domingo, novembro 16, 2014

O Marquês

Muito se tem falado sobre o caso "Marquês" e que envolve um ex-Primeiro Ministro de Portugal. Todos os dias, a toda a hora, há actualizações a este caso tão mediático. Não me irei pronunciar quanto à coincidência (ou oportunismo) de ser uma notícia que é mediatizada no momento em que o caso dos "vistos gold" está (ou estava) ao rubro. Ou ainda, ser uma notícia que surge dias antes do início do congresso do maior partido da oposição.
Tentarei ser o mais isento possível nesta minha opinião e na medida em que nunca nutri simpatia por este ex-governante. Nunca. Tal qual muitas outras pessoas sou uma pessoa de empatias. Ou sinto ou não sinto. Por esta pessoa em concreto, nunca senti. Não obstante, consigo, pontualmente, reconhecer-lhe algum crédito merecido e iniciativa em algumas obras enquanto Ministro de um dos Governos.
O cerne de tudo isto está, parece-me a mim, na ambição desmesurada. Mais uma vez. Afinal trata-se de um ser humano. Nado e criado numa família da classe média. A mesma classe que usualmente paga a factura dos pobres (que não têm dinheiro para pagar) e dos ricos (que arranjam forma de fugir). E que naturalmente acaba por ser a classe mais sacrificada e onde surgem casos como este. De pessoas que, revoltadas, sem escrúpulos querem poder. E dinheiro.
Em grande parte, esse objectivo foi alcançado. Ainda que à custa de esquemas menos claros e ligações dúbias. Estou certo que o conhecido feitio de alguém execrável e obsessivo naturalmente terá expeditado a consecução de certos objectivos intermédios. por exemplo, as contas bancárias chorudas em nome do amigo lá da terra. Ou a compra do andar numa zona nobre de Paris culminando na aquisição de um topo de gama de uma marca de carros germânica. Já para não falar do alfaiate. O mesmo que veste muitas celebridades. Enfim.
A justiça tarda mas não falha. O mais curioso nisto tudo é que a aranha foi apanhada na sua própria teia. No caso, na legislação aprovada enquanto era Primeiro Ministro de Portugal e que resumidamente obriga os bancos a comunicar às entidades respectivas movimentos avultados de dinheiro. O resto da história já se conhece.
Espero que à semelhança de outros temas do passado recente também este tenha um desfecho justo. Que o podre da sociedade política não se imiscua na investigação e que seja feita justiça.

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