domingo, novembro 25, 2012

Há poucos dias dei sangue pela primeira vez na minha vida. Aparte daquelas vezes em que tinha tirado sangue para análises de rotina, nunca tinha dado sangue. Neste momento sou oficialmente dador de sangue.

Dar sangue, na minha perspectiva, não devia ser facultativo. Devia ser obrigatório. Porquê? Porque há sempre necessidade de unidades de sangue nos hospitais (1 doação = 1 unidade de sangue).  Hoje pode ser necessário para salvar a vida de outra pessoa e amanhã poderá ser necessário para nós. É este o tipo de pensamento que deverá nortear este nosso gesto altruísta.

Há naturalmente uma série de condicionantes e restrições para a doação de sangue. Não é qualquer pessoa que pode dar sangue. Desde pêso mínimo, doenças recentes, estado actual de saúde (e.g.: gripes), grupos / comportamentos sexuais de risco, etc., são factores que impossibilitam que alguém que até tenha vontade dar sangue o faça efectivamente. Curiosamente, as demais pessoas que até têm tudo para o fazer, não fazem. Ou seja, tem a sua piada constatar que quem pode dar não dá e que aqueles que não podem dar é que o querem fazer. Por outro lado, o medo das agulhas e a impressão associada à visão do sangue são argumentos comummente usados - na minha óptica algo relativos e pouco razoáveis. Doar sangue é um gesto que pode salvar a vida de um nosso semelhante.

Dar sangue não custa nada. Para aqueles que são facilmente impressionáveis, posso assegurar que nem sequer veem a côr do sangue. Os centros de doação de sangue não são talhos como se possa imaginar. Há um mínimo de decência e a título de exemplo é colocado um pano por cima do braço doador de sangue. O sangue verte para um reservatório plástico (a tal unidade que refiro acima) lateralmente localizado (relativamente à cadeira onde estamos) e sinceramente só me recordo de a ter visto 10 minutos depois de ter tido início a doação. Ou seja, já no final. Quanto à dôr da picada..sem comentários. A dôr da picada de uma melga dói mais. Faz impressão ver a agulha a entrar? Olhe-se para o outro lado.

A reposição dos 480ml de sangue é feita em cerca de 24H. Além disso é efectuada uma análise muito rigorosa ao sangue doado possibilitando assim ao doador ter conhecimento se o seu sangue é bom para ser armazenado enquanto unidade de sangue utilizável - passados uns dias recebe-se um "sms" referindo que o sangue está óptimo e que esperam nova visita volvidos 3 meses (no caso de doadores homem podem fazer doações de sangue até um máximo de 4 vezes durante um ano).

Um gesto que não demora mais do que 10 minutos pode salvar uma vida humana de anos. A ter em mente. Uma das minhas boas acções deste ano!

domingo, novembro 18, 2012

Quero acreditar que toda a minha gente já experimentou aquilo que me acontece com uma frequência assustadora. Vou já passar a explicar o que é até porque é importante para mim perceber rapidamente se há outras pessoas na mesma condição que eu. Se assim fôr, pode-se até pensar em fundar uma "Associação" ou uma "Liga de Amigos" para pessoas que tal como nós vivenciam este tipo de questão. P.S: Gosto especialmente da designação "Liga-de-Amigos-de-qualquer-coisa". Qualquer coisa do estilo "Liga-dos-Amigos-que-apanham-o-metro-para-Entrecampos", ou "Liga-dos-Amigos-que-gostam-de-comer-bolas-de-Berlim". Entre tantos outros exemplos que aqui podiam ser dados.

Acho que já deu para perceber que tenho pouca sorte para algumas coisas. Basta ler os meus extensos textos aqui no blogue. Não utilizo de propósito a palavra "azar", na medida em que se trata de uma palavra demasiado forte. Azar, para mim, é escorregar e partir os dentes todos da frente na entrega dos diplomas da Universidade. À frente de 4 centenas de pessoas. Ou então entornar o gaspacho do almoço em cima da camisa branca e ter de fazer uma intervenção num seminário. E sem camisa para trocar. Isso sim, são azares. Mas não irei tão longe. Falarei mais uma vez da minha relação de ódio com a tecnologia. e em especial com os telemóveis.

