domingo, novembro 24, 2013

Manifestações Policiais

Começo por referir o meu mais profundo respeito pelas autoridades que fazem cumprir a Lei e zelam pela manutenção da ordem pública. Seja que autoridade fôr merece o meu respeito incondicional e o meu apreço. Mas há situações que não consigo compreender e/ou aceitar. Passo a explicar.
Já aqui manifestei a minha discordância contra alguns tipos de manifestações e/ou greves. Compreendo o facto de ser um direito consagrado na Constituição Portuguesa. Aceito e nada posso fazer em contrário. Mas há limites. E um deles, delicado por sinal, é aquele que surge quando tem lugar uma manifestação de polícias...controlada por outros polícias. E aqui há (houve) a possibilidade de que tenha sido aberto um precedente. Porquê?
A razão é simples. Quer de um lado, quer de outro, estão profissionais da polícia. Mas também podem estar amigos. Ou superiores hierárquicos e subordinados. E isso causou uma natural e lógica "bolha" de tensão entre ambos os lados. E essa "bolha rebenta" quando um grupo de polícias sobem a escadaria da Assembleia da República furando o cordão policial. Do que vi da comunicação social não percebi qualquer tipo de resistência do cordão de polícias à tal subida da escadaria depois de o cordão ter sido rompido ou ainda da distribuição de bastonada (ou jacto de água, como em 1989 no Terreiro do Paço numa manifestação também realizada/participada por polícias).
Quando os polícias nesta situação mais recente chegaram ao topo da escadaria pararam. O cordão dos colegas recuou como que a guardar com a vida as portas todas de acesso ao interior da Assembleia. Imagino que alguns deputados que votavam o Orçamento de Estado para 2014 - e estivessem nesse momento a ver imagens da televisão (invasão/subida da escadaria) - tenham começado a fazer alguns telefonemas de despedida para os familiares mais próximos ou tenham ficado subitamente com dor de barriga.
Há dois momentos que entendo serem preponderantes na análise deste evento. Em primeiro lugar o recuo do cordão sem oferecer resistência ao avanço dos manifestantes. Em segundo lugar os manifestantes que atingiram o topo da escadaria...nada fizeram, dirá o comum mortal. Do meu lado entendo que fizeram muito mais do que forçar a entrada na Assembleia. Demonstraram força, determinação e que têm os meios e as armas para o fazer quando (e se) quiserem. Donde, toda a avaliação do evento que possa ser realizada pelo MAI (Ministro da Administração Interna) é...relativa. Com todo o respeito que me merece tal pessoa.
Basicamente foi uma manifestação que ficou marcada pelo melhor (vinco de posição) e pelo pior (na medida em que abriu um precedente). Toda e qualquer manifestação que tenha lugar futuramente...se correr mal (i.e. carga policial) será comparada com esta. E era desnecessário que tal acontecesse.

domingo, novembro 17, 2013

O estojo

De há uns tempos para cá que mudei um pouco a minha forma de estar na vida. Adoptei uma postura mais descontraída. O "cinzentismo" da pasta deu lugar a uma prática mochila e as canetas presas no bolso interior dos casacos passaram a estar dentro de um estojo que transporto no interior da tal mochila. Simples e rápido.
Trata-se de um estojo simples que me foi oferecido numa acção de formação a que assisti ministrada por uma conhecida companhia de aviação. Nada de valioso.
Na passada Segunda-Feira, como de resto acontece semanalmente, teve lugar o "briefing" que dou aos Directores da minha empresa. Como sempre, tirei as coisas da minha mochila para preparar a apresentação semanal (com projector). E devo ter tirado o estojo nessa altura. Assim que terminei o "briefing" arrumei as coisas e fui à minha vida.
Mais tarde precisei do estojo e não o encontrei. A minha cabeça  anda ultimamente cansada e comecei, da melhor forma que consegui e me foi possível, a fazer uma retrospectiva de onde tinha estado. Claro que tive de recuar bem longe - à Sexta-Feira anterior - sem qualquer sucesso.
O que relato aconteceu na Segunda-Feira. Nesse mesmo dia cheguei a casa e revirei a mesma. Tudo. Qual furacão embravecido. Irrita-me perder as coisas. Irrita-me não controlar as coisas e ter-me fugido ao controlo a lembrança do local onde tinha deixado o estojo maldito. 
Vi em ambos os meus carros. Nada. Nem sinal do estojo. E passaram-se 2,3 dias sem sinal do mesmo. Nada.
O estojo em si não era nada de especial como já referi antes. Um estojo normal onde guardava de forma centralizada algumas coisas (e.g.: marcadores de cores diferentes para as minhas formações, um spray para limpeza dos óculos escuros, ecrans do iPad e telefones, uma pequena fita métrica para as minhas inspecções aos aviões, etc.) e uma caneta boa que tenho há alguns anos. E esta era a maior perda que mais me custava. Alguém encontrar o estojo e ficar com esta caneta. Mais que o custo dela...era o facto de ser a minha caneta preferida.
Outro aspecto que em preocupava um pouco é que me recordava bem era o ter fechado à chave o meu "bobby" da secretária - faço-o sempre. E era clara a imagem de ter guardado a chave no estojo. Donde, 3 dias sem abrir o dito "bobby". 
Na Quarta-Feira deixei de ser racional. Cheguei ao escritório e acto reflexo optei por ( e já com alguma impaciência, confesso) arrombar a gaveta. Pensei que por algum motivo a minha mente me tivesse pregado uma partida e o estojo estivesse lá dentro. Pois é... Para alguma coisa serve castigar este corpo 3 vezes por semana no ginásio, certo? E tive de interromper logo que comecei. Ía rasgando o metal da gaveta e não quis estragar aquilo. E assim se passou a Quarta-Feira. E comecei a lamentar a minha perda.
Na Quinta-Feira de manhã, após o duche matinal, rezei ao meu S. António. O clássico responso de S. António. E fui trabalhar. Por descargo de consciência enviei uma mensagem (e-mail) a uma colega para ver se encontrava o estojo no local onde me costumo sentar no "briefing" semanal. E comecei então a trabalhar. Por volta das 0900H (começo a trabalhar sempre antes das 0800H e foi quando enviei a mensagem) recebo um e-mail de volta a dizer que o estojo estava lá e que já tinha sido tudo providenciado para que o mesmo me fosse entregue. Saiu de cima de mim um pêso enorme e ganhei a semana. S. António fez a parte dele. Eu fiz a minha. E ontem fui à missa. Com o estojo já em casa e dentro da mochila!

