domingo, novembro 30, 2014

O cinema e as séries

Aparentemente não terá nada a ver uma coisa com a outra. E se calhar não tem de ter. Mas o que é certo é que cada vez sigo mais séries - ver um dos meus "posts" mais recentes. Para piorar tudo....cada vez menos gosto da confusão, do buliço, dos atrasos derivados da publicidade e das pessoas malcriadas que vão às nossas salas de cinema.
Fui durante muitos anos um fiel cinéfilo e assíduo cliente de várias salas de cinema. Seguia as estreias de forma disciplinada e rotineira. Logo "ali", no dia seguinte às mesmas serem exibidas para perceber e tentar ajustar o meu gosto ao dos jornalistas que redigiam as críticas. Em alguns casos coincidia noutros nem tanto. Havia uma regularidade semanal nas idas ao cinema e onde era notória a a minha hercúlea tolerância ao ruído das pipocas, dos pés do espectador da fila de trás nas costas da minha cadeira, entre outras tantas situações que tiram qualquer pessoa do sério.
De cabeça sou capaz de recuar uns 25 anos e perceber que durante todo este tempo isso foi mesmo que aconteceu. Fui tolerante. Aceitei determinadas situações para que, em primeira mão me fosse possível ter uma opinião formada sobre determinado filme ou sobre a prestação de determinado actor. Qual homem que gosta de "bola" e consegue semanalmente falar do seu clube / golos marcados pelo seu jogador preferido. Assim seguia eu religiosamente os filmes do cinema.
Este ano as coisas mudaram um pouco como já aqui disse anteriormente. Deixei de ter tanta vontade de ir ao cinema. As vezes que fui (e talvez isto tenha contribuído da pior forma) não ajudaram. Ruído ambiente (pessoas a mastigar de boca aberta, a conversar durante o filme, as próprias cadeiras já muito usadas). Talvez sejam detalhes que sempre existiram e que agora....assumem uma importância diferente.
Com o meu mais recente vício - ver séries - as coisas passaram a ser diferentes. Se preferirem, a minha (já de si reduzidíssima) capacidade de encaixe para o ambiente do cinema tornou-se quase inexistente. Porquê? Porque posso ver tudo, com calma, na paz da minha casa. Sem perturbações. Sem barulho. Sem ter de esperar pelo final dos 20 minutos da publicidade, etc.. E ou muito em engano ou é mesmo para continuar.

