domingo, dezembro 29, 2013

Prova S. Silvestre 2013

É com orgulho que posso, aqui e agora, dar nota de ter participado ontem na prova "S. Silvestre 2013", patrocinada pelo "El Corte Inglés" (ECI). Eu e mais 7999 atletas provenientes dos mais variados pontos do nosso Pais. E do mundo, na medida em que ouvi outras línguas que não a nossa.
Esta prova culmina um ano de 2013 recheado de participações noutras provas do género. Igualmente sérias bem entendido, mas não com a grandiosidade e projecção mediática que a prova do "S. Silvestre" tem. Para aqueles que me lêem e acabaram de chegar ao Planeta Terra, a prova do  "S. Silvestre" está para as pessoas que correm como o Vaticano está para os católicos. Ou Meca estará para os muçulmanos.
Confesso que quando me iniciei na corrida há dois anos e pouco não ligava muito a este tipo de evento. Preocupava-me mais em controlar a respiração e não passar a ideia às outras pessoas que corriam no mesmo espaço físico que eu que ía morrer com falta de ar daí a dois minutos. Por outro lado, pensava eu, o que interessa, no final, é a prática desportiva e não tanto o mediatismo desta ou daquela prova em particular. Mas as coisas mudam. Como em tudo, de resto. E claro que ambicioso como sou só podia mesmo participar numa prova destas e validar o resultado do meu treino regular ao longo de todo este tempo.
Na Quinta-Feira passada fui ao "ECI" buscar os "kits" de participante. Refiro o plural porque era para ter corrido com 3 colegas (e amigos)..e acabei por ir correr sozinho. Desistiram. Dos fracos não reza a história, costuma apregoar o adágio popular. E é uma grande verdade. Eu inscrevi-me e fui. Sem desculpas. E sem mais comentários para quem se desculpa com o excesso de trabalho para a não prática do exercício físico. Adiante.
Creio que a prova deste ano registou um recorde histórico de inscrições. Só quem esteve lá poderá atestar o que significa a conjunção de palavras "mar de gente". Das mais variadas idades, sexos e raças. Poderia também dizer "credos" mas isso sugeriria que em algum momento da prova eu tivesse questionado algumas pessoas acerca das suas crenças religiosas! E claro está que não o fiz. Mas gosto deste tipo de pluralidade.
A prova esteve bem organizada justificando o porquê de ser uma das mais conhecidas (e importantes) dentro do género. As saídas dos atletas foram feitas por tempos. Significa isto que havia grupos de pessoas que se inscreveram na prova atestando que perfaziam a distância de 10 quilómetros abaixo do tempo de 40 minutos. Outros inscreveram-se como perfazendo a mesma distância acima dos 60 minutos. Inscrevi-me neste último grupo. Embora a nível de treino esteja a registar tempos significativamente inferiores...teria de evidenciar documentalmente isto aquando da minha inscrição. Porquê? Porque os grupos de pessoas que correm abaixo dos 60 minutos são grupos "rápidos" São pessoas que não estão ali a marcar passo e que têm um objectivo claramente definido - validar publicamente o seu tempo numa prova oficial. E arrependo-me um pouco de não ter feito a inscrição no grupo imediatamente antes daquele em que me inscrevi (acima dos 60 minutos). Ou seja, automaticamente fiquei integrado no grupo de....7000 pessoas. Partindo no final ou a meio deste grupo, nem sei bem,...foi muito complicado ultrapassar e furar os vários grupos de amigalhaços, coxos, pessoas que foram simplesmente ca-m-i-n-h-a-r....etc. Numa prova de corrida!! Mas como refiro acima a responsabilidade foi inteiramente minha. Devia ter pensado nisso e aprendido com a minha corrida anterior (ver meu texto num mês anterior - Night Run).
Como seria de esperar paciência é algo que não se tem quando se treina regularmente e se vai para uma prova destas tentar melhorar tempos. Comecei logo a passar-me logo ao fim de 200 metros após ter sido dada a partida. Não estava a conseguir ultrapassar ninguém e tive de começar a abrir caminho. A maior parte das vezes esgueirando-me entre as várias pessoas...e ao mesmo tempo que saltava (para não ser rasteirado pela passada do atleta que era ultrapassado). Até que cheguei a um ponto em que não conseguia mesmo passar. E tive de "dar um encostozito" a uma menina mais lenta que devia ter joanetes nos pés de tão lentinha era. Importa salientar que este "encostozito" acontece numa altura em que tenho cerca de 80 kg de massa muscular e estou em movimento (segundo as leis da física foi um encosto com quase o dobro do pêso). Claro que a menina deve ter momentaneamente pensado que tinha chegado ao espaço cósmico. Furibunda, o melhor que conseguiu foi fazer-me uma "festazita" nas costas...isto .porque me pulverizei na multidão aos saltos e em corrida. Com o meu gorro preto na cabeça.
O trajecto da prova em si foi muito próximo da última que fiz, no período nocturno, na mesma zona da cidade de Lisboa. Contudo, quase no final, e a subir a Avenida da Liberdade, os meus músculos traíram-me. É verdade. Acontece aos melhores. Quase, quase a chegar ao Marquês de Pombal, e depois de ter corrido quase 9 quilómetros sem parar (aos saltos e com arranques e travagens) tive de parar de correr. Perfiz a distância até ao Marquês a pé e já na rotunda retomei a corrida até à recta da meta sem parar.
Fico contente por ter terminado o ano de 2013 com esta prova exigente. Tirarei algumas conclusões que terei de ter presentes nos meus próximos treinos e porque normalmente corro em plano e nunca com a inclinação que experimentei ontem, na parte final da corrida e depois de ter corrido o que tinha corrido. Mais uma vitória pessoal!

