domingo, janeiro 25, 2015

Conversas sobre sexo

Há dias vi na televisão, em horário nobre, um programa alusivo às conversas sobre sexo. Não que tenha nada contra...mas acho despropositado, à hora de jantar, depois do telejornal de Sábado conhecer os gostos sexuais de 5 ou 6 pessoas. 
Creio que há momentos para tudo. Não se trata de censura nem te conservadorismo. Trata-se de oportunidade. Trata-se de respeito pelas famílias que a essa hora estão num momento único - refeição em família - e que certamente não têm particular interesse em saber com quantas mulheres se deitou um dos intervenientes.
É triste que algumas estações televisivas recorram a este tipo de programa para (sem êxito) tentar o aumento do "share" (audiência). Péssimo gosto.

domingo, janeiro 18, 2015

Os detalhes

Diariamente lidamos e observamos objectos que fazem parte do nosso quotidiano. Falo do telemóvel. De um casaco. De um par de sapatos. Falo das chaves de casa, do comando da televisão e por aí adiante. São objectos que fazem com toda a certeza parte da nossa vida. O nosso cérebro não faz mais do que processar o que os nossos olhos vêem e identificá-los e nomeá-los como sendo algo nosso. Algo que comprámos para um determinado fim ou propósito.
Por vezes, quando olho para um determinado objecto, penso não só no seu formato (design) mas também tento, com alguma paciência e espírito aberto, tentar perceber o que iria na mente da pessoa (ou equipa de pessoas) quando idealizaram aquele objecto em concreto. Há um exemplo que gosto de dar (por razões óbvias).
Pensem num determinado automóvel. Pode ser o vosso, se tiverem. Se não tiverem também podem pensar num qualquer carro que vos agrade. Um dia que tenham tempo (e se prestem a realizar isto) dediquem 3-4 minutos a olhar para os detalhes. Por exemplo, o formato dos faróis traseiros e o enquadramento com o resto do carro. A grelha dianteira e os faróis dianteiros. A disposição dos instrumentos no interior. O formato do volante. O toque dos materiais. Tudo isto foi pensado por alguém. Depois, tudo isto foi tornado possível por todo um sistema que pegou nessa ideia ou pensamento e o(a) materializou. É isto que realmente é interessante e único. O que temos à nossa frente ser efectivamente o resultado da ideia de alguém. E ser-nos possível pensar no que teria pensado essa ou essas pessoas quando começaram a rabiscar algo no papel. Magnífico.

