domingo, janeiro 20, 2013

Como em tantos outros finais de semana, ontem de noite calhou ter de ir buscar o jantar fora a um restaurante aqui próximo. 
 Na medida em que o meu Paco há muito tempo não saía de casa para ir passear de carro, acabei por optar levá-lo comigo para dar uma volta e apanhar fresco na ponta do seu nariz.
Os momentos de passeio de carro para o Paco equivalem, julgo eu, e se fosse possível arranjar uma analogia rápida, a qualquer coisa tipo ter saído a terminação da lotaria ou alguém ter acertado em 5 números do "euromilhões". Ou se calhar a algo ainda mais intenso.
Fui buscar o jipe (carro do Paco) que coloquei à porta de casa e abri a porta traseira do mesmo. Natural e logicamente que o Paco viu ali imediatamte mais um dos seus momentos de passagem para o paraíso - mais uma viagem de carro. E como sempre, começou aos pulos e aos saltos (com círculos no ar) do lado de dentro do quintal de casa. A chamada "dança-do-Paco-que-vai-passear-de-carro".
Mal abri o portão o "sacrista" viu ali uma oportunidade única de se esgueirar e abreviar a sua ida para o paraíso. De forma silenciosa e sub-repticiamente tentou passar entre mim e a parede. Claro que me apercebendo de tal feito não deixei e adverti-o para não fazer aquilo ao que obedeceu. Ao mesmo tempo quis segurar o portão para o fechar e impedir que o Paco saísse sem estar devidamente controlado / calmo. Não olhei para onde punha a mão na medida em que não queria que o Paco fugisse. E claro aconteceu o que tinha de acontecer. Entalei o dedo. Mesmo por baixo da unha, naquela zona onde a pele é mais fina. E claro...na zona mais dolorosa de todo o dedo. Tinha mesmo de ser.
Inicialmente pensei que tivesse sido arrancada a cabeça do dedo indicador esquerdo. Posso adiantar que as temperaturas exteriores deviam rondar os 5ºC e como se pode imaginar, a dôr alucinante fez-se sentir ainda mais. Agarrado à ponta do dedo comecei aos saltos. Lógico. Não me lembrei de fazer outra coisa. Podia ter-me dado para começar a cantar em tirolês. Mas não deu. Foi mesmo para começar aos saltos o que levou a que o Paco parasse momentaneamente a sua dança e ficasse a olhar para mim surpreso.
Passados dois minutos de sofrimento intenso achei que era altura de parar com a fita de maricas. O Paco recomeçou com os pulos (e círculos no ar) totalmente indiferente ao meu sofrimento agudo. Resolvi abrir o portão com a minha outra mão sã por forma a permitir a sua saída do quintal e entrada para o jipe.
Dado que o jipe está preparado para fazer "todo-o-terreno" tem uma altura considerável ao solo. Assim sendo, desde sempre que pego no Paco ao colo e coloco-o dentro do compartimento de carga. Se era simples (e obviamente mais leve quando o Paco tinha 4 meses) hoje em dia é um pouco mais complexo. Não só porque se debate ao meu colo com a excitação típica de quem tem a certeza que o mundo vai terminar daí a 3 minutos, bem como pesa 10 vezes mais. A forma de o pegar é relativamente simples: o braço esquerdo passa pela cabeça e vai ter à barriga e o braço direito ampara o resto do corpo, passando pelo lado direito. Mas ontem, como estava dorido da mão esquerda não completei o processo todo a 100%. A primeira parte até executei bem. Já a segunda parte não fiz completamente bem. Resultado: peguei só em metade do Paco a debater-se com toda a força ao meu colo até o colocar no compartimento de carga do jipe. Claro que com este esforço repentino acabei por dar um jeito no peitoral direito que até vi estrelas. Só podia. Conclusão: Paco dentro do carro e eu às voltas ao jipe, com dores no indicador esquerdo e no peitoral direito. Nota: Se alguém tiver tido a oportunidade de ter filmado isto e publicar no "youtube" ainda vai ganhar bom dinheiro à minha conta..
Alguns largos momentos mais tarde lá acabei por partir em rumo ao restaurante. O Paco efusivo, como sempre. Eu contente pelo menino estar bem (e alegre), mas fisicamente dorido. Mas a dor foi largamente compensada pela alegria que se percebe naquela alma. A repetir. Desejavalmente sem dôr..

2 comentários:

Susans Abreu disse...

Adorei
Muito Bom
Susana

assucena disse...

:)