domingo, outubro 06, 2013

Em tempos escrevi neste espaço sobre um sentimento que tem o dom único de me irritar. De me tirar do sério. A inveja. A inveja é um sentimento perigoso que quando experimentado em demasia pode "desaguar" noutro tipo de sentimento como seja o desejar mal, desejar azar ou outras coisas piores. Nunca invejei nada de ninguém. E se os meus amigos(as) têm algo que os(as) satisfaz fico contente por eles(as).
Consequentemente, ao longo dos anos tenho tentado perceber o porquê das coisas e tenho vindo a realizar variadíssimos exercícios que me conduzem invariavelmente à mesma conclusão - aqueles que invejam foram aqueles(as) que em alguma altura das suas vidas quiseram ter algo e não tiveram (derivado de variadíssimas razões, naturalmente). E nunca conseguiram viver em paz com o que os(as) outros(as) conseguiam. A equação é simples. Mas a vida é feita de oportunidades. E se calhar alguns tiveram mais oportunidades que outros. Ou lutaram para as ter. Trabalharam para as ter. E como tal, e com toda a legitimidade, foram recompensados por isso. Resultado? Por vezes os sonhos foram tornados realidades mais facilmente. Parece-me líquido.
Um clássico exemplo que gosto de abordar é o que se passa comigo no trânsito. Naturalmente e escuso de referir que não acontece quando me passeio no "tractor" (ou tanque como carinhosamente gosto de chamar ao meu bichano com 2,10 metros de altura). Mas acontece quando estou com a minha delicada "princesa". Enquanto que no primeiro caso as regras do trânsito como que se alteram e subitamente passo a ter prioridade nas rotundas e cruzamentos, já no segundo caso as coisas são um pouco diferentes. A razão é simples: como é uma "princesa" lindíssima, faz com que os(as) outros(as) condutores(as) a queiram ter na sua posse para todo o sempre. Mas não podem. Temos imensa pena mas já tem dono. "Moi même". E como tal, não raro, sou obrigado a esperar mais de 5 minutos em cruzamentos porque ninguém me deixa entrar numa qualquer estrada principal. Um bom momento para continuar a bordar a água do "benfas" numa camisolinha gira que estou quase a terminar para o meu Afonso ou mesmo as famosíssimas botinhas em lã para o Paco que as irá usar neste rigoroso Inverno que está aí à porta. O mesmo sentimento de inveja experimentei várias vezes ao longo destes anos em que comprava alguma coisa nova e acidentalmente era vista por algum invejoso. E de um momento para o outro passava a ser o centro das atenções - algo que como se sabe abomino. Como se alguma vez tivesse de justificar perante alguém o dinheiro gasto.
Não foi fácil conseguir ultrapassar esta situação. Foram precisos alguns árduos anos até nunca matei ninguém, nunca andei no autocarro sem título de transporte válido (ok, aqui talvez não corresponda inteiramente à verdade), nunca atirei fisgadas aos gatos lá da rua (bom, aqui também não é totalmente verdade)...mas dá para entender o que quis dizer. O que interessa é que aplico o dinheiro como bem me apetece. Se é um (des)investimento certo ou não..só a mim diz respeito. E era bom que os condutores com quem me cruzo tivessem isso em consideração...ou irei ter tempo para fazer o enxoval do Afonso. Todo!

2 comentários:

Anónimo disse...

Inveja é uma de mtas palavras que não deviam existir no dicionário. Inveja traduz um sentimento mto pequenino que não consigo compreender.
"Nunca invejei nada de ninguém. E se os meus amigos tem algo que os satisfaz fico contente por eles." Subscrevo as tuas palavras.
Bj

PAz

Isabel Ortega disse...

Não te fazia assim tão prendado!!! Olha a sorte do Afonso e do Paco, embora ache que bordar a águia do “benfas” numa camisolinha não seja a melhor opção…mas gostos não se discutem!
Já o Paco de botinhas de lã…seria um cenário delicioso de se ver!
Bjss
IO