domingo, junho 23, 2013

Sou uma pessoa com um reduzidíssimo poder de encaixe. Ou nulo, para ser mais rigoroso. Faço parte daquele grupo de pessoas que acaba por se sentir frequentemente injustiçado e,  aliado ao facto de ser sensível, as coisas só podem correr mal.
Começo a perceber que é muito fácil aumentar o tal poder de encaixe. Como? De uma forma muito simples. Praticando um exercício diário de "desvalorização" dos erros e/ou omissões dos outros. Vou certamente deixar de me preocupar com os atrasos da generalidade das pessoas. Devo ser a única pessoa do planeta Terra que fica com afrontamentos quando penso em atrasar-me 5 ou 10 minutos. Afinal, vivo em Portugal e 1600H podem ser 1605H ou 1610H que não virá mal ao mundo por isso. Vou também deixar de me irritar quando se enganarem em 5,00 € nos trocos de algo que acabei de pagar. O que são 5,00 €? Nada. Aliás, o ideal mesmo será desenvolver o espírito de abnegação de qualquer valor material. Seja ela qual fôr. Também não me parece que faça qualquer sentido ficar impaciente nas filas das repartições públicas ou lojas. Afinal, e mesmo que os clientes já tenham resolvido os seus problemas e queiram falar com os funcionários / empregados de outros assuntos que nada têm que ver com o(s) motivo(s) que os levaram ali, terei de respeitar o seu tempo de conversa. Especialmente se fôr na hora do almoço (quando não tenho outra oportunidade de resolver um determinado assunto). É perfeitamente normal que seja esta a forma de pensar de 90% da população activa portuguesa. Aliado ao facto dos cafés , cigarros e outros interessantíssimo focos de interesse ao longo de um dia de trabalho...percebo também o porquê da minha amiga Merkel dizer que os portugueses trabalham pouco e gozam muitas férias. 
A pior coisa que me podem fazer, e já aqui o disse anteriormente, é serem injustos comigo. Porquê? Porque o chamado "sentido de justiça" é daquelas coisas que mais presente tenho. Quem me conhece bem também sabe que tenho variadíssimos defeitos. Dezenas deles. Bem sei e diariamente tenho trabalhado em duas frentes de ataque: ou no sentido de resolver os problemas ou no sentido de minimizar a  impactância nas relações que tenho com as pessoas com quem lido. Às vezes corre melhor, outras vezes nem por isso. Naquelas vezes em que as coisas não correm bem tento, de alguma forma, perceber qual a melhor forma de gerir a minha forma de estar ou agir com essa pessoa. Por outras palavras, avalio o "potencial" que determinado relacionamento tem, ou que poderá vir a ter para que eu cresça enquanto pessoa. Esse é e será sempre o meu objectivo final em relacionar-me com alguém. E só assim concebo apostar em algo. 
A mesma lógica de raciocínio se aplicará quando percebo que o tal "potencial" de um determinado relacionamento é nulo ou próximo disso. E pior. Quando percebo que as pessoas não conseguem (ou querem) perceber essa realidade. Aí a situação assume contornos diferentes e sinceramente, não tenho vocação para ensinar nada a ninguém. Já lá vai o tempo em que o fiz. Normalmente, e nestas situações concretas, acabo por me afastar e achar que é melhor que cada um siga a sua vida. Penso desta forma. E cada vez mais frequentemente reconheço que, infelizmente, as pessoas não valem o meu tempo. Ou por outra...não o merecem.

4 comentários:

Anónimo disse...

Não é expectável que se tenha poder de encaixe para a falta de respeito. Eu também não tenho, nem quero ter. Tive a oportunidade de te conhecer um pouco, sigo este teu Blog há bastante tempo e acho que tens mudado em muitos aspectos. Continuas a ser tu mas com um espírito mais aberto, mais tolerante...que bom João :)

MM

Anónimo disse...

Simplesmente... Lindo...

Sabes o q alguém me dizia há uns tempos...
Não podes mudar o mundo, as pessoas...cada um tem o seu feitio, maneira de ser...mas podes Tu mudar, aprendendo a lidar c isso...retirando só a parte boa das coisas, desvalorizando e valorizando...o tal "poder de encaixe".

Um dos meus lemas é:
Sorrir e fazer sorrir...
Bj

PAz

Anónimo disse...

Já pensas-te que tal como tu os outros também não são perfeitos? Já alguma vez pensas-te, que todos lutam diariamente para ser um pouco melhores, e que uns o conseguem melhor que outros. Todos somos diferentes, com qualidades e defeitos, no fundo é ai que está a “graça”.
Não é fácil, concordo, mas é assim. Talvez por isso tantos filósofos se tenham dedicado a este tema durante seculos, e continuem intemporais.
E como diria o falecido António Variações “A culpa é da vontade”.

Anónimo disse...

Cultivo igualmente o culto da pontualidade, sinto-me muito perturbada quando chegam atrasados. Procuro sempre organizar o tempo de forma a ser eu a esperar. Sinto que a falta de respeito pelos outros é notória no que rodeia o cumprimento de horários.

Beijoca
Cati