domingo, maio 05, 2013

Ao longo dos anos tem sido perceptível uma conquista de "espaço" por parte do sexo feminino. O que era impensável por altura da vivência dos meus avós e bisavós hoje em dia já não será tanto assim. É possível ver frequentemente mulheres a conduzir autocarros, a pilotar aviões e lembro-me de ter lido algures que desde o 25 de Abril de 1974 que também é ao sexo feminino que se atribui a responsabilidade de grande percentagem da população universitária. Igualdade de direitos conquistada pois sim.
É também importante reter que volvidos 39 anos persiste uma mentalidade mais avessa à mudança. Falo de mudanças estruturais. Mudanças de fundo. Note-se a título de exemplo que os cargos de gestão de topo das empresas privadas (e públicas) portuguesas são tipicamente ocupados por homens. O que não quer dizer que as Assembleias Gerais ou Conselhos de Administração dessas empresas não integrem elementos do sexo feminino. Ou também não significa que não haja uma situação ou outra de uma mulher que seja "Presidente" ou "CEO" de uma dessas empresas. Mas não tenho dúvidas que são situações pontuais no panorama português.
Penso várias vezes no papel da "mulher" e no papel do "homem". Refiro-me agora a qualquer sociedade sem ser necessariamente a nossa, a portuguesa. O papel da maternidade não se resume a transportar durante 9 meses um ser vivo no ventre. Há mais. Há uma necessária reformulação de horários (vida quotidiana), há o garantir a gestão de uma casa, as compras, as instruções para a mulher-a-dias (ou em alternativa, e porque se vive em crise, a responsabilidade de manter a roupa em dia, casa limpa, etc.). E isto pode acontecer em pessoas solteiras ou comprometidas (que vivam a dois). Nos casais modernos há a chamada..."divisão de tarefas". Não podia concordar mais. Contudo, reconheço que é complicado para alguém que nunca fez nada em casa dos pais (ele ou ela) passar a ter uma responsabilidade de o fazer. Referi complicado, mas não disse impossível. Como em tudo na vida tratar-se-á de uma questão de adaptação. Mas há pessoas mais dadas à adaptação e outras que....preferem ver a bola no canal do Benfica. E fazer "depois" o que é da sua responsabilidade. Empurrando a responsabilidade de ir pôr o lixo na rua...para o outro lado. É apenas um exemplo entre vários que podia ter escolhido.
Outro aspecto que se integra dentro da temática da "igualdade de direitos" será o caso da xenofobia ou ainda dos direitos dos deficientes (mentais e/ou motores). Mais uma vez e muito facilmente se percebe que a realidade de há uns 40 anos (felizmente) não é a mesma dos dias que correm. Várias foram as alterações de mentalidades e hoje em dia, por exemplo, a maior potência do mundo é liderada por um afro-americano. Algo impensável há 50 anos. Outro bom exemplo será o facto de todo qualquer projecto de edifício público submetido a aprovação camarária ter de obrigatoriamente preconizar a rúbrica para as infra-estruturas para utilização ou acessibilidades por parte dos deficientes motores ou pessoas com mobilidade reduzida. Legalmente deveria ser assim, mas como se sabe nem sempre acontece... Numa realidade temporal mais próxima, começa também a verificar-se uma tentativa de integração social de deficientes mentais (e.g.: Trissomia 21, paralesia cerebral, etc.). 
É importante não perder de vista que toda e qualquer pessoa, independentemente do seu credo, raça e deficiência (ou não) tem direito ou deverá ter acesso às mesmas oportunidades. 
Numa época em que se caminha a "passos largos" para uma evidente pluralidade de ideais, valores e experiências, por via dos fluxos migratórios a um nível internacional, serão expectáveis conflitos e atritos em torno destas temáticas. Tudo correrá tanto melhor e mais fácil quanto mais "suavemente" decorrer a fase de adaptação a novas realidades. Esperemos que corra tudo bem!

1 comentário:

Anónimo disse...

Olá João!
Gosto da maneira como falas da conquista de espaço do “sexo feminino”.
A maneira como vês as mulheres como um todo, profissionais, mães e companheiras.
“Nos casais modernos há a chamada divisão de tarefas. Não podia concordar mais”.
Com esta frase deixaste-me sem palavras.
Só para terminar, gosto da foto nova “Duckie”
Bjs