Há pouco tempo tive um problema com um dos meus telefones. Não quero dizer nomes, mas é uma marca finlandesa, cujo nome começa por "N" termina em "A" e tem cinco letras. Basicamente, o écran táctil deixou de funcionar e obviamente fiquei incomunicável com o planeta Terra. Dei comigo a pensar se alguém me ligasse naquele dia/momento felicitando-me por ser o contemplado com os números certos do "Euromilhões". Perceberia que tinha o meu telefone desligado e passavam logo ao segundo felizardo. Acho que ía ficar um pouco chateado se isso me acontecesse. Só um pouco. Quase nada.

Este episódio com o telefone teve lugar num momento em que estava a efectuar um passeio de "Todo-o-Terreno" (TT) com os meus camaradas, e para evitar cair num precipício ou capotar o jipe entendi deixar-me de maluqueiras de tentar ligar aquela coisa. Tentei apenas 12 vezes. E abandonei-o algures no jipe. Isto de andar em piso escorregadio (enlameado), aos saltos e conduzir com uma mão e a outra mão no telefone...não costuma dar bom resultado. Ou podia não ter dado.

Já em casa tentei mais umas 43 vezes ligar o telefone. Ligar até ligava..o problema era conseguir fazer alguma coisa daquilo....O ecrán táctil não funcionava. E decidi ir até à loja onde o tinha comprado. Claro que com a ladaínha toda preparada mentalmente e com uma boa dose de má disposição. Afinal comprei o telefone em Fevereiro último e parece-me pouco razoável que volvidos 9 meses esteja o mesmo com problemas. Era este o meu melhor discurso. E até já tinha um "plano B" se não me quisessem dar um telefone de substituição. Amedrontar com o "Livro das Reclamações". Normalmente resulta. Mas tive então o meu azar....Pego no telefone, mostro ao gerente da loja...e não é que o sacrista do telefone funciona? Pois. Sem problema algum. É claro que fiquei com um melão daqueles enormes. E fiquei sem saber se havia de perguntar o preço de um fato de mergulho ou se debater o porquê das propriedades do açucar mascavado serem incomparavelmente superiores ao aspartame do adoçante vulgar. Qualquer coisa que me fizesse parecer fora da realidade. E o mais rapidamente possível. Fez-me lembrar quando temos uma dor de dentes. Vamos ao dentista e quando lá chegamos..desaparece a dor. Mas aí não é tão fácil "fugir"...

Voltei para casa com a convicção que o telefone estava finalmente bom e que teria sido um "desarranjozito" qualquer que lhe tinha dado. Durou meia hora. Voltou ao mesmo que me tinha feito sair de casa. Saí de novo de casa e fui comprar um telefone. Acabou-se. E voltei a estar ligado ao mundo.

Moral da História: Nunca confiar num telefone.

domingo, novembro 11, 2012

Já aqui tenho escrito algumas linhas sobre a minha periódica, disciplinada e intensa actividade física quase diária que é a corrida (treino cardio). O "quase diária" é justificado na medida em que há relativamente pouco tempo entendi diminuir a periodicidade de treinos de corrida bem como as distâncias percorridas. Porquê? Porque entendi introduzir a componente "musculação" na actividade física. Ou seja, neste momento, coexistem duas componentes: "cardio" (corro 3 vezes por semana) + "musculação" (sigo um plano de flexões executadas também 3 vezes por semana). A ideia é que exista um equilíbrio entre as duas e que me permita o trabalho da parte inferior e superior do corpo. Idealmente. Mas não tem sido bem assim. E explico porquê.

Nesta semana que terminou agora era para ter iniciado o tal "plano das flexões". Um plano que encontrei aqui no mundo cibernáutico. Pareceu-me honesto, bem estruturado e acima de tudo com um objectivo claramente definido - fazer 100 flexões seguidas no espaço de 6 semanas. É verdade...durante 6 semanas treinar várias séries de flexões...até que à 6ª semana iria conseguir perfazer a tal centena de flexões seguidas. Complicado? Parafrasendo uma máxima que me tem acompanhado nos últimos anos.." O único sítio onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". E na Segunda-Feira passada, com esta máxima gravada em mente, dei início ao plano das flexões.