domingo, dezembro 22, 2013

O Circo

Por ocasião da vinda do meu sobrinho a Lisboa consegui arranjar alguns bilhetes para o circo e qual família feliz lá fomos com o diabrete ver os palhaços.
Começo por dizer que o circo de hoje é diferente do circo da minha altura. Ou seja, estou velho. A última vez que fui ao circo deve ter sido há mais de 35 anos. Ou mais ainda. Também não interessa muito para a história. O "meu" circo tinha focas, ursos que se punham em pé e leões que rugiam ao som do chicote do treinador a cortar o ar. Tinha mágicos que desapareciam envoltos em fumaça (se calhar estou a confundir com algum espectáculo de vi na televisão do saudoso David Copperfield..mas também não interessa para o caso). Onde quero chegar é que há diferenças bem grandes entre estas duas épocas.
Ainda não consegui perceber muito bem o motivo pelo qual o Afonso ficou quase todo o espectáculo a olhar para o tecto. Só ele e Deus saberão o que viu lá. Da minha parte...achei que o que aconteceu ali (no chão, portanto) e à minha frente foi...no mínimo....entediante. Em bom rigor e infelizmente, é a mais pura das verdades. A dada altura - e não estivesse ali o pequeno Afonso - teria certamente "passado pelas brasas" como a maior das facilidades. Faz parte de qualquer evento onde tenha de ficar sentado por mais de 45 minutos. Regra geral...adormeço. É frequente.
Não sei muito bem para onde vamos. Um circo sem mágicos é como uma praia sem areia. Fica a faltar alguma coisa. E acredito que eu próprio tenha tomado mais atenção ao espectáculo que tinha lugar à frente dos meus olhos do que o pequeno Afonso. Sim, que continuava a olhar para o tecto.
Não podiam ter escolhido pior a apresentadora do circo. Uma matrona, aí com uns expressivos 2,0 metros de altura por 1 metro de largura e com uma tatuagem no peito. À distância que me encontrava não consegui perceber bem o que simbolizava. Mas não me parece que estivesse muito longe da "clássica" rosa encarnada. Que contrastava com o seu cabelo curto ruivo-fogo. Já não falando da voz que faria a voz do Pavarotti parecer um canário rouco.
Não tenho dúvida que os cães amestrados, as pombas brancas obedientes ou os 15 ginastas de Leste tenham feito a pequenada ficar calada e muitíssimo atenta e consequentemente bem comportada.
Moral da história: voltarei ao circo com o Afonso quando tiver 25 anos. Talvez aí já demonstre algum interesse pelo que se passa "cá em baixo" em vez de passar todas as duas horas a olhar para o vazio.

domingo, dezembro 15, 2013

Concursos Televisivos

Na medida em que os meus treinos terminam não raro após a hora do jantar são muitas as vezes que tenho a felicidade de assistir a alguns concursos televisivos. Destaco entre outros o "Quem quer ser milionário" e o "Hell´s Kitchen". E passo a explicar o porquê de ser mais provável eu mudar de sexo do que alguém me ver como concorrente em qualquer um destes programas de elevado interesse do público em geral.

