domingo, fevereiro 23, 2014

A Baixa lisboeta num Sábado à tarde

Decidi ontem aceitar o convite para um café do meu grande amigo Rui e fui ter com ele à baixa lisboeta. Se bem se recordam, a última vez que estive na baixa foi aquando da realização da importantíssima prova de corrida (S. Silvestre) realizada em Dezembro de 2013. E revi agora algumas zonas por onde passei há 3 meses...a correr.
Importa referir, em primeiro lugar, que fui para a baixa com a minha carrinha. Ir para a baixa com a mesma e circular por lá com ela, naquelas "ruas-estreitas-e-cujo-sentido-de-circulação-foi-alterado-sem-que-alguém-fosse-avisado" é o mesmo que...aterrar com um avião de passageiros no estádio da Luz. Não é impossível...nada é impossível. Mas é complexo. E acreditem é muito complexo andar com um carro que tem mais de 5 metros pelas ruas da baixa lisboeta. Mas segui o conselho do Rui que me tinha dito que havia imensos lugares à porta do local de encontro. Na imaginação dele havia. Mas só mesmo na imaginação.
Depois de quase 20 minutos à procura de lugar lá "caiu a ficha" e lembrei-me de ir estacionar o carro no Parque do Largo Camões, ali perto do Chiado. Enquanto me dirigia para o piso "-4" (não havia lugares nos pisos superiores) dei comigo a pensar que tipo de viaturas terão os arquitectos e engenheiros que projectam estes edifícios. Eventualmente "Smarts". Ou mesmo bicicletas. Os acessos aos pisos inferiores são tão estreitos que nem sei como não raspei os pára-choques em todos eles. Adiante. Lá estacionei a carrinha, já a suar em bica e a dizer mal das mães dos projectistas daquele estacionamento da baixa...
Passear na baixa lisboeta num Sábado à tarde é das experiências que mais prazer me dá na vida. As várias cores que é possível ver. Os "homens-estátua" ou a britânica que usualmente imita a Janis Joplin ali perto da tão famosa e secular "Brasileira". Os magotes de turistas que se misturam com o cinzentismo característico do elevador de Santa Justa. As vários poses de turistas próximo de locais emblemáticos desta zona da cidade (e a imediata partilha das fotos nas redes sociais hoje tornada possível com as novas tecnologias) diverte-me e traz-me à memória o longínquo cheiro característico do liquido revelador das fotografias que existia nas câmaras escuras do antigamente. E que curiosamente "colo" ou associo também este cheiro também à "minha baixa", local da cidade onde sempre fui desde que me conheço enquanto 10 réis de gente.
Bom, o café com o Rui correu bem e passados 45 minutos já estava de volta ao estacionamento. Para subir os 4 pisos do estacionamento foi um fartote. Há uns pilares de plástico, pretos e amarelos, estrategicamente posicionados junto das esquinas dos acessos aos pisos superiores. Refiro estrategicamente porque pela primeira vez na minha vida consegui tocar em todos eles com a a parte traseira da carrinha. E cumpriram o seu propósito - não deixar que a chapa do carro se riscasse na parede com tinta de areia.
Saí do estacionamento (novamente suado) e vim para casa. Que aventura! Mas valeu-me pela agradável visita à baixa, numa tarde invernosa (sem chuva mas com frio) e com cheiro a castanhas assadas...

domingo, fevereiro 16, 2014

A bicicleta

Primeiro foi a corrida. Depois o ginásio. E por último, agora, a bicicleta. Carinhosamente, e se mo permitem, dirigir-me-ei à mesma (bicicleta) como "bike". No meio ciclístico é como as bicicletas são denominadas. Na minha altura eram as "biclas". 
Durante muitos anos tive "bikes". Primeiro tive uma "bike" com piscas laterais (que funcionavam). Foi logo a primeira. Mais tarde (e quando o buço já me dava algumas dores de cabeça porque os meus pais não mo deixavam tirar), após ter terminado o 2º ano do ciclo preparatório com boas notas consegui ter uma "bike" diferente. Uma "bike" à homem que sabe o que quer. Tive e gostava muito de andar na mesma. Cheguei a ir ter a casa de algumas apaixonadas que tinha nessa altura de bicicleta. E lembro-me de ter perfeito algumas centenas de quilómetros ao guiador da mesma. Muitos deles no meu tão apreciado Alentejo.
Como não podia deixar de acontecer, "bike" minha só podia estar sempre bem limpa e devidamente oleada. Já na altura pensava para mim mesmo que as mulheres olham para a limpeza do meio de transporte em que os machos se deslocam (e esta minha crença convicta explicará algumas manchas de lubrificante que inadvertidamente caíam no soalho quando oleava a corrente e a minha mãe nunca percebeu como apareciam...).
Pouco antes de tirar a carta de condução abandonei as "bikes". Afinal tinha entrado numa dimensão de prazer totalmente diferente e estava no céu - tinha carta de condução e carro. Já podia pegar num carro e ir até...Bissau tomar um café. E que prazer que retirava eu daquela "bike", os brilharetes que fazia e deliciavam o sexo feminino...foi tudo relegado para um segundo plano. Ainda que fosse perfeitamente conciliável a coexistência da prática ciclística com a condução de um automóvel. Mas não foi assim entendido por mim. E mais de 20 anos depois...voltei às "bikes". 
Voltar às "bikes" é para mim uma sensação que se reveste de uma grande ansiedade, carinho e saudosismo. Afinal, eu SEI o que é andar de "bike". Mas volto a fazê-lo com outra idade/maturidade, com outras pessoas e irei percorrer outros locais ao guiador da minha mais recente aquisição. Que naturalmente andará sempre limpa e bem oleada (preferencialmente numa zona onde o óleo possa cair sem manchar nada). Até já e bons quilómetros!

