domingo, janeiro 26, 2014

As Praxes

Como não podia deixar de ser irei opinar esta semana sobre aquela notícia que mais tinta tem feito correr nos últimos dias: as praxes académicas. Um assunto que creio já ter aqui desenvolvido em tempos.
Neste caso, e em concreto, fá-lo-ei por duas razões concretas: em primeiro lugar porque sou um ex-aluno da faculdade (uma das faculdades que frequentei) à qual pertenciam todos estes alunos e em segundo lugar porque tenho uma opinião concreta e objectiva sobre as praxes académicas.
Refiro acima que esta faculdade em causa foi uma das que frequentei. Não quero com isto dizer que frequentei em várias. Frequentei uma anterior e já chego a esta última com alguma idade e parcialmente grisalho. Julgo que terá sido este factor que me fez passar por "veterano" e como tal nunca me questionaram quantas matrículas tinha ou se era caloiro, donde, o fenómeno das praxes passou-me um pouco ao lado. Um pouco ou mesmo totalmente ao lado. Mas, e se por algum motivo o tivessem feito, a minha resposta teria sido invariavelmente uma: que certamente teria mais matrículas que o meu interlocutor(a) teria de idade. Talvez isto o(a) demovesse de continuar a colocar questões impertinentes, o(a) fizesse retratar à sua condição de imbecil e desaparecesse da minha frente. Aliás, em bom rigor (e este será um exercício que farei um dia destes, com tempo) creio que à altura teria mais matrículas que alguns veteranos que por lá cirandavam....
Mas nem sempre foi assim. Na faculdade anterior as coisas "seguiram outro guião". Um belo dia, aquando das inscrições nessa instituição´, ouvi um grupo a chamar-me. Podia naquele momento ter-me feito de surdo e continuar a andar em direcção à porta de saída (já me tinha inscrito e estava a ir-me embora para o carro). Mas pensei para comigo que raio de engenheiro seria eu futuramente se não fosse praxado. Teria naquela altura uns 19 anos. E mal parei, de costas para este grupo,...senti os passos rápidos, ansiosos e ávidos de sangue do mesmo a correr ao meu encontro. Eram uns 10. Fizeram-me uma roda. Perguntaram-me de que curso era...e eu respondi que era de engenharia mecânica. Fiquei a saber volvidos 2 segundos que qualquer estudante de engenharia mecânica (pelo menos naquela faculdade) tem de ostentar um visível "MEC" na testa. Um tipo mais pequeno que o meu Afonso e com 4 pêlos no buço escreveu "MEC" na minha testa. Orgulhosamente e com uma desmedida valentia por via de ter os restantes 9 amigos cobardolas com ele. Escusado será dizer que nesta altura eu estava já em avançada descompressão interior. Não gosto de muita gente à minha volta e muito menos com o propósito em causa - a ridicularização. E eis que surge, por parte daquele que me parecia ser o "mentor" daquele grupo, o seu primeiro erro. Daquele dia, claro: "Se és de mecânica tens de tirar a t-shirt". Naquela altura eu tinha uma condição física bastante razoável. Estava com o cabelo rapado e um corpo significativamente trabalhado. E é quando o cretino comete o segundo erro do seu dia. Agarrou-me o braço e com o outro tentou tirar-me a "t-shirt". Foi quando me saltou a mola. Analogamente ao que sucede quando um cão é mordido por outro. Qual cascavel consegui fintar o braço que me segurava e dei uma chapada com tanta força no braço do artista que quase consigo jurar que lhe vieram as lágrimas aos olhos. E sumariamente informei que a praxe tinha acabado naquele instante. Subitamente fiquei só eu e "o campeão". Os 9 demais colegas lembraram-se naquele momento que era melhor ir para as aulas que estavam a faltar. E o herói ficou ali a tentar argumentar que era tudo uma brincadeira e que não era preciso ter reagido assim. Este episódio valeu-me a alcunha de "rambo" durante os anos em que estive naquela faculdade.
Não sou contra as praxes académicas. Acho que fazem parte do percurso académico daqueles que chegam à faculdade. Sempre foi assim. Se concordo (e até acho piada) com as praxes que são realizadas em alguns locais (i.e. Coimbra) onde, por exemplo, são feitas serenatas às donzelas, já não acho tanta piada com as praxes em que a tónica está na ridicularização e humilhação dos caloiros. Alguns que nem têm ainda 18 anos. Até porque, sempre defendi esta tese, quem pratica a praxe com esse fito é de alguma forma frustrado e quer infligir nos caloiros o triplo do mal que sofreu na pele quando foi caloiro.
Para terminar, sou apologista de que, como em tudo, tem de haver uma responsabilização dos actos. Um nome. Ou mais que um nome. Alguém, que naquele momento, estava a coordenar a praxe. Tem sido falado um nome. Não sei se será só este. Se fôr, terá de, em local e momento próprio prestar contas do que aconteceu. Sim, porque nas praxes académicas também há um código de conduta e como tal, havia uma pessoa responsável (tipicamente um veterano) responsável pelo desenrolar dos acontecimentos naquele dia em concreto. E que com toda a certeza previu que a praxe se desenrolaria em condições de segurança.
Espero que este infeliz acontecimento sirva para que seja revisto e promova orientações para que as praxes futuras sejam realizadas com outro tipo de cuidados. E com outros objectivos que não os habituais.