"Quem quer ser milionário"

Trata-se de um concurso onde são testados exaustivamente os conhecimentos dos concorrentes em vários domínios. É actualmente apresentado pela minha querida amiga e muy estimada Manuela Moura Guedes que faz questão de o relembrar todas as noites, não vá alguém mais distraído esquecer-se. Acho-lhe tanta piada. Também é engraçado constatar que as primeiras perguntas endereçadas pela Nela ao concorrente...seriam respondidas pelo meu Afonso com uma perna às costas e assim já conseguisse o petiz falar: "Quais as cores que não estão na bandeira de Portugal" ou "Organize os graus académicos desde liceu até Doutoramento"...são dois bons exemplos de perguntas de "entrada"..para passar a mão no pêlo dos visados. É claro que a coisa se complica. E às vezes dou comigo a pensar que com o calor do estúdio e o avançar das perguntas seja frequente as camisas se irem colando às costas dos concorrentes. Posso avançar que até já coloquei um "reminder" na minha agenda para não me esquecer de enviar um sms à  Nela para rever o critério de selecção de algumas pessoas que lá vão responder às perguntas da minha amiga. Em alguns casos fico a pensar que saíram debaixo de uma rocha directamente para a cadeira onde são interrogados de tão asnos são a responder. Perguntas básicas e respostas dadas....completamente ao lado. Mas o modelo do concurso é esse mesmo. E é preciso respeitar o mesmo.

"Hell´s Kitchen"

Aqui a conversa já é outra. Para começar assumo sem qualquer pudor que não poderia lá ir pelo facto de ter um ódio de estimação com o "chef" Gordon. Porquê? Porque é um pedante arrogante. E mais. Pelo facto de ser reconhecido como alguém que faz um bom "Bacalhau à Braz" não lhe dá o direito de berrar com as pessoas e fazê-las ficar com dor de cabeça. É aqui que reside a minha impossibilidade clara e inequívoca de participar no programa. Ainda que mostrasse ao júri quão delicioso é o meu esparguete com gambas. Ou o meu bife grelhado. Entre outros pitéus que só eu sei confeccionar.
Quero acreditar que há neste programa / concurso uma grande dose de ficção. Ou seja, que as pessoas são maltratadas, mas que é algo "combinado" antes do episódio ser gravado. Se assim não fôr não compreendo como é que ninguém atirou com óleo a ferver para os olhos do "chef". Ou ainda não lhe atirou à tola com um pernil assado no forno com mel e ervas aromáticas! Mas não sendo ficcionado...espero ainda ver isso acontecer um dia. Basta aparecer lá alguém.....como eu!

domingo, dezembro 08, 2013

Certificados de Mérito

Tenho para amanhã uma cerimónia de entrega de certificados de mérito no final do dia. Fui nomeado duas vezes colaborador do mês (uma em 2012 e uma este mês de Dezembro) e como tal é um reconhecimento público por parte da empresa pelos bons serviços por mim prestados.
Nunca trabalhei em função de uma retribuição ou reconhecimento do meu trabalho. Entendo que devemos ser sempre profissionais e tentar em equipa trabalhar em prol do mesmo objectivo - o sucesso global. Costumo parafrasear muitas vezes que o único sítio onde o "sucesso" vem antes do "trabalho" é mesmo no dicionário. Nada se consegue sem o empenho pessoal, sem a dedicação e naturalmente tempo e consolidação de conhecimento (know how se quiserem). São os ingredientes essenciais para a fórmula que conduz ao tal sucesso.
Desde há muitos anos que a minha forma de trabalhar assenta na definição de objectivos diários/semanais/mensais e a constante avaliação da consecução dos mesmos permite redefinir possíveis ajustes em consequência de desvios que possam ter ocorrido. É certo que tudo isto obriga a um esforço bastante grande, a uma capacidade de organização (leia-se disciplina) e ainda a uma contínua monitorização de tudo o que acontece diariamente, mas é também a forma que escolhi para trabalhar e para garantir que nada se perde. Daí ter desenvolvido a rotina diária de adicionar (ou eliminar) tarefas nas páginas do caderno de notas do "ipad". Podia ter escolhido outra forma qualquer, mas aderi às novas tecnologias e dentro da minha limitadíssima utilização das mesmas não me tenho dado mal.
O mérito não será só meu. Será, em última análise, meu e de todas as pessoas com quem tenho o prazer e privilégio de trabalhar. Há dias melhores, dias piores, mas no fundo, não seria tornado possível ser reconhecido se não tivesse havido a contribuição de outros colegas. Um bem haja a todos e parabéns para mim.

