domingo, setembro 01, 2013

Texto 2 de 3

Esta semana que termina foi encerrado um ciclo de episódios que uma estação televisiva privada transmitiu sobre um grupo de pilotos portugueses que rumou ao continente africano numa iniciativa de cariz humanitário.

Algumas considerações se me oferecem fazer:

1. Congratulo-me que exista este tipo de iniciativa levada a cabo por pilotos portugueses. Afinal trata-se do continente africano, francamente necessitado como se conhece e onde toda e qualquer ajuda é naturalmente necessária. O que já o que não entendo tão bem é o mediatismo em torno do mesmo. Dado pela estação privada - sendo todos os pilotos portugueses e integrantes da companhia aérea nacional. Será que foram consultados os canais televisivos públicos? Tenho as minhas dúvidas;

2. Não colocando em causa a importância do gesto altruísta que esta iniciativa tem associado, pessoalmente acho descabida a importância que a reportagem tivesse sido transmitida durante 5 dias. Trata-se de um (muy nobre) evento humanitário mas que tem réplicas à dimensão internacional na medida em que muitas outras organizações que não têm a verba que esta teve organizam eventos similares. Eventualmente organizações portuguesas (lembro-me por exemplo das paróquias). Ou seja, porque não publicita esta estação privada esses eventos? Ou outros eventos deste género? Fiquei a pensar nisto. Certamente que  haveria matéria para encher a grelha da estação televisiva durante os próximos meses. Ou anos;

3. Relativamente aos pilotos. Alguns são pilotos comandantes de longo curso, ou seja, auferem naturalmente uma quantia considerável ao final do mês. Acresce o facto de que são todos pilotos da companhia nacional. Da companhia de "bandeira" de Portugal. Essa mesma que é detida pelo Estado. Ou seja, a que tem os vencimentos dos pilotos (e todos os outros seus funcionários) pagos pelo Estado e que por analogia e simplicidade de raciocínio, pagos pelos contribuintes portugueses. Não me recordo de ter sido colocado a discussão pública se o contribuinte português via com bons olhos que 4 pilotos da companhia nacional estivessem envolvidos neste projecto. Ou então, por outro lado, não me recordo que no início do ciclo de episódios transmitidos, tivesse havido uma nota ou referência ao facto dos intervenientes terem aberto mão do seu vencimento (licença sem vencimento). Se é que houve;

4. Num dos últimos episódios transmitidos, um dos "câmaras" focou um dos braços do trem de aterragem de um dos aviões que fizeram este evento. Nenhum dos aviões era português (todos tinham matrícula estrangeira). Porque razão foram feitos "planos" de autocolantes fazendo referência à companhia aérea de "bandeira"? Não será publicitar a mesma e colocando as demais companhias aéreas em desvantagem em termos de imagem e publicidade gratuita em "prime hour"? 

Conclusão: Ainda que reconheça toda a importância deste evento humanitário ficam por esclarecer muitas questões. Quem pagou o aluguer dos aviões? Quem pagou as estadias, alimentação, combustível dos aviões? Quantas pessoas estiveram efectivamente envolvidas neste projecto? Pensei inicialmente que fossem apenas e só 4 pilotos. Afinal, num dos episódios vi mais de 20 pessoas, todos portugueses..Num dos episódios houve um dos motores de um dos aviões que teve um problema num dos motores que o obrigou a uma aterragem forçada. Só a partir daí se falou num mecânico que acompanhava este grupo. Porque razão se fala tanto nos pilotos e não se falou neste mecânico? Terá, porventura, uma importância menor? Não creio...

É de louvar este tipo de iniciativa...mas é importante reter que há perguntas que carecem de resposta. Por forma a que seja tudo claro e transparente. E não, não me parece que o dinheiro dos patrocinadores cobrisse tudo. Mas isso sou eu que penso..baseado na pouca informação veiculada.

1 comentário:

Anónimo disse...


Gosto do teu sentido critico e principalmente desta frase:

"É de louvar este tipo de iniciativa...mas é importante reter que há perguntas que carecem de resposta. Por forma a que seja tudo claro e transparente".
Bj

PAz