domingo, setembro 14, 2014

"Bullying"

Não é a primeira vez que falo sobre este tema. Acontece que desde a última vez que o fiz, há uns anos atrás, nada mudou. Infelizmente.
O "bullying" é o termo "técnico" para agressões intencionais provocadas por um indivíduo (ou grupo de) a outros infligindo a dôr, angústia e marcas para toda a vida.
Vi há dias uma (entre tantas outras que já vi) reportagem sobre este tema. E ao assistir a esta peça televisiva recuei uns bons 20 anos na minha vivência enquanto pessoa. Até ao antigo ciclo preparatório (entre o 2º ano e o 8º ano, concretamente).
Naquele tempo era alguém proeminente e famoso nas turmas onde estive. Fui inclusive eleito delegado de turma algumas vezes. Porquê? Porque protegia os meus colegas. Rapazes e raparigas De forma indiferenciada. E as pessoas sentiam-se seguras e percebiam que nada de mal lhes aconteceria.
A fórmula era simples: alguma coisa que acontecesse com alguém das turmas das quais eu era responsável, eu tinha conhecimento e agia em conformidade. Normalmente uns pontapés e uns estaladões bem metidos resolviam a questão e o agressor pensava duas vezes antes de voltar a pensar em fazer algo. Bons tempos, penso hoje.
Hoje em dia as coisas não são mais assim. Não há quem faça o que eu fazia naquele tempo. Importa ressalvar que ainda que possa sugerir alguma violência o que partilhei acima - porque o sugere, inquestionavelmente - havia, sem dúvida, um carácter de justiça subjacente. E não raro, passadas umas largas semanas, aqueles que tinham sido os agressores eram meus aliados na defesa dos meus colegas! Afinal a fórmula resultava.
Assiste-se hoje em dia a agressões contínuas a certas pessoas que não só não têm quem os defenda bem como não têm uma estrutura mental suficientemente forte e que lhes permita aguentar a pressão. E em alguns casos acabam por pôr termo à vida. O caminho mais fácil mas nem por isso o mais acertado.
A ideia que tenho é que há um trabalho imenso que tem de ser feito por parte dos orgãos decisores (Ministérios, quer da Educação, quer da Justiça). Tornar possível a identificação expedita dos agressores e a adopção de medidas exemplares que evitem que novas agressões para essas ou outras pessoas venham a ter lugar. No caso de ser algo que aconteça num estabelecimento de ensino haver uma advertência formal por parte do orgão máximo daquele estabelecimento,  uma conversa com os pais caso a primeira acção não resulte e a expulsão do estabelecimento de ensino caso as anteriores opções não surtam efeito. Defendo também o cadastramento destes agressores numa base de dados construída pelo Ministério da Justiça e com acesso por parte de todos os estabelecimentos de ensino que o mesmo poderá frequentar. Não vale a pena fugirmos a esta realidade cada vez mais presente na nossa sociedade. É importante enfrentá-la e agir rápida e eficazmente. Só assim se poderão evitar (mais) tragédias.

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