Falta de Idoneidade

Há alguns traços de personalidade que me tiram do sério. Já aqui falei da pontualidade, frontalidade e hoje dissertarei um pouco sobre a falta de idoneidade (ou de verticalidade). Vendo bem as coisas todos os dias oiço ou experimento situações que atestam bem essa realidade.
Darei um pequeno exemplo entre centenas de outros que poderia ter escolhido. Há algum tempo que pretendo trocar de jipe. A razão é simples. Meti na cabeça (o que sugere algo próximo da obstinação) que devo partir para um projecto novo e como tal encetei a minha busca de um novo jipe nesse sentido.
A minha busca foi bem sucedida volvidos 2 ou 3 dias. Afinal também sou filho de Deus e aparentemente a sorte estaria do meu lado. A vida corria-me bem, pensei eu na altura. E contactei o anunciante/vendedor. Sabem quando se contacta alguém telefonicamente e esse alguém não mostra determinação e segurança do outro lado? Assim senti eu. O tipo não me pareceu uma pessoa muito segura. Acontece que eu queria mesmo o jipe e como tal avancei. E contrariando o meu 6º sentido.
Para conseguir "abraçar" este novo projecto tinha naturalmente de tratar de vender o meu actual jipe. Depois de algum tempo dedicado a pensar como o conseguir, percebi que o conseguiria vender dentro da minha família o que me concedeu alguma paz de espírito, segurança e força para continuar a apostar no outro negócio. E foi aqui que comecei a perceber que as minhas primeiras sensações ao telefone não estavam erradas e estava perante uma pessoa sem coluna vertebral e logicamente sem seriedade.
Resumindo a história...mais rapidamente se apanha a escorregadia enguia do que esta pobre alma penada. A minha sensibilidade mais uma vez funcionou e percebi que a determinação e sinceridade não abundavam por aqueles lados. Até que pura e simplesmente deixou de responder às minhas chamadas telefónicas. Embora tenha atendido as de uma boa e paciente Amiga que me ajudou nesta cruzada. E afinal foi alimentando a expectativa até se cansar.
Já se percebe que o negócio não se chegou a concretizar. Passado um dia o anúncio desapareceu. Questionei-me a razão pela qual o rastejante em causa não teve a clarividência e honestidade de dizer que o negócio não se ía realizar e protelou até não conseguir mais. De forma desonesta e evidenciando ser uma pessoa sem escrúpulos. Mas Deus viu tudo e será justo. A seu tempo.

