domingo, outubro 28, 2012

O texto de hoje diz respeito a um episódio que aconteceu comigo há uns dias atrás. O despertador de cabeceira marcava cerca das 0600H e em desespero de causa, e depois de ter sido acordado por um carro a buzinar incessantemente desde as 0500H na minha rua resolvi ligar para a Polícia de Segurança Pública (P.S.P.):

Eu: Muito bom dia. Queria reportar o facto de ter um carro a apitar na minha rua desde as 0500H.
P.S.P: Bom dia. Trata-se de um carro perto de um prédio com o número 5?
Eu: Julgo que sim (admirado com a rapidez da questão e esperançado com uma solução expedita). O reboque já vem cá caminho?
P.S.P: Reboque?
Eu: Sim, reboque. Está em causa o incumprimento do disposto no Regulamento Geral do Ruído e ainda...
P.S.P: Só 1 minuto por favor
(Passado 1 minuto)
P.S.P: Que número disse que era?
Eu:(incrédulo). Oiça.. Só quero saber se vêm cá tirar o carro (entretanto começa a apitar de novo estou ao lado do carro). Está a ouvir?
P.S.P: Estou. Já esteve aí um carro patrulha. Está a ligar-me de que andar?
Eu: Não estou em andar algum. Estou na rua. Esta situação é perfeitamente inadmissível. Consigo assim de repente encontrar 3 ou 4 infracções quer ao Regulamento do Ruído, quer ao Código da Estrada. Percebo portanto que já estiveram aqui e tomaram conta da ocorrência!
P.S.P: Desculpe?
Eu: Dizia eu que já estiveram aqui e têm conhecimento disto.
P.S.P: Meu caro senhor, é como lhe digo. Já esteve aí um carro patrulha e se quiser, fique aí na rua para falar com os agentes que passarão aí de novo dentro de minutos.
Eu: (incrédulo de novo e ansioso por uma amena cavaqueira junto de um carro a apitar)... Certamente que sim. Um bom dia para si.
P.S.P: Um bom dia.

Moral da História: O procedimento passa por gastar combustível do carro do Estado e vir ver se é mesmo verdade que um carro malvado está a apitar na rua. Não se dê o caso de ser um engraçado a ligar de madrugada para interromper o trabalho dos agentes. E não se faz mais nada. Da próxima vez não ligo. Pego no Defender e reboco/arrasto EU o carro até ao buraco mais próximo. Tapo-o com terra e venho para casa dormir de novo. Mais uma vez...Portugal no seu melhor!!

domingo, outubro 21, 2012

Terminei ontem mais um plano de treinos de corrida (o segundo). Não será um plano de treinos olímpico e com vista à participação nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, mas é acima de tudo um plano que cumpri integralmente e com vista à consecução de determinado objectivo a que me propús há 12 semanas atrás.

Actualmente, ao fim de 4 meses de prática de corrida e além das visíveis (e esperadas) mudanças no corpo (em paralelo com uma dieta alimentar mais equilibrada), consigo também perceber outras situações. A primeira diz respeito à definição de um objectivo. Falo do aspecto mental. Não sei como será noutros desportos. No caso da corrida, e quem segue um plano de treino, define um objectivo que pretende atingir em "x" tempo. E durante esse tempo experimentará vários momentos, quer de ânimo, quer de desânimo, mas que, no final possibilitarão ou conduzirão a um momento de reconhecimento de dever cumprido. E seguramente um "teaser" enorme para a auto-estima.

Um dos aspectos que é continuamente posto em causa em qualquer actividade desportiva é a disciplina. Na corrida julgo ser mais. Porquê? Porque a corrida não é algo "agradável". Não é algo que se possa praticar em espaço fechado com ambiente controlado. É "agressiva" porque se pratica em ambiente externo e com qualquer que seja a condição climatérica. Mesmo as adversas. 