domingo, janeiro 11, 2015

Atentados Terroristas

Tiveram lugar esta semana atentados terroristas em França. Importa referir que o primeiro dos atentados (perpetrado pelos dois irmãos mais conhecidos da Europa) visou um conhecido jornal parisiense e que teve como resultado a execução de 12 jornalistas que se encontravam na redacção.
Não irei aqui discutir o "como". Creio que esse é um tipo de informação acessória e que toda a gente que acompanhou as notícias durante a semana saberá. Interessa-me mais dar a minha opinião sobre o "porquê".
Quem me conhece de há alguns anos a esta parte sabe que há dois assuntos que não discuto: política e religião. Eventualmente, acredito eu, por ter opiniões muito vincadas sobre qualquer um dos temas. E sei que desvios às mesmas geram discussão acesa. Sim, nestes dois temas  (e fazendo aqui um acto de contrição) fujo da discussão.
Há contudo algo que tenho em mim que é claro. O respeito pelo espaço e pela crença religiosa dos demais. Tenho amigos meus com as mais variadas crenças religiosas. E de vários quadrantes políticos. Asseguro, sem problema algum, que há uma coexistência pacífica com todos eles. Porquê? Porque há respeito. Porque sabemos que não interessa discutir estes temas. Não virá qualquer valor acrescentado para a nossa amizade. Poderei eventualmente interessar-me por algum ritual religioso na medida em que seja diferente do cristianismo católico - minha religião - e pouca mais informação é realmente relevante para mim. Imaginemos agora que sempre que me encontrasse com alguém gozava com a sua opção religiosa. Publicamente humilhasse a sua escolha. Talvez essa pessoa passasse a evitar estar comigo. Ou talvez ponderasse não manter mais a amizade. O mesmo exemplo serve para as opções políticas.
Há vários tipos de jornalismo. Um deles, à semelhança de tantos outros estilos, é o recurso à sátira. Uma coisa é satirizar um determinado evento, pessoa, Nação. É o que os "cartoonistas" fazem usualmente. Satirizam. Utilizam o "cartoon" para criticar algo. Pontualmente. Mas há um jornalismo que vai mais longe. E passam regularmente uma mensagem satírica de condenação pública de algo. Interferindo logicamente com a liberdade individual religiosa/política.
É este o cerne da questão. Da mesma forma que nenhum cristão/católico gostaria que um jornal de outra religião brincasse com aquilo que considera sagrado. Não deixa de ser importante lembrar o que aconteceu há uns anos quando um conhecido humorista português brincou com a "Última Ceia". A condenação imediata pública por parte do Clero Português e que fez com que houvesse um pedido de desculpa público. Agora imaginemos que este humorista continuava a brincar com este importante momento para os cristãos católicos. Que desfecho teria? Eventualmente não seria o melhor. Relembro que também há extremistas religiosos na religião cristã/católica. Embora menos conhecidos, mas há.
O outro ângulo de análise deste tema é que estes atentados têm lugar num País conhecido pela tensão racial latente. Desde há várias décadas. Nunca, nunca poderia ser pacífica uma continuada sátira religiosa em França, que como se sabe tem a sua história marcada por vários confrontos. O que aconteceu a semana passada continuará a acontecer e cada vez com mais violência. As políticas defendidas pela extrema-direita relativamente à imigração nunca foram levadas a sério pela sua impopularidade. O que sucede, a jusante, é que França como que passa a ser o albergue de vários indivíduos referenciados pelas Autoridades como soldados de conhecidas organizações terroristas. E aqui surge-me uma questão enquanto leigo na matéria: Se estão referenciados como membros destas organizações e se é conhecida a sua entrada no País (neste caso França) após um período de ausência em nações que possuem campos de treino de soldados terroristas...o que esperam as Autoridades para agir? Para interrogar as pessoas? Para as questionar acerca das razões que os levaram a esses Países? Parece-me ser uma boa questão.
A questão da liberdade de expressão assume um papel tanto de importante como de ingrato neste caso. É certo que vivemos o tempo da liberdade de expressão mas, como aqui já referi neste blogue, há uma enorme exploração deste tema para condenar, humilhar, satirizar aquelas que são as crenças de outros grupos de pessoas. E naturalmente, entra-se em "zonas de tensão" na medida em que há, na generalidade, uma resposta armada e que tem como consequência as lamentáveis e inocentes perdas humanas.
Com tudo isto, e para terminar, ganha projecção de forma ímpar o partido francês da extrema-direita. Não deixo de concordar que tem ideias que neste momento irão apaziguar e dar conforto à opinião pública francesa. E não só. Há poucos dias e consequência dos ataques em França também a mesquita principal da cidade de Lisboa foi vandalizada com inscrições nazis numa parede exterior. Pessoalmente acho errado. O facto de UMA pessoa ter gozado com a "Última Ceia" não faz com que todos os cristãos/católicos gozem ou vejam piada na sátira. Muitos foram os que repudiaram este episódio. Da mesma forma que a comunidade muçulmana ao nível internacional também repudiou estes últimos atentados. 
Espero estar enganado, mas creio que estes episódios foram os primeiros de muitos que terão lugar em breve. A unidade de combate ao terrorismo britânico (MI5) já avançou a informação de serem esperados ataques em solo britânico. E França já foi avisada que haverá réplicas destes atentados. Independentemente da nossa crença religiosa rezemos para que estas ameaças não se concretizem.

domingo, janeiro 04, 2015

Resoluções de Ano Novo

A passagem do ano é sempre um momento para novas resoluções. Por novas resoluções entenda-se os (novos) objectivos pessoais que são estabelecidos e que nos comprometemos a atingir durante esse novo ano.
Para este novo ano, pedi mais uma vez (a quem quer que receba e registe as minhas preces enquanto enfio as 12 passas na boca) a saúde, paz e amor no mundo. Os habituais pedidos clássicos, portanto.
O principal pedido não preciso de fazer. Porque já estou a trabalhar nele há algum tempo. Continuamente. O meu feitio. Em paralelo com uma introspecção sobre a melhor forma para passar a ter mais poder de encaixe. Ou ainda na capacidade para aceitar os erros dos outros. Tudo aspectos que quero tentar melhorar em 2015 e será por aqui que, pessoalmente, me irei esforçar.
Tudo o resto veremos. O ano que finda foi muitíssimo rico em experiências pessoais e pessoas que por alguma razão deixaram de fazer parte da minha vida. Não lamento. Tenho-me como uma pessoa razoável que consegue avaliar as situações individualmente e perceber o que de melhor (e pior) se pode extrair delas. Retirar os devidos ensinamentos e seguir caminho. É assim mesmo a vida.
Boas entradas e tudo de bom!