domingo, agosto 03, 2014

A marca da fruta e eu

Chamemos-lhe carinhosamente a marca da "maçã". Por razões de publicidade e porque ninguém me paga nada para falar da mesma, irei carinhosamente chamá-la de "marca da maçã" ou simplesmente "maçã". Podia ter sido escolhido um abacaxi, uma papaia, as tão saborosas "litchis" ou mesmo a clássica jabuticaba..mas saiu a maçã. E sendo as maçãs um fruto são simples e usuais nas cesta da fruta de qualquer boa casa. E das quais gosto tanto.
Há muitos anos que conheço a marca da maçã associada a computadores portáteis (e não portáteis). Cá em casa, desde que me conheço, houve sempre um. Só mais tarde passou a haver o tão célebre (e comum) "pc". E foi há sensivelmente 10 anos (ou talvez menos) que aconteceu o lançamento do primeiro telefone desta marca.
Como confesso consumidor de "gadgets" tive naturalmente de adquirir um exemplar. Creio que não terá sido um dos primeiros exemplares, mas seguramente que não demorou muito até ter um na minha posse. A aposta da marca era muito simples e sustentada numa fórmula simples: elevada funcionalidade, estética apelativa e ligação permanente ao mundo virtual (internet). E resultou. No imediato. É muito interessante analisar os números de venda dos telefones desta marca quando comparados os números de vendas de outras marcas de telefones - num mercado que durante décadas foi liderado por uma conhecida marca nórdica - e que na altura apostavam noutros segmentos de mercado igualmente importantes: televisores, amplificadores para música ou tecnologias "blue ray". Como havia a confortável e inquestionável liderança de mercado a tal marca nórdica "desacelerou" na aposta tecnológica. Deixou de perceber o que queriam realmente os consumidores. Entrou em "safe mode" e numa "bolha", isolada da realidade, que se veio a revelar um desastre sem precedentes aquando lançamento do primeiro telefone da marca da maçã. Facilmente se percebeu o quão atrás estava a concorrência. Para facilitar a compreensão...será o mais próximo da maçã ter oferecido um "smartphone" e a concorrência oferecer.... um xisto argiloso.
A conhecida marca nórdica ainda hoje (nota: falo com propriedade na medida em que tive vários exemplares da mesma), volvidos 10 anos, tenta minimizar e/ou conter o prejuízo que teve com a perda de liderança do tão apetecível e lucrativo segmento dos telefones. Durante anos ofereceu produtos para os mais variados gostos (e carteiras) mas...perdeu literalmente o comboio. E sim, quase que fechou as portas por via dos maus resultados verificados nessa altura. As demais marcas também acordaram nessa altura (tardiamente) para o poder inigualável da "maçã".
Só bem mais tarde foi tornada possível uma oferta parecida à da maçã e com um sistema operativo que tem um nome alienígena. E aqui sim começou a verdadeira guerra. Com um gigante que entretanto passou a ser líder de mercado. E foi então perceptível a gradual e meritória técnica de "benchmarking" da concorrência que acabou por dar frutos há 4 ou 5 anos e com a oferta de produtos similares ao da marca da maçã.
Utilizei propositamente o termo "similares". Porquê? Simples. Porque dentro daquilo que era a simplicidade e funcionalidade de utilização (intuitiva) as demais marcas complicaram. Melhor dizendo...os telefones até podiam ser melhores e com tecnologia mais evoluída quando comparados com um único telefone oferecido pela marca da maçã...mas perdiam na simplicidade. E na facilidade de utilização.
Falando da minha experiência pessoal. Para variar, resolvi ser do contra. Dei por mim a comparar especificações técnicas da concorrência com o único modelo comercializado pela marca da maçã. E pensei para comigo que era altura de mudar. E mudei. Durante cerca de 1 ano. Tirei fotografias com uma definição espectacular por via de uma melhor lente fotográfica. Mas foi só isso. O resto estava comprometido. E o facto de ter um processador mais rápido não tornava o telefone...simples de utilizar. Por exemplo, para agendar um compromisso na agenda era necessário realizar 4 ou 5 passos. O dobro dos passos necessários para realizar a mesma acção no simples (mas eficiente) telefone da maçã.
Vendi o telefone sem ter perfeito o ano. E voltei para a maçã. Estou fidelizado.

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