domingo, fevereiro 09, 2014

O mau tempo e as pessoas

Ao longo das últimas semanas o mau tempo tem-se feito sentir por todo o "velho continente" europeu. Em Portugal, desde rajadas de vento com velocidades superiores a 100 km/H, passando pelo aumento considerável dos caudais dos rios - e que tem como consequência as inundações das habitações na zona circundante - muitos serão os danos a considerar e começa-se a fazer contas ao prejuízo causado pelas últimas intempéries.
Das várias várias reportagens que têm passado na televisão e de algumas a que tenho assistido, constato e não sem alguma estranheza, que em alguns casos não há uma apólice de seguro que permita cobrir ou custear os danos causados pelo mau tempo. Aparentemente, e segundo bem percebo, haverá em algum momento um diferendo ou reserva de algumas seguradoras em segurar estabelecimentos cuja construção é ilegal. Na minha cabeça faz todo o sentido. Mas também me leva a pensar quem autorizará (tipicamente a autarquia local) a que determinado estabelecimento se estabeleça (passe-se a redundância) em determinado local. E nesse caso terão/teriam de ser apuradas responsabilidades. E é conhecido o funcionamento do sistema judicial português. No final do dia, há alguém que terá de arcar com o prejuízo para que o "ganha pão" seja de novo edificado e permita a sua subsistência. Mais uma vez, na hora da responsabilização dos vários "actores" não serão encontrados culpados. Como habitual.
Em simultâneo permitam-me tecer um pequeno considerando sobre os espectadores do mau tempo ou das forças da natureza. A ida ao café depois do almoço de Domingo tem nestas últimas semanas sido substituída pela ida ao paredão da praia (devidamente interditada pela Protecção Civil e Autoridade Marítima). Para tirar fotos com o objectivo de reunir 9000 "likes" nas suas páginas do "cada-vez-mais-ridículo-Facebook". Não está em causa a partilha das fotos dignas de prémio e de fazer inveja a um Sebastião Salgado. Está sim na forma e no momento em que as mesmas foram obtidas. Por vezes, e sem exagero, perigando a própria vida ainda que as autoridades competentes muito alertem para a cada vez maior ocorrência deste tipo de comportamentos perigosos.
Desconheço como é a realidade dos outros países que presentemente estão a ser fustigados pelo mau tempo. Sei que em Portugal há muitas pessoas inconscientes e com falta de educação que nutrem um gozo (?!?) pessoal em alimentar a sua curiosidade com a desgraça alheia. Da mesma forma que são causadas filas intermináveis quando há um acidente na estrada...também aqui há um prazer especial em ir assistir aos estragos causados pela forte ondulação ou ventos. Questão: Será que quando o mau tempo se fôr embora..estas mesmas pessoas que lá foram tirar fotografias para partilharem posteriormente....irão "arregaçar as mangas" ou oferecer os seus préstimos para ajudar na reconstrução? A resposta parece-me lógica.

domingo, fevereiro 02, 2014

Dar Formação

Esta será uma daquelas semanas intensas que todos temos de vez em quando. Como tal, e dado que darei formação interna a 6 colegas, terei de me preparar convenientemente e estar preparado para toda e qualquer questão que se me coloque.
Ao longo dos anos e com os cursos de formação que fui assistindo, percebi que um formador seguro e com resposta pronta para todas as questões colocadas pelos formandos determinará o sucesso da acção de formação em causa. Analogamente, formadores que não têm a lição bem "estudada" terão alguma (senão total) dificuldade em cativar a audiência.
Um dos grandes problemas para quem dá regularmente formação, na minha opinião, é adequar o discurso à audiência existente em sala. Bem sei que para algumas pessoas é muito complicado explicar o que lhes parece óbvio. Mas tem de ser mesmo por aí. A acção de formação (ideal) deverá compreender 3 momentos: a) Preâmbulo, b) Desenvolvimento e c) Considerações.
No "Preâmbulo" afere-se o grau de conhecimento que os presentes têm sobre a matéria que irá ser dada. Efectuam-se 2 ou 3 perguntas de despiste para os formandos e ajusta-se mentalmente o que vai ser dito em função das respostas. Este ajuste é particularmente importante porque poderá sugerir que se pode aprofundar um pouco mais o conhecimento técnico - afinal a audiência acompanha - ou por outro lado (situação mais comum) é necessário que seja realizado um "downgrade" no nível de dificuldade adequando o conteúdo da formação ao nível de conhecimento mais baixo e detido pelos espectadores.
E chegamos ao "Desenvolvimento". Pessoalmente, entendo ser a parte principal ou mais importante de uma sessão de formação. É aqui que se diferenciam os "bons" dos "maus" formadores. A interactividade do formador com os formandos. A riqueza do vocabulário utilizado pelo mesmo. A pertinência das observações realizadas pelos formandos devidamente enquadrada. O conseguir "puxar" para si os formandos tidos como elementos anteriormente identificados como "desestabilizadores". O tornar alguém tímido....em alguém participativo entre tantos outros exemplos. O formador "sua" aqui. Bastante. Se fôr realmente bom e tiver a acção bem estruturada.
No final, em "Considerações" é o serenar da acção de formação. É o esclarecimento final de algumas questões. É o rever conteúdos e, no meu caso, pegar no teste de avaliação de conhecimentos e fazê-lo com os presentes. Prefiro assim do que não rever a matéria, entregar testes e depois ter notas más.