terça-feira, agosto 21, 2012

Mais uma vez venho aqui dizer que há documentários que não deviam passar na televisão. Pela falta de rigor e pela ficção exagerada. Tão exagerada que ridiculariza o programa. E mais. São verdadeiros atestados de burrice aos incautos como eu que ingenuamente pensaram que iam ter a oportunidade de aprender algo. Devia ter percebido logo que era um embuste.

Não retive o nome deste documentário, mas também não interessa muito para o caso. Passou num dos canais privados da televisão no passado Domingo. O que inicialmente me pareceu ser um programa óptimo para passar um serão domingueiro, rapidamente me fez ficar nauseado e com vontade de enviar por carta registada umas linhas duras ao produtor de tamanha falácia. 

A "fórmula" do documentário em si até era interessante. Passava, neste episódio, por deixar um náufrago no alto mar e aferir se era possível que o mesmo conseguisse sobreviver numa ilha, construir uma jangada e fazer-se de novo à vida, ou seja, voltar ao alto mar e daí alcançar ajuda (e.g.: embarcação ou via aérea). Até aqui tudo bem.

Para começar (penso eu), um tipo que nada em camisa, calças e sapatilhas (e presumo que com roupa interior) é algo que por mais que tente perceber, não consigo atingir. Na minha humilde e singela apreciação da situação, quer-me parecer que qualquer pessoa no seu juízo normal desfazer-se-ia de imediato de toda a roupa - que se sabe que ensopada dificulta os movimentos  - e atrasaria a chegada a terra. Talvez seja essa  razão pela qual nunca vi o nadador olímpico mais medalhado de sempre dentro de água...a nadar de fato de treino e sapatilhas. Por alguma razão será. Digo eu.

A partir deste momento perdi toda a credibilidade no documentário e a sequência de eventos deu-me razão para tal. A menos que o "companheiro" tivesse algum problema nos folículos capilares da cara, em todos os dias da filmagem aparecia com a barba feita. Bem escanhoada. Confesso que fiquei com inveja. E dei comigo a pensar se aquelas águas em que o artista nadou teriam alguma combinação de nutrientes que impedisse que os pêlos da barba crescessem. Aqui o escriba, com 3 ou 4 dias de estadia nesta ilha (presumo que terá sido a duração desta filmagem), sem fazer a barba, iria parecer mais peludo que um macaco do Zoo. Mas tudo bem, "aguento" este pequeno detalhe "esquecido" por parte do "senhor-produtor-deste-programa". Mas não "compro" que um tipo depois de sair da água, em coisa de 2 minutos tenha a roupa seca. Ou que consiga subir um coqueiro com uma altura de 20 metros sem ferir as mãos (isto depois de ter nadado quase 3 quilómetros). E que ainda desça o mesmo coqueiro aos saltos (em detrimento de escorregar como fazem os aborígenes). Isto sempre vestido com a roupa com que nadou e as mesmas sapatilhas. Acho que durante os 4 dias não se descalçou nunca...o que deve ter feito parecer que um queijo da Ilha cheirasse a alfazema... 

Já não falando do material necessário para fazer fogo e as jangadas que apareceu "sempre" e muito convenientemente em locais onde o companheiro ía a passar. Ou do facto de ter comido o interior de um ouriço-do-mar e não ter de interromper as filmagens com dores de barriga. Enfim...várias situações que a dada altura me fizeram ficar mais interessado no canal das "televendas" onde era apresentado um aspirador a vapor giríssimo e que cá me quer parecer que ía resolver definitivamente os meus problemas das poeiras cá de casa. Ah, já para não falar que vi logo uma janela de oportunidade de negócio..com sorte, mediante um singelo pagamento de uma inexpressiva quantia monetária, também iriam findar os problemas das poeiras dos meus vizinhos. Especialmente da casa da D.ª Luísa ali do 24. 

Acho que estes programas podem (e devem) passar. Há uma componente teórica que entendo ser lúdica. Mas acho também que deviam ser submetidos a uma espécie de "revisor" antes de irem para o ar. Sob pena de caírem na palhaçada. Como foi o caso!

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