domingo, outubro 07, 2012

Num texto que aqui deixei em tempos escrevi sobre algo que acontece todos os dias. Quer seja involuntariamente quer seja voluntariamente, todos (sem excepção) já criticámos algo (ou alguém).

Diz-se usualmente que o ser humano é tipicamente insatisfeito. Acredito que as pessoas tenham um prazer enorme, quando não são elas mesmo os (as) visados (a),  em criticar. É fácil. O actual momento sócio-político, marcado por uma conjuntura económica do pior que já se viveu, faz de qualquer ser pensante que habite no planeta Terra (e em concreto no nosso rectângulo) um magnífico "comentador político de trazer por casa" ou um respeitoso"orçamentista" como carinhosamente gosto de chamar. Mas já lá vamos.

Um exemplo muito bom desta realidade é, mais uma vez, o que se passa na política. Convido a quem tiver paciência (eu costumo ter aos Sábados ao almoço) a ver um debate televisivo na Assembleia da República. Senão vejamos...A televisão está ligada? Óptimo. Agora atente-se nas intervenções das bancadas. Em concreto as das bancadas da "ala esquerda" e as intervenções dos vários deputados que integram o maior partido da Oposição. Estéreis. Vazias. Isentas de valor. Basicamente, aponta-se com muitíssima facilidade o que está mal, mas não se sugere (porque não se sabe como) o que fazer para ficar bem. 

Pessoalmente, acho que a Assembleia da República tem um modo de funcionamento diferente daquele a que se destina. Os deputados são eleitos pelos portugueses e deverão ter sempre isso em mente. Deverão, enquanto grupos de trabalho, produzir as Leis que depois de votadas e aprovadas (ou não) são promulgadas e entram em vigor. O trabalho dos deputados eleitos é este. Nem mais nem menos do que produzir e votar Leis. Favoravelmente ou não. A questão é que no presente momento, em que se assiste a uma delicada e intrincada situação económica à dimensão internacional, muito mais habilidade se torna necessária para governar. E na maioria das vezes os vários executivos (escala europeia) são constituídos por pessoas extremamente válidas...nas empresas que administram ou nas cadeiras da faculdade das quais são regentes (ou assistentes). A questão é que se houver muito "ruído" no hemiciclo, as coisas tornam-se substancialmente complexas de gerir e tem inevitavelmente lugar o afastamento dos vários partidos, quando o que deveria acontecer, neste momento, era o oposto. Consenso, ideias novas e acima de tudo soluções para a crise interna que se assiste. Acredito que todos os partidos com assento parlamentar reconheçam o complicado legado que o actual Executivo teve. E as difíceis circunstâncias em que o mesmo tem de governar. Mas é mais fácil criticar. E causar a "agitação das águas". Que já de si estão revoltas.

E chegamos onde me queria. Neste momento são várias as vozes dos "pesos pesados" dos vários partidos que se fazem ouvir. Muitas críticas. Muitos artigos de opinião. Mas...é curioso que não vi ainda ninguém oferecer-se para ajudar. Para "arregaçar as mangas" e ir ajudar. Para elencar vários cenários e possíveis soluções a serem tidas em linha de conta. Ao invés, criticam. Ainda que conscientes de toda a realidade que neste momento se vive. E muitos deles tendo sido eles mesmos...."ex" governantes. Mas que por alguma razão estão...."cá fora". E na maioria das vezes não fizeram um bom trabalho. E foram "castigados" por isso. E esta hein??!

1 comentário:

Euzinha disse...

Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que ás vezes fico a pensar, se a burrice é uma ciência (António Aleixo)