domingo, abril 06, 2014

Passa a bola a outro e não ao mesmo

Acabo de chegar vindo de um centro comercial e tristemente realizo que mais uma vez me deparei com uma situação tão comum nos nossos dias - o alheamento das parte das pessoas para aquelas questões óbvias e quotidianas na esperança que, quem vem a seguir as resolva. Mas irei de seguida concretizar para se perceber bem do que falo.
Usualmente estaciono o carro nos pisos subterrâneos "-2" porque são menos povoados e há poucas pessoas que façam quilómetros para deixar o carro isolado. Sigo uma lógica simples de que nestes pisos  haverá menos carros e assim decrescer substancialmente a hipótese de chegar ao carro (depois de ter cumprido o que me levou à tal superfície comercial) e deparar-me um vergão profundo na porta em consequência da abertura descontrolada por parte de um mamute qualquer.
Por vezes vou aos centros comerciais para ir ao supermercado. Hoje foi um desses dias. E, como sempre, estacionei o carro no tal piso "-2", perto do local onde costumam estar arrumados os carrinhos de compras. Lá encontrei  uma moeda de 0,50 cêntimos e fui buscar um carrinho de compras para ir para para o supermercado. Rapidamente percebi que, a menos que colocasse o carro das compras às costas e subisse a galope escadas de rolantes qual cavalo, não sairia de onde estava. O ramal (usualmente) ascendente estava parado. O ramal (usualmente) descendente, idem. E eis senão quando uma senhora de provecta idade me aborda, dizendo que as escadas rolantes estavam paradas com um sorriso cúmplice. E também de gozo, pareceu-me. Como quem diz: "Já dei conta disso que isto está tudo parado, já arrumei o carrinho de compras e agora vou subir a pé a escada de rolante que por sinal está parada enquanto ainda vais pensar o que fazer da tua vida durante os próximos 20 minutos". E aqui reside a essência do meu texto de hoje.
Bom, qualquer pessoa no seu "juízo normal", aquilo que acho que teria feito era avisar o primeiro segurança que avistasse desta situação. Seria aquilo que entendo como normal e que faz sentido na minha cabeça. Mas assim não foi. Basicamente, tive de ir arrumar o carrinho de compras de onde o tinha tirado minutos antes, fui procurar um segurança, pedir-lhe que visse o que se passava e depois voltar a ir buscar o carrinho de compras. Tudo isto tinha sido abreviado se a tal senhora tivesse sido simpática e não tivesse pensado só na lixívia que decerto ia aviar no supermercado. Ou na esfregona. Ou na vassoura de cerdas duras para varrer a entrada lá do prédio onde costuma fazer umas horas. Porque são as pessoas egoístas e esperam sempre que outra pessoa resolva os problemas? Talvez um dia a bola volte à pessoa que a passou. E deixe de o egoísmo de parte quando tiver de resolver os problemas "per se". Sem esperar pelos outros.

2 comentários:

Anónimo disse...

"Tudo isto tinha sido abreviado se a tal senhora tivesse sido simpática e não tivesse pensado só na lixívia que decerto ia aviar no supermercado. Ou na esfregona. Ou na vassoura de cerdas duras para varrer a entrada lá do prédio onde costuma fazer umas horas"
Tenho a dizer-lhe que a Senhora que faz umas horas cá em casa, por certo, avisaria o segurança! No entanto, não posso dizer o mesmo em relação à minha vizinha de baixo (uma cara bem conhecida da TV). Puro preconceito!
MRitta

Sisa el. disse...

Muitas vezes, isso acontece qdo se está atrás de alguém que foi levantar dinheiro, a pessoa, vai embora é é incapaz de referir que o aquele múltibanco não está disponível o levantamento de dinheiro ou assim! Isso é puro egoísmo! No caso concreto, se a Sra. Era de provecta idade, é provável que não se tenha lembrado disso, ou simplesmente algo que para ti é fácil, movimentares-te, não o seja para ela...neste caso, acredito que não tenha sido o facto de não estar para aí virada, mas talvez o que tivesse de andar, ou o facto de nem sequer lhe ter passado essa ideia pela cabeça, ou não soubesse bem a quem se dirigir - a "provectai idade", faz aqui toda a diferença! O que não quer dizer, que o egoísmo, infelizmente grassa por todo lado... Isabel Frade