domingo, julho 28, 2013

Em pleno séc. XXI, ao meu lado e há uns dias atrás, estava eu parado num semáforo em Lisboa e uma senhora que viajava no "lugar do morto" de um carro que estava ao meu lado, calmamente abre a janela e despeja uns 5 lenços de papel para o chão. O semáforo entretanto "abriu" e esse carro arrancou. Confesso que fiquei sem reacção. E dei comigo a pensar nisto.
A senhora em causa tinha idade para ser minha mãe. Ou talvez avó. Não sei bem. E fiquei de tal forma incomodado com esta situação que fiquei a pensar na mesma nos dois dias seguintes. Afinal isto não acontece só com as crianças de tenra idade e/ou com as pessoas que pertencem a classes menos favorecidas - onde a educação teoricamente não será a mesma de alguém de uma classe "mais favorecida". Está aqui a prova e testemunhada por mim. Não me contaram. Vi eu.
Na actualidade aflige-me o facto das pessoas não sejam educadas. Portugal (especialmente nesta altura do ano e principalmente a capital da Nação e o Porto, já não falando das magníficas praias por esse Portugal fora) faz parte dos roteiros dos operadores turísticos por esse mundo fora. E nada pior como cartão de visita que um país sujo e mal organizado. Já há tantos outros aspectos em que a imagem de Portugal poderá ficar "beliscada" (a arrogância de algumas pessoas, a chica-espertice de outras, os charlatões, etc.)!!

domingo, julho 21, 2013

Desde há algum tempo a esta parte (falo de anos) que passei a reparar na forma como as pessoas lidam com o que não é delas. Quer por via de não terem incutidos certos valores morais / responsabilidade, quer por via de não serem pessoas preocupadas com alguns problemas actuais (temática do ambiente). Dois simples exemplos abaixo:

Negligência

Várias são as organizações que têm uma frota de automóveis (quer caracterizados, quer descaracterizados, quer pesados, quer ligeiros, etc.) conduzidos pelos seus funcionários. Contudo, nem todos esses funcionários serão zelosos e respeitarão aquilo que efectivamente não é "seu". Concretizando com um exemplo para melhor explicar o meu ponto de vista...
Imagine-se uma empresa familiar de transporte de passageiros. Uma frota de 4 autocarros pesados de passageiros. Nos tempos difíceis que correm, esta empresa consegue "manter-se à tona" e mal ou bem paga atempadamente os vencimentos dos seus 8 motoristas, 1 telefonista, 2 mecânicos e 3 sócios-gerentes (irmãos que decidiram abrir a empresa). Por negligência (i.e. alcóol no sangue aliado a um eventual excesso de velocidade) um dos autocarros que liga Lisboa a Faro despista-se e mata 50 passageiros ali na zona de Ourém. Não sobrevive ninguém e diz quem viu que o autocarro seguia muito acima da velocidade de 60 km/H permitida naquele troço. A notícia assume contornos dantescos quando é noticiado o encarceramento de vítimas, incêndio do autocarro após despiste e ainda de crianças que não foi possível socorrer por via dos meios de socorro não terem sido suficientemente rápidos a chegar ao local. Ou seja, 50 pessoas que morrem carbonizadas presas num autocarro.
Crianças, encarceramento, pedidos de ajuda e impotência dos presentes, incêndio após despiste. Os ingredientes para que a opinião pública "crucifique" de imediato (e com razão) o motorista deste autocarro. Acontece que o motorista também morre no acidente. Conhecendo-se as causas (alcóol + velocidade) a opinião pública vira-se então para a empresa, que sendo uma empresa idónea, gerida por pessoas idóneas, sérias, responsáveis, acaba por ver a sua reputação, verticalidade e valores morais/éticos para sempre manchada(s) por esta triste e grotesca infelicidade. E aposto que não sobrevive mais uma semana. Saldo final: 50 passageiros mortos (+ motorista) e 14 portugueses no desemprego. Tudo devido à irresponsabilidade e negligência de uma só pessoa.

Poupança de Energia

Há muitos, muitos anos que me preocupo com a questão energética. A minha preocupação com esta matéria passou a assumir uma relevância acrescida quando, numa cadeira da faculdade (impactes ambientais) os alunos eram convidados a discutir em sala alguns detalhes relacionados com grandes projectos (e.g. instalação de parques eólicos, construção civil de grande monta, etc.). 
Um dos aspectos, entre vários outros, era efectivamente o aspecto do consumo energético. Naquelas aulas, em sala,  éramos convidados a fazer uma regressão mental de todo o processo de produção de energia, desde o enchimento da barragem até ao ligar do interruptor para iluminar um quarto de nossa casa (quando o mesmo está perfeitamente iluminado com luz natural). Ninguém (e sou tentado a dizer que eu serei a excepção à regra) pensa nisto com regularidade. Ou por outra, se preferirem, ninguém anda às escuras a pensar que não vale a pena acender a luz. Mesmo quando está tão escuro que não se vê nada. E apenas se sente a "dolorosa" pancada com o "dedão" na madeira dos pés dos móveis. Mas isso é um pormenor...que por acaso já aqui dei conta num texto anterior...
Por outro lado, acredito que a preocupação relacionada com a poupança de energia não figure no "top 5" das prioridades da generalidade das pessoas. Por outras palavras, acredito que não integre sequer uma preocupação enquanto....alguém está no seu horário de trabalho. Embora passe a ser uma questão prioritária se pensarmos no domínio privado desse mesmo alguém, ou seja, a casa, o lar dessa pessoa. Confesso que este tipo de "separação de águas" me faz arrepiar os (poucos) pêlos que actualmente tenho no corpo. Não faz qualquer sentido. Dois pêsos, duas medidas. O pensamento usual é qualquer coisa do género de "não é nosso não vale a pena a preocupação". Não concordo. Em última análise haverá algures uma factura a pagar. Quanto maior fôr o custo dessa factura (que será a empresa a pagar em última análise) maior será a alocação de recursos financeiros para o conseguir. E se pensarmos que se trata de um custo variável (calculado em função de uma maior necessidade de energia (i.e. utilização desregrada dos aparelhos de ar condicionado ao longo do dia, o deixar luzes acesas das salas não ocupadas, etc.)) certamente que a factura energética no final do mês a factura reflectirá isso mesmo. Agora...outro aspecto que as pessoas não pensam é que o custo do fornecimento da electricidade é algo que uma empresa terá de suportar sempre. Ainda que o mesmo seja tão elevado e que premente a dispensa de um ou outro funcionário para fazer face a essa despesa extra. Mas isso ninguém pensa. E por uns pagam os outros...

