domingo, setembro 07, 2014

A lista de convidados...

É conhecida a minha aversão em sair à noite. E com tendência para piorar. Aliás, não a escondo. Actualmente, a minha concepção (careta, para algumas pessoas) de sair à noite é precisamente um jantar com amigos seguido de uma amena cavaqueira. Preferencialmente num local calmo e sem fumo e sem os incómodos encontrões. Não sendo radical (leia-se anti tabagista) não suporto actualmente o cheiro do fumo do tabaco.
Em alguns finais de semana, ao Sábado de manhã, acordo cheio de energia. Naqueles em que está sol logo de manhã parece que me torno noutra pessoa. E fico logo com outra disposição deixando de parte o mau feitio. Num destes finais de semana estava sol, fiquei bem disposto e como tal mobilizei as tropas (amigos e amigas) para um jantar nessa mesma noite.
Tenho sorte de ter este grupo de pessoas com quem janto fora ocasionalmente. Às vezes, como é de resto normal, as pessoas já têm os seus programas e a tentativa de agendar algo sai gorada porque não há conciliação de agendas. Mas neste final de semana, à semelhança da quase maioria, houve.
Na medida em que o grande amigo meu está à frente de um restaurante foi precisamente nesse restaurante que marquei mesa.E foi também durante esse jantar, nesse restaurante, que me disseram que nessa noite o meu nome era outro: Luís. É verdade, Luís. E que esse nome - da pessoa que eu encarnava - estava numa lista de convidados (guest list) de uma badalada discoteca da noite lisboeta.
Quem me conhece já imagina que fiquei duplamente entristecido. Em primeiro lugar porque não me vejo com outro nome que não o meu nome verdadeiro. Chamar-me "Luís" (com todo o respeito por quem tem este nome) ou chamar-me "granito fanerítico" está no mesmo patamar. Não respondo. Não me identifico. Não há "match". Não tem nada a ver comigo. Em segundo e relevante lugar, a questão do meu nome na "lista de convidados". Há mais de 20 anos que saio à noite. E nunca precisei de ter o meu nome onde quer que fosse para entrar numa discoteca. Numa recepção, num congresso, fará todo o sentido. Agora numa discoteca?! Tentem acompanhar a minha lógica de raciocínio: que legitimidade tem um gorila - que com quase 100% de certeza nem sabe escrever correctamente o seu próprio nome - de me barrar a entrada pelo facto do meu nome não estar na listinha dele? Não faz sentido. É certo que entendo que tem de haver um critério qualquer de selecção da clientela. Mas nessa mesma noite vi o estilo de "jogador-da-bola-com-a-pochette-debaixo-do-sovaco" que tem o dom de me tirar do sério e perceber claramente a fauna que frequenta a noite. E ter percebido uma personagem que antevendo que ía ficar à porta pelo facto de orgulhosamente ostentar um boné com a pála ao contrário deu "chá de sumiço" ao mesmo...(acredito que tenha ido guardar o mesmo no carro). E claro que não acredito que esta última personagem tivesse o nome na tal lista. Pagou, como qualquer outra pessoa e entrou. Estamos a falar de um montante de 15€ ou seja, quem não tem o nome paga esse valor. Quem tem paga o que consome. Se quero repetir a façanha? Não, obrigado. Prefiro passar por incógnito!

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