um embuste.

Não retive o nome deste documentário, mas também não interessa muito para o caso. Passou num dos canais privados da televisão no passado Domingo. O que inicialmente me pareceu ser um programa óptimo para passar um serão domingueiro, rapidamente me fez ficar nauseado e com vontade de enviar por carta registada umas linhas duras ao produtor de tamanha falácia. 

A "fórmula" do documentário em si até era interessante. Passava, neste episódio, por deixar um náufrago no alto mar e aferir se era possível que o mesmo conseguisse sobreviver numa ilha, construir uma jangada e fazer-se de novo à vida, ou seja, voltar ao alto mar e daí alcançar ajuda (e.g.: embarcação ou via aérea). Até aqui tudo bem.

Para começar (penso eu), um tipo que nada em camisa, calças e sapatilhas (e presumo que com roupa interior) é algo que por mais que tente perceber, não consigo atingir. Na minha humilde e singela apreciação da situação, quer-me parecer que qualquer pessoa no seu juízo normal desfazer-se-ia de imediato de toda a roupa - que se sabe que ensopada dificulta os movimentos  - e atrasaria a chegada a terra. Talvez seja essa  razão pela qual nunca vi o nadador olímpico mais medalhado de sempre dentro de água...a nadar de fato de treino e sapatilhas. Por alguma razão será. Digo eu.

A partir deste momento perdi toda a credibilidade no documentário e a sequência de eventos deu-me razão para tal. A menos que o "companheiro" tivesse algum problema nos folículos capilares da cara, em todos os dias da filmagem aparecia com a barba feita. Bem escanhoada. Confesso que fiquei com inveja. E dei comigo a pensar se aquelas águas em que o artista nadou teriam alguma combinação de nutrientes que impedisse que os pêlos da barba crescessem. Aqui o escriba, com 3 ou 4 dias de estadia nesta ilha (presumo que terá sido a duração desta filmagem), sem fazer a barba, iria parecer mais peludo que um macaco do Zoo. Mas tudo bem, "aguento" este pequeno detalhe "esquecido" por parte do "senhor-produtor-deste-programa". Mas não "compro" que um tipo depois de sair da água, em coisa de 2 minutos tenha a roupa seca. Ou que consiga subir um coqueiro com uma altura de 20 metros sem ferir as mãos (isto depois de ter nadado quase 3 quilómetros). E que ainda desça o mesmo coqueiro aos saltos (em detrimento de escorregar como fazem os aborígenes). Isto sempre vestido com a roupa com que nadou e as mesmas sapatilhas. Acho que durante os 4 dias não se descalçou nunca...o que deve ter feito parecer que um queijo da Ilha cheirasse a alfazema... 

Já não falando do material necessário para fazer fogo e as jangadas que apareceu "sempre" e muito convenientemente em locais onde o companheiro ía a passar. Ou do facto de ter comido o interior de um ouriço-do-mar e não ter de interromper as filmagens com dores de barriga. Enfim...várias situações que a dada altura me fizeram ficar mais interessado no canal das "televendas" onde era apresentado um aspirador a vapor giríssimo e que cá me quer parecer que ía resolver definitivamente os meus problemas das poeiras cá de casa. Ah, já para não falar que vi logo uma janela de oportunidade de negócio..com sorte, mediante um singelo pagamento de uma inexpressiva quantia monetária, também iriam findar os problemas das poeiras dos meus vizinhos. Especialmente da casa da D.ª Luísa ali do 24. 

Acho que estes programas podem (e devem) passar. Há uma componente teórica que entendo ser lúdica. Mas acho também que deviam ser submetidos a uma espécie de "revisor" antes de irem para o ar. Sob pena de caírem na palhaçada. Como foi o caso!

domingo, agosto 12, 2012

Para quem usualmente me segue neste meu humilde espaço percebe facilmente que sou uma pessoa um adepta da organização e do planeamento atempado. Contudo, há momentos ou programas que pelo inusitado e pela sua não organização se traduzem em situações muitíssimo mais interessantes. 

Há uns dias atrás combinei um jantar com um grande amigo meu. Afinal era final da semana e também um dia "off" na minha rigorosa e disciplinada dieta alimentar. Nada melhor que ir a um conhecido rodízio sul americano empanturrar-me até cair para o lado. Ir a um destes locais, comer carne e "pôr de lado" as batatas fritas...é um pouco como ir ao chinês não comer o "clássico" crepe chinês. E pedir uma sopa da pedra como entrada. Estoicamente consegui resistir a comer as batatas mas já não fui tão forte no que toca às caipirinhas. Deitei 3 "abaixo" o que, para uma pessoa como eu que não está habituada a beber baldes de cachaça (duas delas duvido que tivessem lima ou açúcar em quantidade suficiente), teve como resultado final um natural e lógico estado de ligeira embriaguez.

