domingo, setembro 02, 2012

Tenho acompanhado com alguma serenidade o desenrolar da "novela" das medidas da austeridade. Digo "alguma serenidade" porque é complicado, neste momento, que seja mantida a lucidez de espírito que permite perceber a lógica do "corte na despesa e aumento da receita" por parte do Estado Português.

Repetindo-me, reitero o que já disse anteriormente. Não tenho qualquer pretensão a ser economista ou analista político. Contudo, sou um cidadão português com discernimento e com capacidade para perceber algumas coisas. Poucas, mas algumas. Além de poder, naturalmente, exercer livremente o meu direito de voto, consagrado na Constituição Portuguesa. Donde, de forma que me parece ser razoavelmente compreensível e aceitável, posso e devo capacitar-me do que acontece neste momento, perceber os meandros do actual momento, ler opiniões fidedignas e no final, ajuizar.

Para quem não percebe muito bem o que está a acontecer no actual momento, eu ajudo. Entre outras coisas, o plano gizado pelo nosso Governo para o cumprimento das metas acordadas com a "troika" saiu furado. Falhou. Isto sem complicar muito a história. "Assumo que na "data X" terei um aumento da receita de "Y"". Mas tal não se verificou. Por muito boa vontade e empenho que os digníssimos representantes do nosso Governo (incluindo o Presidente da República Portuguesa) tenham, a comunidade internacional não está "alinhada", ou por outras palavras, receptiva à realidade portuguesa. Está, e com razão, céptica. Com receio. Portugal não oferece, no presente momento, segurança ao investidor estrangeiro. A cortiça, o azeite e as praias portuguesas são fórmulas já gastas (e em alguns casos replicadas noutros países com uma situação económica mais apetecível) o que se traduz, "no final do dia", na entrada de menos divisa estrangeira (como aconteceu até há uns anos) e claro, enfraquecimento da economia portuguesa (assim é incrementada a fractura entre receita e despesa de que falo no primeiro parágrafo).

Mas a minha indignação que em breve surgirá não se deve a este parágrafo anterior. Ou seja, não me remeto ao não cumprimento dos objectivos acordados e a uma (quase inevitável) subida dos impostos para justificar a minha indignação. Sustento a minha pouca compreensão com a manifesta incapacidade dos actuais membros do Governo explicarem aos portugueses o que se está a passar. Porque falha Portugal o cumprimento das metas acordadas. Como é possível que ainda se aufiram salários públicos pornográficos em paralelo com uma assustadora e crescente taxa de desempregados? Não entendo. Por um lado o Governo pede mais sacrifícios. Ou seja, o Governo continua conivente com uma situação de completa e mais que conhecida injustiça social. Mais agravada pela actual conjuntura económica. Entre outros exemplos que poderia dar.

Já o referi neste espaço e volto a referir. É importante que os portugueses percebam o porquê das coisas. Onde estamos e para onde queremos ir. Só assim haverá compreensão dos sacrifícios que são pedidos. Só assim será justificado que para breve se ganhe menos e se paguem mais impostos. Ou que se perder qualidade de vida. Realidade (infelizmente) do presente momento.

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