O plano das flexões de que falo é simples. É um plano que naturalmente foi elaborado por alguém que sabe do que escreve. Alguém que acredito já terá muitas horas de ginásio. Que pensou este plano para outras pessoas que têm uma prática desportiva continuada, regular e que certamente já exercitam o corpo há alguns meses / anos. E não para alguém que tal como eu, que não faz musculação há um ano e opta por seguir este plano. O mais caricato está para vir.

Há muitos anos que faço flexões. Mas quis desta vez entender como executar correctamente uma flexão. Não continuar a fazer flexões de qualquer maneira. É executar correctamente uma flexão: corpo "em prancha" paralelo ao solo, palmas das mãos no solo ao nível dos ombros, e depois perfazer o movimento conhecido - para cima e para baixo - demorando um segundo na parte superior e um segundo na parte inferior. E peito a tocar no chão. Nota: estas esperas no ponto superior e inferior da flexão é quando há crescimento muscular efectivo (descobri eu nas minhas buscas). E claro que resolvi aplicá-lo. Mas há mais.

Aquando das minhas buscas para encontrar um plano, descobri outro "site" neste maravilhoso mundo cibernáutico em que fazia alusão a uma forma diferente de fazes as flexões. Basicamente, introduzir um grau de dificuldade superior na coisa. Passo a explicar...em vez da flexão ser executada, como normalmente, com o corpo paralelo ao solo, nesta variante, os pés são colocados numa posição mais elevada (entre 40 e 60 centímetros de altura relativamente ao solo) o que logicamente torna as coisas mais engraçadas. Para se ter uma ideia mais concreta posso avançar que se trata de um coeficiente denominado de "força de reacção do solo". Sem entrar em grande detalhe técnico e explicações físicas, não é mais que um coeficiente que afecta o peso do corpo sendo tanto maior quanto maior fôr a altura do pés. Para se ter uma ideia rápida, estando os pés colocados a uma altura de 60 centímetros, o tal coeficiente é 15% mais elevado. A cerca de 30 centímetros, o tal coeficiente será de 9%. Quem me conhece entenderá rapidamente que o mais puxado é o mais apetecível e como tal aquele que por mim foi escolhido. Ah, e seguindo o tal plano que tinha encontrado no outro "site".

Há muito tempo que não fazia flexões. Da mesma forma que também há muito tempo não trabalhava os músculos do peito e braços. Há coisa de um ano e tal a esta parte. Com a corrida tenho perdido bastante volume corporal (normal) e os músculos do trono não são muito trabalhados. É certo que trabalham, mas também é certo que a corrida não é conhecida como sendo uma actividade óptima para quem quer tonificar e ganhar alguma massa muscular nesta parte do corpo. Muito pelo contrário. Basta pensar que os maratonistas são muito magros e secos.

Com a minha cábula das séries e repetições à frente coloquei os pés no tal plano elevado. Fiz tudo como manda a "cartilha": pés colocados a cerca de 45 centímetros do solo, peito a tocar no chão, espera de um segundo na posição superior da flexão, espera de um segundo na posição inferior da flexão. Tudo isto para primeiro dia e depois de não ter feito nada durante um ano. Fiz 23 flexões à séria neste registo. Aquando da realização da 24ª flexão, as palavras "colapso dos braços", "dentes novos não tarda" e "burro de estalo" começaram a ecoar na minha cabeça. O esforço de estar com a cabeça para baixo fez com que todo o sangue do meu corpo afluísse às minhas têmporas e que não sei até hoje como não rebentaram. Os pulsos de ambos os braços pareceram-me anormalmente pequenos e finos para aquele esforço. E tive de parar. Entendi não continuar aquela série. Fiquei raivoso. Chateado comigo mesmo e deu-me vontade de dar uma cabeçada numa parede qualquer ou no chão. Mesmo que quisesse continuar...não conseguia. Percebi isso passados 3 minutos porque tentei fazer mais duas ou três flexões como anteriormente. Não deu. Isto não sem antes ter tentado, de joelhos, no meio do quarto, ter ainda tentado fazer mais umas 2, de fugida. Nada. Zero. Estava esgotado.

Levantei-me e fiquei a olhar sem expressão para a janela. Rapidamente realizei que se trata de um plano elaborado para pessoas que já têm outro tipo de condição física nesta altura. Alguém que já terá, por exemplo, muito tempo passado em ginásio. Que já trabalhou os músculos do tronco. E cujos músculos estão preparados para serem exercitados. Para receber carga. Para ganhar força e volume. E não no meu caso, em que não fazia nada de nada há muito tempo.