domingo, janeiro 19, 2014

A Inundação

Sexta-Feira passada tive uma inundação no edifício onde trabalho. Sim, no dia em que o céu caiu. Acho que em todo o nosso Portugal.
Tinha acabado de chegar ao meu gabinete e estava a preparar as coisas para dar início a mais uma jornada de trabalho. À semelhança daquilo que sucede comigo, também uma colega minha "Sofia" (ucraniana) chega cedo ao trabalho. Quando refiro cedo, e para quem me conhece, refiro a qualquer coisa antes das 0800H. Cedo é que se começa o dia, um dos meus lemas de vida.
A dada altura a Sofia veio ter comigo e disse-me que com a chuva intensa que se fazia sentir lá fora tinha começado a chover "cá dentro". Fui ver. Era verdade. Estava a chover intensamente cá dentro. De imediato liguei ao meu Director solicitando autorização para desligar aquela secção onde vi a chuva a cair (no quadro eléctrico) e na medida em que havia água a cair junto a uma unidade de ar condicionado. E assim foi. Adeus ar condicionado para os mais friorentos.
Bom, a partir daqui foi um "Deus nos acuda". Iniciei uma vistoria imediata às salas dos meus outros colegas. Numa delas, um dos painéis do tecto tinha caído e quase que consegui ver a intensidade da chuva no exterior. Sozinho, naquele momento, esvaziei um gabinete tentando "salvar" parte eléctrica (i.e. computadores, impressoras, etc.), papelada que me pareceu importante e ainda mobiliário de escritório. Tive de o fazer em mais duas salas. Entretanto já tinha passado cerca de hora e meia e começaram a chegar colegas que me foram ajudando. Em conjunto conseguimos dar conta do recado e fizémos o melhor que conseguimos.
Não há muito mais a dizer sobre este assunto. Mais um episódio na história da minha vida. E o que valeu foi o facto de começar cedo o dia.

domingo, janeiro 12, 2014

Liberdade de Expressão

Este será um daqueles temas sensíveis. No passado já me chegou a valer uma reportagem numa publicação semanal num tema alusivo à minha posição sobre as greves. Quem me acompanha lembrar-se-á certamente de tal feito épico.
Como em tudo, há o bom e o mau no tema sobre a liberdade de expressão. Já o tenho dito aqui (e fora daqui) que o simples facto de poder exprimir livremente a minha opinião sobre determinados temas se deve, objectiva e particularmente à revolução dos cravos, ou mais conhecida como a revolução do 25 de Abril de 1974. Sem isso não seria possível tornar pública a minha opinião. Note-te, a título de exemplo, que um dos meios óptimos para a disseminação de artigos de opinião e mesmo pontos de partida para tendências ou correntes de pensamento é a "internet". Em alguns países mais conservadores é mesmo usual a restrição à utilização da mesma e mesmo a utilização de certas redes sociais como meios para divulgar informação.
Esta semana foi publicitada a necessidade de legislação específica sobre o exercício da prática jornalística. Mais uma vez, há bons exemplos e maus exemplos. Para mim, tenho que o mau jornalismo tem a capacidade de transformar alguém de "bestial a besta" em menos tempo do que leva um fósforo a arder. Sustentando a minha tese que há meios de comunicação perigosos (assim não haja qualquer tipo de controlo na informação veiculada), estão criadas as condições óptimas para que um simples boato assuma proporções desmesuradamente grandes e consiga denegrir o bom nome de alguém.
Bom, mas assim voltamos ao tempo do "lápis azul" (censura), dirão alguns. Não necessariamente. Até porque da mesma forma que há o mau jornalismo há também o bom jornalismo. Pessoalmente, considero bom jornalismo aquele que traz à luz do dia assuntos que se ouve falar uma vez e depois não se ouve falar mais. Chama-se a isto jornalismo de investigação. De pôr o dedo na ferida. De contactar pessoas que falam para a câmara com imagem desfocada e voz distorcida. Este, meus amigos e amigas, é sem dúvida o jornalismo sério, de coragem e aquele que importa. É para este tipo de jornalismo que não faz sentido falar em escutas telefónicas ou violação do segredo deontológico do profissional que exerce a sua actividade em prol da produção de um artigo com informação útil para a sociedade. Será esta classe de jornalistas que acabo de referir que efectivamente (e com toda a legitimidade) se insurge com os últimos desenvolvimentos propostos no quadro legislativo. Para a classe de jornalistas que não tem qualquer tipo de decoro ou respeito pela carteira que possuir (e restante classe), creio que será igual ao litro. Indiferente. O problema é que este é o grupo mais representativo. E aquele cujas notícias "vendem" .

