quinta-feira, janeiro 09, 2014

Impunidade

Já perdi a conta dos inúmeros textos em que falei acerca do tema "impunidade". Entre milhões de exemplos que aqui poderia elencar agora, ocorre-me, por simpatia e facilitismo, o caso de um ex-governante e que actualmente tem um espaço de opinião num dos canais televisivos. São públicas várias questões que pecam por não ser transparentes ou perceptíveis ao comum dos mortais relativamente a este digníssimo. E para mim, exactamente por ser "mortal", nunca compreenderei o porquê do sentimento presente de impunidade para determinados prevaricadores. E deste em particular.
Há uns tempos atrás houve um membro de um governo de um qualquer país nórdico que foi acusado de plágio. A sua primeira reacção foi colocar o seu lugar à disposição até que a verdade fosse apurada. Cá em Portugal sucede o contrário. E passo a explicar. São tornados públicos verdadeiras vergonhas e atropelos à legislação e Constituição Portuguesa e nada acontece. Deixa-se andar. Até ao esquecimento ou prescrição. Já por diversas vezes manifestei publicamente a minha profunda descrença no actual sistema judicial português que peca por defender os mais fortes e sacrificar os mais fracos, quando a realidade devia ser outra. Mas não é. Costuma dizer o povo que quem é rico arranja forma de pagar a alguém para ajudar a procurar os "meandros" da lei e fugir aos impostos. Quem é pobre não terá esta facilidade. E acabará por pagar sempre a factura no final. E com tendência a um agravamento da mesma porque se o Estado deixa de ter um "encaixe" esperado decorrente da aplicação dos impostos...alguém terá de pagar, em algum momento, muito mais.
Mais uma vez, parafraseando o povo, Portugal é um País de brandos costumes. Com o passar dos anos, e infelizmente, sou obrigado a concordar. Veja-se o casos dos últimos escândalos que fizeram manchetes em todos os jornais portugueses. O que aconteceu aos principais arguidos? Estiveram "dentro" algum tempo e depois saem para um regime de prisão domiciliária com pulseira electrónica. É portanto esta a resposta da nossa justiça a alguém que "torrou" milhões de euros que não eram seus, que matou pessoa e tantos outros casos de flagrante imoralidade e vergonha. E outros exemplos que nunca serão conhecidos.
Há um par de meses recebi uma notificação de pagamento de uma multa por excesso de velocidade. Não tugi nem mugi. Paguei logo. Os dados eram todos coincidentes e facilmente me "colocaram" naquele dia, aquela hora, naquele local. O que 90% dos portugueses faz é tentar adiar. E escreve uma carta para alguém dizendo que trabalha e que precisa da carta de condução. Acho delicioso. Então quando o radar detectou alguém em velocidade excessiva, num Domingo (por exemplo), essa pessoa estaria naquele preciso momento, desempregado(a)? Dizia-me alguém há umas semanas que pelo facto de eu ter pago voluntariamente a multa, assumi a culpa. Questiono-me qual é a lógica de este pensamento tão....peregrino. Prevarico, pago. Assumo com toda a naturalidade a culpa de ter infringido o limite de velocidade máxima permitido naquele local. E então? Não devo dinheiro a ninguém e muito menos sou ou alguma vez fui caloteiro. Por ter infringido o Código da Estrada (CE), eu, que sou "pobre", entendi pagar o devido montante associado à infracção. Ninguém me obrigou, mas paguei voluntariamente. Cerca de 45 minutos depois de ter aberto a notificação e a ter interiorizado o seu conteúdo. Gostava de saber, é um exercício que tenho para mim como importante, quantas pessoas o fariam. Assim, tal e qual eu fiz. E mais interessante ainda será perceber quantas pessoas recebem multas de estacionamento (e não pagam) e impugnam até não conseguirem mais as multas de velocidade. Ou identificam como condutores...a avó ou avô. Que têm carta de condução válida e que estão...num lar de idosos. Mais uma vez a impunidade. E quantas mais centenas de casos podia aqui avançar como excelentes exemplos do que por cá se passa...

1 comentário:

Anónimo disse...

Impunidade...um tema que dava horas de conversa, mas sempre com a mesma conclusão...os "pequenos" e os "pobres" cumprem o seu dever com dignidade...os "ricos" e os "grandes" protegem-se uns aos outros e nada lhes acontece.
Vejamos o exemplo que citas, o nosso ex-governante, fez o que fez e ainda tem direito a tempo de antena num dos canais televisivos...é como dizer...porta-se mal e ainda é premiado...
Bj

PAz