É claro que tinha de levar a melhor. Antes de terminar o treino fiz 15 flexões à "moda antiga". À minha maneira e fiquei um pouco mais contente. Ou por outra, não tão frustrado.

O resultado era o esperado: Nos dias seguintes não conseguia flectir os braços e doía-me o peito. Mas ainda assim tenho vontade de recomeçar o plano. Amanhã. Sem esquemas e sem "inclinações". Será mesmo o normal. Como sempre. E durante uns bons meses. Depois sim...a doer!

domingo, novembro 04, 2012

"Não há bela sem senão", reza um dos milhões de adágios populares portugueses conhecidos. O episódio que me aconteceu a semana passada é sem dúvida uma excelente prova do mesmo.

Já aqui tenho dado conta dos motivos pelos quais, na minha humilde e singela opinião, o meu distinto e não menos "master-do-atletismo-Carlos-Lopes" passou a ter razões para se sentir assustado. Desde Junho passado. Aqui o escriba entrou neste maravilhoso mundo que é o da corrida.

Ao longo de 5 meses que corro religiosamente. Quer faça chuva quer faça vento. Quer faça calor ou quer faça frio. Vou. Não me interessa quem vai (ninguém que eu conheço normalmente quer ir). Eu vou. Sempre sozinho. Com os meus "phones", sapatilhas e calções. Sempre. E não falho um dia.

Esta semana tive uma situação nova. Uma queda. Posso classificá-la como aparatosa. Ao meu melhor estilo, portanto. E com espectadores, o que torna a situação ainda mais interessante (e julgo que cómica). Não me irei esquecer um destes dias, quando recuperar a sensibilidade e movimento dos dedos da mão direita escrever uma carta a reclamar com alguém pelo facto das placas do chão onde corro não estarem niveladas. E de terem sido a única e exclusiva causa da minha aparatosa queda.

A história é rápida e simples. Eu explico. Consequência do horário de Inverno a luz do sol desaparece mais cedo. Ou seja, os dias ficam mais curtos. Resultado, a minha corrida, tipicamente realizada em horário pós-laboral nesta altura do ano tem lugar à noite. Posso dizer que em alguns troços do meu percurso habitual...não sei bem se corro a direito ou mais à direita ou ainda se mais à esquerda. Escuridão total. Como me oriento? Pelo som. É verdade, amigos e amigas. Qual morcego. Aqui entre nós, é claro que isto resulta com estes únicos mamíferos capazes de voar. Comigo não resultou. Ou por outra, voei sim. Mas aterrei logo à frente.do mais básico que há. As árvores que algum(a) iluminado(a) resolveu plantar por por ali. Ainda estou a tentar perceber o porquê de se terem plantado árvores (de grande porte) em canteiros no meio de placas de cimento. Parece-me lógico (e óbvio) que as raízes têm de crescer e que mais ano menos ano irão provocar um desnivelamento nas tais placas de cimento. E foi isso que causou a minha queda. E reside aqui a explicação de ter pontapeado uma dessas placas com o meu pé esquerdo. E ter continuado a correr....ter voado e ainda o de ter aterrado uns metros mais à frente.

Nesse momento senti a unha do dedo grande do pé esquerdo a pensar em emigrar para o calcanhar do mesmo pé. E pareceu-me que o chão tinha lixa da boa (e da grossa) tal não foi o efeito (des) agradável de ter conseguido um "peeling" nas palmas das minhas mãos e joelhos (acho que os poucos pêlos que aqui tinha....nunca mais irão crescer aqui o que me poderá trazer algumas bocas de gozo no Verão de 2013).

Felizmente uma alma caridosa (que ía a correr em sentido oposto) parou de imediato para ver se eu precisava de ajuda. Levantei o polegar direito em sinal de que estava tudo bem, agradeci e recomecei rapidamente a corrida de novo. Manco e com o joelho esquerdo com sangue pisado e esfolado..."ossos do ofício", pensei para comigo. Mas não dei parte de fraco!

Ontem já fui correr de novo e está tudo bem. Sem problema algum que condicione o meu treino e me afaste do meu principal objectivo de destronar o magnífico e meu grande amigo Carlos Lopes. Que um dia terá de me entregar as medalhas que já conquistou! Uma por uma!