domingo, outubro 26, 2014

A comida e o sentimento de culpa

Mais cedo ou mais tarde teria de acontecer. Tornou-se oficial. Comecei a ler com toda a minha atenção os rótulos dos produtos alimentares no supermercado e passei fazer (quase) sempre uma alimentação saudável. Seis dias da semana. Um dos dias não consegui.
Sou humano. Embora pratique muito exercício físico (ginásio e corrida) ainda não consegui privar-me totalmente de alguns alimentos que são conhecidos por contribuírem uma dieta alimentar desequilibrada. E é precisamente nisso que preciso de trabalhar.
Para quem como eu gosta de comer (e algumas vezes beber um bom vinho) faz todo o sentido degustar o que tenho no prato. Apreciar um bom bacalhau (sim, quem diria...aprendi a gostar de bacalhau) e outros pratos (fortes) tipicamente portugueses. Ou porque não uma boa mousse de chocolate caseira. E o problema surge quando a força superior me impele a comer algo desse género. A pecar, portanto, e a pedir por uma dessas dádivas do demónio. E pior. Deliciar-me com as mesmas. E é precisamente aí que vem o sentimento de culpa.
É por isso que não vou poder deixar de fazer exercício físico ou sentir-me culpado depois de ter comido uma feijoada à brasileira. Ou então...deixo de comer o que gosto. E como só tofu com penne. E bróculos.

domingo, outubro 19, 2014

Complacência

Comecei há muito pouco tempo a ministrar formação numa matéria que, no meu entender, é importantíssima no contexto da aviação: os factores humanos.
É uma matéria que posso adiantar que dá pano para mangas. Muito pano mesmo. E especialmente para os técnicos de manutenção aeronáutica, "público-alvo" especialmente importante.
Nesta formação de factores humanos pretende-se sensibilizar estes técnicos para a importância que as suas acções podem ter no contexto da aviação e que poderão ter indesejáveis desfechos (incidentes / quase acidentes ou acidentes aéreos).
Um dos factores humanos que efectivamente poderá conduzir ao erro / falha humana no contexto da manutenção de aviões é a complacência. E creio que há uma correspondência com a vida pessoal de cada um de nós. Em algum momento seremos ou já fomos complacentes. Em contexto formativo reforço a ideia que a complacência é algo que deve ser evitada a todo o custo dramatizando com exemplos que espelham bem essa tendência (e.g. a realização de tarefas sem a consulta de manuais técnicos por se pensar que se sabe tudo de memória...etc.).
Na vida pessoal há também essa tendência (errada). Acharmos que sabemos tudo e que não precisamos de mais informação. De perceber, de estudar ou de ter mais dados. E isso pode conduzir-nos a juízos precipitados ou conclusões que não serão as correctas.

domingo, outubro 12, 2014

Positivismo

Ao longo dos últimos anos tenho-me deparado com um sentimento que tem norteado a minha vida: o positivismo.
Costumo parafrasear algo que entendo ser óptimo - as energias negativas atraem energias negativas. Ou seja, e simplificando, se pensarmos em algo de forma derrotista / pessimista, garantidamente que teremos uma dificuldade acrescida em dar a volta à situação. Seja em que circunstância fôr. Para qualquer problema que possam imaginar neste momento. Se só se abordar a questão pela perspectiva negativa será encontrada uma dificuldade muitíssimo grande em perceber onde está a solução.
Não estou com isto a dizer que nos devemos desviar do foco / cerne da questão. Nem estou igualmente a referir que devemos desvalorizar a questão. Nada disso. Apenas sugiro que se pense de forma pragmática e prática. O prisma negativo não é necessariamente o correcto. O prisma derrotista também não será. Por vezes, uma conversa aberta e franca com alguém em quem confiamos permite-nos ter uma outra visão das coisas. Isenta, como se pretende, e quem sabe mais positiva do que aquela que estamos a seguir. O que de resto é o que se pretende.

domingo, outubro 05, 2014

Obras em casa

Desde há alguns anos a esta parte que estava destinado que acontecesse. E tinha mesmo de ser. E foi este mês que começaram as obras cá em casa.
Se analisar o problema numa perspectiva de "funcional", ou seja, de aspecto prático, compreendo e aceito que sejam necessárias as obras para manter uma casa de pé. Grosso modo é isto. Se por outro lado estudar a perspectiva do aspecto prático e interferência com o quotidiano a coisa complica.
Para uma pessoa como eu que gosta da arrumação e das coisas organizadas, a palavra "obras" destoa. Sinónimo de poeira. Barulho e invasão da privacidade. E isso mexe um (bocado grande) com o meu sistema nervoso não obstante ser-me possível conceber a tal perspectiva "funcional".
De nada me adianta stressar com isto nos próximos tempos. Até porque para já...as obras não têm data para terminar. O truque, penso eu diariamente, é levar isto com toda a calma que me fôr possível. E passar menos tempo em casa!