domingo, maio 31, 2015

O sermão

Um dos momentos mais importantes da celebração eucarística é sem dúvida alguma o sermão. Para quem não está muito familiarizado com a terminologia da Santa Igreja, o sermão, para facilitar o entendimento, não será mais do que as palavras que o concelebrante profere após a "Palavra do Senhor" ou "Evangelho" (leitura da Bíblia).
Desde muito cedo que os sermões me intrigaram um pouco. Sempre me suscitou grande curiosidade no aspecto do que o padre ía dizer depois da leitura daquele Domingo. Ou seja, será que os padres sabem o que dizer? Será que o entendimento dos padres que celebram determinada missa e lêem o Evangelho será a mesma que o entendimento da Santa Igreja acerca desse mesmo Evangelho? Será que eram focadas todas as "palavras chave" que a Santa Igreja entende que devem ser naquela leitura específica? Nunca entendi. Acredito que as celebrações sejam preparadas e acredito igualmente que determinado sermão seja proferido vezes sem conta ao longo dos anos. O que não significa que seja o mais adequado ou que a opinião seja partilhada com quem está a ouvir aquele sermão. No final do dia será a opinião do padre acerca daquela leitura.

domingo, maio 24, 2015

Violência Policial

A agressão do pai à frente de uma criança é uma imagem que dificilmente sairá da memória desta. Veja-se no vídeo o pânico miúdo. Um bom polícia é treinado (e tem preparação específica anti-motim, por exemplo) para resistir às maiores provocações que possamos imaginar. Já não comentando a inqualificável agressão do ancião pelo mesmo profissional da PSP. Um momento delicado como era este jogo - no qual se podia antever o campeão nacional - era naturalmente lido como um momento particular para festejos mais efusivos. Para estes momentos em concreto é necessário aplicar na prática o que se aprendeu. E possuir nervos de aço e uma capacidade (extra) de poder de encaixe para conseguir manter a segurança e a ordem pública. Este polícia em concreto demonstrou, lamentavelmente, que faltou às aulas dessa disciplina.

domingo, maio 17, 2015

Os jovens e a violência

Termina hoje uma semana marcada por duas notícias que atestam o quão errante pode ser o percurso de vida de alguns jovens. E desde já uma ressalva necessária....Um grupo de jovens não reflecte todos os jovens.
Começo com o vídeo (viral) do miúdo que é sovado, à vez, pelos colegas. Quando vi este vídeo pela primeira vez pensei que fosse alguma brincadeira. E confesso que não perdi mais do que 3 segundos a ver este vídeo. Pensei que pudesse acontecer algo do tipo...a dada altura o miúdo que está a ser sovado virar-se e bater com toda a força em alguém com uma barra de ferro e saltar uma cabeça. Ou outra situação qualquer que mudasse o triste (e conhecido) rumo da história. Mas não. Apaticamente o miúdo deixa-se espancar. Sem sequer mostrar qualquer vontade de se defender. Sem se debater. Sem reacção. Pessoalmente leio isto como alguém que naquele momento, naquele instante, quer morrer. Quer mostrar aos seus semelhantes que o resultado daquela perigosa brincadeira podia ser um. E que iriam carregar esse fardo para todo o sempre. Contrariamente a todas as pessoas que conheço (e que viram o vídeo até ao fim) e que opinam e comentam apenas o facto do miúdo não se defender eu enveredo por uma linha de pensamento diferente. E que, como refiro atrás, me leva a pensar que poderá ter sido uma forma de castigo que tem como "gatilho" a auto flagelação. Naquele momento, poder ter sido pensado por aquele jovem que poderia haver uma consequência que iria mudar o resto da vida daquelas outras criaturas. Mas claro não passa de uma teoria minha. E que vale o que vale. Apenas retenho que qualquer que seja o ser humano emocionalmente equilibrado e lúcido, em algum momento luta ou debate-se pela vida quando a sente ameaçada. Mesmo que tal seja inútil. E neste caso, pelo que sei, tal não acontece até ao final do vídeo. Entretanto vêm a público as opiniões dos pais como que a chamar a si a responsabilidade dos actos perpetrados pelos filhos. Vale o que vale, a meu ver. As pessoas - independentemente da sua idade - têm de ser responsabilizadas pelos seus actos. O mal está feito. Quem sabe terão sido causados danos irreparáveis neste jovem. E que não são apagados com pedidos de desculpa feitos pelos pais dos agressores. Se conscientemente agrediram outro jovem também conscientemente deverão acatar com as responsabilidades.

