domingo, maio 10, 2015

A TAP...

Acompanho com interesse a questão da privatização da TAP. Não só porque estou no mundo da aviação, mas também porque em alguma altura da minha vida passei por aquela Companhia e conheço a realidade da mesma.
Já na altura em que trabalhei na TAP que se falava que a empresa tinha custos estruturais elevadíssimos. Basta pensar que nessa altura a TAP tinha cerca de 10.000 trabalhadores. Hoje tem quase 13.000 trabalhadores. Depois também é importante equacionar que há uma série de variáveis que contribuem para que o resultado final da equação da viabilidade económica da empresa seja (ainda) surpreendentemente positivo. E refiro propositadamente o "ainda" porque com todos os prejuízos que a empresa tem tido....ou com a proibição por parte de Bruxelas das ajudas do Estado Português...já devia ter encerrado portas há muito.
Sou sensível à questão de se tratar da Companhia de bandeira do meu País. Igualmente serei sensível à questão de estar em causa a continuidade dos postos de trabalho dos trabalhadores - este pormenor é importante porque quando se falou inicialmente na privatização, nunca estiveram em causa  os postos de trabalho. Actualmente o Presidente da empresa fala em reestruturação. E esta palavra, neste momento, sugere-me despedimentos. Já não falando na (oportuna) greve dos pilotos da TAP. Mas pode ser só impressão minha. Da mesma forma que poderá ser só impressão minha que não deverão ser os contribuintes portugueses a suportar o perpétuo endividamento da empresa (via injecção de capital por parte do Estado).
Neste momento importa perceber e conhecer um pouco mais quem são os interessados nesta empresa. Que garantias têm / oferecem para a continuidade da mesma. Que modelo de gestão propõem em alternativa ao que tem sido seguido há mais de 10 anos. 
A TAP é uma empresa aliciante, não fosse, entre outros aspectos, o (enorme) passivo que tem e que resulta 8em grande parte) de um tema que se fala...mas que não se quer falar muito - a manutenção do Brasil. Resumidamente, está relacionado com o sector de manutenção da extinta "VEM". Se há uns anos pareceu ser uma decisão estrategicamente viável e acertada...hoje em dia revela ter sido uma escolha desastrosa. E que tem um peso significativo nas contas da TAP. Daí também importar perceber quais os moldes do negócio que os 3 concorrentes têm em vista. 
A greve dos pilotos da TAP (à qual curiosamente aderiram mais pilotos da Portugália) foi um catalisador desta privatização. Com algum distanciamento consigo perceber que o Vice-Presidente do SPAC foi um boneco nas mãos de um grupo poderoso e a quem interessava ter um bode expiatório. Hoje não tenho dúvidas que poderá ter sido isto que aconteceu...em detrimento do frágil argumento do pagamento das diuturnidades e do ainda do direito dos pilotos à  compra dos 20% da empresa acordado em 1999. A ver vamos.
Até ao final do mesmo de Junho haverão novidades. Esperemos que boas. Para os trabalhadores da TAP e para Portugal.

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