Comecei a correr em Junho deste ano. Significa isto que, não raro, durante o dia, os termómetros registavam leituras de cerca de 40ºC. Posso adiantar que à hora em que usualmente corro (final da tarde, 1900H), as temperaturas, nessa altura do ano, não eram inferiores a 34ºC-35ºC. Assim sendo, os meus treinos de corrida conseguiam ser mais quentes que algumas saunas que já experimentei. E importa reter que às temperaturas exteriores acresce o facto de estarmos perante uma actividade física intensa - o que "per se" sugere uma lógica de incremento de temperatura e a sensação de que se está a correr em cima das chamas do inferno satânico.

Outro aspecto importante é a percepção dos nossos limites. Não raro sou ultrapassado por outros desportistas. Um deles (não me esqueço da cara dele) tem o dom de me irritar solenemente pela forma descontraída e rápida com que corre. Suspeito que um destes dias me terá mesmo dado uma "abada-à-moda-antiga" e sem grande dificuldade quase me deu uma volta de avanço. Para não parar de correr e sentar-me a chorar interiorizei que o tipo não deve ter família / amigos e deve fazer "doping". Só assim consigo encontrar explicação para que corra como o vento. Em todo o caso, é recomendado a qualquer iniciante nesta maravilhosa modalidade desportiva que não se deixe levar pelo entusiamo de tentar correr como outras pessoas que nos ultrapassam: não se conhece a condição física dessas pessoas ou o aspecto de há quanto tempo treinam. A última vez que fiz essa brincadeira (acompanhei um trio de corredores, nos quais se incluía uma jovem), fiquei com dores na bacia durante 4 dias seguidos.

Para terminar, a alimentação. A mudança dos hábitos alimentares. Não faz sentido algum a prática de actividade física intensa em linha com a tão saborosa "Feijoada à Transmontada", ou os magníficos "Rojões à Minhota" ou ainda a tão famosa "Lampreia" (doce de ovos) ou "Bavaroise de caramelo" (vou parar de enunciar exemplos porque estou a ficar aguado). Faz parte do tal processo de consciencialização que referi lá em cima e que permite atingir os objectivos propostos. Basicamente, o truque é simples - respeitar a roda dos alimentos. E com moderação e sem fazer batota. Claro.

domingo, outubro 14, 2012

Ainda não está clara a forma definitiva da mexida nos escalões do "irs", no seguimento da implementação das medidas da austeridade reflectidas no tão falado Orçamento de Estado para 2013, e já circulam no mundo virtual ficheiros "excel" com fórmulas de cálculo de tal forma díspares, que em alguns casos alguns contribuintes perdem 400 euros e 500 euros "pós impostos". Duas notas importantes: em primeiro lugar, apraz-me perceber que há pessoas atentas e interessadas no bem-estar de outras. E mesmo sem haver uma clara e definitiva forma final dos escalões, já elaboraram a partir do....nada este tipo de modelação matemática e estupidamente vazia. É errado. Basta pensar que, segundo alguns modelos, alguém que aufere cerca de 500 euros (mais coisa menos coisa que o salário mínimo) passa a levar para casa um valor que ronda os 300 euros. Para estas pessoas, segundo o tal modelo desenvolvido por alguém que certamente tem muito tempo livre, significa tão somente que "deixam de ter cinto e as calças caem". Parece-me óbvia a leitura. Sem que haja ainda uma divulgação oficial das regras do jogo não faz sentido teorizar ou alarmar desnecessariamente as pessoas. Em segundo lugar, o alarmismo inconsequente via e-mail. Não faz qualquer sentido. Atrevo-me a ir mais longe e a sugerir ao meu amigo Gaspar que sugira a contratação destes iluminados (bons em números como já se percebeu) para as Finanças. Afinal, conseguem fazer (de forma fantástica e ímpar) o que mais ninguém consegue: elaborar prognósticos e divulgá-los nas suas redes de contactos pessoais obtendo um alcance planetário. Não consigo perceber muito bem em que informação concreta se baseiam...mas o que é certo é que a informação passa no mundo virtual e em menos de um fósforo a perda de 400 euros já é comentada entre colegas à hora do almoço. É pior que um boato. Defendo, eventualmente sozinho, que estas pessoas deviam ser responsabilizadas judicialmente. Atenção, não se trata de "obliterar" o direito à liberdade de expressão conquistado há 38 anos. Trata-se de sancionar quem passa informação errada sem que haja uma base fidedigna de sustento.

