domingo, janeiro 13, 2013

Entre tantas outras coisas em que penso com muita regularidade, tenho dedicado estes últimos dias a matutar em algo curioso, mas não menos peculiar. Os desportos náuticos e especialmente os desportos de mar. Aqueles onde a essência do mesmo está em "apanhar" uma onda. Ou "dropar um set" de ondas. Ou (e porque não) efectuar o tão complexo e artístico "duck diving". Pareço um entendido? Não o sou. Cresci a ouvir estes termos proferidos por amigos/colegas que faziam "bodyboard" ou "surf" enquanto eu falava (sozinho) de ir às Amoreiras no "58" (autocarro que fazia o percurso de Benfica até este magnífico centro comercial inaugurado na ida década de 80). Também tenho de memória o "Heitor", um rapaz que morava lá na rua e que optou por seguir o "windsurf". O Heitor era um tipo diferente de mim e da generalidade dos meus amigos. Mais velho uns anos e um tipo com um reconhecido sucesso junto do sexo oposto. Tinha um cabelo loiro com rabo de cavalo e uma barba de 3 dias. Não raro passava algumas horas a bater a jogar ténis contra uma parede que havia nas traseiras dos nossos prédios. Podia dar-lhe para pior.
Habitualmente, no Inverno não se fala em ondas. Fala-se em "vagas". Fala-se em marés vivas. Fala-se em vagas de 6,7 metros de altura. E é aqui que começa a minha introspecção que referi no início desta partilha. Vejamos: Todo o santo dia, durante os 365/366 dias de um ano, os fanáticos dos desportos marítimos consultam a internet, descobrem onde está o mar mais "crispado" e rumam a essa praia o mais depressa possível como se não houvesse amanhã. Para ter a satisfação de ter "dropado" mais umas dezenas de ondas, quero eu acreditar. Contudo, quando o mar está mesmo revolto e bravo, não se vê ninguém entrar. Aqui reside a minha dúvida: Não deveria ser este um momento único para a prática deste tipo de actividade? Assim estão reunidas as condições óptimas de vento e altura das vagas? Mas não....São raros os aventureiros que se fazem ao mar com estas particularidades atmosféricas....
P.S.: Havia uma lenda que o Heitor ía fazer o seu "windsurf" com condições atmosféricas bem adversas. Quando não jogava ténis, portanto!

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