domingo, setembro 28, 2014

Civismo na estrada

Esta semana vivi mais uma situação (entre tantas outras que podia enumerar) de falta de civismo na estrada. E com tudo a ajudar: Hora de ponta (0900H), artéria da cidade de Lisboa bem movimentada e mais uma (eventualmente) cansativa e chata manhã para aquelas pessoas que começaram a manhã a serem pouco cívicas / mal educadas na estrada.
A primeira grande causa, para mim, é sem qualquer dúvida a má educação. Dificilmente uma pessoa mal educada "fora da estrada" sê-lo-á enquanto conduz. Há aquela velha máxima que reza qualquer coisa do género.. "Diz-me como és e dir-te-ei como conduzes" e acredito piamente na mesma.
A segunda grande causa é efectivamente aquilo que considero ser a outra das causas dos acidentes de viação cá em Portugal: a falta de civismo. E mais uma vez (já aqui tinha falado nisto em tempos) enquanto não houver uma acção incisiva neste campo...nada mudará. É preciso castigar este tipo de comportamento por forma a que se consiga educar as pessoas. De forma exemplar.

domingo, setembro 21, 2014

A cadelita

Estes últimos dias estive/estou de férias. Encontrando-me em período de férias naturalmente que é menor a rigidez dos horários e consequentemente permito-me um pouco mais de descanso pelas manhãs.
Um destes dias ouvi lá em baixo (no R/C) uma grande agitação. As duas empregadas cá de casa falavam alto em "cãozito" e também consegui perceber a agitação do Paco. Deixei-me ficar calmo e sossegado a assistir a mais um episódio da minha série. Pensei, na altura, que fosse alguém que estivesse a passear um cachorro que tivesse chamado a atenção de ambas.
Passados uns 25 minutos chamaram-me lá abaixo. Aparentemente o cãozito tinha sido trazido para dentro de casa (quintal) e o Paco estava ainda mais inquieto. Afinal, e logicamente, era o território dele que estava a ser invadido. E qual bom guardião tinha de perceber qual o "grau da ameaça". 
A porta de casa estava fechada para evitar que o Paco saísse e cometesse algum acto tresloucado tão normal em si. Abri a porta e esgueirei-me por entre uma nesga - tendo ficado surpreso com o facto de ter conseguido passar.
E lá estava "ele". Uma bola de pêlo tigrado de 4 patas. Que veio logo a correr na minha direcção. Dois meses de idade, pensei de imediato. E pareceu-me logo também ter um cruzamento com um "fila de s. Miguel" ou um boxer tigrado. Não ía ser um cão muito grande a atender pelo tamanho das pequenas patas brancas. Mas espevitado. Vivaço. Costumo pegar em halteres bem mais pesados, associei eu quando o levantei do chão e entendi que...... era "uma menina". 
Contrariamente ao que muitas pessoas imaginam, as cadelas são mais dadas aos donos que os cães. É típico do mundo canino. São melhores guardas, mais meigas e na generalidade das vezes mais fáceis de treinar. A cadelita em pouco tempo venceu o medo (tremor) quando realizou que deste lado (eu) não vinha qualquer perigo. Sinónimo de coragem e de rápida empatia. Fiquei um bom bocado com ela na mão e deliciar-me com o olhar de "olhos de leite". Sentia-me bem e ela também. Os cães sentem as boas (e as más) energias.
Libertei o Paco para perceber como era a ligação de ambos. Naturalmente que para o Paco, um cão de uma raça dócil, a menina era uma boneca. O Paco é abrutalhado. É um facto. Mas percebia-se claramente o seu cuidado em não pisar ou magoar a cadelita (que entretanto insistia em ficar por baixo dele..eventualmente à procura da mama da mãe para o leite).
Mentalmente tentei adivinhar de qual dos meus vizinhos poderia ser a cadelita. Não consegui chegar a uma conclusão clara e inequívoca. Lembrei-de de um campo de futebol perto de minha casa onde, por vezes, uns cães que lá estão têm ninhadas. Pensei também que era muito pouco provável que uma cadelita com aquela idade conseguisse perfazer a distância que separa a minha casa do campo  de futebol sozinha (na medida em que ainda é uma distância considerável).
Com a menina na mão fui ao campo de futebol ver se lá pertencia. Pelo que percebi quando lá cheguei, uma parte do campo de futebol (bancadas) está em obras. Os homens das obras que lá estavam não sabiam de ninhada nenhuma. Um deles (aí com uns 30 e poucos anos) pegou na cadelinha e começou aos beijos à mesma. Disse-me também que a levaria para casa se não tivesse duas cadelas, uma gata e uma iguana. Tem um zoo em casa portanto. Não pertencia ali. Voltei para minha casa com a cadela na mão.
A dada altura, no caminho para casa pús a cadela no chão. Comecei a andar. Passou por baixo de todos os carros que estavam estacionados na minha rua. Todos. Sem excepção. Esperava um pouco, chamava-a e lá vinha ela atrás de mim. Também me ía fazendo cair umas 3 vezes porque se enrolava nos meus pés....
Chegado a casa deixei-a no chão do quintal. Atacou-me umas 4 vezes os atacadores dos ténis que tinha calçado. Normal. Acham sempre imensa piada. Durante esse período tomei também uma decisão. Que a cadelita não poderia ficar comigo nem mais um dia. Por duas razões: não tenho o tempo necessário para cuidar de uma cachorra e porque o próprio do Paco se podia entusiasmar, dar-lhe uma patada na brincadeira e arrancar-lhe a cabeça. Por outro lado preferi entregar a cadelinha logo para não se passar o final de semana e me afeiçoar à mesma. Foi o melhor. Uma das empregadas levou-a dentro de uma caixa de cartão e seguramente que lhe vai arranjar um bom lar.
Mais tarde desenvolvi a teoria segundo a qual a cadelita foi trazida por uma das empregadas (que não o assimiu). Alguém lhe terá oferecido a cadela e entendeu, na medida em que tenho o Paco cá em casa, avançar com a teoria de que tinham deixado o cão ali à porta de casa. Era uma teoria boa...mas algo rebuscada. Enfim...foi o melhor que fiz.