quinta-feira, janeiro 09, 2014

Impunidade

Já perdi a conta dos inúmeros textos em que falei acerca do tema "impunidade". Entre milhões de exemplos que aqui poderia elencar agora, ocorre-me, por simpatia e facilitismo, o caso de um ex-governante e que actualmente tem um espaço de opinião num dos canais televisivos. São públicas várias questões que pecam por não ser transparentes ou perceptíveis ao comum dos mortais relativamente a este digníssimo. E para mim, exactamente por ser "mortal", nunca compreenderei o porquê do sentimento presente de impunidade para determinados prevaricadores. E deste em particular.
Há uns tempos atrás houve um membro de um governo de um qualquer país nórdico que foi acusado de plágio. A sua primeira reacção foi colocar o seu lugar à disposição até que a verdade fosse apurada. Cá em Portugal sucede o contrário. E passo a explicar. São tornados públicos verdadeiras vergonhas e atropelos à legislação e Constituição Portuguesa e nada acontece. Deixa-se andar. Até ao esquecimento ou prescrição. Já por diversas vezes manifestei publicamente a minha profunda descrença no actual sistema judicial português que peca por defender os mais fortes e sacrificar os mais fracos, quando a realidade devia ser outra. Mas não é. Costuma dizer o povo que quem é rico arranja forma de pagar a alguém para ajudar a procurar os "meandros" da lei e fugir aos impostos. Quem é pobre não terá esta facilidade. E acabará por pagar sempre a factura no final. E com tendência a um agravamento da mesma porque se o Estado deixa de ter um "encaixe" esperado decorrente da aplicação dos impostos...alguém terá de pagar, em algum momento, muito mais.
Mais uma vez, parafraseando o povo, Portugal é um País de brandos costumes. Com o passar dos anos, e infelizmente, sou obrigado a concordar. Veja-se o casos dos últimos escândalos que fizeram manchetes em todos os jornais portugueses. O que aconteceu aos principais arguidos? Estiveram "dentro" algum tempo e depois saem para um regime de prisão domiciliária com pulseira electrónica. É portanto esta a resposta da nossa justiça a alguém que "torrou" milhões de euros que não eram seus, que matou pessoa e tantos outros casos de flagrante imoralidade e vergonha. E outros exemplos que nunca serão conhecidos.
Há um par de meses recebi uma notificação de pagamento de uma multa por excesso de velocidade. Não tugi nem mugi. Paguei logo. Os dados eram todos coincidentes e facilmente me "colocaram" naquele dia, aquela hora, naquele local. O que 90% dos portugueses faz é tentar adiar. E escreve uma carta para alguém dizendo que trabalha e que precisa da carta de condução. Acho delicioso. Então quando o radar detectou alguém em velocidade excessiva, num Domingo (por exemplo), essa pessoa estaria naquele preciso momento, desempregado(a)? Dizia-me alguém há umas semanas que pelo facto de eu ter pago voluntariamente a multa, assumi a culpa. Questiono-me qual é a lógica de este pensamento tão....peregrino. Prevarico, pago. Assumo com toda a naturalidade a culpa de ter infringido o limite de velocidade máxima permitido naquele local. E então? Não devo dinheiro a ninguém e muito menos sou ou alguma vez fui caloteiro. Por ter infringido o Código da Estrada (CE), eu, que sou "pobre", entendi pagar o devido montante associado à infracção. Ninguém me obrigou, mas paguei voluntariamente. Cerca de 45 minutos depois de ter aberto a notificação e a ter interiorizado o seu conteúdo. Gostava de saber, é um exercício que tenho para mim como importante, quantas pessoas o fariam. Assim, tal e qual eu fiz. E mais interessante ainda será perceber quantas pessoas recebem multas de estacionamento (e não pagam) e impugnam até não conseguirem mais as multas de velocidade. Ou identificam como condutores...a avó ou avô. Que têm carta de condução válida e que estão...num lar de idosos. Mais uma vez a impunidade. E quantas mais centenas de casos podia aqui avançar como excelentes exemplos do que por cá se passa...

