domingo, junho 28, 2015

A cerimónia nos casais

Num momento em que estou sozinho (leia-se sem compromisso) é naturalmente maior a minha disponibilidade para pensar um pouco sobre os relacionamentos afectivos. E chego a algumas conclusões interessantes. Uma delas, a cerimónia que há nos casais.
Refiro-me ao caso concreto de nem sempre se dizer tudo no casal. Há detalhes que são omitidos (e que unilateralmente não poderão ser relevantes), mas que quando debatidos poderão ter como consequência uma discussão sadia. Acredito que na base do que refiro esteja, na maioria das vezes, o receio de melindrar ou ofender o outro lado com determinado aspecto ou detalhe. O que não é necessariamente bom.
Os elementos do casal deverão ser sempre cúmplices. Para o bom e para o mau. Encetar pelo caminho do "bypass" ou da omissão...poderá ter consequências menos boas se, mais tarde, o assunto vier à baila. A cerimónia não deve existir. Deve sim ser fomentada uma plataforma de entendimento tal que permita que sempre que haja vontade seja encorajada a partilha. E não o contrário.

domingo, junho 21, 2015

A indiferença injustificada

Há poucos sentimentos tão descabido como seja a indiferença. Uma pessoa que me tenha feito mal, que tenha sido ou seja injusta comigo ou com quem, por algum motivo, não seja possível lidar, merecerá, naturalmente, a minha indiferença. Justificada, claro. 
Não acredito que haja alguém que conscientemente me podem acusar de ter sido injustamente indiferente. De memória não tenho lembrança de alguma vez o ter sido. Contudo, constato com alguma infelicidade, que são cada vez mais as pessoas que o são comigo. Para quem simplesmente..não existo. Ou fingem (de forma muito convincente) que não existo. Não percebo bem o porquê. Enfim..viver e aprender.

domingo, junho 14, 2015

Amphibia Challenge 2015

Acabo de realizar a prova "Amphibia Challenge 2015" com um grupo de colegas e amigos.
Foi uma prova na qual me inscrevi há alguns meses na expectativa de viver bons momentos em grupo e promovendo o trabalho entre os vários elementos para um mesmo objectivo - terminarmos a prova todos juntos.
E assim foi. A prova teve lugar na escola dos fuzileiros, em Vale de Zebro (Barreiro) sendo esta a 2ª edição da mesma.
A prova tem como objectivo superar 9,5 quilómetros de obstáculos sendo que grande parte se desenrola na famosa pista de lodo. Lodo para os mais distraídos é nem mais nem menos que lama. Lama daquela que faz vácuo quando se caminha e que não raro faz com que as pessoas avancem...e os sapatos fiquem para trás. O que, convenhamos, não dá muito jeito.
Para pessoas sem preparação física acredito que a prova tenha parecido dura. O lodo não se atravessa a pé. Atravessa-se de gatas. É a forma mais fácil de progredir rapidamente neste meio. Contudo, o circuito está desenhado de tal forma que muitos dos obstáculos (na quase totalidade construídos com recurso a troncos) ficam rapidamente encharcados e com lama após algumas passagens. Imagine-se agora umas largas centenas de passagens. O risco de acidente é rapidamente incrementado. E aqui reside uma das críticas negativas que faço à organização - supervisão inexistente de muitos obstáculos - e que poderia ter tido como consequência um mau dia para alguém...
Creio que já aqui referi que não sou um nadador exímio. Nunca fui. Nado razoavelmente para me salvar. Dois dos obstáculos envolviam a travessia em meio aquático. O que de resto faz sentido numa prova que tem lugar no campo de treino dos fuzileiros conhecida que é como tropa especial anfíbia (operação em terra e água). Se eu estava mentalizado para esta realidade e idealizei a forma mais expedita de transpôr estes dois desafios...o mesmo não aconteceu com um colega meu. E tivémos uma questão em mãos porque desconhecíamos que tivesse pânico da água. Apenas nos avisou já na boca do obstáculo o que foi manifestamente tarde. Por acaso saltei antes dele e os meus colegas que me viram saltar bem como o salto dele imediatamente após o meu alertaram-me de imediato para o ajudar. Entrou imediatamente em pânico. Teve de ser evacuado para terra por um mergulhador e continuou a prova. Mais tarde, quase no final da prova, mais um obstáculo com água. Aqui um curso mais longo. Entrou em pânico e foi praticamente transportado em braços por um colega meu (eu já ía mais avançado) e escoltado à frente e atrás por outros colegas. Chato.
De resto...assumimos que o obstáculo só era considerado transposto quando todos os elementos da nossa equipa o tivessem transposto. Claro que a prova acabou por ser mais demorada porque nem todas as pessoas têm o mesmo condicionamento físico e têm lugar os incontornáveis atrasos.
Para terminar, o segundo ponto negativo. A prova começou com cerca de hora e meia de atraso. Com uma chuva torrencial (passageira) antes do início da prova a moral das equipas não era a melhor. Talvez uma melhor organização tivesse sido bem-vinda. Mas o saldo é positivo. Veremos se para o ano há mais!!