A questão do jovem de 17 anos que espanca mortalmente outro jovem também me deixa revoltado. Não fico apenas revoltado com (mais um) acto de violência que infelizmente culmina na morte de um ser humano. Não fico indignado por mais uma vez realizar que a justiça nunca será suficientemente severa para castigar alguém que, selvaticamente, interrompe a linha da vida de outro ser. E que depois entra num mundo fantasioso e que tenta ludibriar as autoridades. Com "sorte" ainda é declarado inimputável e passa 25 anos da sua vida na cadeia. Ou sai antes por bom comportamento..sendo que todo este período, enquanto lá estiver, é suportado pelo Estado (leia-se contribuintes portugueses). 

Não tenho muito mais a acrescentar sobre estes temas a não ser que era muito importante que era importante que houvesse jurisprudência em ambos os casos. 

domingo, maio 10, 2015

A TAP...

Acompanho com interesse a questão da privatização da TAP. Não só porque estou no mundo da aviação, mas também porque em alguma altura da minha vida passei por aquela Companhia e conheço a realidade da mesma.
Já na altura em que trabalhei na TAP que se falava que a empresa tinha custos estruturais elevadíssimos. Basta pensar que nessa altura a TAP tinha cerca de 10.000 trabalhadores. Hoje tem quase 13.000 trabalhadores. Depois também é importante equacionar que há uma série de variáveis que contribuem para que o resultado final da equação da viabilidade económica da empresa seja (ainda) surpreendentemente positivo. E refiro propositadamente o "ainda" porque com todos os prejuízos que a empresa tem tido....ou com a proibição por parte de Bruxelas das ajudas do Estado Português...já devia ter encerrado portas há muito.
Sou sensível à questão de se tratar da Companhia de bandeira do meu País. Igualmente serei sensível à questão de estar em causa a continuidade dos postos de trabalho dos trabalhadores - este pormenor é importante porque quando se falou inicialmente na privatização, nunca estiveram em causa  os postos de trabalho. Actualmente o Presidente da empresa fala em reestruturação. E esta palavra, neste momento, sugere-me despedimentos. Já não falando na (oportuna) greve dos pilotos da TAP. Mas pode ser só impressão minha. Da mesma forma que poderá ser só impressão minha que não deverão ser os contribuintes portugueses a suportar o perpétuo endividamento da empresa (via injecção de capital por parte do Estado).
Neste momento importa perceber e conhecer um pouco mais quem são os interessados nesta empresa. Que garantias têm / oferecem para a continuidade da mesma. Que modelo de gestão propõem em alternativa ao que tem sido seguido há mais de 10 anos. 
A TAP é uma empresa aliciante, não fosse, entre outros aspectos, o (enorme) passivo que tem e que resulta 8em grande parte) de um tema que se fala...mas que não se quer falar muito - a manutenção do Brasil. Resumidamente, está relacionado com o sector de manutenção da extinta "VEM". Se há uns anos pareceu ser uma decisão estrategicamente viável e acertada...hoje em dia revela ter sido uma escolha desastrosa. E que tem um peso significativo nas contas da TAP. Daí também importar perceber quais os moldes do negócio que os 3 concorrentes têm em vista. 
A greve dos pilotos da TAP (à qual curiosamente aderiram mais pilotos da Portugália) foi um catalisador desta privatização. Com algum distanciamento consigo perceber que o Vice-Presidente do SPAC foi um boneco nas mãos de um grupo poderoso e a quem interessava ter um bode expiatório. Hoje não tenho dúvidas que poderá ter sido isto que aconteceu...em detrimento do frágil argumento do pagamento das diuturnidades e do ainda do direito dos pilotos à  compra dos 20% da empresa acordado em 1999. A ver vamos.
Até ao final do mesmo de Junho haverão novidades. Esperemos que boas. Para os trabalhadores da TAP e para Portugal.

domingo, maio 03, 2015

Refugiados

Em linha com as últimas notícias, Portugal, enquanto Estado Membro da União Europeia, irá receber uma quota de refugiados resgatados do Mediterrâneo (cerca de 700 correspondente a 3,52%). À semelhança da Alemanha, França, Itália e Espanha cada Estado Membro terá a sua quota (proporcional). De fora, para já, ficam o Reino Unido, Noruega e outro(s) que não fixei. Dependerá da sua vontade participar (ou não) nesta causa. Por responder ficam duas questões: a) Por cá, onde vão ser colocados estes refugiados e b) Quem suportará os custos da s/integração na sociedade portuguesa. Perdoem-me os defensores dos direitos humanos - e concordo que se trata de um flagelo actual - mas não deixo de ficar confuso com esta decisão tomada nestes dias em Bruxelas. Com uma tão elevada taxa de desemprego por cá vamos receber pessoas que não têm qualquer ligação com Portugal? Mesmo!? Será que o actual Governo percebe uma potencial onda de revolta/contestação social (lógica) que surgirá por parte daqueles que ou já não têm dinheiro ou para lá caminham? Nos momentos em que devemos marcar um posição inequívoca abstemos-nos de opinar ou marcar uma posição que nos seja favorável na actual conjuntura socio-económica. Mais uma vez os "brandos costumes".