segunda-feira, outubro 28, 2013

Os erros dos outros

Tenho, como é sabido, centenas de defeitos. Até aqui sem novidade. Quem me segue neste espaço há já algum tempo sabe que repetidamente refiro essas várias limitações nos meus textos. É incontornável. O que me assiste fazer, relativamente a alguns, é tentar "burilar" os mesmos, por forma a que a sua influência não seja tão notória. Noutros, tento melhorar até não conseguir mais e com o firme objectivo de que o efeito dos mesmos também não seja tão evidente. Há um exercício em concreto que tenho vindo a praticar há já algum tempo e que tenho de melhorar pelo facto do caminho ser "muito longo". Aprender a lidar com os erros dos outros.
Importa neste ponto clarificar e para que não haja nenhum mal entendido que quando falo em lidar com os erros das outras pessoas refiro-me objectivamente a questões em que, de alguma forma sou parte interessada. Um bom exemplo é aquele que decorre de eu próprio ter explicado algo a alguém, repetidamente, ter validado no final a compreensão da mensagem e mais à frente constatar que a pessoa erra.
A explicação, na humilde leitura deste vosso escriba, é simples. É mais fácil alguém dizer que entendeu bem algo que foi explicado do que assumir que não entendeu  algo que até parece ser simples (normalmente até é para quem explica). Ciente dessa realidade não me consigo contentar com um simples "entendi sim". Valido uma, duas, três vezes. É importante garantir que a mensagem foi bem passada e entendida do outro lado. E usualmente solicito a quem expliquei algo que me explique o que entendeu. E afino nesse momento um ou outro pormenor. Até à exaustão. Tenho de confessar.
Não consigo entender como é que alguém, depois de algo explicado até à exaustão, erra por distracção. Não me parece que seja razoável. Afinal a pessoa não foi sincera quando me disse ter entendido!!
Mas há exemplos piores. Nos últimos dias tenho percebido situações com as quais muitos de nós nos deparamos no quotidiano (aqueles que andam na estrada) - os erros na estrada. E é conhecida a minha sensibilidade para esta matéria. Se já suo das costas quando alguém erra por distracção depois de ter explicado uma série de vezes, já nos erros comuns que vejo na estrada fico muito perto de entrar em colapso cardíaco. Por exemplo, todos os dias constato que há pessoas que entram nas estradas (cruzamentos) sem sequer parar e como se conduzissem o único carro da estrada. E não me refiro a anciãos que conduzem os carros como se conduzissem há 50 anos atrás (com 1/3 dos automóveis nas nossas estradas). O preocupante é que há pessoas bem novas que cometem erros muito graves na estrada. E que chegam a perigar a vida dos demais utentes da via!
É possível que valorize coisas que as outras pessoas desvalorizam. Também concebo que não desvalorize aspectos que as outras pessoas valorizam. O que sei é que tenho de tentar melhorar. E aceitar os outros como são. Com ou sem suor nas costas. Com ou sem buzinadelas.

