domingo, novembro 11, 2012

Já aqui tenho escrito algumas linhas sobre a minha periódica, disciplinada e intensa actividade física quase diária que é a corrida (treino cardio). O "quase diária" é justificado na medida em que há relativamente pouco tempo entendi diminuir a periodicidade de treinos de corrida bem como as distâncias percorridas. Porquê? Porque entendi introduzir a componente "musculação" na actividade física. Ou seja, neste momento, coexistem duas componentes: "cardio" (corro 3 vezes por semana) + "musculação" (sigo um plano de flexões executadas também 3 vezes por semana). A ideia é que exista um equilíbrio entre as duas e que me permita o trabalho da parte inferior e superior do corpo. Idealmente. Mas não tem sido bem assim. E explico porquê.

Nesta semana que terminou agora era para ter iniciado o tal "plano das flexões". Um plano que encontrei aqui no mundo cibernáutico. Pareceu-me honesto, bem estruturado e acima de tudo com um objectivo claramente definido - fazer 100 flexões seguidas no espaço de 6 semanas. É verdade...durante 6 semanas treinar várias séries de flexões...até que à 6ª semana iria conseguir perfazer a tal centena de flexões seguidas. Complicado? Parafrasendo uma máxima que me tem acompanhado nos últimos anos.." O único sítio onde sucesso vem antes do trabalho é no dicionário". E na Segunda-Feira passada, com esta máxima gravada em mente, dei início ao plano das flexões.

O plano das flexões de que falo é simples. É um plano que naturalmente foi elaborado por alguém que sabe do que escreve. Alguém que acredito já terá muitas horas de ginásio. Que pensou este plano para outras pessoas que têm uma prática desportiva continuada, regular e que certamente já exercitam o corpo há alguns meses / anos. E não para alguém que tal como eu, que não faz musculação há um ano e opta por seguir este plano. O mais caricato está para vir.

Há muitos anos que faço flexões. Mas quis desta vez entender como executar correctamente uma flexão. Não continuar a fazer flexões de qualquer maneira. É executar correctamente uma flexão: corpo "em prancha" paralelo ao solo, palmas das mãos no solo ao nível dos ombros, e depois perfazer o movimento conhecido - para cima e para baixo - demorando um segundo na parte superior e um segundo na parte inferior. E peito a tocar no chão. Nota: estas esperas no ponto superior e inferior da flexão é quando há crescimento muscular efectivo (descobri eu nas minhas buscas). E claro que resolvi aplicá-lo. Mas há mais.

Aquando das minhas buscas para encontrar um plano, descobri outro "site" neste maravilhoso mundo cibernáutico em que fazia alusão a uma forma diferente de fazes as flexões. Basicamente, introduzir um grau de dificuldade superior na coisa. Passo a explicar...em vez da flexão ser executada, como normalmente, com o corpo paralelo ao solo, nesta variante, os pés são colocados numa posição mais elevada (entre 40 e 60 centímetros de altura relativamente ao solo) o que logicamente torna as coisas mais engraçadas. Para se ter uma ideia mais concreta posso avançar que se trata de um coeficiente denominado de "força de reacção do solo". Sem entrar em grande detalhe técnico e explicações físicas, não é mais que um coeficiente que afecta o peso do corpo sendo tanto maior quanto maior fôr a altura do pés. Para se ter uma ideia rápida, estando os pés colocados a uma altura de 60 centímetros, o tal coeficiente é 15% mais elevado. A cerca de 30 centímetros, o tal coeficiente será de 9%. Quem me conhece entenderá rapidamente que o mais puxado é o mais apetecível e como tal aquele que por mim foi escolhido. Ah, e seguindo o tal plano que tinha encontrado no outro "site".

Há muito tempo que não fazia flexões. Da mesma forma que também há muito tempo não trabalhava os músculos do peito e braços. Há coisa de um ano e tal a esta parte. Com a corrida tenho perdido bastante volume corporal (normal) e os músculos do trono não são muito trabalhados. É certo que trabalham, mas também é certo que a corrida não é conhecida como sendo uma actividade óptima para quem quer tonificar e ganhar alguma massa muscular nesta parte do corpo. Muito pelo contrário. Basta pensar que os maratonistas são muito magros e secos.

Com a minha cábula das séries e repetições à frente coloquei os pés no tal plano elevado. Fiz tudo como manda a "cartilha": pés colocados a cerca de 45 centímetros do solo, peito a tocar no chão, espera de um segundo na posição superior da flexão, espera de um segundo na posição inferior da flexão. Tudo isto para primeiro dia e depois de não ter feito nada durante um ano. Fiz 23 flexões à séria neste registo. Aquando da realização da 24ª flexão, as palavras "colapso dos braços", "dentes novos não tarda" e "burro de estalo" começaram a ecoar na minha cabeça. O esforço de estar com a cabeça para baixo fez com que todo o sangue do meu corpo afluísse às minhas têmporas e que não sei até hoje como não rebentaram. Os pulsos de ambos os braços pareceram-me anormalmente pequenos e finos para aquele esforço. E tive de parar. Entendi não continuar aquela série. Fiquei raivoso. Chateado comigo mesmo e deu-me vontade de dar uma cabeçada numa parede qualquer ou no chão. Mesmo que quisesse continuar...não conseguia. Percebi isso passados 3 minutos porque tentei fazer mais duas ou três flexões como anteriormente. Não deu. Isto não sem antes ter tentado, de joelhos, no meio do quarto, ter ainda tentado fazer mais umas 2, de fugida. Nada. Zero. Estava esgotado.

Levantei-me e fiquei a olhar sem expressão para a janela. Rapidamente realizei que se trata de um plano elaborado para pessoas que já têm outro tipo de condição física nesta altura. Alguém que já terá, por exemplo, muito tempo passado em ginásio. Que já trabalhou os músculos do tronco. E cujos músculos estão preparados para serem exercitados. Para receber carga. Para ganhar força e volume. E não no meu caso, em que não fazia nada de nada há muito tempo.

É claro que tinha de levar a melhor. Antes de terminar o treino fiz 15 flexões à "moda antiga". À minha maneira e fiquei um pouco mais contente. Ou por outra, não tão frustrado.

O resultado era o esperado: Nos dias seguintes não conseguia flectir os braços e doía-me o peito. Mas ainda assim tenho vontade de recomeçar o plano. Amanhã. Sem esquemas e sem "inclinações". Será mesmo o normal. Como sempre. E durante uns bons meses. Depois sim...a doer!

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