domingo, dezembro 23, 2012

Eis que somos chegados a mais um Natal. É com uma enorme satisfação e um claro regozijo que escrevo estas linhas para os meus seguidores. Significa, em primeiríssima mão que ainda ando por cá, no mundo dos vivos. E em "segunda mão" tenho mais uma certeza: mais um ano que irei comer várias rabanadas com calda de açucar (muita, de preferência) ou os clássicos e tão saborosos sonhos de abóbora. Para quem não aprecia qualquer uma destas iguarias avanço que não há problema nenhum. Pode enviar para mim que eu trato do assunto em menos de um fósforo.

Tenho também a informar que este ano constitui um marco para a posteridade. Durante algumas semanas andei a preparar um discurso. Um discurso preparadíssimo para esta quadra e para ter lugar com a devida antecedência, não fosse ser mal aceite a mensagem que tinha para dizer e ter de recorrer a um plano de recurso (plano B). Mas passo contar a história toda para que todos entendam.

Como tem vindo a acontecer em anos anteriores, aí por Junho, Julho deste ano decidi começar a pensar e a preparar numa lista de compras de Natal. Não para muita gente. Mas para as 20 a 25 pessoas mais próximas de mim. E comecei desde logo a pensar em pessoas a quem queria oferecer algo. E o que oferecer às mesmas pessoas. Há pessoas que merecem coisas. E "outras" pessoas que merecem "outras" coisas, se é que me entendem. Até meados de Novembro do corrente ano já tinha uma ideia muito aproximada do que oferecer às pessoas (e às outras pessoas) e em início de Dezembro resolvi colocar "mãos à obra" e encetar esta árdua tarefa que é ir procurar (e encontrar) o que com tanto carinho pensei oferecer.

Pois é. Já se imagina. Quem me segue há algum tempo sabe bem que tenho (entre outros) um problema sério (por resolver comigo mesmo) relacionado com as multidões. De, por exemplo, querer ir a um sítio e não haver estacionamento livre: Quem nunca experimentou o entrar num estacionamento subterrâneo nesta altura do ano e ver os vidros do carro ficar imediatamente embaciados e não ser possível ver um palmo à frente do nariz? Para mim é pior que enfiar farpas de madeira debaixo das unhas das mãos e dos pés. Já não falando em ficar próximo de uma apoplexia acompanhada de emudecimento.

Derivado do meu problema acima e que não raro me faz ficar com tremores pelo corpo todo e suores frios só de pensar em ter de ir a uma grande superfície nestas épocas, optei pelo "plano B". E eis que chegamos aquela que é a minha grande novidade de 2012: Não comprei prendas de Natal antes de dia 25 de Dezembro. E foi por isto que foi necessário preparar o meu discurso ao longo de várias semanas. Tinha de ser suficientemente persuasivo e assertivo para justificar o porquê da quebra de uma tradição secular praticada na minha família directa (honrosa excepção feita para com o Afonso com quem cumpri a minha importante e zelosa obrigação atempadamente).

Se assim pensei..melhor o fiz. Há coisa de uma semana informei que este ano ía ser experimentado um modelo diferente: seguir o calendário natalício espanhol (para quem anda a dormir na forma passa por abrir as prendas no dia 06 de Janeiro, dia de Reis). Reconheço que talvez tenha dito isto com um estranho e folgado entusiasmo na medida em que os meus pais olharam para mim como se lhes tivesse dito que ía mudar de sexo no dia a seguir. Talvez estivessem à espera de outro tipo de partilha. Ou por outra, talvez não tivesse sido necessário prepará-los mentalmente como se se tratasse de uma comunicação solene...

Valeu-me o facto da minha mãe ser uma pessoa prática e pragmática. E de ter dito que afinal também não tinha comprado prenda alguma. E que esperava pelas boas compras que se podem efectivamente fazer com toda a calma durante a época dos saldos (época em que as pessoas já não vão acorrem tanto porque gastaram o subsídio todo - quando existia - antes do 25 de Dezembro).

Dentro de uma semana pego de novo na minha lista. E aí sim, irei às compras. Agora com calma. E claro, com preços mais em conta. 

Santo Natal.

domingo, dezembro 16, 2012

Tenho pensado variadíssimas vezes na complexidade associada aos relacionamentos afectivos. É curioso constatar que eu próprio já defendi posições extremadas: há uns anos dizia que as relações não eram complicadas. As pessoas é que o eram. E consegui defender essa teoria durante uns anos sem ser apedrejado. Depois, e talvez por cansaço de haver tanta gente a concordar comigo, resolvi passar a defender uma teoria algo oposta. Do contra, se quiserem. Afinal as pessoas eram simples. As relações é que eram complicadas (Nota: Não me admira que resida aqui a razão pela qual algumas pessoas deixaram de me falar (afinal não será assim muito normal uma pessoa defender ideias tão diferentes!!).