domingo, outubro 27, 2013

Como sair de uma relação afectiva

Como já aqui repeti por diversas vezes neste blogue que o que aqui escrevo não é "Lei". Ou seja, baseia-se em experiências pessoais, vivências e algum tacto que fui adquirindo ao longo desta minha curta existência.
As relações afectivas são complexas. Muito complexas, acrescento eu. E quem disser o contrário mente. Ou vive num mosteiro/convento em Marte ou então ainda não descobriu o sexo oposto. 
Duas pessoas são necessariamente diferentes, na medida em que há formas de pensar diferentes e formas de estar na vida diferentes. Também já aqui partilhei a ideia de que, a relação afectiva acontece de forma tão mais suave assim haja ou tenha lugar uma adaptação ou molde das personalidades de ambos em modo contínuo. Até aqui parece-me tudo óbvio e natural. Contudo, e com o evoluir do tempo e/ou experimentação de situações novas, o casal passa a estar perante outro nível de questões que terá de resolver. Questões essas que, para uma das partes do casal serão de somenos importância enquanto que para a outra parte serão fracturantes. E só pode haver um resultado possível: por um lado ser atingida uma solução de consenso, trabalhada a dois ou, por outro lado, não sendo possível atingir esse solução consensual estar-se perante o "início do fim". Passo o pleonasmo. E será aqui, neste momento em que a experiência a dois chega ao fim que importa perceber alguns detalhes.
Uma relação afectiva é feita de momentos, de vivências e de experiências podendo em qualquer um dos casos ser positivas ou negativas. Em paralelo, os momentos podem ser avaliados individualmente ou enquanto casal. Creio que não oferece qualquer dificuldade a assumpção de que não serão os momentos bons vividos em casal que conduzem ao final de uma relação afectiva. Seria o mesmo que dizer que sabendo que beber 1,5 litros de água por dia  faz bem à saúde se deve passar a beber 0,5 litro de óleo para fritar batatas. Parafraseando o adágio popular: "Em equipa vencedora não se mexe" e no neste caso, se as coisas correm bem na relação para quê inventar? É deixar fluir naturalmente. Se até aqui é possível que haja um entendimento e tudo é líquido, o mesmo não acontece quando se avalia a forma como a relação a dois reage aos problemas naturais decorrentes da vida a dois. As naturais vicissitudes de uma vivência conjunta. E é aqui que quero chegar. Quando a relação pode terminar. Quando foram esgotadas todas as tentativas de fazer com que a mesma resultasse. Quando se debateu horas a fio a forma de dar a volta por cima e manter a relação. Sem êxito. E chega o "momento da balança".
O "momento da balança" não é mais do que aquele momento em que se pesam dois pratos: o prato dos momentos bons e o prato dos momentos maus da relação. Esse exercício deverá ser realizado da forma mais honesta e introspectiva possível. Porquê? Porque só assim será possível avaliar o quão exequível e/ou desejável é manter ou tentar retomar o caminho a dois. Se o prato da balança pender para o lado dos momentos menos bons, e não havendo alternativas que permitam repensar o modelo da relação, é então altura de parar para pensar. É um sinal de alarme que não pode nem tampouco deverá ser negligenciado. E neste momento será aconselhável um período de 1 a 2 dias para estrututar o pensamento e separar o que é bom e o que é mau e findo esse período partilhar as conclusões com alguém especial. É aqui que entra o(a) melhor amigo(a). Alguém que acompanha(ou) a relação toda (ou quase toda) e que terá uma visão global da mesma. Alguém que derivado da sua natural posição de isenção conseguirá com relativa facilidade ajuizar se valerá a pena apostar ou desistir da relação e seguir em frente.
Após esta partilha será aconselhável outro período de reflexão, agora com os "inputs" da tal pessoa a quem se reconhece legitimidade para poder aconselhar. E aí sim, com o trabalho individual complementado com um ponto de vista externo e válido, estão reunidas as condições para a decisão final - o sair conscientemente da relação afectiva.
Naturalmente que não será algo simples quanto o escrever esta frase no computador comodamente sentado à secretária. Bem sei que pode acontecer estar em causa anos de relação, filhos pequenos, contas para pagar e por aí adiante. Mas também sei que a felicidade só é atingida quando estamos em sintonia e equilíbrio connosco mesmos. Só assim é possível amadurecer. E seguir em frente.