domingo, setembro 14, 2014

"Bullying"

Não é a primeira vez que falo sobre este tema. Acontece que desde a última vez que o fiz, há uns anos atrás, nada mudou. Infelizmente.
O "bullying" é o termo "técnico" para agressões intencionais provocadas por um indivíduo (ou grupo de) a outros infligindo a dôr, angústia e marcas para toda a vida.
Vi há dias uma (entre tantas outras que já vi) reportagem sobre este tema. E ao assistir a esta peça televisiva recuei uns bons 20 anos na minha vivência enquanto pessoa. Até ao antigo ciclo preparatório (entre o 2º ano e o 8º ano, concretamente).
Naquele tempo era alguém proeminente e famoso nas turmas onde estive. Fui inclusive eleito delegado de turma algumas vezes. Porquê? Porque protegia os meus colegas. Rapazes e raparigas De forma indiferenciada. E as pessoas sentiam-se seguras e percebiam que nada de mal lhes aconteceria.
A fórmula era simples: alguma coisa que acontecesse com alguém das turmas das quais eu era responsável, eu tinha conhecimento e agia em conformidade. Normalmente uns pontapés e uns estaladões bem metidos resolviam a questão e o agressor pensava duas vezes antes de voltar a pensar em fazer algo. Bons tempos, penso hoje.
Hoje em dia as coisas não são mais assim. Não há quem faça o que eu fazia naquele tempo. Importa ressalvar que ainda que possa sugerir alguma violência o que partilhei acima - porque o sugere, inquestionavelmente - havia, sem dúvida, um carácter de justiça subjacente. E não raro, passadas umas largas semanas, aqueles que tinham sido os agressores eram meus aliados na defesa dos meus colegas! Afinal a fórmula resultava.
Assiste-se hoje em dia a agressões contínuas a certas pessoas que não só não têm quem os defenda bem como não têm uma estrutura mental suficientemente forte e que lhes permita aguentar a pressão. E em alguns casos acabam por pôr termo à vida. O caminho mais fácil mas nem por isso o mais acertado.
A ideia que tenho é que há um trabalho imenso que tem de ser feito por parte dos orgãos decisores (Ministérios, quer da Educação, quer da Justiça). Tornar possível a identificação expedita dos agressores e a adopção de medidas exemplares que evitem que novas agressões para essas ou outras pessoas venham a ter lugar. No caso de ser algo que aconteça num estabelecimento de ensino haver uma advertência formal por parte do orgão máximo daquele estabelecimento,  uma conversa com os pais caso a primeira acção não resulte e a expulsão do estabelecimento de ensino caso as anteriores opções não surtam efeito. Defendo também o cadastramento destes agressores numa base de dados construída pelo Ministério da Justiça e com acesso por parte de todos os estabelecimentos de ensino que o mesmo poderá frequentar. Não vale a pena fugirmos a esta realidade cada vez mais presente na nossa sociedade. É importante enfrentá-la e agir rápida e eficazmente. Só assim se poderão evitar (mais) tragédias.