Hoje em dia defendo uma teoria ligeiramente diferente. Posso avançar que estou perfeitamente à vontade para partilhar e debater a mesma com alguém interessado (e com paciência) em fazê-lo comigo. Uma relação será tão mais duradoura quanto melhor e mais harmoniosa for a gestão dos conflitos que naturalmente (e obviamente) surgem no quotidiano de duas pessoas. Acredito que com o stress diário (e na maioria das vezes feitios complexos) essa gestão passe a ter de ser praticada rapidamente. E de forma eficiente para que tenha lugar a manutenção da relação.

O que acontece, quando não há filhos (e às vezes quando os há), é que as pessoas têm cada vez menos paciência para falar das coisas. O caminho mais fácil, e aquele comummente seguido, passa por cada uma das partes seguir o seu caminho e tentar ser feliz com outra pessoa qualquer. Refazer a vida e deitando por terra anos de relacionamento, partilha de amigos, familiares, etc. Em menos de nada cai tudo por terra.

Há uns anos atrás não me fazia sentido falar-se em manter uma relação quando a "chama" entre ambas as partes não existia mais. Hoje em dia não penso de forma tão linear e directa. Na minha opinião é importante perceber o porquê das coisas terem chegado a esse ponto e experimentar tudo o que estiver ao alcance para corrigir. Às vezes há soluções que não são logo percepcionadas, mas que após alguma conversa e calma acabam por aparecer. Outro exercício importante passa por pesar ambos os cenários: o que é a vida "nesse momento" (em plena recessão económica) e o que será a vida a partir do "ponto final" na relação. E se calhar perde-se muito se for tomada uma decisão não ponderada e impulsiva de terminar a relação. E invariavelmente chegamos a uma situação cada vez mais frequente: pessoas que terminaram a relação, não têm qualquer sentimento um pelo outro, mas partilham o mesmo tecto. Faz-me uma confusão bastante grande. Mais ainda quando me falam em pessoas que levam os novos companheiros para casa (e o/a ex está lá)!

Talvez seja eu que sou demasiado "quadrado"..ou não!!

domingo, dezembro 09, 2012

Começo por informar que sou completamente a favor da liberdade de expressão em toda e qualquer circunstância e/ou dimensão imaginável. Esta é a minha verdade e agradeço que seja retida ao longo de todo este meu texto.

Os meios de comunicação social mandam no mundo. Creio que não há qualquer dúvida relativamente a este aspecto. Contudo, e para mim, a forma como esse poder é conseguido e gerido faz-me pensar um grande bocado. Poderia aqui elencar vários exemplos que me parecem perfeitamente elucidativos da mensagem que pretendo transmitir, neste texto mas o chamado jornalismo de investigação bastar-me-á.

Já aqui escrevi em tempos umas linhas sobre o facto de nesta profissão (jornalismo) haver os bons e os maus profissionais. Como em tudo, de resto. Contudo, não me parece que pelo facto da Teresa (mulher-a-dias cá de casa) dizer mal de mim venha algum mal especial ao mundo. Certamente terá as suas razões e acredito que na sua esfera pessoal (que será tanto maior quanto maior fôr a sua rede de contactos pessoais e a sua vontade de dizer mal de mim) terá  sua impactância. Mas restringer-se-á a esse domínio da sua esfera pessoal. A Teresa (que eu saiba) não tem pressões ao nível de um Conselho de Administração para obter "share" ou objectivos mensais ao nível dos melhores. Também acho pouco provável que faça um "benchmarking" contínuo para saber o quão mal dizem as suas amigas dos seus patrões para poder conseguir dizer pior. Ou melhor. Tudo isto passa-lhe ao lado e não lhe interessa absolutamente. Apenas e só diz mal...porque sim. À sua dimensão como refiro atrás. É terapêutico dizer mal.

No mundo dos meios de comunicação social as coisas mudam um pouco de figura. O alcance e a fortaleza de determinada notícia poderá ter são francamente diferentes. Falo de um enaltecimento, um reconhecimento de um acto ou do mérito de determinada personalidade ou por outro lado, o enxovalhamento dessa mesma personalidade. E passo de imediato a explicar melhor o meu ponto de vista com uma situação concreta.

Imagine-se um Sr. Ramiro que tem um pequeno talho. Imagine o(a)  leitor(a) que gasta desse talho desde que se conhece como gente. Nunca lhe faltou um chispe ou uma farinheira "5 estrelas" para um cozido de Domingo. Sempre com a maior das delicadezas, trato fino e extremamente educado e pautando-se sempre pela máxima deferência. Afinal é isso que fideliza. Ir-se sempre ao mesmo talho (ou a outro estabelecimento) e ser-se tratado pelo nome. É engraçado.