domingo, outubro 20, 2013

Night Run 2013

Ontem foi ocasião da realização de mais uma prova de corrida. Desta feita a primeira corrida nocturna organizada na cidade de Lisboa. E como não podia deixar de ser tive de participar. Ou não andasse a preparar-me para este tipo de eventos há algum tempo.
Tenho de confessar que tinha a expectativa um pouco baixa. A última prova em que participei correu mal, com uma péssima organização, logística deficitária e não me deixou qualquer saudade. E assim...com aquela lembrança lá fui eu rumo ao Terreiro do Paço (ponto de partida e chegada da prova).
A prova começava às 2100H. Chegámos lá (eu e o João) por volta das 2055H na medida em que fomos de metro e a viagem demorou um pouco mais. O recinto já se encontrava à pinha. Muita gente a correr (exercícios de aquecimento), outras pessoas a alongar e diversas barracas que disponibilizavam águas, bebidas energéticas e outras coisas (não cheguei a ir ver o que distribuíam). Um pouco depois das 2100H foi dado o sinal da partida e começámos a correr pela cidade de Lisboa. À noite.
Não me recordo da última vez que estive na Baixa pombalina à noite. Já passei milhares de vezes à noite de carro...mas a pé não. E muito menos a correr. A prova estava bem organizada. Devidamente policiada e com artérias cortadas ao tráfego para a passagem do magote de atletas. Em toda a sua extensão foi notória e perceptível a  preocupação da organização com a segurança e hidratação (muita água). Outra coisa que me deixou agradavelmente surpreso foi o facto de haver imensos turistas que assistiam à passagem dos corredores. Alguns batiam palmas acompanhando as ovações e incentivos dos espectadores portugueses. Foi giro e serviu, naturalmente, de incentivo para os campeões (grupo no qual me incluo) foram correr ontem à noite. No final, uma sacola com duas peças de fruta e uma medalha. Uma pequena lembrança sem valor monetário mas com valor pessoal.
Esta prova (fiz a de 10 quilómetros) tem lugar após quase dois anos de treino regular de corrida. Emagreci e estou em fase de tonificação muscular (ginásio) como aqui já referi anteriormente. E curiosamente...a prova passou-se sem que tivesse dado por isso. O que significa que o meu nível de "endurance" e resistência aumentou substancialmente. Não estou com isto a querer dizer que fazia mais 10 quilómetros...mas estou a dizer que esta prova mostrou-me que o trabalho que tenho vindo a desenvolver está à vista e com excelentes resultados. Resultado final: posicionamento a meio da tabela e isto porque tive de acompanhar o João que não tem uma preparação física tão boa quanto a minha!

domingo, outubro 13, 2013

"Don Jon"

Há dois dias tive a infelicidade de ir ver o filme "Don Jon" que está presentemente em algumas telas do cinema. Vou tentar não me esquecer futuramente que os críticos de cinema são humanos e que como tal, passíveis de errar. Ou seja, não seguirei mais as opiniões dos críticos de cinema. Tenho de escrever isto 500 vezes numa folha de papel A3 para ter sempre presente quando estiver a escolher um filme.
A escolha deste filme foi feita um pouco atabalhoadamente o que  nem é habitual em mim. Tinha lido qualquer coisa sobre este filme no dia anterior e o facto de ser uma história sobre um ávido consumidor de pornografia deixou-me curioso. Curioso no sentido de perceber como iria quer o realizador quer o produtor do filme abordar esta temática tão sensível numa sociedade fechada como é a portuguesa. Não pelo facto de ser sobre o tema que era. Para isso não preciso de ir ao cinema.
A "fórmula" do filme em si não podia ter sido pior escolhida. Um actor com ar de "drogado que vai ao ginásio" veste o papel de personagem principal. O problema dele é o ser consumidor compulsivo de "porno" da internet" e não conseguir dissociar-se do prazer que retira da realidade virtual onde, segundo ele, terá sempre mais prazer que no mundo "real". Porque no mundo virtual tudo é perfeito, as mulheres têm as mamas perfeitas, os rabos perfeitos e onde não pedem carinhos após o "finalmente". E embora vá tendo os seus engates de discoteca, a quem mais tarde apresenta o seu "ninho do amor", invariavelmente tem de complementar esse envolvimento efémero com algo que vai buscar "online".
Em primeiro lugar, e mais uma vez, trata-se de um tipo de filme roça o ordinário. Não pelo tema que é explorado, repetindo-me. Não por ser sobre um tipo que se julga a "última coca-cola do deserto" e que tem um poder de sedução com o sexo oposto imbatível. Aliás, se virmos as duas personagens  que fazem de melhores amigos da personagem principal, rapidamente se percebe o porquê de ter tanto sucesso: um deles tem ar de ser tarado sexual e que não tem ido às reuniões (de tarados sexuais anónimos), tem cerca de 1,40m e pesa 300 kg.  O outro dá ares de ser acólito, é preto (aqui sem ser racista, mas há sempre um sacrificado nos filmes) e que faz o papel de "amigo-moralista" do "Don Jon". Dei comigo a pensar o quão interessante é pensar se a receita de bilheteira deste filme seria tão grande se fosse o preto a personagem principal do filme..mas adiante. Onde quero chegar é que mais uma vez há a subjugação da mulher à vontade do homem. Ainda que seja ficcionado, mais uma vez a mulher é usada em prol da saciação da necessidade do predador e depois é preterida por outra mulher. Talvez com uma côr de cabelo diferente. Ou com umas mamas maiores. Ou um rabo mais empinado. E isto resume, na óptica de quem escreve a história a forma de pensar masculina. 
Em segundo lugar e último lugar este filme alerta para outro tipo de consideração importante e que certamente será uma realidade bem conhecida pela generalidade dos homens: o consumismo de material "online". Falo dos e-mails que são trocados (E que no meu caso há muitos anos pedi a quem mos enviava para deixar de o fazer. Não só não acho piada como acho entediante. Sem piada.). E tudo isto será  visto como um complemento a uma relação afectiva (sexual) incompleta. Dá que pensar esta abordagem reflectida no filme. Quantos homens / mulheres o farão ainda que mantenham os seus relacionamentos "de pedra e cal"? Não será considerada traição? Dá que reflectir!