domingo, novembro 23, 2014

Privatização da TAP

Tenho para mim que aquilo que é bom deve ser mantido. Afinal é uma máxima que tento aplicar no meu dia-a-dia e, até à data, não me tenho dado mal.
Na minha perspectiva, caso da transportadora aérea de bandeira reveste-se de algumas peculiaridades. E se se prestar atenção à "fita do tempo" perceber-se-á que se trata de um....caso perdido. E falo com propriedade na medida em que eu próprio já por lá passei.
A estrutura organizacional da TAP é pesada. Demasiado pesada para que qualquer empresa que esteja interessada nesta empresa a queira perpetuar. Há demasiadas pessoas e a primeira questão que naturalmente se irá colocar é se efectivamente é necessário (e exequível) manter todos estes postos de trabalho. Esta é (legitimamente) uma das maiores preocupações dos sindicalistas. Concordo.
Durante muitas décadas a opção dos serviços de manutenção prestados pela TAP esteve em cima da mesa de vários Clientes. Porquê? Pelo seu pessoal qualificado e profissional. Pelo inevitável "savoir faire português"..mas eficaz. E foram várias as empresas multinacionais que por cá foram firmando contratos (alguns longos) de manutenção das suas aeronaves. Acontece que, como em tudo, a realidade é...dinâmica. O "output final" oferecido (o tal standard elevado de qualidade e o cumprimentos dos prazos estabelecidos contratualmente) deixou de ser preponderante quando, entraram no jogo outros "jogadores". Falo de empresas de manutenção que foram criadas especificamente para surprir as necessidades dos vários operadores aéreos internacionais a....preços muitíssimo atractivos (i.e. situadas no Norte da Europa). No "final do dia" não são tão simpáticos (como nós latinos). Nem há a oportunidade dos representantes técnicos estrangeiros (elementos dos operadores que  são designados para acompanhar os trabalhos in loco) poderem ir dar uns mergulhos nos meses de maior calor.
Qual é a relação disto com a TAP? Bom. O problema é que uma das fontes primárias de rendimento era (e é) efectivamente a prestação de serviços de manutenção a terceiros. E numa óptica economicista (e em linha com o que referi acima), um qualquer operador aéreo - e com particular destaque em contexto de crise económica - não irá firmar contratos com empresas cujas instalações estejam próximas de praias. Ou pela simpatia dos trabalhadores. A variável "custo" assume uma preponderância ímpar. E claro, como qualquer um de nós entenderá com muita facilidade, passa a ser um factor decisivo.
A par e passo com uma gestão ruinosa da representação da TAP Manutenção (Brasil), ao longo dos anos foram sendo somados os prejuízos e incrementado de forma substancial o passivo, o negócio da manutenção passou a ser um problema.
Para terminar, a exclusividade dos direitos de tráfego para alguns destinos (i.e. USA, América Latina e África) também já era. Há uma importante e significativa concorrência à qual a companhia de bandeira não pode (nem deve) ser indiferente. Por exemplo, as companhias aéreas "low cost", onde toda a gente sabe ao que vai. E paga 1/7 do que pagaria num bilhete "normal" na TAP.
Veremos o que vai decidir o nosso Governo. É um assunto que faz parte do "memorando" da troika e até ao momento, poucos ou nenhuns avanços houve.

domingo, novembro 16, 2014

O Marquês

Muito se tem falado sobre o caso "Marquês" e que envolve um ex-Primeiro Ministro de Portugal. Todos os dias, a toda a hora, há actualizações a este caso tão mediático. Não me irei pronunciar quanto à coincidência (ou oportunismo) de ser uma notícia que é mediatizada no momento em que o caso dos "vistos gold" está (ou estava) ao rubro. Ou ainda, ser uma notícia que surge dias antes do início do congresso do maior partido da oposição.
Tentarei ser o mais isento possível nesta minha opinião e na medida em que nunca nutri simpatia por este ex-governante. Nunca. Tal qual muitas outras pessoas sou uma pessoa de empatias. Ou sinto ou não sinto. Por esta pessoa em concreto, nunca senti. Não obstante, consigo, pontualmente, reconhecer-lhe algum crédito merecido e iniciativa em algumas obras enquanto Ministro de um dos Governos.
O cerne de tudo isto está, parece-me a mim, na ambição desmesurada. Mais uma vez. Afinal trata-se de um ser humano. Nado e criado numa família da classe média. A mesma classe que usualmente paga a factura dos pobres (que não têm dinheiro para pagar) e dos ricos (que arranjam forma de fugir). E que naturalmente acaba por ser a classe mais sacrificada e onde surgem casos como este. De pessoas que, revoltadas, sem escrúpulos querem poder. E dinheiro.
Em grande parte, esse objectivo foi alcançado. Ainda que à custa de esquemas menos claros e ligações dúbias. Estou certo que o conhecido feitio de alguém execrável e obsessivo naturalmente terá expeditado a consecução de certos objectivos intermédios. por exemplo, as contas bancárias chorudas em nome do amigo lá da terra. Ou a compra do andar numa zona nobre de Paris culminando na aquisição de um topo de gama de uma marca de carros germânica. Já para não falar do alfaiate. O mesmo que veste muitas celebridades. Enfim.
A justiça tarda mas não falha. O mais curioso nisto tudo é que a aranha foi apanhada na sua própria teia. No caso, na legislação aprovada enquanto era Primeiro Ministro de Portugal e que resumidamente obriga os bancos a comunicar às entidades respectivas movimentos avultados de dinheiro. O resto da história já se conhece.
Espero que à semelhança de outros temas do passado recente também este tenha um desfecho justo. Que o podre da sociedade política não se imiscua na investigação e que seja feita justiça.