domingo, janeiro 05, 2014

Ano Novo

Votos de Bom Ano de 2014

Em primeiro lugar quero felicitar todos(as) os meus(minhas) leitores(as) pelo novo ano que agora entra. Que 2014 traga tudo de bom, especialmente muita saúde e dinheiro. Sem saúde o dinheiro não serve de muito.
Em segundo lugar, os meus mais sinceros votos para que, no campo profissional, tudo melhore. Quer ao nível da remuneração para aqueles que estão no activo (e agora que se fala numa aparente retoma económica), quer ao nível da oferta de mais postos de trabalho possibilitando aqueles que estão no desemprego há muito tempo que ganhem novo alento em 2014.
Em terceiro e último lugar, o amor. Que este ano seja uma referência em termos de consolidação do que já se sente por alguém e que seja também um ponto de partida para aqueles que nada sentem e que querem sentir. E quero acreditar que o ano que agora tem início vai ser um ano rico em boas novidades.

Gripe

É verdade. Comecei o ano com o pé esquerdo. É a segunda vez que este maldito vírus me apanha desprevenido num tão curto espaço de tempo.  E desta vez conseguiu levar a melhor porque me "atirou ao tapete" durante um dia inteiro...arrepios de frio, dores na cabeça e corpo, dores de garganta, fizeram com que não me conseguisse levantar e ir trabalhar. Ou treinar, naturalmente. Creio que não errarei muito ao avançar a informação de que esta será uma estirpe do vírus diferente e mais resistente. Senão vejamos: eu que faço desporto regularmente terei, à partida, um sistema imunitário mais forte que uma pessoa que não tem uma prática de desporto tão regular, certo? E a virulência do bicho tem mesmo de ser elevada para me ter deixado/deixar derreado. Mas estou a tratar dele... Quem me vai conhecendo percebe as implicações que isso tem para mim, em termos de disciplina e cumprimento de objectivos. Contudo, há uma novidade. Consigo ler tudo isto de outra forma (e que não conseguia ler ou perceber até agora e que é lógico para qualquer pessoa com 2 dedos de testa): É simples. Se eu estiver recuperado e a 100%, mais rapidamente poderei retomar o trabalho e os meus tão queridos e necessários treinos. Confesso que demorei algum tempo a chegar a este ponto e a contornar a questão da disciplina e treino, mas é a realidade. Na questão do trabalho, graças a Deus tenho bons colegas que conseguem fazer as minhas vezes. No treino, tudo se recupera. Com afinco e determinação. E perseverança. Características que não me faltam. Depois, também me é fácil de compreender que uma gripe mal curada tem dois potenciais perigos: a) Para mim mesmo, porque poderá dar origem a outro tipo de maleita mais severa e complicada de resolver (e.g. pneumonia) e b) Contágio dos meus colegas o que significa, só por si, diminuição da produtividade. E como diz o povo "Com a saúde não se brinca". E desta vez não posso mesmo brincar. E só sairei de casa quando estiver a 100%

Eusébio

Não sendo um entusiasta do futebol é com alguma tristeza que vejo partir aquele que foi, considerado por muitos, o melhor jogador de futebol português de todos os tempos. Calhou ser do Benfica, mas podia ter sido de outro clube qualquer. Segundo sei, a sua história não foi diferente de muitos outros jogadores de futebol daquela altura. Alguns tinham sucesso. Outros não. O Eusébio teve. E muito. Numa altura do pós-guerra em que a Alemanha, Reino Unido, França e Itália tinham jogadores do mais alto nível, Portugal mostrou que não ficava atrás por via de ter um jogador importantíssimo - Eusébio. E o Benfica teve dos seus melhores anos. De sempre. Mais um ciclo de vida que se fecha. Paz à sua alma.