domingo, maio 25, 2014

Crime Passional

Há vários tipos de crime. De cabeça ocorrem-me alguns que são usualmente tornados públicos: homicídio, tráfico de seres humanos, extorsão, lenocínio, tráfico de droga, tráfico de influências, tráfico de espécies animais em vias de extinção, evasão fiscal, abuso de autoridade, etc.. Podia perfeitamente dedicar um texto aqui no blogue elencando todos os crimes que conheço. E são muitos mesmo.
Mas há um tipo de crime que me suscita uma particular curiosidade. Falo do crime passional. Não me refiro naturalmente ao infeliz e trágico final que constitui o denominador comum/final de todos estes casos. Falo objectivamente da assustadora volatilidade das pessoas. Um dia está tudo bem e no outro dia está tudo mal. E que nos faz reflectir sobre o que levará alguém a cometer uma loucura qualquer e que culmina num acto de tirar a vida a alguém. Ninguém tem esse direito. O que pensará o homicida quando dá um tiro? Ou as facadas?
O crime passional, na sua essência, é sustentado no facto de uma das partes (sim, também as mulheres podem matar) não aceitar que a relação afectiva/conjugal termine. Acredito que a situação não seja pontual. Ou seja, deverão já ter havido variados sinais, na fita do tempo, de que as coisas não estavam bem. Mas quando uma das partes não quer "ver" esses sinais (em negação, portanto) tudo passa ao lado. Também acontece com regularidade a desvalorização de uma agressão física ou verbais. Por outro lado, quando tudo é dito de forma directa, sem floreados e com todas as letras...a tal parte que está em negação, não raro usa a clássica expressão: "Não vais ser meu/minha não vais ser de ninguém". E aqui sim, meus amigos e amigas, é o princípio do fim. Pessoalmente, acho que culminará em crime passional assim a pessoa seja desequilibrada a esse ponto. Por outras palavras, que tenha de alguma forma uma tendência para a bipolaridade ou para um outro qualquer quadro clínico de foro psiquiátrico.
Para terminar, creio que toda e qualquer situação anormal e vivenciada com regularidade deverá ser comunicada às autoridades competentes. Logo que aconteça a primeira vez. Só assim poderá ser tomada uma acção eficaz, atempada proporcional. E que em alguns casos poderá, com toda a certeza, evitar um final trágico. E nunca, mas nunca, desculpabilizar o/a agressor/a. Chama-se a isso conivência. Ou...dormir com o inimigo!

domingo, maio 18, 2014

O carro novo

Não é novidade para ninguém a minha paixão pelos automóveis. Conta-se que decorei (e aprendi a dizer) primeiramente as marcas dos automóveis do que me era possível manter uma conversação.
Também se sabe que o processo de troca de carro é para mim, um momento de inigualável alegria. Desde que enceto as negociações com algum (incauto) vendedor, passando pelos telefonemas (diários) para aferir ponto de situação do negócio até ao momento em que finalmente levanto o carro. São semanas intensas e que me esgotam. Podia dar-me para pior.
Pela primeira vez este negócio foi realizado com alguma tristeza da minha parte. O negócio envolvia a entrega de dois carros e o levantamento de outro. Globalmente, bem pesados os pratos da balança, foi um bom negócio para mim - ainda que tenha perdido algum dinheiro, como se perde sempre em negócios de automóveis - mas fiquei melhor servido e consigo uma poupança/mês expressiva, para além de outros detalhes importantes. E a tristeza? Bom, essa surge quando associo os bons momentos que vivi com cada um dos carros que entreguei. E essas lembranças serão indeléveis para sempre. E que seguiram com ambos os carros para os seus futuros proprietários.
Para terminar, queria partilhar um detalhe importante e que fez parte da negociata. Inicialmente não foi este o carro que tinha apalavrado. Era outro. Mas esse outro carro foi vendido por estar integrado numa plataforma acessível a outros comerciantes e tendo aparecido outro comprador que avançou logo o dinheiro (sendo que eu não tinha sinalizado) o carro foi despachado. Assim, o vendedor sentiu-se na obrigação (e com razão) de descobrir outro carro com as características exactamente iguais ao que inicialmente tinha sido combinado. E conseguiu. E sabem que mais? Prefiro este!!

domingo, maio 11, 2014

Reencontros

Nos últimos dias tenho reencontrado algumas pessoas que já não via há muito tempo. Em diversos locais. E acho curiosa a falta de tema de conversa quando tal acontece.
Quando penso nisso dou comigo a pensar que supostamente devia ser normal duas pessoas passarem horas na conversa. A rever detalhadamente o tempo em que perderam o contacto. Mas nem sempre assim acontece.
No meu caso nunca sei muito bem o que dizer, confesso. É certo que poderá estar em causa, naquele preciso momento, uma década de experiências vividas a dois (boas e más), mas que certamente conduziriam a uma agradável conversa de 6 horas sem interrupções pelo meio, mas não é isso que acontece. Aparte das perguntas triviais do como tem passado, das novidades que houve nos 20 anos que não nos vimos ou de como corre o trabalho - sendo que aqui se corre um perigo real de podermos obter como resposta que está desempregado(a) - há pouco mais a dizer quando se encontra alguém da faculdade num corredor do Pingo Doce!

domingo, maio 04, 2014

A pouca paciência

Com a idade começo a padecer de um mal que sempre critiquei nos outros - a pouca paciência. Em rigor, muito pouca paciência e igualmente pouca tolerância para com os erros dos outros.
É certo que poderá contribuir para essa minha pouca paciência a falta de descanso, mas também é lógico para mim que com a idade vou ficando mais exigente. Comigo mesmo e para com os outros. E dou comigo a pensar se não deveria ser ao contrário, ou seja, ir "amenizando" alguns traços mais vincados da minha personalidade com o tempo.
Confesso que não tenho paciência para o laxismo. Irrita-me que as pessoas se acomodem. Irrita-me pessoas que são recorrentemente falsas e/ou que são mentirosas compulsivas. Perco a paciência com pessoas que mentem uma vez e depois têm o desplante de agir como se nada tivesse acontecido, ou seja, que não tivessem sido apanhadas nas suas (por vezes) intrincadas mentiras. 
Por último, perco a paciência para as pessoas que criticam (com toda a legitimidade) as minhas partilhas que aqui deixo e não têm a coragem de se identificar. Denota falta de coragem e verticalidade. E claro, é sinónimo de cobardia. Quem se esconde atrás do anonimato é porque tem medo de ser confrontado com a réplica e confortavelmente lança as suas farpas.  Haja paciência!