domingo, fevereiro 03, 2013

Ao longo do tempo tenho percebido algo incontornável - não tenho "ouvido" para a música. Ou por outra, ouvido até tenho. Padeço é de uma "não sincronização" entre a minha actividade cerebral e uma qualquer música que tento trautear. O resultado final é que com minha voz forte e grossa consigo o feito prodigioso de fazer uma betoneira em funcionamento soe como uma melodiosa harpa.
Se quando era miúdo ainda tinha piada porque sabia de cor todas músicas de todos os anúncios televisivos (quem não se lembra do anúncio do Citroen Mehari e do Mokambo) animando assim os serões da família, já hoje em dia as coisas não me correm de feição. Em primeiro lugar porque são raros os anúncios que têm melodia ou música. Em segundo lugar porque ninguém tem paciência para ouvir aqui o "Carreras" cantar. Faz sentido. É mais agradável arranhar mármore do que dar-me 2 minutos de tempo de antena. Mas tudo bem. Vivo bem com isso.
Outro aspecto que entendo ser muitíssimo interessante prende-se com o facto de que reconheceras minhas limitações noutras línguas que não a portuguesa. Sou humilde o suficiente para o assumir sem qualquer desprestígio ou sentimento de culpa. É a minha realidade. E isto após ter considerado os mais de 10 anos de aprendizagem da língua inglesa ou os 4 ou 5 árduos anos que tive de língua gaulesa. Nunca ninguém me ouviu cantar alto músicas em língua estrangeira. Em primeiro lugar porque na generalidade das vezes a letra não faz qualquer sentido - "Nada nos vai salvar e sinto que as ondas nos puxam para cima e para baixo" (letra traduzida de uma música que estou agora mesmo a ouvir). É este tipo de incoerência que falo. E em segundo lugar porque tenho um problema gravíssimo...derivado da tal limitação linguística...o "tempo" da música é severamente comprometido e por vezes já acabou o refrão da música e aqui o escriba continua a cantar. Por estes motivos prefiro o cantar no duche. De forma anónima. De mim para mim.
Se eu próprio me reconheço como mau intérprete de músicas cantadas na língua estrangeira já o mesmo não se aplica aos demais. Daí a ouvir inventar palavras em inglês (ou outra língua) é um "tiro". Ou então estar-se a cantar e como se desconhece a letra avança o "tana-na-na-nna" acompanhado da batocada no volante ou tablier do carro. Tenho visto verdadeiros bateristas no trânsito. E guitarristas. Confesso que me dá um certo gozo e não raro rio-me para dentro. Porque é um facto que a música realmente "flui". E como são raras as pessoas que não percebem a letra e só conhecem a melodia...ninguém repara e todas gostam!!

1 comentário:

Susans Abreu disse...

Adorava ouvir o " Carreras" cantar .... fazer com que o som de uma betoneira em funcionamente seja comparavel com a melodia de uma harpa ....e realmente soberbo

"Tana-na-na--nna" achei fantastico ....julgo q fiquei com trauma, agora sempre que cantar no carro vou me lembrar de ti a "rir para dentro "