domingo, fevereiro 09, 2014

O mau tempo e as pessoas

Ao longo das últimas semanas o mau tempo tem-se feito sentir por todo o "velho continente" europeu. Em Portugal, desde rajadas de vento com velocidades superiores a 100 km/H, passando pelo aumento considerável dos caudais dos rios - e que tem como consequência as inundações das habitações na zona circundante - muitos serão os danos a considerar e começa-se a fazer contas ao prejuízo causado pelas últimas intempéries.
Das várias várias reportagens que têm passado na televisão e de algumas a que tenho assistido, constato e não sem alguma estranheza, que em alguns casos não há uma apólice de seguro que permita cobrir ou custear os danos causados pelo mau tempo. Aparentemente, e segundo bem percebo, haverá em algum momento um diferendo ou reserva de algumas seguradoras em segurar estabelecimentos cuja construção é ilegal. Na minha cabeça faz todo o sentido. Mas também me leva a pensar quem autorizará (tipicamente a autarquia local) a que determinado estabelecimento se estabeleça (passe-se a redundância) em determinado local. E nesse caso terão/teriam de ser apuradas responsabilidades. E é conhecido o funcionamento do sistema judicial português. No final do dia, há alguém que terá de arcar com o prejuízo para que o "ganha pão" seja de novo edificado e permita a sua subsistência. Mais uma vez, na hora da responsabilização dos vários "actores" não serão encontrados culpados. Como habitual.
Em simultâneo permitam-me tecer um pequeno considerando sobre os espectadores do mau tempo ou das forças da natureza. A ida ao café depois do almoço de Domingo tem nestas últimas semanas sido substituída pela ida ao paredão da praia (devidamente interditada pela Protecção Civil e Autoridade Marítima). Para tirar fotos com o objectivo de reunir 9000 "likes" nas suas páginas do "cada-vez-mais-ridículo-Facebook". Não está em causa a partilha das fotos dignas de prémio e de fazer inveja a um Sebastião Salgado. Está sim na forma e no momento em que as mesmas foram obtidas. Por vezes, e sem exagero, perigando a própria vida ainda que as autoridades competentes muito alertem para a cada vez maior ocorrência deste tipo de comportamentos perigosos.
Desconheço como é a realidade dos outros países que presentemente estão a ser fustigados pelo mau tempo. Sei que em Portugal há muitas pessoas inconscientes e com falta de educação que nutrem um gozo (?!?) pessoal em alimentar a sua curiosidade com a desgraça alheia. Da mesma forma que são causadas filas intermináveis quando há um acidente na estrada...também aqui há um prazer especial em ir assistir aos estragos causados pela forte ondulação ou ventos. Questão: Será que quando o mau tempo se fôr embora..estas mesmas pessoas que lá foram tirar fotografias para partilharem posteriormente....irão "arregaçar as mangas" ou oferecer os seus préstimos para ajudar na reconstrução? A resposta parece-me lógica.

1 comentário:

Paula disse...

" 9000 "likes" nas suas páginas do "cada-vez-mais-ridículo-Facebook" "
Também me faz alguma confusão pensar que há pessoas que vivem um pouco em função disto...que acreditam que tem n e (n+1) amigos...no Facebook...

PAz