Muito se tem falado em responsabilidade política para justificar a não adopção ou tomada de medidas impopulares mais cedo. O chamado "passa a bola a outro e não ao mesmo". Tenho outra perspectiva das coisas. 

Há alguns factores que concorrem para o actual estado em que nos encontramos: uma carga fiscal desadequada ao longo de décadas, a falta de uma maior disciplina e consciencialização por parte dos portugueses e sem dúvida alguma a não criação de órgãos reguladores que funcionassem de forma eficiente e eficaz para garantir que tudo corria bem e dentro da Lei. O nosso grande problema foi sempre uma questão de fundo e muito mais grave do que se possa falar ou discutir actualmente. Relembro a título de curiosidade que Portugal viveu durante 4 décadas em regime fascista. Contudo, poucas pessoas se lembrarão (por falta de conhecimento ou vontade) do facto de que, quando Salazar tomou os desígnios da Nação, a situação económica era tão ou mais grave do que o era em 2008 (neste momento a situação é bem pior). Bem sei que houve muita coisa errada, começando pela liberdade de expressão, pelas perseguições políticas, pelo isolamento geográfico...mas houve também muitas coisas boas. E quem tiver paciência e for ler a História de Portugal (contemporânea) entenderá que no final da década de 60 e início da década de 70 a economia portuguesa era pujante. E Salazar nunca deixou aumentar o preço dos bens de primeira necessidade. É certo que nessa altura o território português também era também maior e estendido às colónias ultramarinas. Mas o resultado final, e que se pretende analisar agora, era sobejamente diferente. E aqui oferecem-se-me fazer dois comentários concretos: em primeiro lugar o facto das nossas colónias terem sido entregues de mão beijada após todo um período de ocupação em que houve mais vantagens para os próprios países do que desvantagens e em segundo lugar a política de despesismo que teve início em finais da década de 80 até 2008, altura em que eclode como se sabe a crise económica. E que foi sendo perpetuada pelos dois partidos políticos que governam Portugal em regime de alternância: PS e PSD.

Quando me refiro à questão de disciplina dos portugueses, pretendo aludir ao facto de que em Portugal, no pós-25 de Abril, nunca ter havido uma política severa em termos fiscais. Ou nunca ter havido a coragem para a criação de órgãos ou entidades reguladoras com coragem para afrontar e sancionar os "lobies"  da construção civil, farmacêuticas, combustíveis, banca e sector energético a pagarem o devido. E porquê? Porque há, como sempre houve, interesses. E havendo interesses, quanto menos se mexer, melhor. Ou seja, sem me querer alongar numa análise muito mais fina, basta lembrar que até há uns anos a esta parte não havia memória de ter havido dificuldade na concessão de empréstimos para comprar casa, carro, televisões e dvd como são conhecidas hoje em dia. Os bancos deixaram de se conseguir financiar lá fora e promovendo ou possibilitando  a viabilização de linhas de crédito empresarial (ou particular), ou pelo menos com tanta facilidade como o conseguiam há 10 anos. E aqui começaram os problemas de muita boa gente. Afinal deixou de haver dinheiro para pagar os 4 cartões de crédito cujas contas estão a vencer, o trabalho nem está muito seguro, é preciso pagar carros, colégios, manter o mesmo nível de vida (alto) e o final é o que se sabe...eventual arresto de bens ou subtracção percentual do vencimento por ordem judicial. E acreditem que são cada vez mais os casos em que isto acontece.