domingo, setembro 07, 2014

A lista de convidados...

É conhecida a minha aversão em sair à noite. E com tendência para piorar. Aliás, não a escondo. Actualmente, a minha concepção (careta, para algumas pessoas) de sair à noite é precisamente um jantar com amigos seguido de uma amena cavaqueira. Preferencialmente num local calmo e sem fumo e sem os incómodos encontrões. Não sendo radical (leia-se anti tabagista) não suporto actualmente o cheiro do fumo do tabaco.
Em alguns finais de semana, ao Sábado de manhã, acordo cheio de energia. Naqueles em que está sol logo de manhã parece que me torno noutra pessoa. E fico logo com outra disposição deixando de parte o mau feitio. Num destes finais de semana estava sol, fiquei bem disposto e como tal mobilizei as tropas (amigos e amigas) para um jantar nessa mesma noite.
Tenho sorte de ter este grupo de pessoas com quem janto fora ocasionalmente. Às vezes, como é de resto normal, as pessoas já têm os seus programas e a tentativa de agendar algo sai gorada porque não há conciliação de agendas. Mas neste final de semana, à semelhança da quase maioria, houve.
Na medida em que o grande amigo meu está à frente de um restaurante foi precisamente nesse restaurante que marquei mesa.E foi também durante esse jantar, nesse restaurante, que me disseram que nessa noite o meu nome era outro: Luís. É verdade, Luís. E que esse nome - da pessoa que eu encarnava - estava numa lista de convidados (guest list) de uma badalada discoteca da noite lisboeta.
Quem me conhece já imagina que fiquei duplamente entristecido. Em primeiro lugar porque não me vejo com outro nome que não o meu nome verdadeiro. Chamar-me "Luís" (com todo o respeito por quem tem este nome) ou chamar-me "granito fanerítico" está no mesmo patamar. Não respondo. Não me identifico. Não há "match". Não tem nada a ver comigo. Em segundo e relevante lugar, a questão do meu nome na "lista de convidados". Há mais de 20 anos que saio à noite. E nunca precisei de ter o meu nome onde quer que fosse para entrar numa discoteca. Numa recepção, num congresso, fará todo o sentido. Agora numa discoteca?! Tentem acompanhar a minha lógica de raciocínio: que legitimidade tem um gorila - que com quase 100% de certeza nem sabe escrever correctamente o seu próprio nome - de me barrar a entrada pelo facto do meu nome não estar na listinha dele? Não faz sentido. É certo que entendo que tem de haver um critério qualquer de selecção da clientela. Mas nessa mesma noite vi o estilo de "jogador-da-bola-com-a-pochette-debaixo-do-sovaco" que tem o dom de me tirar do sério e perceber claramente a fauna que frequenta a noite. E ter percebido uma personagem que antevendo que ía ficar à porta pelo facto de orgulhosamente ostentar um boné com a pála ao contrário deu "chá de sumiço" ao mesmo...(acredito que tenha ido guardar o mesmo no carro). E claro que não acredito que esta última personagem tivesse o nome na tal lista. Pagou, como qualquer outra pessoa e entrou. Estamos a falar de um montante de 15€ ou seja, quem não tem o nome paga esse valor. Quem tem paga o que consome. Se quero repetir a façanha? Não, obrigado. Prefiro passar por incógnito!