Muitos exemplos podiam aqui ser dados. Mas estes dois "espelham" um pouco aquilo que penso sobre a forma como as pessoas lidam com o que não é delas. Seja por negligência - e aqui poder-se-á pensar numa questão de educação (leia-se valores culturais intrínsecos ao indíviduo e responsabilidade consequente) e seja pela cultura ocidental (leia-se despesista) em que vivemos.

domingo, julho 14, 2013

Nos últimos tempos já recebi dois e-mails do meu caríssimo e "muy nobre" amigo Director das Finanças. Eu vou já explicar o porquê desta simpatia.
Desde que tive conhecimento que as facturas referentes ao pagamento de serviços podem ser dedutíveis que passei a pedir sempre um comprovativo da transacção comercial (e nos domínios aplicáveis) naturalmente.
O que faço é simples...deixo acumular até Domingo as facturas dessa mesma semana. Refiro-me a facturas de refeições uma ou outra factura relativa a uma qualquer intervenção em qualquer um dos carros ou mesmo a factura referente a um corte de cabelo. Já se adivinha o que vem a seguir. Separo as facturas por código de actividade económica (CAE) e a partir daí é começo pacientemente a introduzi-las no site "e-factura" criado para este efeito. E insiro 30,40 ou até 50 facturas nesse Domingo. É
Acredito que esta "actividade" de inserção seja ímpar e seguramente notada pelo meu amigo Director das Finanças que sem qualquer dúvida deverá estar num Domingo de manhã, aí pelas 0900H a ver quem insere facturas no "site" dedicado. Das pessoas que conheço ninguém faz isto. Aliás, são raras as pessoas que pedem facturas aquando do pagamento de determinados serviços. Passei a pedir por uma questão de equidade. Se tenho de pagar à cabeça os meus impostos...faço com que o fornecedor de determinado serviço também seja obrigado a fazê-lo. É uma lógica simples. E se todos pedirmos a factura...a fuga ao fisco diminui. 

domingo, julho 07, 2013

Ser novo no trabalho...

Há alguns anos atrás, tendo eu iniciado há pouco tempo a minha actividade profissional (naturalmente inseguro), questionei um colega com quem trabalhava o que achava da minha prestação no trabalho. A já na altura mania do perfeccionismo fez com que impetuosamente colocasse esta questão um par de meses depois de ter começado este trabalho.
Naquela altura, e por necessidade dessa empresa, a minha qualificação técnica (engenheiro) fazia com que eu, após assistir à realização de determinado trabalho, o assinasse, embora nem sempre fosse o executante.
Essa imberbe insegurança custou-me caro. Ouvi aquilo que queria e aquilo que não queria. Para alguém recentemente entrado no mundo do trabalho considerei duro. Por outro lado, considerei lúdico e profiláctico. Porquê? Porque funcionou sem dúvida alguma como um "abre olhos" e mostrou-me que, por muito que pensemos que estamos a agir correcta e de forma profissional...pode não ser essa a imagem que as outras pessoas têm de nós. E naqueles primeiros meses em que alguém está a trabalhar numa empresa nova a sua prestação é naturalmente tida em conta por quem manda...
A questão que coloquei ao meu colega fez com que "desse o flanco". Para quem anda mais distraído(a), "dar o flanco" significa que se deixa de ter "ajudas" ou "protecção".  É necessário que se esteja devidamente preparado(a) para obter como resposta um elogio ou uma crítica que pode não ser necessariamente boa. Sim, poderá mesmo ser depreciativa. E isso poderá ferir a sensibilidade de algumas pessoas. As mais sensíveis. Há aquelas pessoas a quem nunca passaria pela cabeça questionar tal coisa, há outras pessoas que desvalorizariam de imediato qualquer resposta menos boa e ainda há aquelas que tentariam melhorar a sua prestação. Enveredei por este último caminho. E consegui, ao longo do tempo e com a práctica de alguns exercícios, melhorar em alguns aspectos.
Tomara que muitas pessoas tivessem a clareza de espírito de questionar os seus colegas sobre a forma como os vêem. Um bom amigo não é necessariamente um bom profissional. E o recíproco também é verdade. Por vezes, creio que há alguma cerimónia em apontar os defeitos aos amigos. Especialmente se são nossos colegas. Haverá sempre o receio de dizer algo que possa ser mal interpretado e que possa conduzir a um beliscão na relação. Sou completamente contrário a esta visão das coisas. E algo redutora. A dizer algo, que seja dito sempre de forma construtiva e com o claro objectivo de melhorar a prestação profissional desse(a) amigo(a). A amizade sairá mais fortalecida. E certamente agradecida.