domingo, novembro 09, 2014

Crossfit

Depois de quase 3 anos a correr e um ano e meio de ginásio (musculação) vou, já a partir do próximo mês, experimentar uma nova actividade - o "crossfit".
Estou bastante expectante na medida em que é algo completamente diferente do que tenho feito até agora. Por um lado, a corrida, em que há um ganho substancial de musculatura do trem inferior (logicamente) e um aumento substancial da função respiratória. Por outro lado, a minha opção de treinar máquinas no ginásio prendeu-se, há algum tempo atrás, com o facto de ter perdido muita massa gorda (e muscular) com o início da corrida. Ou seja, na altura, fazia para mim todo o sentido o ganho de massa muscular perdida para evitar ficar com um físico demasiado "seco" (que esteticamente nunca apreciei).
Confesso que não tem sido tarefa fácil. Para começar, obrigo-me a treinar todos os dias. À excepção de Domingo. Nos demais dias...ou corro ou faço ginásio, alternadamente. Chama-se a isto disciplina. Espírito de sacrifício e acima de tudo, uma necessidade de exercício físico que queime os excessos alimentares que pratico diariamente. Esta é a verdade. Gosto de comer bem. Sempre gostei. E não me parece que algum dia embarque em fundamentalismos de "só" comer isto ou aqueloutro. Acredito que se possa comer tudo...com moderação. Tento seguir essa linha de pensamento.
Há mais vantagens que desvantagens na prática do "crossfit" comparativamente à musculação, em concreto (e dado que não penso, para já, em deixar a corrida). Evita-se a rotina na medida em que os exercícios são planeados previamente e tendo em linha de conta determinados objectivos: força, elasticidade, potência. São aulas sempre dadas por professor pelo que, a probabilidade de "dispersão" com troca de sms ou televisão é reduzida. Aliás, acredito mesmo que seja impossível. Outro aspecto importante é o gasto calórico. Por via dos exercícios realizados (aliados a uma alta intensidade) há, naturalmente, um dispêndio superior energético. A desvantagem é efectivamente o perigo de lesão aquando da prática desta actividade. Mas é como em tudo...também me posso lesionar a correr ou numa máquina do ginásio!
A médio, longo prazo, pelas minhas contas de cabeça, poderá significar que está para breve a tonificação da região abdominal (aquela que sempre me custou a trabalhar) e com toda a certeza, a melhoria da minha condição física e o ficar mais perto do meu objectivo final: porte atlético. A ver vamos como corre tudo. Vou dando notícias!

domingo, novembro 02, 2014

Os bancos do carro

Tenho tido um azar imenso com os bancos dos meus carros. Em bom rigor não será mesmo com os bancos o ajuste do banco para a frente ou para trás.
Passo a explicar: não raro, quando me sento no carro, as moedas que estão no bolso do lado direito das calças caem para o espaço livre entre a calha do banco e a alcatifa do chão. Em carros mais antigos, esse espaço era amplo e permitia enfiar a mão e apanhar o que caía para este espaço. Sempre foi assim e não havia problema de maior. Bastava espetar o rabo e mergulhar por baixo do banco para encontrar a moeda. Ou outros objectos que julgava perdidos há muito tempo...
Nos carros modernos as coisas funcionam de forma diferente. Basicamente, os bancos dos automóveis são desenhados de forma a ocupar todo o espaço disponível: quer em altura (possibilitando a acomodação dos cabos eléctricos na parte posterior) quer em largura (tornando muito complicada a operação de enfiar a mão lateralmente). 
A solução passa por uma de duas opções: a) Deixar de andar com moedas nos bolsos ou b) Deixar de ter bancos no carro. Passar a ter um banco de cozinha (daqueles de madeira)!