Não tinha levado carro (sabia que ía beber) o que me libertou substancialmente e além disso consegui passar a ver a caipirinha como a bebida da noite. O que mais tarde também se veio a revelar ter as suas consequências. Afinal, dei comigo a deambular pela Av. Roma com o meu camarada sendo que, a dada altura, nos sentámos naqueles bancos onde tipicamente costuma estar sentada nos finais de tarde (pós-sesta) a "turma da sueca". E caracterizado pelos elementos que terão no mínimo 94 anos. Isto enquanto a nossa boleia (minha prima) não nos vinha apanhar para nos levar para "a noite".

O resto da noite foi passado a dançar. É verdade. Há muito tempo que não abanava este velho esqueleto. Durante tantas horas seguidas. O feito histórico tem que ver com o facto de ter bebido as tais caipirinhas e mais outras tantas "jolas" antes de entrar na discoteca. Resultado: desinibição e vontade enorme de dançar. Cheguei a casa eram 0330H. Isso mesmo "Três e meia da manhã". A loucura total.

Na manhã seguinte fui castigar este corpo de pecador com "nada mais, nada menos" que 6 quilómetros de corrida. Só por causa das "tosses". Venham mais noitadas. Sem serem programadas!

domingo, agosto 05, 2012

Tudo o que são concursos televisivos têm o dom de me deixar nauseado. Seja pela burrice dos concorrentes, seja pelo humor vulgar e fácil dos apresentadores, seja ainda pelo ridículo da generalidade dos concursos em si e que não interessam nada a ninguém.

Mas há um concurso que na minha humilde opinião se destaca dos outros - o euromilhões. Não quero com isto dizer que tenha definido para mim o cumprimento da tarefa semanal de apostar neste jogo da Santa Casa da Misericórdia (SCM). Mas sendo um jogo que poderá conduzir a uma mudança de 180º na vida de alguém, faz sentido equacionar esta hipótese. E sempre que me lembro jogo. O que é raro, tenho de confessar (o lembrar-me de jogar).

Quando numa semana se ouve falar mais do "jackpot" das centenas de milhões de euros do que os jogos olímpicos que decorrem neste momento em Londres...faz sentido que a minha atenção seja focada neste concurso específico. Ainda por cima com "jackpot". E assim foi. Até ao primeiro sorteio televisivo.

Estava a jantar. Na medida em que não tinha jogado nessa semana estava apenas curioso para saber se o 1º prémio ía sair cá em Portugal. Acho que costumam dizer isso no final de terem saído todas as bolas. E fui assistindo à saída das mesmas. Tudo isto presenciado por, segundo disse a esbelta apresentadora,  "auditores externos" que garantem a idoneidade e legitimidade do concurso. Fiquei muito mais descansado e com a certeza mais que absoluta que dali só viria a verdade e nada mais que isso.

O que aconteceu a seguir fez-me lembrar um daqueles filmes do oculto que de vez em quando passam a desoras na RTP2. A apresentadora ía informando os números das bolas que saíam daquela rotativa metálica (cujo nome não me ocorre agora) e não é que todos os números que disse....nenhum correspondia ao número da esfera que tinha saído? Cinco (5) números e ainda os outros dois (2) números  das "estrelas". Nada correspondia ao que eu tinha acabado de ver sair da tal rotativa. Comecei a pensar que talvez estivesse a ouvir mal e que tinha enlouquecido.

Este concurso teve lugar a meio do telejornal. Lembro-me do apresentador ter ficado igualmente estupefacto. Fiquei mais descansado e ele também  - aposto que tinha apostado. É normal que os dez (10) milhões de portugueses que ansiosamente aguardavam o resultado deste concurso e que poderia ter alterado o rumo das suas vidas tivessem ficado pouco satisfeitos. Ainda para mais aqueles que jogam no euromilhões seguindo uma lógica e hábito semanal. 

Entretanto devem ter dito ao apresentador que se tratava de uma gravação de um concurso anterior. Questiono-me: Não terá sido abalada para sempre a credibilidade deste tipo de concurso? Quem me garante que tudo isto não é(foi) uma falácia? Ou que os tais auditores externos são figurantes e que foram apanhados numa paragem de autocarro do Cais do Sodré? Que auditam estas auditores? Que formação têm em auditoria? Não entendo. Não percebo.

Mas também devo ser das poucas pessoas preocupadas com este facto. Aposto.