domingo, outubro 21, 2012

Terminei ontem mais um plano de treinos de corrida (o segundo). Não será um plano de treinos olímpico e com vista à participação nos jogos olímpicos do Rio de Janeiro, mas é acima de tudo um plano que cumpri integralmente e com vista à consecução de determinado objectivo a que me propús há 12 semanas atrás.

Actualmente, ao fim de 4 meses de prática de corrida e além das visíveis (e esperadas) mudanças no corpo (em paralelo com uma dieta alimentar mais equilibrada), consigo também perceber outras situações. A primeira diz respeito à definição de um objectivo. Falo do aspecto mental. Não sei como será noutros desportos. No caso da corrida, e quem segue um plano de treino, define um objectivo que pretende atingir em "x" tempo. E durante esse tempo experimentará vários momentos, quer de ânimo, quer de desânimo, mas que, no final possibilitarão ou conduzirão a um momento de reconhecimento de dever cumprido. E seguramente um "teaser" enorme para a auto-estima.

Um dos aspectos que é continuamente posto em causa em qualquer actividade desportiva é a disciplina. Na corrida julgo ser mais. Porquê? Porque a corrida não é algo "agradável". Não é algo que se possa praticar em espaço fechado com ambiente controlado. É "agressiva" porque se pratica em ambiente externo e com qualquer que seja a condição climatérica. Mesmo as adversas. 

Comecei a correr em Junho deste ano. Significa isto que, não raro, durante o dia, os termómetros registavam leituras de cerca de 40ºC. Posso adiantar que à hora em que usualmente corro (final da tarde, 1900H), as temperaturas, nessa altura do ano, não eram inferiores a 34ºC-35ºC. Assim sendo, os meus treinos de corrida conseguiam ser mais quentes que algumas saunas que já experimentei. E importa reter que às temperaturas exteriores acresce o facto de estarmos perante uma actividade física intensa - o que "per se" sugere uma lógica de incremento de temperatura e a sensação de que se está a correr em cima das chamas do inferno satânico.

Outro aspecto importante é a percepção dos nossos limites. Não raro sou ultrapassado por outros desportistas. Um deles (não me esqueço da cara dele) tem o dom de me irritar solenemente pela forma descontraída e rápida com que corre. Suspeito que um destes dias me terá mesmo dado uma "abada-à-moda-antiga" e sem grande dificuldade quase me deu uma volta de avanço. Para não parar de correr e sentar-me a chorar interiorizei que o tipo não deve ter família / amigos e deve fazer "doping". Só assim consigo encontrar explicação para que corra como o vento. Em todo o caso, é recomendado a qualquer iniciante nesta maravilhosa modalidade desportiva que não se deixe levar pelo entusiamo de tentar correr como outras pessoas que nos ultrapassam: não se conhece a condição física dessas pessoas ou o aspecto de há quanto tempo treinam. A última vez que fiz essa brincadeira (acompanhei um trio de corredores, nos quais se incluía uma jovem), fiquei com dores na bacia durante 4 dias seguidos.

Para terminar, a alimentação. A mudança dos hábitos alimentares. Não faz sentido algum a prática de actividade física intensa em linha com a tão saborosa "Feijoada à Transmontada", ou os magníficos "Rojões à Minhota" ou ainda a tão famosa "Lampreia" (doce de ovos) ou "Bavaroise de caramelo" (vou parar de enunciar exemplos porque estou a ficar aguado). Faz parte do tal processo de consciencialização que referi lá em cima e que permite atingir os objectivos propostos. Basicamente, o truque é simples - respeitar a roda dos alimentos. E com moderação e sem fazer batota. Claro.

2 comentários:

Anónimo disse...

Gostei...;)
Boa continuação...

IR disse...

Gostei ;)
Continua assim.....