domingo, dezembro 01, 2013

Ajudar a Estacionar

No outro dia reparei em algo que certamente já aconteceu reparar a muito boa gente que conduz. As ajudas no estacionamento. Se a memória não me trai já aqui dei nota de ser a única pessoa do mundo inteiro que consegue estacionar logo à primeira (e bem) para "o lado esquerdo". Ou seja, estacionar entre dois carros que estão do "meu lado" da rua ou lado esquerdo da via. Se porventura o lugar estiver situado do lado direito do carro a coisa raramente me corre de feição. E demoro algum tempo entre avanços e recuos até conseguir arrumar o carro. Até hoje, e com quase 20 anos de carta de condução, penso para comigo mesmo como consegui eu estacionar o carro da condução se não tivesse conhecido o truque dos autocolantes no vidro traseiro! E aqui chegamos às tais ajudas nas manobras de estacionamento.
Uma das ajudas ao estacionamento que frequentemente se vê por Lisboa é efectivamente a praga dos arrumadores ou "carochos" (como alguns amigos meus carinhosamente os denominam). Na sua maioria são toxicodependentes ou sem-abrigo que ganham bem mais que eu no final de um dia e não raro, estando naturalmente muito ocupados a arrumar um carro a quilómetros de distância...aparecem para receber a "renda" depois de eu já ter estacionado o carro sozinho...sabe Deus com que esforço. O que os "carochos" não sabem é que aquilo que me faz dar a moeda ou não...é simplesmente o carro que acabei de estacionar. Se estiver com o jipe não dou. Se estiver com a carrinha dou. Simples e "sem espinhas". Uma forma de exterminar esta praga seria licenciar os arrumadores. Como aliás aconteceu em algumas zonas do município do Porto.
Aquilo que quero partilhar é a outra forma de estacionamento e eventualmente mais antiga que o António Sala ou a Olga. Quando alguém que segue connosco de carro prontamente se voluntaria para ajudar no estacionamento. E no meu caso, quando tenho de estacionar para o "tal" lado direito, estar lá uma pessoa a ajudar ou estar um marco do correio...é a mesmíssima coisa. Não dá. Não funciona. Não resulta. Mas sim, assumo que possa dar algum jeito ter alguém a ajudar-nos. Mas vejamos com mais detalhe para ver se consigo explanar a minha tese.
Quando alguém sai do carro e se coloca feito "mono" no passeio, de mãos nos bolsos, a ajudar ao estacionamento não está a ajudar nada. Porquê? Simples. Porque quem está a conduzir está mais preocupado em não encurtar o tamanho do carro em consequência de se ter enfiado debaixo do carro da frente ou de ter galgado o carro estacionado atrás. Por outro lado, duvido que alguém com o frio que se tem feito sentir nos últimos dias vá querer abrir o vidro para ouvir as indicações para estacionar. Patetice. Claro que não abre! Donde, mais uma vez, a diferença entre estar ali alguém com a melhor das intenções a orientar o estacionamento ou estar um guarda-chuva é zero.
Moral da história: o melhor mesmo é ficar dentro do carro e não se voluntariar para ir ajudar no estacionamento ao frio. Nunca o faço. Ou quando o faço normalmente faço num tom de voz próximo da reza... E colar umas borrachas nos pára-choques dianteiro e traseiro para aqueles que estacionam "de ouvido".