domingo, novembro 10, 2013

A armadura

Comecei a ler um livro chamado "O Cavaleiro da Armadura Enferrujada", da Editorial Presença e do autor " Robert Fisher. Mais uma vez um livro que me foi recomendado. Não chega a 10,00€ e tem-se revelado uma surpresa agradabilíssima.
Ainda que seja um livro com menos de 100 páginas, e como tal perfeitamente passível de ser lido enquanto dou uma volta de meia hora com o Paco, ainda não o terminei. Não falta muito, mas têm-se metido várias coisas pelo meio o que me impossibilita de terminar de ler este livro que tanto me tem feito pensar. Mas passemos ao que interessa.
O livro aflora um assunto que todos conhecemos. Independentemente da idade, sexo e até quem sabe, do credo: as "armaduras". As armaduras que criamos ao longo da vida e que nos impossibilitam de experimentar sensações, vivências e até olhar (com olhos de ver) quem e o quê está  ali mesmo ao nosso lado. É de facto curioso. A forma como o livro aborda esta temática está bem pensada e consegue captar a atenção do leitor. Não me alongarei com detalhes porque estou certo que é um bom livro para se ter na biblioteca de qualquer casa e para se ir relendo de quando em quando. Aliás, como tantos outros como por exemplo o "Principezinho" do Saint-Exupéry. Já devo ter lido o livro deste aviador umas 1000 vezes. E ainda consigo descobrir coisas novas hoje em dia. E parece-me que este livro do cavaleiro que tenho agora em mãos segue pelo mesmo caminho. Sem dúvida alguma. Livros pequenos em tamanho mas grandes em profundidade da mensagem que passam.
Gosto dos livros que me fazem pensar. Que me fazem reflectir durante um dia inteiro sobre uma determinada passagem. Ou várias passagens. Gosto de começar a ler um parágrafo e saber como vai acabar, ou seja, estar de tal forma embrenhado na leitura e em sintonia com o(a) autor(a) que passa a estar patente como que um carácter vidente constante em todo o livro. De cumplicidade, se quiserem. Esse é o tipo de livro que me agrada. Aquele tipo de livro que me faz pensar que afinal não sou o único a pensar de determinada forma e/ou que só a mim me ocorrem questões específicas. Afinal há mais alguém - pelo menos mais uma (autor ou autora) que pensa de forma similar. Este livro é um excelente exemplo disso. A comprar.

domingo, novembro 03, 2013

A multa

Recebi a semana passada um "postal de Boas Festas" antecipado por parte da Guarda Nacional Republicana (GNR). Tinha acabado de chegar a casa depois de um dia de trabalho e ali estava o envelope da GNR em cima da minha secretária. 
Quando se recebe um envelope da GNR uma de duas situações pode acontecer: a) Ser engano ou b) Alguma coisa de mal fizémos. Assumindo que a probabilidade da opção a) suceder ser tão elevada quanto me sair mais logo o "Euromilhões" restava-me a opção b). E foi com algum nervosismo que, de forma atabalhoada abri o tal envelope (que carinhosamente chamo de postal de Boas Festas). Ou por outra, o pouco que restou do mesmo depois de ter tentado seguir o picotado e ter rasgado mais de metade do envelope.
E confirmou-se o pior. Multa por excesso de velocidade. A minha primeira (e espero que última) coima por excesso de velocidade. 
Passo a explicar para enquadrar quem me segue neste espaço. Aquando do meu regresso a Lisboa (vindo do Algarve no final das férias de Verão deste ano) abusei na velocidade. Lembro-me que devo ter feito toda (ou quase toda) a viagem na faixa da esquerda da autoestrada e a velocidades bem elevadas. Tenho carro para isso e pior, as velocidades elevadas não se percebem. No meio do infortúnio que é ter de pagar uma multa por excesso de velocidade, até estranhei ter sido detectado a uma velocidade consideravelmente mais baixa do que aquelas que foram atingidas durante o percurso...mas aceitei. "Paga e não bufa" reza o adágio popular. Confirmei que os meus dados pessoais estavam correctos, a data do registo do excesso de velocidade idem (correspondente ao meu regresso a Lisboa) e os dados da viatura também correspondiam à realidade. Cheguei a confirmar se o radar estava devidamente calibrado e se tinha o número do certificado de calibração. Mas os meus "amigos" da GNR sabem que há pessoas como eu e sim, estava lá toda essa informação. Confesso que ainda tive uma esperança (pequena) que houve algum engano em algum momento para que pudesse impugnar a coima. Mas não. Tudo correcto.
Efectuei de imediato o pagamento voluntário da coima. Porquê? Porque defendo a ideia de que se prevaricamos (conhecendo as regras do jogo e neste caso as regras do código da estrada) temos de ser sancionados por isso. Já tenho carta há muito tempo e já andei muitas vezes bem acima do limite legal permitido em algumas vias...e como tal, sempre arrisquei (conscientemente) que um dia pudesse acontecer isto. E aconteceu. Toda a gente pagasse atempadamente as suas dívidas para com o Estado e talvez Portugal não estivesse como está. Afinal é uma questão de verticalidade e de honestidade pessoal. Na minha opinião, claro. Só espero que o dinheiro seja bem aplicado pela Direcção Geral de Viação, entidade para quem transferi a quantia em causa. 
Os resultados estão à vista. Passei a ter mais cuidado com o pedal do lado direito (acelerador) desde a semana passada. Ser reincidente numa situação de excesso de velocidade poderá significar receber outro postal solicitando a entrega da carta de condução e sinceramente não é das coisas que mais me apetece. Passei a andar mais com o jipe, onde a velocidade máxima que consigo atingir em segurança e mesmo de 80 km/H. E dentro da cidade ando invariavelmente a 40 km/H. Já o fazia anteriormente...agora faço de forma mais consciente e justificada.