domingo, novembro 23, 2014

Privatização da TAP

Tenho para mim que aquilo que é bom deve ser mantido. Afinal é uma máxima que tento aplicar no meu dia-a-dia e, até à data, não me tenho dado mal.
Na minha perspectiva, caso da transportadora aérea de bandeira reveste-se de algumas peculiaridades. E se se prestar atenção à "fita do tempo" perceber-se-á que se trata de um....caso perdido. E falo com propriedade na medida em que eu próprio já por lá passei.
A estrutura organizacional da TAP é pesada. Demasiado pesada para que qualquer empresa que esteja interessada nesta empresa a queira perpetuar. Há demasiadas pessoas e a primeira questão que naturalmente se irá colocar é se efectivamente é necessário (e exequível) manter todos estes postos de trabalho. Esta é (legitimamente) uma das maiores preocupações dos sindicalistas. Concordo.
Durante muitas décadas a opção dos serviços de manutenção prestados pela TAP esteve em cima da mesa de vários Clientes. Porquê? Pelo seu pessoal qualificado e profissional. Pelo inevitável "savoir faire português"..mas eficaz. E foram várias as empresas multinacionais que por cá foram firmando contratos (alguns longos) de manutenção das suas aeronaves. Acontece que, como em tudo, a realidade é...dinâmica. O "output final" oferecido (o tal standard elevado de qualidade e o cumprimentos dos prazos estabelecidos contratualmente) deixou de ser preponderante quando, entraram no jogo outros "jogadores". Falo de empresas de manutenção que foram criadas especificamente para surprir as necessidades dos vários operadores aéreos internacionais a....preços muitíssimo atractivos (i.e. situadas no Norte da Europa). No "final do dia" não são tão simpáticos (como nós latinos). Nem há a oportunidade dos representantes técnicos estrangeiros (elementos dos operadores que  são designados para acompanhar os trabalhos in loco) poderem ir dar uns mergulhos nos meses de maior calor.
Qual é a relação disto com a TAP? Bom. O problema é que uma das fontes primárias de rendimento era (e é) efectivamente a prestação de serviços de manutenção a terceiros. E numa óptica economicista (e em linha com o que referi acima), um qualquer operador aéreo - e com particular destaque em contexto de crise económica - não irá firmar contratos com empresas cujas instalações estejam próximas de praias. Ou pela simpatia dos trabalhadores. A variável "custo" assume uma preponderância ímpar. E claro, como qualquer um de nós entenderá com muita facilidade, passa a ser um factor decisivo.
A par e passo com uma gestão ruinosa da representação da TAP Manutenção (Brasil), ao longo dos anos foram sendo somados os prejuízos e incrementado de forma substancial o passivo, o negócio da manutenção passou a ser um problema.
Para terminar, a exclusividade dos direitos de tráfego para alguns destinos (i.e. USA, América Latina e África) também já era. Há uma importante e significativa concorrência à qual a companhia de bandeira não pode (nem deve) ser indiferente. Por exemplo, as companhias aéreas "low cost", onde toda a gente sabe ao que vai. E paga 1/7 do que pagaria num bilhete "normal" na TAP.
Veremos o que vai decidir o nosso Governo. É um assunto que faz parte do "memorando" da troika e até ao momento, poucos ou nenhuns avanços houve.

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