Os próximos dias serão, na minha opinião, o prenúncio de que algo de grave acontecerá. Ou uma crise política (zanga entre os partidos da coligação) e queda do Governo ou uma cada vez mais falada saída da zona Euro. Em jeito de conclusão resta-me dizer que são cada vez menos as diferenças entre a Grécia e Portugal. Sendo que a economia grega é mais forte que a nossa.

domingo, outubro 07, 2012

Num texto que aqui deixei em tempos escrevi sobre algo que acontece todos os dias. Quer seja involuntariamente quer seja voluntariamente, todos (sem excepção) já criticámos algo (ou alguém).

Diz-se usualmente que o ser humano é tipicamente insatisfeito. Acredito que as pessoas tenham um prazer enorme, quando não são elas mesmo os (as) visados (a),  em criticar. É fácil. O actual momento sócio-político, marcado por uma conjuntura económica do pior que já se viveu, faz de qualquer ser pensante que habite no planeta Terra (e em concreto no nosso rectângulo) um magnífico "comentador político de trazer por casa" ou um respeitoso"orçamentista" como carinhosamente gosto de chamar. Mas já lá vamos.

Um exemplo muito bom desta realidade é, mais uma vez, o que se passa na política. Convido a quem tiver paciência (eu costumo ter aos Sábados ao almoço) a ver um debate televisivo na Assembleia da República. Senão vejamos...A televisão está ligada? Óptimo. Agora atente-se nas intervenções das bancadas. Em concreto as das bancadas da "ala esquerda" e as intervenções dos vários deputados que integram o maior partido da Oposição. Estéreis. Vazias. Isentas de valor. Basicamente, aponta-se com muitíssima facilidade o que está mal, mas não se sugere (porque não se sabe como) o que fazer para ficar bem. 

Pessoalmente, acho que a Assembleia da República tem um modo de funcionamento diferente daquele a que se destina. Os deputados são eleitos pelos portugueses e deverão ter sempre isso em mente. Deverão, enquanto grupos de trabalho, produzir as Leis que depois de votadas e aprovadas (ou não) são promulgadas e entram em vigor. O trabalho dos deputados eleitos é este. Nem mais nem menos do que produzir e votar Leis. Favoravelmente ou não. A questão é que no presente momento, em que se assiste a uma delicada e intrincada situação económica à dimensão internacional, muito mais habilidade se torna necessária para governar. E na maioria das vezes os vários executivos (escala europeia) são constituídos por pessoas extremamente válidas...nas empresas que administram ou nas cadeiras da faculdade das quais são regentes (ou assistentes). A questão é que se houver muito "ruído" no hemiciclo, as coisas tornam-se substancialmente complexas de gerir e tem inevitavelmente lugar o afastamento dos vários partidos, quando o que deveria acontecer, neste momento, era o oposto. Consenso, ideias novas e acima de tudo soluções para a crise interna que se assiste. Acredito que todos os partidos com assento parlamentar reconheçam o complicado legado que o actual Executivo teve. E as difíceis circunstâncias em que o mesmo tem de governar. Mas é mais fácil criticar. E causar a "agitação das águas". Que já de si estão revoltas.

E chegamos onde me queria. Neste momento são várias as vozes dos "pesos pesados" dos vários partidos que se fazem ouvir. Muitas críticas. Muitos artigos de opinião. Mas...é curioso que não vi ainda ninguém oferecer-se para ajudar. Para "arregaçar as mangas" e ir ajudar. Para elencar vários cenários e possíveis soluções a serem tidas em linha de conta. Ao invés, criticam. Ainda que conscientes de toda a realidade que neste momento se vive. E muitos deles tendo sido eles mesmos...."ex" governantes. Mas que por alguma razão estão...."cá fora". E na maioria das vezes não fizeram um bom trabalho. E foram "castigados" por isso. E esta hein??!