domingo, outubro 06, 2013

Em tempos escrevi neste espaço sobre um sentimento que tem o dom único de me irritar. De me tirar do sério. A inveja. A inveja é um sentimento perigoso que quando experimentado em demasia pode "desaguar" noutro tipo de sentimento como seja o desejar mal, desejar azar ou outras coisas piores. Nunca invejei nada de ninguém. E se os meus amigos(as) têm algo que os(as) satisfaz fico contente por eles(as).
Consequentemente, ao longo dos anos tenho tentado perceber o porquê das coisas e tenho vindo a realizar variadíssimos exercícios que me conduzem invariavelmente à mesma conclusão - aqueles que invejam foram aqueles(as) que em alguma altura das suas vidas quiseram ter algo e não tiveram (derivado de variadíssimas razões, naturalmente). E nunca conseguiram viver em paz com o que os(as) outros(as) conseguiam. A equação é simples. Mas a vida é feita de oportunidades. E se calhar alguns tiveram mais oportunidades que outros. Ou lutaram para as ter. Trabalharam para as ter. E como tal, e com toda a legitimidade, foram recompensados por isso. Resultado? Por vezes os sonhos foram tornados realidades mais facilmente. Parece-me líquido.
Um clássico exemplo que gosto de abordar é o que se passa comigo no trânsito. Naturalmente e escuso de referir que não acontece quando me passeio no "tractor" (ou tanque como carinhosamente gosto de chamar ao meu bichano com 2,10 metros de altura). Mas acontece quando estou com a minha delicada "princesa". Enquanto que no primeiro caso as regras do trânsito como que se alteram e subitamente passo a ter prioridade nas rotundas e cruzamentos, já no segundo caso as coisas são um pouco diferentes. A razão é simples: como é uma "princesa" lindíssima, faz com que os(as) outros(as) condutores(as) a queiram ter na sua posse para todo o sempre. Mas não podem. Temos imensa pena mas já tem dono. "Moi même". E como tal, não raro, sou obrigado a esperar mais de 5 minutos em cruzamentos porque ninguém me deixa entrar numa qualquer estrada principal. Um bom momento para continuar a bordar a água do "benfas" numa camisolinha gira que estou quase a terminar para o meu Afonso ou mesmo as famosíssimas botinhas em lã para o Paco que as irá usar neste rigoroso Inverno que está aí à porta. O mesmo sentimento de inveja experimentei várias vezes ao longo destes anos em que comprava alguma coisa nova e acidentalmente era vista por algum invejoso. E de um momento para o outro passava a ser o centro das atenções - algo que como se sabe abomino. Como se alguma vez tivesse de justificar perante alguém o dinheiro gasto.
Não foi fácil conseguir ultrapassar esta situação. Foram precisos alguns árduos anos até nunca matei ninguém, nunca andei no autocarro sem título de transporte válido (ok, aqui talvez não corresponda inteiramente à verdade), nunca atirei fisgadas aos gatos lá da rua (bom, aqui também não é totalmente verdade)...mas dá para entender o que quis dizer. O que interessa é que aplico o dinheiro como bem me apetece. Se é um (des)investimento certo ou não..só a mim diz respeito. E era bom que os condutores com quem me cruzo tivessem isso em consideração...ou irei ter tempo para fazer o enxoval do Afonso. Todo!