Num certo e determinado dia o Sr. Ramiro tem, entre outros, um cliente especial. Um jornalista. É Natal, muita gente no interior do talho, muitas encomendas de perús e leitão para aviar além dos pedidos normais de carne / enchidos. Acontece que no meio desta azáfama toda o Sr. Ramiro troca dois recibos e pede ao tal jornalista que pague o leitão assado inteiro que a Dona Maria Virgínia encomendou na semana passada. Resultado: a despesa final das febras finas de porco que o jornalista tinha pedido para aviar quintuplica. Sim, aquelas que ía levar consigo para a cozinha da redacção da revista e pensar no tema que ía desenvolver.  Na mente deste profissional do jornalismo - que poderá ser (ou não) tortuosa  - conclui que tem ali um "furo" e que sem dúvida alguma o Sr. Ramiro é um caloteiro. Mais um tempo de crise. E temos aqui aquilo que poderá ser o mote de uma peça para essa mesma noite consubstanciada num evento único e que poderá marcar o "início do fim" de um talho que existe há mais anos do que aqueles que o jornalista tem de idade.

Analisemos o que sucedeu: o Sr. Ramiro não se enganou deliberadamente (vamos assumir esta tese que tanta vez acontece na operação de dar trocos). A quadra natalícia é sobejamente conhecida como sendo uma época em que toda a gente quer comprar prendas de última hora como se não houvesse amanhã. Igual raciocínio se aplicará a toda a azáfama necessária para aquilo que diz respeito às refeições para a família que lá vai jantar a casa. As pessoas ficam mais sensíveis e muito menos tolerantes com os erros de terceiros. A conjuntura assim o sugere. 

O tal jornalista, raivoso por achar que foi sacaneado / enganado, escreve um artigo sobre os trapaceiros. Genericamente, claro. E conta, na primeira pessoa, destilando o seu mais refinado veneno, o episódio que lhe sucedeu há umas horas atrás. Referindo objectivamente o Sr. Ramiro.

A revista para a qual o jornalista colabora costuma ter uma tiragem muito expressiva. É líder de mercado, o que "per se" significa que entre aqueles que compram a revista e os que a assinam....o Sr. Ramiro passa naquele momento a ser o talhante caloteiro e que é de evitar. E naturalmente que a clientela deixa de aparecer tanto. Passa a aparecer cada vez menos pessoas...até que só restam aquelas pessoas que não ligam puto a jornalistas cujo nome nem sequer "toca qualquer campaínha" ou simplesmente não leem jornais / revistas.

O que sucedeu ao Sr. Ramiro acontece todos os dias. Por vezes, derivado de enganos, há pessoas que passam de bestiais a bestas em menos de nada (sendo que o recíproco nem sempre acontece). E aquilo que me tira verdadeiramente o sono (aparte do bom nome de determinada pessoa passar a estar na lama) é que quando se chega à conclusão que tudo não passou de um erro...o mal está feito. Em alguns casos com danos irreparáveis e com uma reputação de anos...deitada por terra. Sem um pedido de desculpa.

Qual a solução? Não sei. Mas acho que há muito mau jornalismo nos nossos dias. E consequência dos maus profissionais...há vidas que podem ser severamente prejudicadas. Para sempre. E isto devia acabar.

domingo, dezembro 02, 2012

Toda a gente conhece uns pilaretes que há colocados verticalmente (fixos ao chão) imediatamente antes de se entrar numa escada rolante. Quase todos os centros comerciais têm. Estes monos têm um propósito claro. Impedir que as pessoas transportem para as escadas rolantes os carrinhos de bébé e as cadeiras de roda. Faz todo o sentido para mim. E posso já adiantar que também me fizeram ficar "em sentido" há poucos dias atrás.

O episódio a que me refiro teve lugar há uns dias atrás logo após a hora do almoço e já no regresso ao escritório. Tinha ido almoçar com os meus colegas a uma dessas enormes superfícies comerciais de Lisboa e naturalmente "preocupadas-com-o-risco-de-alguém-se-magoar-em-consequência-de-um-carrinho-de-bébé-ou-cadeira-de-rodas-se-virar-nas-escadas-rolantes". Como tal, o risco naquela maldita escada rolante foi minimizado com a dotação de um trio dos tais pilaretes.

No preciso momento em que entrei na escada rolante ía a conversar animadamente com o meu camarada João Miguel. É claro que ía a olhar para ele (gosto de falar olhos nos olhos). E como não sou "vesgolho" (olhar com um olho para o meu camarada e com o outro para o chão) naturalmente que não dei conta do pilarete. Esqueci-me que existia. Já conseguiram perceber o que aconteceu? Eu também percebi e da forma mais dolorosa, posso desde já assegurar. Estou em crer que o meu camarada João tem razão e que devo ter engravidado aquele pilarete que se pôs à minha frente. Mais. Tudo isto foi acompanhado de um "ouchhhhh" sonoro e perfeitamente audível na Venezuela. Fiz o resto do percurso notoriamente curvado e pensando se alguma coisa teria ficado irremediavalmente afectado para todo o sempre.

Caso para se dizer...perto de umas escadas rolantes....olhos bem abertos!!