domingo, janeiro 12, 2014

Liberdade de Expressão

Este será um daqueles temas sensíveis. No passado já me chegou a valer uma reportagem numa publicação semanal num tema alusivo à minha posição sobre as greves. Quem me acompanha lembrar-se-á certamente de tal feito épico.
Como em tudo, há o bom e o mau no tema sobre a liberdade de expressão. Já o tenho dito aqui (e fora daqui) que o simples facto de poder exprimir livremente a minha opinião sobre determinados temas se deve, objectiva e particularmente à revolução dos cravos, ou mais conhecida como a revolução do 25 de Abril de 1974. Sem isso não seria possível tornar pública a minha opinião. Note-te, a título de exemplo, que um dos meios óptimos para a disseminação de artigos de opinião e mesmo pontos de partida para tendências ou correntes de pensamento é a "internet". Em alguns países mais conservadores é mesmo usual a restrição à utilização da mesma e mesmo a utilização de certas redes sociais como meios para divulgar informação.
Esta semana foi publicitada a necessidade de legislação específica sobre o exercício da prática jornalística. Mais uma vez, há bons exemplos e maus exemplos. Para mim, tenho que o mau jornalismo tem a capacidade de transformar alguém de "bestial a besta" em menos tempo do que leva um fósforo a arder. Sustentando a minha tese que há meios de comunicação perigosos (assim não haja qualquer tipo de controlo na informação veiculada), estão criadas as condições óptimas para que um simples boato assuma proporções desmesuradamente grandes e consiga denegrir o bom nome de alguém.
Bom, mas assim voltamos ao tempo do "lápis azul" (censura), dirão alguns. Não necessariamente. Até porque da mesma forma que há o mau jornalismo há também o bom jornalismo. Pessoalmente, considero bom jornalismo aquele que traz à luz do dia assuntos que se ouve falar uma vez e depois não se ouve falar mais. Chama-se a isto jornalismo de investigação. De pôr o dedo na ferida. De contactar pessoas que falam para a câmara com imagem desfocada e voz distorcida. Este, meus amigos e amigas, é sem dúvida o jornalismo sério, de coragem e aquele que importa. É para este tipo de jornalismo que não faz sentido falar em escutas telefónicas ou violação do segredo deontológico do profissional que exerce a sua actividade em prol da produção de um artigo com informação útil para a sociedade. Será esta classe de jornalistas que acabo de referir que efectivamente (e com toda a legitimidade) se insurge com os últimos desenvolvimentos propostos no quadro legislativo. Para a classe de jornalistas que não tem qualquer tipo de decoro ou respeito pela carteira que possuir (e restante classe), creio que será igual ao litro. Indiferente. O problema é que este é o grupo mais representativo. E aquele cujas notícias "vendem" .

2 comentários:

Anónimo disse...

João,
Escrever bem é um dom. Acho que não se consegue aprender a amar as palavras e a traduzir pensamentos. É um talento natural que nem todos tem. Tu tens esse talento. Tens o dom de passar para o papel, neste caso, para os teus textos, as tuas ideias e sentimentos, mas mais do que isso inspiras os teus leitores. Especialmente nos temas mais sensíveis, onde claramente tens uma opinião ou posição a transmitir.
Continua a escrever. Continua a deliciar os teus leitores. Incentivo-te a escrever mais, a aventurar-te no mundo da escrita, quem sabe talvez um romance... não deixes esse teu potencial por explorar.
Um beijo,
Loba

Anónimo disse...

Liberdade de Expressão…bom e mau jornalismo…
Não sei se porque com o passar do tempo a exigência é cada vez maior e vejo as coisas com outros olhos, se com o aumento do número de profissionais, alguns (muitos) se veem “obrigados” a usar todas as suas armas para serem reconhecidos e vale tudo, ou se pelo aumento de meios de comunicação…
O que sei é que nunca houve tantas informações duvidosas, os títulos dos nossos jornais e revistas nunca foram tão pouco credíveis, os nossos “telejornais” nunca tiveram uma duração tão extensa e tão repetida, ouvimos a mesma notícia no jornal da tarde, no jornal da noite e com um pouco de sorte no dia seguinte ainda se fala do mesmo assunto. Muitas vezes fala-se de assuntos nos “telejornais” que são tão pouco interessantes que só deveriam ser divulgados nas revistas cor-de-rosa e mesmo aí, sei lá.
E depois é isso mesmo…um simples boato e o “bestial passa a besta “ num piscar de olhos.
Resta-me saber que, apesar de tudo, e como em todas as áreas ainda há bons profissionais, que fazem boas notícias e boas reportagens.
Bj

PAz