domingo, junho 07, 2015

Mad Men

“Mad Men” é uma série criada por Matthew Weiner que conta a história de publicitários nova-iorquinos (sendo que a sigla Mad é uma alusão à Madison Avenue em Nova Iorque onde está situada uma famosa agência de publicidade, mas também podendo ser lida como Mad de loucos) durante uma década, do início dos anos 60 até os idos dos 70. 
A série gira em torno de Don Draper (Jon Hamm), um director de arte genial com fama que o precede, tanto pelos seus talentos quanto por suas obsessões e vícios - especialmente no campo da sedução do sexo oposto. 

Através de Don, conhecemos personagens como Peggy Olson (Elizabeth Moss), uma secretária que busca ser algo mais, e Betty Draper (January Jones), esposa de Don, que por muitas vezes recalca seus próprios desejos e dúvidas em prol de seu casamento e seus filhos – nos primeiros episódios das primeiras temporadas, pelo menos.

A série começa num dos primeiros meses de 1960. Estados Unidos e União Soviética, durante a intensa Guerra Fria, já se degladiam  na corrida espacial, que em 1961 lançaria o primeiro homem, o soviético Yuri Gagarin, a orbitar a Terra.
Está muito presente a questão racial nos Estados Unidos que se intensifica e figuras como Malcolm X e Martin Luther King aparecem e, posteriormente, são mortos e saem de cena – sendo que todos esses actos, assim como o Ato dos Direitos Civis de 1964, têm impacto real nos personagens da série. O assassinato de John F. Kennedy, retratado nesta magnífica série, também tem impacto directo na vida dos publicitários e familiares.
O sexismo da sociedade naquela época também está reflectido durante toda a série, principalmente nas figuras de Peggy Olson e Joan Holloway (Christina Hendricks), ambas figuras femininas desta série que lutam para ir além do que é esperado e imposto a elas: a eterna e clássica figura da secretária, que não raramente inclui serviços "especiais" com clientes e patrões. O fato de Peggy e Joan não vergarem a partir de determinada altura da série e não aceitarem o "status quo" serve precisamente para contrastar com as demais mulheres na série que cedem à pressão da sociedade – como aquelas (várias) que passam pela cama de Don Draper.
A questão musical também nos mostra o momento do tempo da serie. E são estes elementos se desenvolvem com maestria ao longo dos episódios, sempre permitindo uma localização "onde" – ou melhor, quando – nos encontramos e, principalmente, mostrando como a geração de Don se distancia cada vez mais do público que um dia precisará conquistar com seus comerciais.
A série “Mad Men” é um retrato perfeito de uma época, e assim é por ser muito mais do que a soma de suas partes. É simultaneamente uma reflexão sobre o que é relevante para nós e para o mundo; é uma análise comparativa do mundo que já vivemos no passado e o mundo que temos agora – e de que forma evoluímos muito menos do que gostamos de pensar, é um revisitar que provoca uma nostalgia doentia por uma época de fortes contrastes e que infelizmente não vivi.
É preciso encarar esta série não como uma aula só de televisão, mas de vida, mostrando que o simples ato de viver implica em consequências e perdas ao longo do caminho, e que muitas coisas ficarão inexplicadas – ou que serão inexplicáveis – ao longo da estrada, mas que no final a escolha de seguir em frente apesar do passado ou deixar o passado nos encher de pesar é toda nossa.